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Como funcionou a perícia no celular de Daniel Vorcaro?

06 de março de 20267min
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Thássius Veloso explica como funciona a perícia digital feita em celulares, como no caso do aparelho de Daniel Vorcaro. Ele explica que o processo segue uma metodologia técnica e padrões internacionais, e não consiste simplesmente em abrir aplicativo por aplicativo. Ouça.

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Assuntos5
  • Perícias Técnicas e ForensesMetodologia técnica de extração de dados · Padrões internacionais de perícia · Uso de Gaiola de Faraday · Backup e clonagem de aparelhos · Preservação do dispositivo original · Ferramentas de software especializadas · Uso de inteligência artificial na catalogação
  • Mensagens Temporarias WhatsAppMensagens de visualização única · Chat temporário com autodelete · Recuperabilidade de mensagens apagadas · Reescrita de memória do aparelho · Dificuldade na investigação · Evolução de ferramentas de recuperação
  • Banco MasterApreensão do celular · Acesso sem senha · Mensagens extraídas · Conversas com Alexandre de Morais · Análise de dados do aparelho
  • Arquitetura e Ferramentas de SoftwareProgramas desenvolvidos nos EUA e Israel · Ferramentas desenvolvidas no Brasil · Exploração de brechas de segurança · Evolução contínua das técnicas · Utilização por Polícia Federal
  • Desafios de Desbloqueio de AparelhosTestes de combinações de senhas · Múltiplas camadas de segurança · Tempo necessário para desbloqueio · Técnicas de desencriptação · Diferenças entre aparelhos bloqueados e desbloqueados
Transcrição13 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Dia a dia digital com Tácius Veloso. Bom dia para você, Tácius Veloso. E aí, Milton, tudo bem? Bom dia para você, bom dia para a Cássia, bom dia para os ouvintes. Bom dia, Tácius. Tácius, nós temos acompanhado no noticiário uma série de mensagens que estavam no telefone celular do Daniel Vorcaro, do caso Master. E a gente sabe que ele, quando teve o celular apreendido, não cedeu a senha. Mesmo assim, o acesso parece ilimitado.

Como que isso é possível? Primeiro, Milton, eu tenho curiosidade para saber qual é o armazenamento do celular do Daniel Vurcaro. Será 256 gigas? Será 1 terabyte? Ele tem um iPhone? Isso nós já sabemos. Para entender o tamanho da exposição de dados e de fatos que nós podemos ter em torno disso. Agora, tem muita gente que tem curiosidade sobre como funciona essa perícia, esse forense digital.

na mão, abrindo aplicativo por aplicativo, e não. Não é dessa forma. Existe toda uma metodologia, existe até padrão ISO internacional para que isso seja feito nos aparelhos de pessoas investigadas. Então, quando o policial chega lá no local onde vai ocorrer essa apreensão, primeiro, se o telefone estiver desbloqueado, sem a senha, conforme você falou, facilita bastante, porque nisso já remove algumas das proteções dos sistemas dessas grandes empresas.

empresas de telefone, notadamente Apple e Samsung e também o Google com o sistema Android. Mas existem programas de computador desenvolvidos nos Estados Unidos, em Israel, algumas ferramentas desenvolvidas também no Brasil que auxiliam nisso. Então o telefone é recolhido, ele ou entra no modo avião, é posto no modo avião, ou então é colocado numa chamada gaiola de Faraday, que é uma espécie de maleta que corta a comunicação, sinal de internet, essas coisas todas,

uma sala, muitas vezes numa sala-cofre, inclusive, que ele é plugado no computador, que faz a extração desses dados. Então, é como se estivesse sendo feito um backup das informações. Você faz uma fotografia do telefone completo, tudo ali é copiado, e só depois os peritos, Milton e Cassi, eles trabalham no teor desse telefone. Os arquivos, as mídias tentam entrar nos programas, porque, do ponto de vista jurídico,

ele seja preservado. Então, isso fica salvo, fica à disposição, mas é a partir desse backup que são feitas essas checagens todas. Hoje, com apoio de inteligência artificial, inclusive, que auxilia a catalogar os dados, a tentar encontrar ali informações por palavra-chave e por aí vai. Então, são técnicas que vêm se desenvolvendo ao longo de anos e, pelo que nós estamos vendo, funcionam. Tem funcionado nesse caso.

quanto desses arquivos foram extraídos até agora para entender o quanto de mensagens, enfim, de revelações nós ainda podemos ter. E se valendo desse tipo de técnica, de estratégia, o tempo para que um celular seja, digamos, totalmente ali mapeado, se tem acesso a todas essas informações, é o tempo que seria se nós estivéssemos assim e estivéssemos simplesmente explorando o aparelho? Ah, demora, Cássia. Demora porque quando ele está bloqueado,

Primeiro, é preciso realizar esse desbloqueio, entre aspas, aqui. São várias as técnicas, mas isso demora, porque o sistema vai testando combinações, ou então, dependendo do programa que é utilizado, você faz uma cópia, primeiro, mais, digamos assim, embaralhada e tenta decifrar. Então, não é simplesmente dar dois cliques no computador e verificar temas de telefone mais recentes.

camadas de segurança que protegem essas informações.

já ouvi, inclusive, de fontes, de políticos, autoridades que trocam o celular de tempos em tempos, que reinstalam os sistemas. E agora temos esse novo fator. A mensagem temporária no WhatsApp não é algo novo. Está disponível aí há uns 4, 5 anos. São dois mecanismos, inclusive. Um que você só consegue ver uma vez e outro que o chat é temporário. Então, depois de um determinado tempo, 24 horas, 7 dias, etc., essas mensagens são apagadas automaticamente. Este é um fator

de dificuldade para os peritos, porque o telefone guarda aquela mensagem na memória somente até ela ser aberta, ser visualizada, e depois aquilo some, desaparece, é apagado. Essa mensagem, Tassos, é irrecuperável? Cássia, é difícil de cravar com absoluta certeza, mas o que nós temos de vestígios até agora é de que sim, porque o telefone, o WhatsApp, o telefone, ele reescreve na parte da memória do telefone, pensando aqui na lógica, com outras instituições

Então, o computador, o programa de computador utilizado pela Polícia Federal, por exemplo, se esbarrar naquilo ali, vai acabar encontrando combinações diferentes. Então, eu até agora não vi em nenhuma investigação recente que isso tenha sido recuperado. Mas essas ferramentas, elas estão sempre evoluindo. Então, é algo para nós acompanharmos. E curiosidade rápida, esses programas de computador, eles se utilizam de brechas, de falhas de segurança para conseguirem invadir

esses telefones. Então essas brechas vão se acumulando. Às vezes tem um técnico, um pesquisador, que pensa em algum caminho diferente e algo que não é possível hoje, amanhã passa a ser possível. Por isso é um campo que evolui tão rápido esse do Forense Digital. Muito obrigado, Tarsius, e um bom dia.