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Dia da Mulher: avanços não encerram violência

08 de março de 20269min
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No 8 de março, Rossandro Klinjey avalia que a comoção diante de casos de violência contra mulheres indica mudanças na sociedade, ainda que o problema esteja longe de desaparecer. Ouça a reflexão.
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Assuntos8
  • Mulheres na política e violênciaAbusos sexuais · Violência doméstica · Silenciamento de vítimas · Casos recentes de estupro coletivo · Impunidade histórica
  • Mulheres e EmpreendedorismoLegislação de proteção · Casas de apoio · Comparação com décadas anteriores · Mudanças geracionais · Evolução dos direitos
  • Mudanças de VidaReação pública a casos de abuso · Viralização de conteúdos sobre violência · Comoção da sociedade · Importância da divulgação de casos
  • O Papel da Fé e EspiritualidadeAparência pública vs comportamento privado · Performatividade nas redes sociais · Realidade dentro de casa · Desconexão entre discurso e prática
  • Religião e violênciaInterpretações fundamentalistas · Silenciamento de vítimas em contexto religioso · Responsabilização da vítima · Uso da fé como justificativa
  • História pessoal e trajetóriaExperiência da mãe do apresentador · Separação e abandono familiar · Reconstrução de vida · Dedicação aos direitos das mulheres
  • Violência PsicológicaFrases machistas naturalizadas · Controle psicológico · Crescimento do assédio moral · Saúde Emocional
  • Masculinidade tóxica e fragilidadeAspectos saudáveis do masculino · Aspectos saudáveis do feminino · Hegemonia de um lado · Equilíbrio necessário
Transcrição17 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klingey. Rossandro Klingey, meu amigo querido, muito boa tarde. E aí, como é que você tá? Tudo em paz, Peter? Correria, né? O mundo derretendo, o mundo derretendo, o Brasil derretendo, e a gente tentando costurar aqui algum fio de sanidade e esperança no ar. Rossandro, eu não desisto de fazer isso ao longo dessa trajetória, meu amigo.

Eu tenho a mesma sensação, o mesmo pensamento e a mesma intenção. Até porque uma coisa que a gente sabe é que é para que o novo venha, o velho tem que ser destruído. Para que a verdade venha, a mentira tem que ser posta na mesa. Mas é desagradável, não é gostoso, não é legal. Tem dia que você tem um sentimento de... Sabe, quando eu vejo aqueles comentários... Volta, Jesus! Debaixo de algum post de alguma coisa trágica. Eu também penso...

Eu gosto muito de fazer essa perspectiva. Eu acho que é importante a gente lembrar.

Por exemplo, pega esse caso aí dos três, dos quatro jovens que violentaram uma menina lá no Rio. Isso era tão comum no passado, né, Petra? Isso não gerava notícia porque era assim. Ninguém iniciava porque ninguém questionava. E o espanto que isso gera hoje revela que a sociedade tem avançado. O que a gente não pode é achar que isso sumiu. E fazer de conta que sumiu. Ou então achar que a notícia revela que todo mundo continua assim. Não, minha gente. Era a coisa mais comum do mundo.

mulheres em todas as ordens era a coisa mais comum do mundo. Então, hoje, falar disso, gerar comoção social, mostra um avanço. É claro que quando a gente junta todas as notícias, é o caso do Márcio, é a guerra no Irã, são esses jovens, eles escutam a mulher, papapá, aí você faz... E é claro que quem está na frente de uma bancada jornalística como você, apesar de ter um programa muito diferenciado, que traz muitos contrapontos, e por isso estão premiados merecidamente, minha amiga, não tem como também não

Porque quem liga quer saber o que está acontecendo. Mas quem liga também tem que saber que não só está acontecendo aquilo. É óbvio que tem muita gente que cuida, que zela, que respeita. Isso não dá notícia porque essas coisas estão acontecendo no silêncio dos lares também. Mas a gente não pode desistir. E eu acho interessante, Janine, ela foi fazer um vídeo aqui, ela foi na praça aqui na cidade e ela pegou 11 frases e distribuiu para as mulheres sem dizer qual que elas tinham que escolher. Era só para escolher o que tocava nelas e rasgar.

