Músicas do Mundo: diretamente da Nigéria com Fela Kuti
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- Fela KutiInfluência do James Brown · Criação do Afro-Funk/Afro-Beat · Fusão de raízes nigerianas com funk · Carismo e liderança de banda · Performance ao vivo
- Genealogia e Historia FamiliarLegado de James Brown na África · High Life nigeriano · Evolução para Afro-Beat contemporâneo · Instrumentação e arranjos
- Movimentos SociaisContestação ao poder militar na Nigéria · Influência materna ativista · Provocação e resistência · Comparação com Tupac
- Estética e simbolismoVestuário · Presença cênica · Expressão corporal · Síntese visual e sonora
- Producao MusicalJorge Ben e funk norte-americano · Apropriação criativa de influências externas · Criação de identidade musical própria
- Tony Allen bateria Afro-BeatContribuição técnica · Construção rítmica · Importância para Fela
Oi, João, boa tarde. Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Nando. Boa tarde, ouvinte. Hoje é segunda-feira, é dia de músicas do mundo. Exatamente. Vamos direto para a Nigéria ouvir um dos maiores artistas que se tem notícia, Felacuti. Vamos ouvir primeiro a música Zumbi.
esse visionário musical, porque realmente criou um negócio que não tinha antes dele, não. Vamos lá. É muito bom. Tatiana, o trabalho do Fela é um negócio muito interessante, porque ele conseguiu, essencialmente, de ver o James Brown. Ele viu o James Brown, assim como aconteceu com muitas nações mundo afora, mas na África não foi diferente. Eles foram impactados por aquela performance, por aquela síntese musical,
e, ao mesmo tempo, sofisticação nos arranjos e tal. E ele misturou essa onda do James Brown, o funk do James Brown, às raízes musicais da Nigéria e de outros lugares do lado. A gente já tocou bastante aqui o High Life, né? E aí, inicialmente, era chamado de Afro-Funk e depois acabou se transformando no Afro-Beat, né? Hoje a gente ouve muito falar do Afro-Beat com S, alguns lugares com Z.
que é uma derivação disso, algo que eletronicamente, com gêneros contemporâneos, instrumentos contemporâneos, reproduz um pouco dessa... Poxa, o que eu vou dizer? Desse universo musical que o Fela criou. Porque ele não se conscreveu ao James Brown, ele conseguiu realmente pegar aquela essência que, de novo, é uma música que veio da África e foi para a América do Norte,
todas daquele momento histórico. E voltando para a África, sob a forma do som do James Brown, ele ouviu, se encantou, assim como muitos outros músicos, mas ele inventou um negócio novo. Então, acho bacana, se você curtiu, Fela Kuti, K-U-T-I, sempre bom lembrar do mestre da bateria, diretor musical dele, Tony Allen, que ajudou ele a construir isso. É uma coisa muito interessante. Vou fazer, para não ficar muito...
falando muito, tentando dar mais exemplos sonoros. Quando a gente ouve o Jorge bem, a gente sabe que ele, em algum momento, ouviu o soul e o funk norte-americanos, mas acrescentou algo próprio que ele já fazia antes e se misturou e virou uma outra coisa. O Fela também. Então, como a gente vai ouvir na próxima música, A Água Não Tem Inimigos, é uma música do Fela Kuti que mostra mais um pouco disso. Você vê a orquestração do James Brown, o jeito de organizar o som, a bateria ali na frente,
mas ao mesmo tempo tem um tempero, tem uma pimenta que é do Fela. Vamos ouvir. A água não tem inimigos, Tatiana. Demais, demais, demais. Recomendo a performance dele ao vivo, Fela Kuti ao vivo. Ele é muito carismático, Tatiana. É incrível. Eles chamam de líder de banda, o band líder. Acho que é dos mais carismáticos que temos. As cores sonoras e as cores propriamente ditas
dos instrumentos, das roupas. É realmente tudo unido ali. Quando você ouve, já está tudo resolvido. Só que, incrivelmente, quando você vê a performance ao vivo, a movimentação dele, o carisma, o olhar dele, a seriedade. A mãe dele era uma ativista política pelos direitos da mulher e tal. Então, ele cresceu com essa veia. Sem comparar musicalmente, mas como o Tupac, Tupac Shakur, a mãe dele era uma ativista também. Então, essa veia provocadora,
sempre, enfim, contestando as coisas, contestando o poder militar à época na Nigéria. Incrível. Então, deu um pouquinho pra sentir. Fela Kuti, se puder ver o vídeo dele, eu recomendo, porque é incrível, né? Só pra localizar, ele é um cara que nasceu no final dos anos 30, né? De 38, né? Então, você vê, quando o rock'n'roll tava explodindo, ele tinha 20 anos, né? Então, passou por tudo isso. Agora, quando chegou no James Brown, ele falou, ah, quando chegou aquilo ali, eu queria um pedaço daquilo pra mim, mas eu queria acrescentar algo meu.
e é bem diferente. Tem semelhanças, mas é muito diferente. Fela Kut, com destaque para o grande baterista e diretor musical, Tony Allen, Juju Music, Afrobeat, vale muito a pena, eu adoro. Legal. João, obrigada por hoje, um beijo para você, até amanhã. Até amanhã, um beijão.