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Síndico pode aceitar viagem de pressente de fornecedor?

06 de março de 20266min
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Em CBN Morar Bem, Márcio Rachkorsky responde à dúvida de um ouvinte que perguntou se o síndico deveria sortear entre os moradores uma viagem de navio que ganhou de um fornecedor. Ouça!

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Assuntos4
  • Ética do síndico ao aceitar presentesPresentes de fornecedores contratados · Distinção entre relacionamento novo e antigo · Conflito de interesse em contratações · Representação dos moradores · Bom senso na decisão
  • Filosofia e PensamentoPresentes ligados a concorrência e contratação recente · Presentes de fornecedores com relacionamento de longo prazo · Comemorações e aniversários de empresa · Desconto como alternativa ao presente
  • Presentes e etiquetaPedir desconto no serviço · Reverter benefício ao condomínio · Comunicação com os moradores
  • CorrupçãoPequenas corrupções · Viés de decisão no condomínio · Transparência nas decisões do síndico · Fofoca e desconfiança entre moradores
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CBN Morar Bem, com Márcio Raskorski. Oi, Marcela, bom dia. Bom dia, Márcio, tudo bem? Fala, Muniz, tudo jóia. Ô, Márcio, a dúvida de hoje, essa eu achei peculiar. Nunca tinha ouvido falar nada parecido com isso. Olha essa situação. A mensagem diz o seguinte. O nosso síndico ganhou uma viagem de navio de um fornecedor. E aí, essa pessoa pergunta se o síndico não deveria sortear essa viagem entre os moradores. Um fornecedor ali do prédio falou, ó,

que uma passagem para você viajar de navio. Pode ficar com o síndico? Tem que sortear entre as pessoas? Que curioso esse relato, hein? É dúvida para o compliance isso aí, hein? Cadê o compliance do condomínio? Nossa, eu acho uma pergunta muito difícil e muito delicada, porque o mercado imobiliário, hoje em dia, está muito disputado. As empresas disputam ali no tapo a seus clientes e tem lá suas estratégias comerciais. Só que tem o limite da ética,

limite que diz respeito a você não fazer nada errado, óbvio, ou que pareça errado. Então, eu tenho duas respostas. A primeira resposta, se essa empresa acabou de ser contratada pelo condomínio para fazer um serviço, participou de uma concorrência, por exemplo, para fazer uma reforma no piso, ou uma reforma na fachada, e essa empresa acabou de ser escolhida, participou de uma concorrência dentro do prédio,

de presente para o síndico uma viagem. Acho que ele não deve aceitar, nem deve abrir para que essa viagem seja sorteada entre os moradores, que é uma coisa muito feia, porque vai dar a entender que é uma espécie de prêmio porque o cara foi escolhido. Então, que ele dê um desconto. Se ele quer dar um presente para o prédio, ele que dê um desconto no preço do serviço, ao invés de dar uma viagem para o síndico. Então, neste caso, o síndico não deve aceitar e também não deve repassar esse

benefício para ninguém e deve pedir um desconto para o prédio. Aí, ok, em relação ao compliance. Um segundo cenário, que aí sim o síndico pode aceitar a viagem, não tem problema nenhum. Vamos imaginar que tem um fornecedor que trabalha no prédio já habitualmente há 10 anos, não foi contratado por esse síndico. Quando o síndico entrou, o fornecedor já estava, o contrato está muito estável e essa empresa vai fazer aniversário.

É um aniversário de 20 anos da empresa e o dono da empresa resolveu pegar 10 clientes antigos e convidar todo mundo para uma viagem. Aí o síndico deve aceitar, porque não tem nada a ver com a contratação de um serviço. É uma celebração da empresa que escolheu lá seus clientes prediletos para um passeio. Aí ele aceita, não tem problema nenhum. E óbvio que não vai dividir isso com os moradores, porque ele que está lá representando o condomínio, ele que tem o relacionamento.

distintas. No primeiro, de jeito nenhum deve aceitar. Na segunda situação, tranquilamente pode aceitar que não tem nada de feio nem nada errado. Então, é o caso concreto que vai mostrar. Se essa viagem foi oferecida porque acabou de fechar um negócio, mas de jeito nenhum. Se há uma relação já muito extensa e é uma comemoração da empresa e não um prêmio pro condomínio, aí pode aceitar numa boa. Tá claro? Não sei se vocês enxergam

isso também. Sim, acho que ficou claro. Uma coisa é um relacionamento ali de longo prazo e tal. Outra coisa é algo que pode acabar escondendo algum tipo de interesse, né, Márcio? E aí pode acabar enviesando alguma decisão no condomínio e não é isso que o condomínio precisa, né? O condomínio precisa de decisões mais técnicas ali, né? Os nossos ouvintes já estão se manifestando aqui, viu, Márcio? Ives diz o seguinte, a viagem deve ficar pro síndico, na minha opinião, porque é ele quem atura a galera toda.

Deus que me livre. Já o Luciano Ferreira vai na linha do que você falou no primeiro

cenário. Ele diz o seguinte, o síndico não deve aceitar a viagem, pede pra reverter em desconto pro condomínio. É isso aí. Agora, no segundo cenário, puxa vida, a empresa tá fazendo aniversário, tô dando um exemplo, tá? Ela tá fazendo aniversário. Ela quer fazer uma noite de experiência, um final de semana de experiência pros seus melhores clientes. Aí tudo bem. Aí tá tudo certo. É, mas é bem complicado mesmo. Não, tudo, entendo os dois cenários, mas gera conversa, né? Gera

fofoca ali no bastidor, porque é isso, as pessoas não têm esse contexto todo, né, do cenário. Mas acho que é importante, como a gente sempre fala aqui, ter um bom senso, né? Identificar... Síndico é igual ao cargo político, né? O síndico, ele é eleito, ele representa as pessoas, então ele tem que ter cuidado redobrado. Com certeza. É isso. Valeu, hein, Márcio. Boa pergunta, né? É, boa pergunta. Não é? Gerou bastante reflexão aqui. Muita gente, tem gente que diz que

aceitar sim, dado não é roubado, diz o Paulo. Já nosso ouvinte, final de telefone 6755, Jean Carlo, fala das pequenas corrupções que é preciso ficar de olho. Tem razão, viu? É difícil aí, temos que ficar atentos. É o tipo de assunto que você responde uma coisa e depois você fala, caramba, será que é isso mesmo? Cada caso é um caso, acho que precisa ser tudo analisado com muita cautela. Márcio, bom fim de semana pra você, viu? Até segunda. Valeu, pra vocês também, um beijo.

Eu...