Em conjunto de ficções, Maria Valéria Resende reinventa clássicos literários
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- Maria Valeria ResendeReleitura de clássicos literários · Reescrita de obras canônicas · Perspectivas inovadoras em textos clássicos · Desmistificação de cânones · Ficção meticulosa
- Releitura de Dom CasmurroDesfecho alternativo · Capitu em Paris · Perspectiva feminina · Reinterpretação do triângulo amoroso · Herança e liberdade feminina
- Parada Inglesa de DrummondReconfiguração de personagens · Inclusão de João-Pinto Fernández · Perspectiva nova sobre relacionamentos · Poema clássico reinterpretado
- Caderno Proibido de Novella CéspedesDiário subversivo · Resistência feminina · Descoberta de si · Questões de gênero · Configurações familiares
- Relação entre Maria Valéria e PaguAmizade intelectual · Militância feminista · História compartilhada · Livro sobre Pagu
- Análise de personagens e temas em ficçãoReinterpretação de Kafka · Perspectiva alternativa sobre clássico · Ficção dentro de ficção
- LiteraturaPersonagem em revolta contra autor · Diálogo metaliterário · Autonomia do personagem
Clube do Livro CBN, com José Bodói. Oi, Zé. Boa tarde. Oi, Tatiana. Boa tarde. Boa tarde, Fernando. Boa tarde, os ouvintes. Boa tarde, Zé. Eu estou muito curiosa para te ouvir sobre o livro novo da Maria Valéria Rezende. Chamei a escritora de Imensa na abertura desse estúdio CBN. Tive a oportunidade de estar com ela no evento literário meio recente, ano passado, ano retrasado, e é muito impressionante ouvi-la falar. Uma mulher muito experiente, enquanto mulher,
enquanto escritora. Recapitulações é o nome do livro. Do que se trata, Zé? A Tati, a Valéria é um acontecimento na nossa literatura. Acho que na nossa sociedade, acho que o nosso cinema ainda está comendo bola de não ter feito uma grande ficção contando a história dela, porque é uma história fantástica como pedagoga, educadora popular, freira, relação dela com Paulo Freire, as viagens pelo sertão do Brasil, a China, a Argélia,
Cuba, Timor-Leste. Ela realmente é uma trajetória impressionante. Estreia na literatura há quase 60 anos, no comecinho desse século. E depois os livros começam a ser lidos, as pessoas começam a perceber que ali tem uma escritora de altíssimo nível. Ela vai ganhar todos os prêmios mais importantes no Brasil. E agora retorna com esse livro, que é um livro surpreendente, que eu acho que mostra muito a sagacidade da Maria Valente.
essa maleabilidade para brincar com a ficção e trazer prazer para o leitor. É um livro que, para quem gosta de literatura e tem relações afetivas com livros, com autores, com personagens importantes, é um livro que conversa profundamente. O que ela faz aqui, Tati e Fernando? Ela se propõe a escrever ou reescrever
grandes obras do cânone literário, na maior parte em língua portuguesa, e dando ali uma continuação, mudando ali uma perspectiva, trazendo um molho para essa história. Dando exemplos, por exemplo, ela pega o quadrilha, o poema super famoso do Drummond, que tem os personagens de quem ama...
o João Pinto, o J. Pinto Fernandes, o João que amava Tereza, que amava Raimundo, ela vai subverter todo esse pessoal que se amava e ia se desencontrando na vida, vai dar uma perspectiva nova, vai incluir o J. Pinto Fernandes, que na final das contas só está na história, porque não entrava na história, no poema do Drummond, e vai entrar na história dela e vai ter uma participação curiosa, interessante, engraçada. Ou ela faz um dos momentos
mais legais do livro. Ela imagina um outro caminho para Capitu no Dom Casmurro. Uma Capitu vivendo em Paris, em condições excelentes, escrevendo para a Sancha, que é a grande amiga dela, mulher do Escobar, convidando a Sancha para ir morar também em Paris e as duas curtirem o final da vida com as heranças
respectivos maridos, Bentinho e Escobar, que fazem Escobar, Bentinho e Capitu, acho que é o triângulo mais famoso da nossa literatura. Ou no caso do Kafka, que ela dá uma nova perspectiva para a metamorfose, para o começo da metamorfose. Ou um personagem do Saramago que se revolta contra o autor e que passa a dialogar de outra forma. É tudo muito interessante.
