Com classificação dos EUA de terrorismo para facções, Brasil ficaria vulnerável
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- Banco MasterEscândalo envolvendo ministros Alexandre de Morais e Dias Toffoli · Investigações sobre relacionamento entre ministros e banqueiro · Vazamento de mensagens íntimas de Daniel Voçoro · Pressão para afastamento de ministros · Julgamento da Segunda Turma sobre prisão preventiva · Tentativas de contenção da crise pelo presidente Edson Faquim
- CPIs para investigar Banco Master no CongressoPedidos de instalação de CPI no Senado e Câmara · Resistência de presidentes do Congresso · Envolvimento do Centrão · Possível acionamento do Supremo · Investigações no Distrito Federal envolvendo governador Ebaneis Rocha
- Classificacao Terrorismo BrasilPossível designação do PCC como organização terrorista · Possível designação do Comando Vermelho como organização terrorista · Preocupações de segurança nacional americana · Legislação americana autoriza operações militares · Vulnerabilidade do Brasil a intervenção externa · Conversas diplomáticas para impedir medida · Encontro entre Lula e Trump previsto
- Política e GovernoConexões com o Centrão · Doações para campanhas de Bolsonaro · Doações para campanha de Tarcísio de Freitas · Relacionamento com ministros do STF · Influência em negócios de BRB e Banco Master
- Expansionismo e política externa de Donald TrumpIncursão na Venezuela · Pressão na Colômbia · Ações no Irã · Busca por popularidade através de ofensivas externas · Vulnerabilidade do Brasil ao imperialismo americano
- Economia do Governo LulaPresença confirmada de Flávio Bolsonaro no evento · Evitar constrangimentos políticos · Desconforto com vitória da direita no Chile · Priorização do fronte interno
- Justiça e Economia no BrasilPagamento acima do teto constitucional · Questão de legitimidade e integridade institucional · Posicionamento do presidente Edson Faquim · Decisões de ministros contra penduricálios
- BolsonaroSolicitação de visita de Darren Viery à penitenciária · Discussão de políticas do Departamento de Estado americano · Possível influência em agenda de segurança · Relação entre Bolsonaro e governo Trump
- Ética no JudiciárioDistanciamento saudável de juízes em relação às partes · Essencialidade da imparcialidade · Código de conduta para ministros · Padrões éticos no STF
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Rogalhães.
de tribunais superiores e de segunda instância. Oi, Samanta, boa noite novamente. Oi, Débora, Vera, Carol, boa noite. Olha, de fato, é um momento de tensão, isso dito de forma aberta pelo ministro Edson Fachin, ele que teve uma conversa com os presidentes dos tribunais superiores e também de segunda instância.
mas fato é que ele quis dar recados também com relação ao caso Master e essas investigações que se pede em torno dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Nesse encontro, entre outros temas, ele falou dos penduricalhos, aquelas verbas indenizatórias pagas acima do teto constitucional, de forma bastante clara.
financeira, mas também simbólica de percepção pública de integridade e legitimidade do sistema judicial. Ele ainda defendeu que os juízes têm direitos, sim, à recomposição de salários, mas não acima do teto constitucional. Ele falou sobre isso bastante especificamente, dizendo ainda, lembrando que os juízes também não têm voto, ou seja, eles têm que cuidar somente
da questão judicial.
lei. Bom, ele também falou sobre outros temas, inclusive vem conversando com todos os ministros do Supremo Tribunal Federal por conta da preocupação especial relativa ao Banco Master, tem falado até mesmo com o relator André Mendonça na tentativa de estancar essa crise e houve inclusive reunião aí com a Ordem dos Advogados do Brasil, ele
que está atento aos fatos, que nada vai ficar embaixo do tapete justamente nessa menção ao caso Master e o envolvimento dos ministros da corte. Lembrando que essa reunião de ontem com os integrantes do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil e das seccionais também, tratava ali do inquérito das fake news, de outras questões da advocacia, mas também se falou a respeito do caso Master.
