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Exame de sangue pode prever demência até 25 anos antes dos sintomas

10 de março de 20267min
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Luis Fernando Correia fala sobre a JAMA Network Open, uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em San Diego, que demonstrou que um biomarcador detectado no sangue, chamado PETAL 217, pode prever o risco de demência em mulheres até 25 anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas.
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Assuntos11
  • Marcadores Prognósticos e BiomarkadoresDetecção em exame de sangue · Previsão até 25 anos antes dos sintomas · Proteína ligada a alterações cerebrais · Estudo JAMA Network Open · Universidade da Califórnia San Diego
  • Estratégias de controle de saúdePressão arterial controlada · Atividade física regular · Qualidade de sono · Controle do diabetes · Alimentação equilibrada · Estimulação cognitiva · Estimulação social
  • Gestão de RiscosIdade acima de 70 anos · Gene APOE4 · Terapia hormonal (estrogênio e progesterona) · Grupos populacionais vulneráveis
  • Doenças NeurológicasFilamentos e emaranhados neurofibrilares · Ruptura de sinapses neurais · Alterações cerebrais típicas · Deterioração da função cognitiva
  • Importância da detecção precoce de biomarcadoresDiagnóstico antes de sintomas manifestos · Limitações do tratamento após sintomas · Irreversibilidade das alterações cerebrais
  • Women's Health Initiative - estudo população7.500 mulheres participantes · Faixa etária 65-79 anos · Critério de inclusão sem problemas de memória · Análise de sangue coletado no início do estudo
  • Diagnostico MedicoPET scan · Tomografia cerebral · Punção lombar (coleta de liquor) · Exame de sangue como alternativa acessível · Escalabilidade
  • Desafios de implementação clínica de biomarcadoresDefinição de quem testar · Momento apropriado para teste · Utilização da informação para benefício do paciente · Estratégia de ação após identificação de risco
  • Estudos observacionais versus estudos de intervençãoLimitações de estudos observacionais · Correlação versus causalidade · Necessidade de estudos com grupo controle · Metodologia científica
  • Segurança e SaúdePrevalência de 2 milhões de pessoas · Envelhecimento populacional · Crescimento futuro de casos
  • Disponibilidade de Recursos e ProdutosLaboratórios especializados brasileiros · Centros de pesquisa · Clínicas privadas · Momento de implementação populacional
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Oi, doutor. Boa tarde. Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, ouvintes. Bom, o doutor Luiz Fernando hoje vai trazer para a gente um estudo que traz uma perspectiva importante para o futuro do diagnóstico da demência e da doença de Alzheimer. E é uma picadinha, doutor? É uma picadinha. É uma coleta de sangue, né? Exame de sangue. Está publicado hoje no JAMA Network Open.

É uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em San Diego, demonstrando que um biomarcador detectado no sangue, chamado PETAL217, pode prever o risco de demência em mulheres até 25 anos do aparecimento dos primeiros sintomas. Como é que eles chegaram nisso? Eles analisaram dados de 2.766 mulheres que participam de um grande estudo chamado Women's Health Initiative Memory Study.

avianos inscritas, então é um recorte desse grupo. E todas elas, quando entraram na pesquisa, não apresentavam nenhum problema de memória ou nenhum problema de cognição naquele momento. Eles foram analisar amostras de sangue coletadas no início do estudo e mediram o nível dessa substância, do PTAU217, uma proteína ligada diretamente às alterações cerebrais típicas da doença de Alzheimer. A gente sabe que a doença de Alzheimer é uma doença que

onde filamentos se criam e envolvem a conexão dos neurônios, deixando que o neurônio não consiga mais fazer contato com outro neurônio, complicando assim o funcionamento cerebral, para ficar de maneira mais simples. E esse risco foi mais evidente em alguns grupos. Mulheres com mais de 70 anos, aquelas que carregavam um gene específico, que é a APOEY4, já é um fator genético conhecido por Alzheimer, e também mulheres que usaram terapia hormonal,

e progesterona. Esse achado reforça, Tatiana, uma coisa importante. A gente precisa de um biomarcador capaz de identificar o Alzheimer antes dos sintomas. E quando você tem um sintoma, a situação já está definida lá no cérebro, e a gente não tem também hoje em dia ainda nada muito específico, mas a gente pode fazer, se a gente souber que isso tem um risco maior no futuro, você pode melhorar outras coisas que melhoram a função cerebral e vão atrasando a piora da qualidade de vida.

