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Escritório de governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), fechou contrato de R$ 38 milhões com a Reag

10 de março de 202610min
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Malu Gaspar comenta negócios privados de Ibaneis Rocha (MDB), governador do Distrito Federal com empresa ligada ao caso Master. O escritório de advocacia do governador teria firmado contrato de R$ 38 milhões para venda de honorários de precatórios para um fundo ligado à Reag, gestora investigada pela Polícia Federal por distribuir o dinheiro que era desviado pelo Banco Master dos CDBs. Ouça.
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Assuntos9
  • Banco MasterVenda de honorários de precatórios · Fundo Legal Clems da Reag · Escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria · Transferência de direitos advocatícios · Documentação registrada em cartório
  • Conexões políticas e governamentaisMarcos Ferreira Costa votando em assembleias · Fundo Borneu adquirindo ações do BRB · Concentração de 25% das ações por fundos ligados · Venda de carteiras de crédito do Master · Compra de ações com mesmo dinheiro desviado
  • Segurança OperacionalDistribuição de dinheiro desviado do Master · Desvio de CDBs · Fundos e contas fora do Master · Operações investigadas pela PF · Infiltração em assembleia do BRB
  • Reuniões diplomáticas e governamentaisMensagens ligando governador a operações · Depoimento do Vocário à PF · Conversas sobre assuntos políticos · Envolvimento na negociação · Necessidade de explicações do governador
  • Gestão de Dinheiro e PoupançaFundos que se conectam a outros fundos · Propósito de ocultar vínculos verdadeiros · Dificuldade de rastreamento · Reaparecimento de dinheiro em diferentes contextos · Complexidade das operações
  • Proposta de fundo de contingenciamento para cobrir rombo do Master no BRBRombo bilionário do Master · Aprovação pela Câmara do DF · Discussão sobre valor dos imóveis · Possível intervenção do Banco Central · Dificuldade em resolver o problema
  • Mercados PreditivosTítulos derivados de ações judiciais · Dificuldade de recebimento do Estado · Negociação com desconto · Honorários como porcentagem dos títulos · Mercado secundário de precatórios
  • Padrão de operações envolvendo escritório de advocacia no caso MasterRecorrência de contratos com empresas envolvidas · Uso de escritório como intermediário · Problemas éticos na relação público-privado · Necessidade de fiscalização · Falta de transparência
  • Afastamento de servidores públicosDefesa do governador · Negação de envolvimento atual · Questionamento sobre responsabilidade · Nome mantido na empresa
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Com persa de bastidor. Com Malu Gaspar. Bom dia pra você, Malu Gaspar. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia pra todo mundo que tá ouvindo a gente. Bom dia, Malu. Malu, o governador Ibanez Rocha do Distrito Federal, além dos negócios públicos, né? Através do BRB com o Banco Master, também tinha negócios privados com essa intrincada rede de empresas? Pois é, Milton. Descobrimos isso aqui no blog.

ela é repórter aqui da equipe da coluna, trata-se de um contrato de 38 milhões para venda de honorários de precatórios para um fundo ligado à REAG, que é aquela gestora investigada pela PF, por distribuir o dinheiro que vinha sendo desviado pelo Master, dos CDBs, dos títulos que ele vendia, sendo desviado para fundos e contas fora do Master,

família do Vocaro. Muitas dessas contas já foram, desses fundos já foram localizados e boa parte do dinheiro já foi apreendido, mas tem muita coisa voando por aí. Como que é esse contrato, Milton? Não sei se o nosso ouvinte está familiarizado com a noção de precatório. Precatório é um título que deriva, é tipo uma ordem judicial para que o Estado pague com alguém, alguma pessoa, alguma empresa, uma dívida. Então, toda vez que alguém ganha do Estado um direito,

de receber algum valor, a justiça emite um precatório. Só que aí, depois disso, você tem que tentar receber esse título no guichê correspondente. Pode ser no tesouro, pode ser na fazenda, pode ser, depende do órgão que perdeu aquele direito, que perdeu a ação para você. E aí, como é que funciona? Tem todo um mercado disso, porque como é muito difícil de receber, às vezes a pessoa desiste de receber o valor e passa esse direito para uma outra.

e com desconto, falar eu tenho 100, eu te vendo por 20 o meu direito, porque eu acho que eu não vou receber nunca mais, e você se vira aí, se você conseguir o lucro é seu. Então tem todo um mercado de negociação desses títulos. E também, junto com isso, tem o mercado de negociação de honorários, porque justamente como esses títulos são muito difíceis de serem pagos, é muito complicado você conseguir receber, tem gente que vende os honorários,

honorário é uma porcentagem desses títulos, e muitas vezes uma porcentagem bem maior do que o que costuma se fazer no mercado, justamente pela dificuldade de receber os títulos. Então a pessoa às vezes vende o precatório e vende também o direito do honorário. No caso aqui foi isso que aconteceu, o escritório do governador, da família do governador, que se chama Ibanez Advocacia e Consultoria, o governador diz que não está mais nesse escritório,

desde 2018, mas o fato é que em 29 de maio de 2024, o Ibanez Advocacia e Consultoria vendeu para um fundo da REAG chamado Legal Claims, especializado em ações judiciais, os direitos sobre esses honorários advocatícios no valor de 38 milhões de honorários por um precatório chamado por ordem de pagamento para um fundo chamado Pedra