com vocês. Obrigada, Samanta Klein, pelas informações. O pagamento de penduricalhos é realmente um problema sério, mas talvez seja o mais fácil de ser resolvido nesse momento, considerando os demais, né, Vera? Vamos para as entrelinhas dessa fala de Fachin? É, eu acho que ficou muito nítido, né, que ele estava partindo do caso dos penduricalhos, que é mais fácil de tratar em público, embora seja ali controverso. Por quê? Porque ele, de alguma maneira,
é pacífico dentro do próprio Supremo. O ministro Flávio Dino deu uma decisão ali limitando todos os penduricalhos. O ministro Gilmar Mendes deu uma decisão no mesmo sentido. Eles estão discutindo isso. Então, esse não é um tema tabu para dentro. Já a questão do Master é. E o ministro Edson Fachin tem pisado em ovos ao discutir essa questão. Ele tem falado individualmente,
com os ministros, depois que aquela reunião entre todos eles vazou, e aquilo ficou muito chato quando vazou. Então, ele tem procurado individualmente e tratado da questão. Mas essa não parece ser uma forma eficaz de tratar de um assunto tão urgente, tão importante, que está desgastando de uma maneira tão forte a principal corte brasileira. Não me parece que os ministros que estão, de alguma maneira, envolvidos,
no caso Master, vão tomar providências por eles mesmos. O ministro Dias Toffoli só deixou a relatoria do caso quando foi praticamente colocado na porta pelos seus colegas. O ministro Alexandre de Moraes soltou aquela nota na semana passada que não explicou nada. Sua mulher soltou uma nota ontem a respeito do contrato que o escritório dela detinha com o Banco Master e que suscitou mais perguntas do que respostas.
Então, o assunto segue ali como um cadáver em sepulto. Ninguém tem coragem de tocar nele ali no plano mais institucional, falar a respeito abertamente. E ele vai ali, vai ali sendo empurrado com a barriga, jogado de lado. Mas, na sexta-feira, começa o julgamento no plenário virtual das decisões do ministro André Mendonça.
o Supremo pode atenuar ou agravar muito fortemente a crise no qual ele está enfiado. E o ministro Fachin acabou ficando solitário nessa defesa institucional, né, Vera? Porque os demais ministros não se manifestam. O decano Gilmar Mendes, quando se manifestou, foi apenas para criticar os vazamentos das mensagens de cunho pessoal de Daniel Alvorcaro. Ponto que a gente discutiu ontem, né? Que o Gilmar Mendes tem razão, mas que não dá conta de tudo, de toda essa crise em que o Supremo
Supremo tá imerso, né? É, não chega nem perto, né, Carol? E a gente tem que ver que ele, Gilmar Mendes, está na segunda turma, que vai ter de decidir se mantém a prisão do Vorcar ou não. E assim como está também o Dias Toffoli, antigo relator do caso, e que até aqui não deu nenhuma amostra de que pretende se dizer impedido de julgar. Se ele fizesse isso, isso atenuaria a pressão que existe hoje sobre o Supremo.
a desconfiança generalizada da sociedade que existe sobre o Supremo. Facilitaria, inclusive, o caminho para que os outros ministros da segunda turma votassem a favor da manutenção da prisão do vorcário. Porque uma vez que tudo aquilo que tem no inquérito da Polícia Federal veio à tona, as razões para a manutenção da prisão estão mais do que dadas. Risco de obstrução de justiça, ameaça aos investigadores,
com a integridade física de alguns adversários e pessoas que o Vorcaro tinha ali como obstáculos no seu caminho, uma tentativa de fuga que já se investigou lá atrás, na primeira prisão dele. Então, os elementos para a manutenção da prisão preventiva estão dados. Mas a presença do Toffoli entre os julgadores mantém esse clima de constrangimento generalizado,
a uma certa aliança que não se justifica mais nesse caso. Sim, o ministro Gilmar Mendes é do mesmo vai, digamos, grupo político do Toffoli, dentro do tribunal. Mas se ele votar pelo relaxamento da prisão preventiva do Daniel Vorcaro, ele vai agravar imensamente a crise. Ele e os demais. A gente tem também uma grande dúvida sobre o voto do ministro Cássio Nunes.
Porque apesar dele ter sido, como o relator André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, portanto, você pode partir de um princípio de que eles têm algumas linhas em comum, nesse caso, não. Porque Cássio Nunes Marques tem muitas ligações com o chamado Centrão. E é no Centrão onde se concentram as amizades principais do Daniel Vorcaro e a pressão vinda lá de fora do mundo,
político, para que eles tenham essa prisão relaxada, ela é muito grande. Então, a gente está diante de um nó que o Supremo tem muita dificuldade em desatar. A gente vai voltar a esse assunto ainda na edição de hoje do Viva Voz, porque esse vai ser o tema do comentário do Tiago Bronsato. Ele vai trazer atualizações ali do que a sucursal de Brasília do Globo está apurando a respeito desse climão que antecede o julgamento. Mas, eu já tinha falado aqui na hora do almoço, no Viva
voz 1, e agora, repito, esse é um momento crucial para a gente entender se o Supremo vai acelerar na beira do abismo ou se vai frear e tentar dar uma arrumação na sua situação interna. Com certeza, é a grande marca da passagem do ministro Edson Fachin pela presidência da corte, pode virar uma mancha se acabar em pizza, pelo menos aos olhos da opinião pública.
