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Chover e chuva: por que "chuva" é com "u" e "chover" é com "o"?

10 de março de 202610min
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O professor Pasquale comenta sobre a distinção, que vem da origem das palavras no latim. Também explica que essa ocorrência de raízes latinas diferentes para palavras relacionadas é comum em português e em outras línguas. Ouça.
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Assuntos5
  • Etimologia e SemanticaOrigem latina diferente · Plúvia vs Pluvia · Raízes latinas distintas · Comparação com espanhol e italiano · Preservação em outras línguas romances
  • Natureza da LinguagemFlexões do verbo chover · Palavras derivadas de chuva · Manutenção de radicais · Chuvisco, chovarada, chuvoso
  • Comparação entre idiomasItaliano pióvere vs pioggia · Espanhol lluvia · Francês · Proximidade do italiano ao latim · Padrões linguísticos europeus
  • Uniformidade linguísticaExpectativa de padronização · Inconsistência nas formas relacionadas · Possibilidade de uniformização
  • Exemplos de inconsistências etimológicas em portuguêsFêmur e veia femoral · Tórax e caixa torácica · Mudanças de consoantes entre palavras relacionadas · Influência do latim em português
Transcrição16 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Professor, boa tarde. Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Hoje, dúvida de Najib Pachá Júnior. Gostaria, professor, da sua explicação para a seguinte questão. Chover e chuva. O correto não seria chover e chuva? No show da chucha. O que ele quer. A quem fale assim.

Sim, a gente fala muitas vezes. Está chovendo. O que ele quer saber, na verdade, é por que chuva é com U e chover é com O. Ele quer uniformidade. Ele acha que seria possível uma uniformidade. Chuva, chover ou chover, chova. Há uma chova muito forte. Uma chuva muito forte. Bom, a questão é a seguinte.

Antes que eu comece a explicação, vamos entrar no ambiente chuva, vamos lá? A gente começa com uma canção que é um clássico da música brasileira, Jorge Bem compôs e gravou em 1963. Um disco dele antológico chamado Samba Esquema Novo. Esse disco tem 63 anos, sabe lá o que é isso? E é moderníssimo, moderníssimo.

não dar spoiler, acho que eu não disse, né? O nome da música, disse? Não, né? Não, mas um monte de gente já sabe. E vamos lá. A gente já sabe porque a música é evidente, é óbvia e ótima. Vamos lá.

Esse R dele? Que é, professor? Esse R dele é maravilhoso. Chuva ruim. Esse R. Se fosse chove, chova. É, chove, chova.

A questão é a seguinte, chover vem do latim vulgar, plovere, plovere, que é com pló, P-L-O. E chuva, chuva, vem também, claro, do latim. E em latim, aliás, é bom lembrar como é que é em espanhol, é lluvia, com L-L-U-V.

e o verbo é llover. Lembra aquela música? Então, chuva vem do latim pluvia, com u. Então, essa distinção já há na origem, já há lá no latim e ela permanece no espanhol e no português. Em italiano, chovere, piovere, com i, piovere,

e a chuva é pioggia. Então, em italiano, não há essa coisa que há no latim, que é o pló e o plu. De modo que, meu caro, como é que é o nome dele? Najib, que é do Rio de Janeiro. Meu caro Najib, isso já vem lá da origem, do berço. Isso acontece muitíssimas vezes, com muitas palavras. O doutor Luiz Fernando já entrou, mas se ele...

se estivesse no horário normal, ele estaria ouvindo, e eu diria, doutor, o fêmur, que é o maior osso do corpo humano, tem uma veia, passa por ali, que é chamada de veia femoral, e não femural, justamente porque a coisa vai lá de volta para a raiz latina, o tórax, que se escreve com X, tórax, a gente tem a caixa torácica, que é com C,

a caixa torácica. Então essas coisas muitas vezes são comuns em português, e não só em português, em italiano, espanhol, em francês e tal. O italiano costuma ser mais próximo da base latina por motivos óbvios, é só olhar para o mapa da Europa. E no caso da chuva e de chover, a explicação está já na raiz da coisa.

tempo pra mais chuva ou não? Sim! Então a gente vai ouvir um clássico da música brasileira de um compositor que eu adoro, cantor e compositor chamado Tito Madi uma glória do Brasil pouco valorizado o Tito fora dos meios musicais classudos, porque ele não foi um artista popular mas compôs muita coisa bonita, cantava muita coisa bonita e a gente vai ouvir

Chove lá fora, não com o Tito, mas com o Milton Nascimento, numa gravação feita ao vivo no Teatro Municipal de São Paulo, em 74, no disco Milagre dos Peixes ao vivo, um disco antológico. Vamos lá.

E aí, professor?

E a chuva continua mais forte ainda. Chuva, que é o substantivo, também mantém a raiz nas palavras derivadas. Chuvisco, chuvarada, chuvoso, que é o adjetivo relativo à chuva e por aí vai. Então a gente percebe que há essa coisa, como já expliquei, mas os radicais se mantêm nas formas derivadas.

Chuva nas suas derivadas, chuvoso, chuvisco, chuvarada, chuvão e por aí vai. É isso então. Professor, só aqui a Rosana, ela brinca assim, a gente brincou de chuva, chuva, mas o chuva existe, tá na música Tomara que chova três dias sem parar. É, aí é verbo, né? Tomara que chova três dias sem parar. Tomara que chova três dias sem parar. É música de carnaval isso? Acho que é, né? Acho que é.

praga toda, três dias sem parar. Antigamente o carnaval durava três dias. Em São Paulo o pessoal achava ruim três dias sem parar. Essa semana são seis dias sem parar. Nossa, como tá feia a coisa. Obrigada, professor. Beijo pra vocês. Beijoca, até amanhã. E até amanhã. Até.