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O que está correto: 'quais que são' ou 'quais são'?

06 de março de 20267min
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O professor Pasquale responde dúvida de ouvinte. Ele conta com os auxílios luxuosos de Dominguinhos, Gilberto Gil e Dorival Caymmi.
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Assuntos3
  • Uso do 'que' expletivo em portuguêsDiferenças regionais São Paulo vs Rio de Janeiro · Elemento expletivo como reforço da frase · Ocorrência em linguagem oral vs escrita formal · Exemplos de 'quais que são' vs 'quais são' · Expressão 'quase que' e sua estrutura · Expressão fixa 'é que' como elemento enfático
  • Natureza da LinguagemEstrutura gramatical e eliminação do elemento expletivo · Variações na língua falada cotidiana · Comparação com português europeu · Fenômeno nacional do português brasileiro · Registro formal vs informal
  • Exemplos musicais de uso do 'que' expletivoMúsica 'Lamento' de Dominguinhos e Gilberto Gil · Expressão 'quase que' na letra · Música 'Que é que a Bahia não tem' de Dorival Caymmi · Carga enfática da expressão 'é que' · Uso em contexto poético e musical
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nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi professor, boa tarde. Tatiana, boa tarde, Fernando tá aí? Fernando foi ver como anda o mundo. Nossa. Coitado, né? Pois é, não queria estar no lugar dele. Vamos lá, vamos lá. Boa tarde, Tati, boa tarde, ouvintes. Aula hoje, provocada, motivada pelo nosso ouvinte José Tadeu Costa, que mora em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e diz que tem por hábito ouvir a CBN,

do Rio e de São Paulo, mais a do Rio, e percebe que os jornalistas de São Paulo, na maioria das vezes, usam a expressão Ai, putz! Quais que são as ações, hein? Já os do Rio dificilmente ou nunca utilizam o quê? Falam quais são as ações. Pergunta o nosso ouvinte José Tadeu. É uma questão de regionalidade? Esse quê? É obrigatório na fala cotidiana? Ou só quando a gente usa a língua culta? Ou em nenhuma das situações?

Essa pergunta é ótima e dá margem a uma coisa, a um comentário que pode ser interessante, porque esse que que ele está citando aí, eu não sei se a impressão dele corresponde à realidade, essa divisão que ele faz, São Paulo-Rio, isso é um fenômeno nacional, do português brasileiro, mais do que do português europeu, do português de Portugal, usar esse que que funciona, tecnicamente falando, como um elemento,

expletivo. O que que é um elemento expletivo? É um elemento de reforço, um elemento de realce, né? E que pode ser eliminado da frase, né? E a frase não morre, né? A frase não fica sem estrutura, ela não fica capenga, né? Esse exemplo que ele dá, como é que é o exemplo mesmo? Repita, Tati, por gentileza, quais que são, né? É, quais que são. Quais são, né? Esse que é um elemento enfático,

e acontece mais em outras situações, que eu vou mostrar agora com dois auxílios. O primeiro auxílio é uma canção maravilhosa, composta por Dominguinhos, que fez a melodia, e Gilberto Gil, que escreveu a letra, cantada pelo Gilberto Gil, com Dominguinhos no acordeon, Lamento o Sertanejo. Logo no começo vai haver um exemplo muito interessante dos dois casos, com que, sem que.

Quase, no caso. Prestem atenção, vamos lá. Essa sou eu. Essa música é bonita. Quer dizer, é mentira que eu quase não tenho amigo, mas que eu não consigo viver na cidade sem ser contrariada, eu não consigo mesmo. Acho que nenhum de nós, né? Mas tá bom. É, tá feio o trem. Então, você viu que ele diz quase, quase e depois quase que, né?

Esse que do último quase, acho que é quase que não consigo, né? Esse que é enfático. Ele pode sair da frase? Pode, pode sair. Quase não consigo. Tanto pode sair que ele não entrou nas duas vezes anteriores, né? Mas é um elemento enfático que aparece normalmente na oralidade, na fala e não na escrita, na escrita formal. Se eu for fazer um relatório, um texto técnico, um tratado jurídico, um tratado científico,

eu não vou escrever quais que são as razões, não, quais são as razões. Isso na fala ganha esse caráter enfático. Há um segundo exemplo, quem vai cantar pra gente é o Dorival Caymmi, um clássico da música brasileira, gravação de 1960, eu não vou dizer o nome da música, senão dou spoiler. Vamos ouvir o Dorival Caymmi, gênio brasileiro, vamos lá.

O que é que a baiana tem? Tem torço de seda, tem Tem brincos de ouro, tem Tem corrente de ouro, tem Tem pano da costa, tem Tem bata arrendada, tem Tem pulseira de ouro, tem Tem saia engomada, tem Tem sandália enfeitada, tem Tem graça como ninguém

Dá vontade de ouvir até amanhã o grande Caymmi. A canção se chama O que é que a baiana tem. Poderia ser O que a baiana tem. E aí nós temos uma expressão expletiva que é formada por duas palavras. O verbo ser na forma é e a palavra que. O que é que a baiana tem. Esse é que também é uma expressão expletiva fixa. Ela não varia.

Nós é que somos os responsáveis. Nós é que somos. Nós somos os responsáveis. Note que quando eu coloco o é que, eu sou muito mais enfático do que quando eu não coloco. Nós é que somos os responsáveis. Nós somos os responsáveis. Acho que me parece nítida essa carga enfática que a expressão é que dá. Então é isso, caro ouvinte de Nova Friburgo.

que aparece na expressão que ele mandou, ou a expressão é que, tudo isso é elemento enfático, ocorre normalmente na língua falada, na língua oral. É isso. Professor, muito obrigada, um beijo, bom fim de semana e até segunda. Beijo, querida Tati, beijo pros ouvintes, até segunda. Quatro e meia.