Você acha que essa crise no STF, o fato dela acontecer num ano de eleição, piora essa situação, piora essa pressão? Muito, muito. No fim de semana saiu a newsletter do Tiago Prado, que é o editor de política do Globo, e ele conversou com o cientista político Alberto Almeida, que normalmente é muito ligado à esquerda, portanto, é alguém suspeito para dar esse diagnóstico. E ele, com base no que ele tem estudado, nas pesquisas qualitativas que ele tem visto,
ele cravou uma coisa que já era meio difusa da minha percepção, conversando com fontes, conversando ali no dia a dia, que eu tenho trazido aqui há algumas semanas, que esse caso atinge fortemente o governo, atinge fortemente o Lula, apesar do governo não ser o protagonista do escândalo do Master. E que hoje, o favoritismo que o Lula tinha no fim do ano, ele está se perdendo muito em razão dos escândalos de...
corrupção. Esse daí, um deles, o caso do INSS, um outro. E ninguém parece ter uma fórmula para que esses assuntos deixem o noticiário ou deixem de desgastar o judiciário e o governo, muito pelo contrário. A gente vai seguir falando de Banco Master, porque no Congresso também aumenta a pressão pela instalação de uma CPI para investigar esse caso. A Larissa Lopes tem informações para a gente em Brasília. Oi, Larissa. Oi, Carol.
Carol, parlamentares da oposição já até afirmaram nesta tarde ter entrado com o mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para que o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, instale uma CPI mista para investigar o Banco Master. Nesta tarde, Carol, o deputado Carlos Jordi, do PL, afirmou que há quatro pedidos para instalação de CPIs e CPMI no Congresso, mas que Mota, e especialmente Alcolumbre,
se negam a instalar. O que nós estamos vendo é uma blindagem ocorrendo. A blindagem que já ocorria no Supremo Tribunal Federal, a partir de Dias Toffoli e outros ministros que estavam impedindo as investigações, chegou ao Congresso Nacional. O ministro, o presidente Alcolumbre, ele tem postergado a sessão, ele não quer abrir uma sessão. Bom, além do pedido de CPMI do deputado Jordi, tem um pedido na Câmara, também do deputado Rodrigo Hollenberg,
do senador Eduardo Girão e ontem um novo pedido que foi protocolado no Senado pelo senador Alessandro Vieira. Mesmo com a resistência dos presidentes da Câmara e do Senado para instalar uma CPI para investigar o Banco Master e ministros do Supremo, parlamentares da oposição seguem batendo na tecla. Assim como Jordi, Alessandro Vieira também fala em judicializar.
E não diferente das outras, o presidente Davi Alcolumbre deve travar essa instalação. Depois de ter conseguido ontem à noite 35 assinaturas, ou seja, 8 a mais que o mínimo necessário para a instalação de um colegiado no Senado, e depois de ter protocolado o pedido, Alessandro Vieira vem tentando uma reunião com Alcolumbre e até agora segue sem resposta.
ministros, Moraes e Dias Toffoli, não chega a ser uma preocupação, porque pelo regimento do Congresso, parlamentares não podem convocar ministros do Supremo. E como convidados, o que seria possível, um requerimento nesse sentido, os ministros podem apenas não comparecer. Carol. Obrigada, Larissa. Ô Vera, essa pressão toda é pra valer ou é meio um jogo de cena? Porque essa CPI do Mastro, a gente sabe que pode respingar em muita gente no Congresso, né? É, em muita gente. A gente tem visto a direita tentando
agora nesse caso, né? Mas ele é um caso desconfortável, além do Centrão, além do Supremo, também para a direita brasileira. Fabiano Zettel, que está preso também, que é o cunhado do Daniel Vorcaro, e um dos seus principais braços ali, operacionais, é o sexto maior doador das eleições de 2022, maior doador individual da campanha do Jair Bolsonaro, doou 3 milhões para o ex-presidente,
maior doador individual da campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para quem ele doou 2 milhões. Tanto é que uma ala da direita não bolsonarista, ou não diretamente bolsonarista, tem cobrado incisivamente o silêncio do Flávio Bolsonaro, silêncio do Tarcísio, a respeito desse caso. Nenhum deles tem se manifestado com essa superveemência, pela instalação do Master, pela manutenção da prisão,
do Daniel Vorcaro, muito pelo contrário, tem ali deixado esse assunto de fora da agenda. Então, não é um caso absolutamente tranquilo para a direita brasileira. Vamos lembrar que a questão toda da entrada do Master lá na Rio Previdência também é um elefante na sala para o PL. E não é simples de tratar disso na campanha. Então, é um caso que respinga para todo lado.
