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‘Daniel Vorcaro sabia que o Master operava alavancado, porém com práticas muito arriscadas’

06 de março de 20268min
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Maria Cristina Fernandes se debruça sobre as mensagens que vieram à tona a partir do telefone de Daniel Vorcar, que mostram relação com políticos e agentes públicos. Ouça.
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Assuntos8
  • Daniel Vorcaro e Alexandre de MoraesTroca de mensagens · Interferência política · Tentativas de evitar liquidação · Operações conjuntas · Negação de mensagens
  • Contrato familia Morais MasterValor de 29 milhões · Operações com Banco Central · Conflito de interesse · Papel do ministro nos contatos · Contrato em janeiro de 2024
  • Banco MasterPráticas arriscadas no mercado · Crescimento desordenado · Cobertura de FGC · Modelo de negócios imoral mas legal · Multiplicação de patrimônio
  • CorrupçãoFinanciamento do crime organizado · Fundos de investimento do Master · Identificação de negócios ilícitos · Cooperação carbona oculto
  • Supremo Tribunal FederalViolação de valores constitucionais · Comprometimento da instituição · Dívida com a República · Atuação do ministro como juiz
  • Daniel VorcaroPrisão em novembro · Comunicação antes da prisão · Tentativa de evitar consequências · Cronologia dos eventos
  • Fundo Garantidor de CréditoFundo de 60 bilhões · Risco sistêmico · Cobertura até 185 mil · Dimensão financeira do caso
  • Midia e TecnologiaPrimeira publicação em outubro de 2024 · Documentação de enriquecimento · Investigação jornalística · Revelação de práticas
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Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Bom, hoje Maria Cristina se debruça sobre as mensagens que vieram à tona a partir do telefone de Daniel Vorcaro, um dos elementos ali das investigações desse inquérito cujo relator é André Mendonça. Hoje na coluna da Malu Gaspar no jornal O Globo, eu vou dar a manchete.

Alexandre de Moraes sobre salvar Master no dia em que foi preso em 2025. Vou deixar você destrinchar, Maria Cristina, mas só a manchete por si só me parece algo bastante grave. Pois é, Tati. Já que você deu a manchete, a gente pode tentar contar como é que a coisa chegou nesse ponto. O Daniel Vorcaro, ele foi preso essa semana, mas há pelo menos dois anos por baixo,

sabia que o Master operava alavancado com práticas muito arriscadas. Isso corria solto no mercado inteiro, porque o Banco estava crescendo muito e se espalhando no mercado. Em outubro de 24, um ano e meio atrás, a jornalista Consuelo Duiegas, na Piauí, publicou a primeira reportagem mostrando que o patrimônio do

multiplicado por 200, por conta dessa operação tão alavancada. Oferecendo esses CDBs com uma remuneração que não existia no mercado, muitos bancos grandes vendendo e muita gente ganhando dinheiro com isso e o rombo depois a gente descobriria só aumentando. O modelo de negócio construído em cima dessa cobertura do FGC, que foi um garantidor de crédito, até 250 mil, então é legal,

mas é imoral porque era tudo construído em cima disso, como ele, aliás, falou quando ele foi interrogado. Agora, fama do banco e do próprio Vorcaro não impediu que a família do ministro Alexandre de Moraes, todos os advogados, a esposa e os dois filhos, firmasse um contrato com o Master lá em janeiro de 2024.

O advogado existe para isso mesmo, porque tem gente enrolada no mundo. E não é porque Moraes é ministro que sua família não possa trabalhar. Então, esse argumento existe e você pode até considerar. Depois a gente viria a saber, e também que o contrato não era para litigar no Supremo, era para litigar no Banco Central, no TCU. E era um contrato mais de tribunais econômicos,

do que exatamente no criminal e penal. O que não se sabia era o valor do contrato, 129 milhões, absolutamente estratosférico, e que o próprio ministro operava os contratos, o contrato e os contatos com o Banco Central, como a Malu Gaspar revelou, tanto o valor do contrato quanto esses encontros do ministro Alexandre de Moraes. O contrato era da família dele, mas era ele

que tinha os contatos que importavam. Foi isso que ela mostrou no final do ano passado. O que a Malu também mostrou ontem, com base nessa troca de mensagens entre o Invorcaro e Moraes, é que o Alexandre de Moraes operou para o Invorcaro até pelo menos o dia de sua prisão, de sua primeira prisão em novembro do ano passado. Eles trocaram mensagens 7 e 19 da manhã.

ser preso às 10 horas da noite. E nessa, a gente não sabe exatamente o que o ministro respondeu, porque ele usa mensagens que se desaparecem instantaneamente, mas o que o Vorcaro pergunta lá é se ele conseguiu bloquear e dar conta dos esforços dele em tentar evitar a liquidação do banco.

E, consequentemente, a sua prisão. Lá naquela altura, já se conhecia em grande parte a dimensão do caso. Os seus tentáculos no Congresso, no Judiciário. Já se conhecia o cruzamento do REAG, que é o fundo do Master, com a Operação Carbonoculto.

e a operação de lavagem desse dinheiro nos fundos de investimento, entre os quais o REAG, do Master. E já se sabia também do rombo potencial do Fundo Garantidor de Crédito. Talvez não esse valor que a gente sabe agora de 60 bi, mas já se sabia desse rombo potencial. E apesar de se saber isso tudo, o ministro Alexandre de Moraes continuava,

a operar, a ter esse diálogo, a ter essa conversa e a julgar por aquilo que o vocário escreveu, continuava a operar o vocário junto às devidas instâncias. O ministro negou a troca de mensagens, porque não há mensagem dele, visto que as mensagens se apagam. E eis que a gente se vê diante dessa situação.

prestou serviços à república na trama golpista, valiosos serviços à república. Mas se ele prestou os serviços, agora ele está em dívida com esta mesma república e com os pilares nos quais deveriam estar fundados o Supremo Tribunal Federal, que é a defesa dos valores desta república e foram completamente atropelados por esse comportamento que ele teve. Quem se salva? Obrigado, Maria Cristina.

Bom fim de semana, Maria Cristina. Espero que seja mais tranquilo. Até segunda. Até segunda, Tati. Fernando, boa tarde aos ouvintes. Boa tarde.