Episódios de Comentaristas

Se os Estados Unidos decidirem, o 'carimbo de narcoterrorista' virá para o Brasil

10 de março de 202611min
0:00 / 11:41
Maria Cristina Fernandes fala sobre o governo de Donald Trump querer classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Ouça.
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Assuntos7
  • Criminalidade no BrasilFalta de denúncias do Ministério Público · Ausência de julgamentos · Proteção de magnatas do crime · Investigações inconclusivas
  • Segurança OperacionalPCC e Comando Vermelho · Pressão dos EUA · Impacto na soberania brasileira · Narcotráfico transnacional
  • Lavagem de DinheiroOperações do Grupo Master · Movimentação de fundos · Agentes financeiros ligados ao crime · Evasão de controles regulatórios
  • Política e GovernoParlamentares envolvidos · Lobby no Congresso · Proteção institucional · Blindagem no sistema jurídico e político
  • Preços de Combustíveis e PetróleoSonegação de impostos · Contrabando de combustível · Envolvimento de empresários · Operações Carnaúba
  • Jeffrey EpsteinDocumentos públicos liberados · Arquivos ainda fechados · Rol de autoridades · Papel do Banco Central e CVM
  • Combate ao Crime TransnacionalCartel de droga venezuelano · Sequestro de Maduro · Operações transnacionais · Esquecimento seletivo de adversários políticos
Transcrição21 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Oi Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Fizemos um preâmbulo aqui, Fernando e eu, lembrando que cantamos essa bola lá atrás, quando o carimbo de narcoterrorismo começou a servir de argumento para o governo americano ameaçar ou efetivamente lançar bombas sobre os países. Agora, a gente está aí na lista.

do Donald Trump. Esse carimbo está para ser colocado sobre nós por causa do PCC e do Comando Vermelho e outras organizações criminosas. E isso, não só isso, mas isso também impactaria a maneira como se combate o crime organizado no Brasil. Quero te ouvir. Tati, essa é uma, como você diz, é uma bola cantada. Quando a gente conversa com essas autoridades que lidam com o crime organizado há décadas no Brasil, que a Motolin e o Angaiqui é um deles,

O ex-secretário de Segurança Nacional também, o Mário Sarrubo, é outro, que sempre mantiveram reuniões com enviados do Rubio, enviado do Marco Rubio, que é o secretário de Estado americano, enviados de agências de combate a drogas nos Estados Unidos, e isso sempre foi dado. O discurso é, não importa exatamente o que é que vocês teram ou não,

tema, se os Estados Unidos assim decidirem, assim será o carimbo de narcoterrorista virá. Isso sempre foi dito e o governo brasileiro tanto sabe disso que lá atrás começou a fazer uma aliança com os países amazônicos no sentido de uma aliança policial.

cursos, treinamento conjunto para as polícias desses países amazônicos, num centro de treinamento em Manaus, montado para isso, para que as polícias dos países amazônicos se, digamos assim, formassem uma aliança policial e não militar, porque este carimbo, não bastasse o carimbo de narcoterrorista, o Trump fez um acordo com 12 países latino-americanos para incluir

as forças armadas de todos esses países no combate ao narcotráfico, que é algo que o governo brasileiro, a despeito das forças armadas por cuidarem das fronteiras e estarem envolvidas, mas que o governo brasileiro faz questão de deixar esta atribuição com as forças policiais. Notadamente, a Polícia Federal é quem tem esta atribuição por se tratar de um crime transfronteiriço e transnacional.

Todo esse esforço brasileiro de evitar a militarização do combate ao narcotráfico e fazer com que seja um tema policial e união dos países da América Latina, isso não impediu que o governo americano viesse para cima com a ameaça desse carimbo que está todo mundo levando a sério mesmo.

a fazer, mais de uma vez publicamente, ele relatar conversa com o Trump que queria, o Lula chama esse combate ao crime de coladinho branco de combater os magnatas do crime. Ele disse que pediu para o Trump para que mandasse os magnatas do crime do Brasil, que estão, que tem residência nos Estados Unidos, mandasse para cá, mandou todos os dados. Ou seja, se é para combater o

crime, vamos combater, começar por cima e não pelo tráfico, mas nada disso. Está se falando de alguém especificamente aí, Maria Cristina, ou não? Sim, Tati, porque nessa frase específica ele disse, olha, a pessoa mora em Miami, a gente mandou a fotografia dele, a fotografia da casa, o nome, entregue nossos bandidos. Tem um sujeito oculto dessa frase do Lula, que é o Ricardo Magro, que é o dono da Refit, a refinaria de Manguinhos, é o maior sonegador do Brasil.