sai totalmente ileso e ninguém está sabendo direito como abordar. Quem tem levado mais esse assunto para o discurso pré-eleitoral são esses livre-atiradores que não têm muito ali a perder de um lado ou de outro. Pessoas como o pré-candidato Renan Santos, o Kim Kataguiri, que é essa direita ali mais ex-MBL, que foi bolsonarista em alguns momentos até
flertou com o bolsonarismo, mas que não é bolsonarista de carteirinha, como o PL, como o Tarcísio, etc. Então, é um caso complexo também para a direita, para o Centrão, para a direita, para a esquerda, para o Supremo Tribunal Federal. Para onde você olha, o Daniel Vorcaro deixou um rastro de influência, de amizades e de negócios que precisam ser explicados.
STF, entornaria o caldo completamente na relação com o Congresso. Isso também é uma coisa interessante a gente imaginar. Será que o Supremo, por meio do André Mendoza ou de qualquer outro que cair como relator de uma reclamação como essa, repetiria a jurisprudência que é da própria corte que diz que quando há objeto definido e quando há o número de assinaturas necessárias, o Congresso tem a obrigação de instalar uma CPI
porque ela é um instrumento das minorias. Isso já foi feito em várias CPIs que a cúpula do Congresso tentou segurar, tentou adiar, e já aconteceu com o próprio Columbre, já aconteceu com presidentes do Senado anteriores a ele, como o Rodrigo Pacheco. Se demora, por alguma razão política, a instalar uma CPI, alguém vai lá reclamar, entra com o mandado de segurança no Supremo, ou com algum outro tipo de reclamação, e o Supremo, com base na sua própria jurisprudência, diz,
Instale-se. Existe objeto, existe o número de assinaturas, CPI é um direito constitucional das minorias, precisa instalar. E aí vão lá e instalam. Agora é diferente, porque o Davi Alcolumbre não tem interesse nenhum numa nova CPI escarafunchando esse assunto, já tem duas tentando, e agora elas começam a ter o seu caminho um pouco mais obstruído para continuar avançando nessas investigações. Para o governo não interessa uma CPI novinha em folha,
as outras duas que estão dando calor estão prestes a terminar. E para o Centrão, também não. O Davi Alcolumbre é um representante do Centrão, mas também há outros na Câmara e no Senado. E o Supremo, menos ainda. Tem dois ministros ali que são atingidos diretamente, que vão ser alvo dessa CPI. Não nos enganemos com isso. Elas vão ter o Supremo como um dos principais alvos.
simples para o Supremo ir lá e dar uma canetada. Vamos observar também com quem vai cair e como vai ser a postura do Supremo em relação a isso. E com o Supremo sendo acionado também pela oposição ao governador Ibanez Rocha no Distrito Federal, que também quer que o Supremo investigue as relações do Ibanez, do escritório de advocacia dele com a REAG, com o Banco Master, tem pedido de CPI também protocolado lá na Câmara Legislativa, se começar a puxar esse novelo do
O BRB vai chegar em todo esse grande escândalo do Banco Master também. Hoje a Malu Gaspar trouxe no blog dela essa nova revelação de que o escritório da família do governador Ibanez, do qual ele disse ter se afastado logo na campanha de 2018, também fechou negócios com o Master que mostram uma triangulação complexa de fundos, inclusive no período em que o BRB já estava negociando
a compra do banco. É grave, a situação dele já era grave, ela vem se agravando à medida que novas revelações surgem nesse caso. E o governador tem tentado, de todas as maneiras, segurar uma CPI na Câmara Legislativa, que é o equivalente no Distrito Federal às Assembleias Legislativas nos Estados. Isso também deverá ser judicializado, vai cair com o Supremo.