em dia, para fazer o diagnóstico, você tem que fazer um PET, tomografia com a missão de pósito, ou cerebral, ou então fazer uma punção lombar, tirar o líquido que banha a medula e o nosso cérebro, para fazer o estudo desse líquido. Então, a possibilidade de ter um exame de sangue acessível, escalável, é muito interessante. Esses testes já começam a aparecer no Brasil, alguns laboratórios especializados, centros de pesquisa, em clínicas. Ainda não é o momento de se fazer um grande estudo,

até porque qualquer medida desse tipo em doenças crônicas ou doenças de evolução lenta, não é o exame que vai fazer diferença, é fazer toda uma linha de cuidado. Não adianta eu fazer um diagnóstico e não saber o que fazer com isso, nem para a pessoa, muito menos a nível populacional. Eu conversei com um amigo meu, o doutor Hélio Margarinos Torres Filho, ele é patologista, fundador do Richer Medicina Diagnóstica, aqui no Rio de Janeiro, e ele fala isso mesmo,

o marcador sanguíneo é um avanço extraordinário, porque o diagnóstico fica perto, mais próximo da prática clínica. A questão é definir quando é o momento de testar, em quem testar. Já vimos que tem essa correlação genética importante e principalmente como é que a gente vai usar essa informação para beneficiar o paciente. Ou seja, saber o risco é muito longo, mas a gente precisa saber qual a estratégia que eu vou lançar a mão a partir disso para prevenir ou retardar o aparecimento do Alzheimer. A gente sabe que é importante isso,

a gente pode e deve fazer para reduzir o risco de demência ao longo da vida, como controlar a pressão arterial, ter atividade física regular, boa qualidade de sono, controle do diabetes, alimentação equilibrada, manter a mente ativa com estímulo cognitivo e estímulo social. Agora, identificar pessoas em risco antes é importante, para que a gente possa fazer essas prevenções com mais cuidado, essas medidas que eu falei com mais cuidado, e quem sabe no futuro,

próximo já ter alguma coisa mais à frente para lançar já para quem já estiver com a doença aparecendo. Vamos lembrar que o Brasil tem quase 2 milhões de pessoas com demência e nós estamos envelhecendo como sociedade. Então, possivelmente, esse número vai crescer e essa necessidade, então, vai aumentar mais ainda, Tatiana. Doutor, uma questão. Esse estudo foi feito só em mulheres. Caberia também a mesma resolução em homens? Com certeza. É porque eles tinham na mão, né, Fernando, esse banco de dados enorme aí.

essas 7.500 mulheres, onde estava sendo estudado justamente memória. Então, vamos... Pô, a gente tem aqui um grupo importante para fazer essa avaliação e ver se isso dá certo. E a partir desses estudos observacionais, isso é interessante para as pessoas entenderem como é que funciona a ciência. Um estudo observacional é quando você vai lá e olha um grupo e diz assim, olha, será que isso... O que acontece com essas pessoas se elas fazem tal coisa? Ou tomam tal substância?

enfim, comem tal coisa, tem uma coisa que aparece com mais frequência. Isso não quer dizer que uma coisa esteja ligada à outra, ainda não se prova. Mas a gente tem aí um gancho para poder provocar isso e depois fazer um estudo, sim, com intervenção, grupo controle, para saber exatamente provar a causalidade. Lembrar sempre, quando a gente fala aqui de estudo observacional, estudo observacional não prova causalidade. Ele não é capaz estatisticamente,

metodologicamente, de dizer que tal coisa acontece por uma causa específica. Eu sempre brinco aquele negócio. Todo mundo tomou água durante a pandemia. Se eu disser que todo mundo que toma água não tem Covid, é mentira, né? Mas não é assim que funciona. Funciona você testando as coisas. Muito bem. Doutor Luiz Fernando conosco toda terça e quinta. Em geral, um pouquinho mais tarde, hoje a gente antecipou a entrada do doutor. Obrigada, viu, doutor? Até quinta. Até quinta, Tatiana, Fernando e todos os ouvintes. Até lá.

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