E ele tem green card, tem residência nos Estados Unidos e ele tem uma usina de processamento de gás natural no Texas. A revista Piauí, que está nas bancas, traz uma reportagem sobre esses empresários, sobre esses negócios que ele tem nos Estados Unidos, sobre a blindagem internacional dele. Uma reportagem assinada pelo Horto Guimarães e o Breno Pires. E é muito interessante porque mostra toda a triangulação que ele faz.

inclusive para escamotear a importação de combustível da Rússia, que é um país que sofre sanção dos Estados Unidos. E este empresário, que é o maior sonegador do Brasil, não existe, e isso eu conferi com os promotores, ainda não existe nenhuma denúncia do Ministério Público contra as invidades, nem dele, nem dos empresários também do setor de combustível.

de outra empresa chamada Copap, que foram alvo da Operação Carbono Oculto, ainda não foram denunciados à Justiça. E também não tem denúncia do Ministério Público Federal, porque na atuação desses grupos tem parlamentares com foro envolvidos, porque esses grupos conseguiram muita coisa no Congresso. E, por exemplo, a sede dessa empresa do Texas é o Amapá. Nossa!

Veja você. Precisa ler essa reportagem da Piauí. É muito interessante. Então, tampouco existe denúncia do Ministério Público Federal. Então, vamos aqui pensar. A gente acompanhou as autoridades federais e paulistas disputando o coletivo aqui em São Paulo, o coletivo em Brasília, para ver quem anunciava a carbono oculto, por exemplo. Várias dessas operações do setor de combustível que nós organizamos,

lavagem de dinheiro, tudo isso, essas autoridades disputaram. E aí, meses depois, você não tem nenhuma denúncia. Então, o que a gente vê, Tati Fernandes, é que, assim, há uma... Como é que o Estado brasileiro vai convencer que é capaz de combater o crime organizado se as instituições falham na...

na apresentação de denúncias, no julgamento e na condenação desses que o presidente chama de magnatas do crime organizado. Quer dizer, temos teto de vidro. Enfraquece a posição brasileira frente ao governo americano. Sim, os bandidos são nossos, mas se eles têm atuação transnacional, os Estados Unidos... Essa desculpa, vamos lembrar, né?

Depois esqueceu. A Venezuela não tem mais crime, né? Não tem mais... Esqueceu. Depois que o petróleo começou a jorrar nas refinarias americanas, eles esqueceram os cartéis de narcotráfico da Venezuela. Mas o fato é que é isso que é levado em consideração lá quando eles armam uma operação dessas. E aí, quando a gente... Eu não dissociaria por completo isso que está acontecendo do caso Master.

arquivos, os jornalistas tiveram a oportunidade de abrir vários arquivos desses que foram tornados públicos pela Polícia Federal, mas tem alguns que estão com chave. Só a Polícia Federal pode fornecer essa chave para abrir. São esses arquivos que têm a movimentação dos fundos do Grupo Master. E há indícios, alguns investigadores com quem eu conversei, disse que há indícios, sim, não de que o Master lavasse dinheiro do PCC, mas

Havia operações nos fundos do Master de agentes financeiros que tinham relação com o crime organizado. Então, a REAG é um desses fundos, né? Sim. Então, olha a complicação, né? Tudo isso passando por baixo, né? Esses canais por onde tudo isso passou por baixo de Banco Central, de CVM.

que é o maior sonegador do Brasil, quanto o Master, que está aí com 60 bilhões de rombo no FGC, são corporações que trafegaram, eles só chegaram a esse ponto de ostentarem tamanho quinhão de prejuízo para os cofres públicos e para muitos investidores privados, porque eles trafegaram com muita fluidez no sistema jurídico,

político do país. É isso que agora essa retranca toda que o sistema, toda essa proteção e blindagem que o sistema dá a esses crimes vulnerabilizam o Estado brasileiro frente a essa pressão americana. Agora, muito se falou dessa química do Trump com Lula. Então, se essa química existe, ela vai ter que agora funcionar para evitar que isso vá adiante.

Fernandes conosco todos os dias em Tudo é Política. Obrigada por hoje, Maria Cristina. Um beijo e até amanhã. Eu que agradeço, Tati. Fernando, boa tarde aos ouvintes. Boa tarde, Maria Cristina.

Se os Estados Unidos decidirem, o 'carimbo de narcoterrorista' virá para o Brasil | Castnews Index — Castnews Index