vão cair por ali, por aproximação com o tema com o ministro André Mendonça, ou se elas vão ser distribuídas livremente para outros relatores por sorteio, o fato é que é um abacaxi a mais para o Supremo ter de decidir sobre a criação de novas CPIs que podem causar dor de cabeça para os seus próprios integrantes que já as têm de sobra. A gente vai ter aí nos próximos dias
mais pesquisas, pesquisa quest, pesquisa ideia, que vão mostrar o grau de corrosão desse assunto master na imagem de todo mundo. E ele não é pequeno, o Datafolha já deu uma pincelada disso e agora pesquisas que vão ter mais tempo de campo vão mostrar isso com mais acuidade. Muito bem, você fica com as notícias da sua cidade, da sua região, daqui a pouquinho tem mais
Viva a Voz, e nós vamos falar sobre o plano dos Estados Unidos de passar e de classificar facções criminosas brasileiras. Estamos falando de Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas e quais seriam as consequências disso. Viva a Voz, de volta, Karen Lemos, em São Paulo, traz mais informações sobre a possibilidade dos Estados Unidos passarem a considerar organizações criminosas brasileiras, considerá-las Comando Vermelho e PCC,
em organizações terroristas. Oi, Karen, boa noite. Boa noite, Debra, Carol, Vera e para os ouvintes. É isso mesmo, é o que quer o governo dos Estados Unidos porque consideram as facções criminosas brasileiras como ameaças relevantes à segurança nacional. Isso segundo o Departamento dos Estados Unidos em uma resposta ao jornal O Globo. Bom, tanto o primeiro comando da capital, o PCC, quanto o comando vermelho são vistos com preocupação pelas autoridades
do governo Trump, em razão do envolvimento com o tráfico de drogas, claro, mas também pela atuação violenta e devido a crimes transnacionais, ou seja, que ultrapassam as fronteiras brasileiras. Bom, o órgão comandado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, evitou, entretanto, comentar diretamente a possibilidade de classificar, de fato, essas facções como organizações terroristas brasileiras.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou nesta semana com Marco Rubio justamente para tentar impedir esse movimento por parte do governo Trump. O temor é que essa medida abra brechas na legislação americana, permitindo operações militares no Brasil. A legislação dos Estados Unidos autoriza, inclusive, sanções, bloqueio de ativos e até uso de força contra grupos designados como terroristas.
deve ser um dos temas a serem tratados no encontro entre o presidente Lula com Trump em Washington, numa data ainda que vai ser definida. No ano passado, a gente lembra que também os Estados Unidos começaram a designar cartéis e grupos narcotraficantes como grupo terrorista. Em maio de 2025, inclusive, o governo brasileiro foi pressionado a criar uma legislação para reconhecer os grupos como terroristas, só que essa lei não avançou no Congresso.
Obrigada, Karen Nemos, pelas informações. Essa classificação aumentaria ainda mais a vulnerabilidade da América do Sul, né, Vera? Quais são as alternativas que o governo brasileiro tem para apresentar ao governo dos Estados Unidos e qual é a chance dessa negociação ser favorável ao Brasil? Pois é, a gente nem pensava no risco que essa classificação poderia representar uns tempos atrás, né?
não estava ainda tão evidente o expansionismo imperialista do Donald Trump. E aí não tem nenhum exagero em classificar dessa maneira, porque ele já fez uma incursão na Venezuela, ameaçou fazer o mesmo na Colômbia e agora empreendeu uma guerra no Irã a partir do nada, sem avisar nem internamente que faria isso e as consequências estão aí, o preço do dólar, etc.
A cada dificuldade interna que o Trump tem, ele lança aí uma ofensiva externa em busca de melhorar a sua popularidade ou em busca de mudar o foco para outro assunto. Então, o Brasil está sim vulnerável. A química, entre aspas, que ele teve com o Lula não nos livra automaticamente de nada. A decisão da Suprema Corte também que aliviou o tarifácio foi boa para nós, mas não é garantia de que novas medidas virão.
E a gente está na iminência de um novo encontro entre os dois presidentes, pisando em ovos nessa questão da segurança em razão da possibilidade de classificação dessas facções como grupos terroristas. Aqui, internamente, esse debate já foi travado algumas vezes. Havia quem defendesse, inclusive, que no projeto das facções houvesse essa classificação e isso não prosperou. Acho que o próprio Ronaldo Caiado, governador de Goiás, que é pré-candidato,
a presidência, chegou a ser um dos defensores disso. Isso não foi adiante justamente pelos riscos que representava no plano interno. Eu acho que o Lula vai ter de munido para essa conversa, quando e se ela acontecer, com argumentos que mostrem que se trata de grupos, sim, criminosos e que o Brasil está empreendendo todos os esforços dentro do seu próprio sistema de justiça,
o próprio sistema de investigação para desmobilizá-las financeiramente, para desarticulá-las internacionalmente, que, portanto, o Brasil dispõe de dispositivos para lidar com elas, que se trata de crime comum, não tem nenhuma motivação política, portanto, não poderia classificá-los como terrorismo, não tem nenhuma motivação religiosa, e que o Brasil está lidando com isso dentro da sua própria legislação e dentro do seu arcabouço punitivista.