E Petra, ela me contando ontem como foi, quando eu cheguei de viagem, eu estava em Curitiba, dizendo que tinha mulher que parava assim, travava, e que percebia a emoção, quem estava junto chorou, né? Um vídeo simples, somente as mulheres pegando frases do tipo ou você fica comigo, eu te mato, ou você pensa que você é quem, você sem mim não é nada, aquelas frases que são ditas gerações em gerações e que definem a forma como você se enxerga, e como você vive, e como você é pequena diante delas. O vídeo é só isso. E já está passando de um milhão,

e quinhentas mil visualizações, dezenas de milhares de compartilhamentos, pela força de revelar que ainda tem coisa que sim precisa ser dita, ainda tem coisa que não pode se fugir dela, ainda tem dor, ainda que precisa ser consolada, mas não é só isso que tem na humanidade. Tem pessoas dispostas, atentas, ouvintes como esses, que escutam um conteúdo como esse, a gente sabe a qualidade de quem escuta um programa como esse, quem está aqui todo domingo, compartilha, escuta, pergunta, os convidados que vêm, você nos maestrando,

é porque tem muita gente querendo elevar o nível de consciência da sociedade. Muito, Rossandro. E é tão impressionante. Às vezes a gente toma por referência a nossa própria vida, a nossa boa vida, esquecendo que esse Brasil, o mundo, ainda é atroz, ainda é um horror em relação às mulheres. Eu acho que um pouco dessas frases das quais você falou agora revelam isso,

isso ainda acontece e eu gosto muito dessa ideia porque na vida pública as pessoas pagam de muito enfim, de pessoas corretas, mas é em quatro paredes, né? É dentro de casa que a gente vai ver a realidade e é geralmente dentro de casa que acontece a violência doméstica, né? Que acontece a violência ali escondida, a violência psicológica ou a violência patrimonial também, né?

as pessoas estão muito pagando de certinhas, principalmente nas redes sociais, mas a gente precisa refletir quem nós somos, da pele para dentro, da porta de casa para dentro, e é aí que de verdade se faz o respeito em relação às mulheres, o respeito em relação à igualdade, essa construção ética, ela precisa estar da porta para dentro, da pele para dentro, Rossandro? Com certeza, e a gente percebe muito essa disfarçatez, né? O quanto as pessoas, às vezes,

em nome de, ah, os filhos e o que vão pensar, e claro que isso mudou muito de uma geração para cá, e ficam em lugares, em situações, em relações que estão destruindo aos poucos. E às vezes não encontram apoio lá fora. Eu vi recentemente um vídeo de uma policial dizendo que a maior parte das agressões vem de pessoas que estão no campo da fé, e que Deus não quer isso para as suas mulheres. Esse vídeo revela que muitas vezes há silenciamento. Você é a vítima, você é a pessoa que está sendo abusada,

corpo, alguém diz pra você, você tem rezado o suficiente? Então a culpa ainda é sua. Acho que tem muitas camadas que a gente tem que ver sobre isso, sem acusar, porque não se trata de carimbar que todos são assim, que todas as religiões são assim. A gente sabe a importância da fé e da religião como algo que resgata nossas vidas e constrói tantas potências na alma, mas quando são mal interpretadas por algumas pessoas, se torna um lugar de profunda dor, né?

E de conivência às vezes, com abusos que não podem mais ser... A gente não precisa mais

viver tudo isso. Ainda está longe de vivermos o que nós gostaríamos enquanto sociedade, mas olhando para os anos 80, que eu me lembro quando eu comecei a ser ali um adolescente ali para hoje, os avanços são enormes, né? Eu lembro o que minha mãe passou, eu me lembro tudo que ela sofreu quando se separou nos anos 70, todo o abandono, inclusive, da família, a dor que ela vivia aos 26 anos por não suportar mais uma relação abusiva com o espancamento. Entendo hoje muito que meu pai estava reverberando uma dor que era

É uma figura totalmente amada e apaziguada no meu coração. Mas eu sei o que ela pagou, o preço que ela pagou. E, ironia da história, depois ela virou aquela mulher que chegou e volta para a cidade e dirige o Conselho dos Direitos das Mulheres, traz a Casa de Acolhimento, luta para que as mulheres pudessem ter aquilo que ela não teve quando passou pela mesma coisa. E mudou muito. Hoje tem Casa de Apoio, tem Delegacia Especializada, tem Legislação.

Não vamos esquecer dos avanços para não ficar apenas contando as histórias tristes, porque avanços continuam sendo necessários.

para que menos histórias tristes aconteçam, como você diz, dentro das casas, no silêncio da omissão dos lugares, para que a gente continue vigilante sobre uma sociedade que precisa avançar em todos os sentidos, especialmente com relação às mulheres. Maravilhoso. Rossandro Klinge, meu querido amigo, é uma alegria ter você aqui, trazendo essa lucidez, essa inteligência. Eu tenho falado muito nesses termos de masculino simbólico,

e feminino simbólico pra gente entender a diferença, né? O lado saudável até do masculino que conquista, do masculino que vai atrás, do feminino simbólico que é inteligência pura de construção, acolhimento, de quente, de silêncio, de cuidado, né? E quando a gente tá no saudável dos dois, que bom que é. O problema é que a gente tem a hegemonia de um lado só e nunca um lado só vai fazer nada, né?

é tudo isso que a gente vê e tá tentando construir, né? Um mundo melhor. E você nos ajuda muito nisso. Você é um masculino que nos ajuda muito nisso. E é uma alegria poder falar e ter você aqui no programa, viu? Um beijo. Obrigado, beijo.