muito saboroso. É uma escrita... O que a Maria Valéria faz aqui, ela chama a atenção do leitor para esse jogo infinito entre leitores e escritores. A escrita como uma eterna reescritura, onde o leitor, você como leitor, lê um livro que te impacta e aquele livro vai estar dentro de você quando você escreve e de alguma forma prossegue nesse fio,
novela infinito que é a história da ficção, onde cada um vai pegando algo do outro e prosseguindo e dando um passo além ou um passo atrás ou um passo para o lado em relação à escrita ficcional. É também um livro que desmistifica muito o cânone, ela pega esses grandes livros que todo mundo às vezes trata com respeito enorme, não pode tocar, não pode falar, tem que tratar de determinada maneira e falar, não, isso aqui todos são livros do afeto, são livros nossos e a gente
de fazer o que quiser com eles e podemos encontrar novas perspectivas. É uma perspectiva de uma literatura como jogo, como prazer, como diversão. E acho que isso é o que faz, que conecta a escritora ou alguém como a Maria Valéria com o leitor. E não é à toa que ela tem tantos leitores e leitoras na nossa língua. Muito legal. Ela foi amiga da Pagu, né? A Maria Valéria Rezende em Santos, quando ambas eram
jovens, enfim, lutavam juntas ali, lado a lado, como mulheres que, enfim, se colocavam ali, corriam bastante risco em nome das suas convicções, né? Sim, ela escreveu, né? Ela tem um livro sobre a Pagu, contando um pouco dessa história, o Patrícia Galvão, Pagu, militante irredutível, que conta muito essa conexão das duas. É uma trajetória incrível, né, Tati? Realmente, você teve a oportunidade de estar com ela.
Eu nunca entrevistei, mas já estive em eventos com ela e realmente ela é uma grande personagem da nossa literatura. Uma mente fantástica. Muito legal. Então, tá. Tem, tem. Tem o quê? Tem. Livro? Ah, livro do mês, pô. Janaína Barros está aqui. Eu também, porque Jana já me traficou essa informação aqui. Animadíssima. Fala, Zé. Acho que todo mundo vai ficar, né? É um livro com muitas leitoras e leitores no Brasil. Vou tentar expandir um pouco mais esse...
Ciclo, porque é um livro incontornável, inesquecível. Quem lê ama. É o Caderno Proibido, da Alba de Céspedes. É uma escritora italiana. Essa mulher que sai para comprar cigarro e compra um caderno num dia que não podia comprar o caderno e começa a fazer desse caderno diário. E aí a coisa começa. Aí é a força da escrita subvertendo as existências.
falar dele com mais detalhamento na última sexta-feira de março. Estou muito feliz que esse eu li. Estou muito feliz e eu adoro esse livro. A Janaína ama, eu amo também, acho legal demais, sobretudo se a gente contextualizar historicamente as coisas que a personagem, a narradora, escreve ali as descobertas a respeito de si mesma, a respeito da condição em que ela está, no que diz respeito a gênero, sobretudo,
a configurações familiares. Putz, é legal demais. Eu tô feliz que você escolheu ele, hein, Zé? Tô aqui tentando contaminar o nosso ouvinte também. Não, e vocês duas estão convidadas pra conversar comigo na última sexta desse mês. Legal. Conversamos em três, então. Tá bom. Preparem suas perspectivas sobre o livro. O Fernando tá pedindo folga pra esse dia. Eu tô lendo outro que você já falou há um tempão. Se chama A Polícia da Memória. Ah, isso é maravilhoso. Maravilhoso, cara.
Bom demais. Bom, vocês estão convidadas, não fujam da última sexta. De jeito nenhum. Faz aquele resumão para o nosso ouvinte, Zé, por favor. Então, o Livro do Mês, Caderno Proibido, Alba de Céspedes, falamos dele no final do mês e hoje eu falei da maravilhosa Maria Valéria Rezende, Recapitulações, que sai pela Editora 34 aqui. Legal demais. Beijão, Zé, obrigada, até sexta. Valeu, valeu, abraços.
feira aqui com Zé Godoy.