Agora, Vera, você acha que esse debate pode ser também contaminado pelo aspecto político, como aconteceu com o Tarifácio, com a aplicação da Lei Magnítica contra autoridades brasileiras? Porque o grupo do Marco Rubio é um grupo mais alinhado à direita americana e chegou aqui ao Brasil, inclusive o Darren Beatty, que é assessor sênior do governo Trump, responsável no Departamento de Estado por propor e supervisionar políticas de Washington em relação à Brasília. E tem até um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita dele,
na prisão, né? Exato. A gente ainda vai ter reportagens sobre isso aqui no Viva Voz hoje. As coisas estão, sim, de alguma maneira interligadas. O fato do Bolsonaro pedir essa entrevista pode ser que ele queira fazer um briefing a respeito desse assunto para que ele propositalmente seja colocado na agenda da conversa entre o Lula e o Trump. Não é interessante para o bolsonarismo que avance a camaradagem entre o Lula e o Trump.
Então, colocar um assunto divisivo na conversa interessa muito aos planos, por exemplo, do Flávio Bolsonaro, que é o adversário do Lula na disputa presidencial. Com certeza, esse assunto tem esse componente ideológico de fornecer um ingrediente para a nossa polarização. Mas a gente tem que lembrar que realmente as conversas entre o Brasil e os Estados Unidos melhoraram nos meses mais recentes.
O preço da gasolina e de todos os derivados de petróleo explodindo nos Estados Unidos e, com isso, a sua popularidade implodindo na mesma proporção. E tem que correr para terminar com essa guerra do Irã, porque ela está causando mais desgaste para ele do que dividendos. Então, nesse momento, o Brasil não parece estar no principal assunto da ordem do dia. Isso é bom para a gente, porque nos dá tempo de lidar com essas questões antes que o encontro efetivamente aconteça.
Deixa eu registrar aqui uma informação rapidinho antes de a gente ir para o intervalo, porque o presidente Lula cancelou aí da posse do novo presidente do Chile, né? E depois disso, o senador Flávio Bolsonaro publicou nas redes sociais que Lula não consegue conviver com quem pensa diferente. Ele também alfinetou Lula dizendo que ele só governa para os mais radicais. O presidente Lula cancelou essa viagem para a posse do novo presidente chileno José Antônio Castro. A decisão foi tomada hoje pela manhã.
para hoje à tarde. A cerimônia de posse acontece amanhã. Estava na agenda do presidente desde semana passada. Segundo o Palácio do Planalto, essa decisão foi tomada ontem à noite para evitar constrangimentos, já que Flávio Bolsonaro também confirmou presença no evento. As equipes do governo já estavam, inclusive, lá no Chile para esses preparativos, mas hoje houve, então, essa decisão pelo cancelamento. É uma bola de segurança ali do Lula. Eu tinha ouvido, quando foi em Brasília, vocês vão se lembrar,
eu cheguei a trazer isso aqui para a nossa discussão, que o entorno do Lula estava achando que o momento das viagens internacionais tinha acabado, que tinha de parar de viajar tanto, se concentrar no front interno, porque tem campanha para começar e ele está com dificuldades também na disputa eleitoral. Então, pode ser que todas essas avaliações tenham pesado para ele cancelar, mas claramente era a posse de alguém de um campo político ideológico diferente,
do dele, que poderia ter algum desconforto. E aí eu acho que as duas coisas pautaram a decisão de não ir ao Chile. Mas fica patente uma diferença, porque com o Boric ele tinha um ótimo relacionamento, chegou aí a posse, etc. Então, fica claro que tem aí um desconforto pela vitória da direita no Chile. Você fica agora com notícias da sua região. Na volta tem a nossa conversa com o Tiago Bronzato, diretor da sucursal do jornal
em Brasília, ainda sobre a crise no STF. Viva Voz está de volta e já está conosco o Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília, nosso comentarista aqui das terças e quintas. Boa noite, Tiago. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Debre. Boa noite aos ouvintes. Boa noite. Boa noite. Tiago, a gente teve mais cedo reportagem a respeito da fala do ministro Luiz Edson Fachin na abertura do evento com presidentes de tribunais superiores
e de tribunais de segunda instância. Ele falou bastante ali de penduricalhos, mais abertamente, mas nas entrelinhas a gente também leu alguns recados sobre a questão do Master e como ela empareda o Supremo. Como que você viu esses recados? Como eles caíram aí em Brasília? Pois é, Vera. O presidente do STF, Edson Fachin, ele está concorrendo para tirar o posto do ministro da Fazenda como o pior emprego do mundo.
