Governo quer acelerar exploração de urânio no país
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- Decretos e medidas presidenciaisparticipação de investidores privados · parceria público-privada · arcabouço regulatório · aprovação esperada em abril · constitucionalidade
- Potencial de reservas de urânio no Brasilsexta maior reserva mundial · exploração de jazidas · capacidade produtiva · jazida Santa Teresa no Ceará · mapeamento incompleto
- Preocupações ambientais com mineração de urâniocontaminação de água e solo · material radioativo · geração de resíduos perigosos · impacto em comunidades locais
- Demandas de ambientalistas e movimentos sociaislicenciamento ambiental rigoroso · fiscalização pelo Ibama · supervisão estatal sobre usos nucleares · proteção contra fins militares · governança adequada
- Urânio como mineral estratégico globaltransição energética · demanda crescente · inteligência artificial · veículos elétricos · data centers
- Monopólio estatal constitucional sobre minerais nuclearesinterpretação legal · desafios judiciais potenciais · garantias regulatórias necessárias
- Oportunidade econômica de mineração de urânio e fosfatomercado de fertilizantes · potencial de 60 bilhões de dólares anuais · interesse de empresas mineradoras · depósitos de fosfato associados
- Energia Nuclear32 países operando reatores · mais de 400 reatores em atividade · avanços em segurança e tecnologia · histórico de rejeição pós-acidentes
E aí, Rosana? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você, para a casa e para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana. O assunto hoje é o seguinte, o governo federal prepara um decreto que pode permitir a participação de investidores privados na mineração de urânio no Brasil. Diga lá, Rosana. Sardenberg, a ideia do governo é acelerar a exploração das reservas brasileiras de urânio, que está muito devagar.
mina de urânio ativa, que fica em Caetité, na Bahia. Ela é controlada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil, que continuaria participando dos projetos e os investidores privados entrariam como sócios ou operadores das minas. Essa parceria já poderia destravar o potencial da jazida Santa Quitéria, que fica no Ceará, e que tornaria o Brasil autossuficiente na produção de urânio. Daria para garantir combustível de urânio para as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2,
e também para o Programa de Submarino Nuclear da Marinha do Brasil. Mas o objetivo é maior, é tornar o Brasil um grande fornecedor mundial de urânio. E dá para a gente chegar lá porque nós temos a sexta maior reserva do mundo. E olha que o Brasil mapeou apenas 30% dos locais onde estão as reservas de urânio. Então, em tese, tem muito mais. Essa é uma notícia interessante, porque a gente sabe que o urânio é um mineral estratégico da transição energética global,
nas usinas nucleares, com baixíssimas emissões de carbono. Hoje, a energia nuclear já fornece 10% da eletricidade mundial. 32 países operam reatores nucleares e a demanda global só cresce, exatamente por causa da inteligência artificial, veículos elétricos e data centers. Grandes empresas de mineração, como a Vale, querem explorar o urânio brasileiro, já manifestaram interesse. E também algumas empresas do setor de fertilizantes, porque algumas jazidas de urânio,
tem depósitos de fosfato, que são essenciais para a indústria de fertilizantes. Esse é um mercado grandioso que pode movimentar 60 bilhões de dólares por ano aqui no país. E, Rosana, qual é o posicionamento dos ambientalistas, das organizações locais e movimentos sociais nesse debate sobre a abertura da mineração de urânio aqui no Brasil? Cássia, existe uma certa preocupação porque a mineração de urânio é sensível. Pode ter contaminação de água e do solo por material radioativo,
geração de resíduos perigosos e todo o impacto sobre as comunidades locais. Então, os ativistas querem garantir que qualquer expansão do setor nuclear com essas minas de urânio tenham um licenciamento ambiental rigoroso e fiscalização intensa por parte do IBAMA e outros órgãos. Precisa também, gente, de supervisão estatal forte para garantir que o urânio seja usado apenas para fins energéticos pacíficos, nada de fins militares.
A questão da governança é muito importante também, porque a mineração de minerais nucleares é monopólio da União. Então, a entrada privada vai exigir um arcabouço regulatório que dê segurança aos empresários e investidores para que não haja violação da Constituição. Isso vai virar, talvez, uma disputa judicial lá na frente. Esse decreto já está na Casa Civil, tem expectativa de publicação agora em abril,
aprovação. Gostaram ainda notícias sobre o urânio no país? Agora, Rosana, depois do acidente lá no Japão, houve uma reação negativa ao uso de usinas nucleares para fins de produção de energia. Tanto que, por exemplo, a Alemanha fechou as suas usinas nucleares. E a questão que fica é a seguinte agora. Do ponto de vista dos ambientalistas, a geração de energia
por usina nuclear. Está tudo bem agora? Não está tudo bem, Sardenberg. O que os ativistas querem é exatamente um controle maior, uma fiscalização, porque, de fato, é uma atividade sensível, é uma atividade perigosa. Por outro lado, a gente está diante da emergência climática e as usinas nucleares conseguem produzir energia sem emissão de carbono, praticamente. É uma energia limpa. E isso entra na conta dessa necessidade que a gente tem nesse momento de frear o
o ritmo do aquecimento global. E é um caminho inevitável, porque embora a gente tenha registrado realmente um freio na energia nuclear no passado, nesse momento os países estão voltando a acionar os seus reatores, inclusive investindo muito em ciência e tecnologia para tornar esses reatores mais seguros, menores. Como eu falei, já existem hoje mais de 400 reatores em atividade no mundo, 32 países operando energia nuclear,
da fora. Tá certo. Rosana Jatobá. Obrigado, Rosana. E até. Um beijo pra vocês dois e até amanhã. Até amanhã, Rosana.