E aí o que acontece, Milton? Logo depois, em abril de 2025, não, desculpa, em março de 2025, a gente achou um outro documento curioso. O diretor desse fundo da REAG se chama Marcos Ferreira Costa. Aí a gente achou nas assembleias do BRB esse mesmo sujeito votando por um outro fundo da REAG nas assembleias de acionistas do banco,

por um fundo chamado Bornell. Só que esse Bornell é um dos fundos que foi utilizado pela REAG e pelo Master para comprar ações do BRB numa operação que está sendo investigada pela Polícia Federal, porque ela está sendo vista como uma forma de o Master, o Vocaro, a REAG, assumirem posições dentro do banco, começarem a mandar no banco. Chegou ao ponto em que esse conjunto de fundos em que está o Bornell,

ter quase 25% das ações do banco. Depois do próprio governo do Distrito Federal, esse conjunto de fundos passou a ter 25% do controle do BRB e comprou essas ações bem mais baratas, em circunstâncias que a PF está investigando, porque enquanto o Master vendia as carteiras de crédito fraudulentas para o BRB, do outro lado,

possivelmente com o mesmo dinheiro, eles estavam comprando ações do próprio BRB. Quer dizer, eles iam tomar conta do ecossistema, mandar dentro do banco e a gente não sabe com qual finalidade, mas a gente já entendeu que não era uma finalidade muito boa. E aí, o que você tem é isso. Em maio de 2024, já estavam comprando o BRB, já estavam comprando carteiras do Master. O escritório da família,

dado pelo filho governador Banês, vende esses direitos por 38 milhões de reais a REAG. O mesmo sujeito começa a votar nas assembleias do BRB, representando um fundo que estava começando a se infiltrar no BRB. Essa operação é uma operação que chamou muito a nossa atenção e muito possivelmente vai dar mais confusão nessa investigação do BRB, porque ela precisa ser explicada.

tanto o escritório, como a REAG, como o governador, eles não discutiram a questão do contrato, não negaram, até porque a gente tem os documentos registrados, são apresentados à justiça quando você transfere o direito advocatício, e eles não comentaram, nem o BRB, nem a REAG, e a defesa do governador Bernays Rocha só falou que ele está afastado do escritório e nem não tinha informação sobre essa negociação.

Aí agora cabe a Polícia Federal investigar, ou talvez a Câmara Distrital, vamos ver aí como que isso vai se desenrolar. O fato é que é uma operação que levanta, deixa uma pulga atrás da orelha, Milton Cássio. E é de uma intimidade entre público e privado que chama atenção e merece uma lupa realmente para que se consiga ter uma explicação mais clara sobre esse assunto e entender de que maneira esse dinheiro circula. Porque você mesma trouxe aqui, quer dizer,

Vários elos e que, de repente, se unem novamente. Quando você menos espera, estão todos próximos, seja numa assembleia de votação, seja numa negociação através de um outro fundo que não é mais aquele original e por aí vai. Ou seja, tem muita coisa para ser explicada do que um simplesmente o escritório não tem mais nada a ver comigo, só leva o meu nome. Com certeza. E é difícil, né, Milton, a gente explicar, porque são fundos que se conectam a fundos.

E a gente sabe que esse tipo de negociação é feita dessa forma de propósito, para esconder os verdadeiros vínculos. Então, é por isso que demora. Mas no caso do Master com o BRB, o efeito foi muito ruim. A gente teve aí um rombo bilionário que até agora o BRB não conseguiu resolver. Se o BRB não resolver, não cobrir esse fundo até o final de março, o banco pode sofrer intervenção do Banco Central.

está tentando convencer, convenceu já a Câmara Distrital a aprovar um fundo com terrenos, de imóveis, a Miriam tem contado essa história aqui, eu tenho acompanhado, mas ainda está muito longe de resolver, porque tem até uma discussão sobre o valor dos imóveis, então o governador tem muita coisa para explicar aí, porque ele está em xeque, como é que foi feita essa negociação, a gente sabe que tem mensagens do Vorcaro que citam reuniões com o governador,

o próprio Vorcaro falou no depoimento dele à Polícia Federal, que esteve com o governador, falando sobre assuntos políticos, discutindo esse negócio. Então, acho que o governador Ibanez vai precisar se explicar além do que está aqui. Acho que é isso que é importante também a população do Distrito Federal fiscalizar isso, a gente também prestar atenção para ver até onde vai.

isso não é besteira. E mais uma vez, né, Milton, escritório de advocacia, direitos, contratos mal explicados, esse caso aí já virou uma particularidade, um traço desse caso master. Muito obrigado, Malu, e um bom dia. Um beijo para vocês, até mais. Até mais, Malu.

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