escreveu esse livro sobre as dificuldades do ministro da Fazenda, vai ter que atualizar a obra dele, porque não está nada fácil ali sentar na cadeira do Fachin ultimamente. Com tantas críticas que o Supremo vem sofrendo em meio ao escândalo do Banco Master, o Fachin vem tentando, de alguma forma, tirar o Supremo das cordas. E hoje ele fez uma investida mandando alguns recados públicos.
saudável dos juízes em relação às partes e ao interesse que está em disputa. Ele também falou um pouco sobre a imparcialidade do magistrado, que não é frieza, mas sim uma condição essencial para garantir a justiça. E ele também reconheceu ali, de um jeito mais contido, que o judiciário enfrenta uma série de desafios, como a crise de confiança pública e a polêmica dos supersalários.
por aí. Hoje ele também teve um encontro reservado com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, e outros advogados também, representantes da instituição. E nessa conversa o Fachin foi questionado sobre a relação dos ministros do Supremo com o Vorcaro, o dono do Banco Master. O Fachin sinalizou que as investigações do caso Master não serão colocadas embaixo do tapete e vão ocorrer doa a quem doer.
No fundo, esses recados do Fachin, eles representam uma tentativa de marcar uma posição em meio à maior turbulência enfrentada pelo Supremo nos últimos anos. E sabendo justamente desse momento delicado que o Supremo enfrenta, o Fachin tem tentado transformar esses sinais numa reação também do Supremo. O desafio agora é colocar em prática essa pregação do Fachin.
para os colegas do STF sobre essa crise enfrentada na corte? Olha, se o Fachin em público tem mandado esses recados, nos bastidores ele vem atuando de uma forma mais discreta para tentar conter o desgaste do Supremo. Desde que a colunista Malu Gaspar, do jornal Globo, revelou as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vocário e o ministro Alexandre de Moraes,
dentro da crise envolvendo o Banco Master. Segundo algumas pessoas próximas do Fachin, ele já procurou a maioria dos ministros da Corte. E essas conversas, inclusive, ocorreram ao longo do último final de semana. A avaliação do Fachin, segundo eu falei aqui com algumas pessoas, é que a situação é grave e ela exige uma resposta imediata. É isso que o Fachin tem dito nessas conversas.
nessas conversas também voltou a defender a criação de um código de conduta. A ideia do Fachin é que o código de conduta, nesse momento, pode sinalizar à sociedade que o Supremo continua comprometido com os padrões éticos. Mas o tema não tem lá muita aderência. A gente sabe que tem uma ala do Supremo que é bastante resistente a essa ideia do Fachin. E ainda nessa estratégia do Fachin de fortalecer o tribunal, ele também fez um gesto político importante.
O vazamento das mensagens íntimas do Volcaro com a sua ex-namorada levou uma ala do Supremo a começar a questionar a condução da investigação pelo ministro André Mendonça, que autorizou o compartilhamento dessas informações com a CPI do NSS. E nessa reunião reservada ontem, o Fachin manifestou total apoio às investigações do caso Master e ao ministro André Mendonça.
que já foi, inclusive, relator da Operação Lava Jato, ofereceu reforço de equipe para dar conta do volume da investigação do caso do Master. Esse movimento do Fachin, na verdade, mira em duas frentes. Primeiro é evitar aumentar o racha no Supremo e, segundo, é dar sustentação à investigação do Master que está em andamento. Ele sabe que, em momentos de crise, muitas vezes a melhor estratégia é reduzir o ruído interno e não permitir que o problema cresça ainda mais.
Bronzato, para resumir rapidinho, como é que está o clima no Supremo para julgar a prisão do Vorcaro? Olha, o clima está climão, viu? Porque é a primeira vez que o Supremo vai julgar no colegiado o caso do Banco Master, porque até então a gente estava vendo muitas decisões monocráticas, ou seja, decisões individuais do ministro. Boa parte delas dadas pelo ministro Dias Toffoli, que acabou abrindo mão do caso depois da pressão,
por eventuais conflitos de interesse, e também o próprio ministro André Mendonça. Depois que o ministro André Mendonça mandou prender o banqueiro Daniel Volcaro, ele decidiu enviar esse caso para ser analisado por uma das turmas do Supremo Tribunal Federal, a segunda turma. Então, o julgamento vai ocorrer sem debate presencial, vai ocorrer no plenário virtual, e vai lembrar que os integrantes dessa turma, é o próprio Mendonça,
e o Gilmar Mendes, que é o decano, o Cássio Nunes Marques, o Luiz Fux e o Dias Toffoli. Esse último personagem é um personagem chave dessa história, porque ao longo da investigação ele estava sendo questionado sobre as condições de continuar à frente do caso e acabou abrindo mão da investigação depois de muita pressão. E agora a dúvida que fica é, o Toffoli vai poder votar nesse caso? A pessoas próximas ele tem dito que ainda não bateu o martelo,
ele quer votar sim, até para mostrar que ele não tem nenhuma suspeição no caso. Isso pode conflagrar uma nova crise. Vamos acompanhar aí e ver como que deve ocorrer esse julgamento. Hoje o ministro Flávio Dino, no primeiro julgamento do caso de emendas no Supremo, ele falou que às vezes o papel do Supremo é ser um pouco exorcista dos diabos que andam por aí na vida pública. Vamos ver se essa lógica se aplica também ao caso Master.
hoje, Tiago Bronsato, diretor da sucursal do Globo em Brasília. Até quinta-feira. Até quinta-feira. Boa noite, pessoal. Boa noite, Bronsato. Tchau. Gente, como prometido, vamos falar sobre a visita de um dos assessores do presidente Donald Trump aqui ao Brasil, o Darren Beatty, assessor sênior do governo Trump, e tem um pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber visita dele na prisão. Igor Cardim está de volta. Oi, Igor. Oi, Carol. Pois é, a defesa,
do ex-presidente Jair Bolsonaro, pediu ao ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal a autorização para receber na prisão a visita de Darren Beery, que é o assessor sênior do governo de Trump para políticas relacionadas ao Brasil. Bolsonaro, que cumpre a pena de 27 anos e 3 meses na Papudim, aqui em Brasília, e tem aquelas visitas autorizadas pelo próprio Supremo Tribunal Federal. As visitas dependem desse aval do ministro relator do processo.
Ele citou a autorização de forma excepcional para os dias 16 ou 17 de março, fora do calendário regular de visitas da Papudinha. Essa visita é apontada por aliados de Bolsonaro para propor e supervisionar políticas do Departamento de Estado dos Estados Unidos voltadas ao Brasil e também analisar a situação do ex-presidente da República.
Obrigada, Igor.
ter essa visita aqui ao Brasil dessa figura que é bastante polêmica. Pois é, é alguém que já se manifestou em relação ao Supremo Tribunal Federal, ao próprio ministro Alexandre de Moraes, então isso joga ali uma luz sobre qual vai ser a decisão do ministro. Ele vai autorizar, ele vai negar essa visita e se negar vai alegar o quê? Complexo.
até de autorizar de alguma maneira. Ele não está, inclusive, no seu melhor momento político, o próprio Alexandre de Moraes, para entrar em mais uma bola dividida nesse sentido. Eu acho que o teor da conversa tende a ser aquele que eu falei mais cedo, no bloco anterior. Bolsonaro tentando articular para que o governo Trump volte a tratar de assuntos que sejam desconfortáveis para o governo
Lula, depois dessa brodagem que o Lula e o Trump iniciaram a partir da Assembleia Geral da ONU no ano passado. Desde setembro para cá as coisas melhoraram, o Lula conseguiu reverter esse desgaste. Agora a gente vê os bolsonaristas muito entusiasmados com essa ideia de que esse assunto terrorismo vai voltar a colocar os dois governos de lados opostos. Eu só não acho que o Trump nesse momento é um bom cabo eleitoral. A situação dele,
lá nos Estados Unidos, deveria mostrar à direita brasileira que essa radicalização também não é... Bom, aliás, todo o histórico brasileiro já deveria ter servido de um alerta nesse sentido, mas não parece ter surtido esse efeito. Agora, o desastre do Trump nas pesquisas deveria mostrar que a radicalização ideológica excessiva também não é bom por lá, mas eles seguem aí na torcida para que os Estados Unidos deem uma lição no governo brasileiro,
brasileiro, etc. Muito bom, Vera. Amanhã tem mais Viva Voz. Até lá. Um ótimo jornal para vocês, meninas. Até amanhã.