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'Hamlet, Sonhos que Virão': clássico de Shakespeare ganha nova interpretação no futuro Cine Copan

05 de março de 20269min
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A clássica tragédia de William Shakespeare, Hamlet, chega ao público paulista em uma montagem inédita intitulada "Hamlet, Sonhos que Virão", em cartaz no futuro Cine Copan. Em entrevista ao CBN São Paulo, o diretor da peça, Rafael Gomes, falou sobre a experiência de levar o espetáculo a um espaço ainda em construção, que futuramente se tornará cinema e teatro. A montagem procura conectar a obra ao público contemporâneo, incorporando adaptações, mas preservando a essência do clássico. A temporada vai até 19 de abril, com apresentações às quartas, quintas...
Assuntos6
  • Montagem de Hamlet no Cine CopanAdaptação para espaço em construção · Uso do prédio como palco · Diálogo entre forma e conteúdo · Espaço monumental para tragédia clássica
  • Gabriel Leone como HamletAtor jovem em papel icônico · Transição do audiovisual para teatro · Expansão corporal no palco · Importância do protagonista para a peça
  • Atualização de clássicosRenovação de textos antigos · Comunicação horizontal com plateia · Quebra de rigidez formal · Aproximação da linguagem moderna
  • Modernização da encenaçãoAtrizes em papéis masculinos · Uso de luz como elemento narrativo · Subversão de papéis tradicionais · Teatro como jogo de faz de conta
  • HamletTragédia de 400 anos · Personagem em transição · Temas universais e atemporais · Estrutura e importância do texto original
  • FutebolDatas de apresentação · Local de realização · Duração do espetáculo · Canais de venda de ingressos
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Agenda Cultural. Acontece em São Paulo. Apoio Prefeitura de São Paulo. Yasmin Caetano conosco na Agenda Cultural, hoje com um convidado especial, hein, Yasmin? Exatamente, Marcela. A gente recebe o Rafael Gomes, que é o diretor da peça Hamlet Sonhos que Virão, que está em cartaz lá no futuro Cine Copan. É um Cine Copan em construção ainda, e a gente vai falar um pouquinho da peça e também da ocupação daquele espaço. Então, Rafael, bom dia, seja bem-vindo.

Bom dia, é um prazer falar com vocês e com os ouvintes. Rafael, me chamou muito a atenção na peça, como vocês montaram o palco nesse espaço que realmente está em construção. Ele vai virar um cinema e um teatro. Agora ele está naquele, dá para dizer ali, um meio termo. É um espaço muito interessante e a gente queria entender como foi a montagem para receber a peça Hamlet. É um espaço no entre, né? Ele está entre o que foi e o que ele vai ser.

O Hamlet é um personagem entre um mundo que ele tem que abandonar e um novo homem que ele tem que se tornar, enfim, impelido com uma série de questões dramáticas ali. Mas a montagem pensada para esse espaço foi justamente a partir dessa lógica, desse sentido de uma história que fala sobre um mundo em ruínas, sobre um mundo de fantasmas, sobre um mundo de passado, de arqueologia, de memória, e o que se pode, o que se deve construir

desses vestígios e dessa história do que é o regresso. Então, o desejo sempre foi montar essa tragédia, que é uma grande tragédia, uma das peças mais famosas de todos os tempos, uma peça de 400 anos. Então, ela é uma peça de uma envergadura monumental. Então, nada melhor do que um espaço monumental para abrigar essa montagem, para abrigar uma nova incursão a Hamlet, também uma peça tão montada.

do início, assim, o sentido, a forma e o sentido já estavam de mãos dadas. E acho que essa questão da ruína, né, das ruínas por parte dessa arquitetura, acaba se tornando também uma linguagem de uma peça, que como você disse, é uma história de 400 anos, mas que continua atual, né? Exatamente. A questão dos clássicos é que eles têm uma eterna capacidade de renovação. Eles são, se a gente ignorar o que fala Dinamarca ou que fala, sei lá,

espada, que talvez ninguém mais lute de espada, mas assim, como lenda, como mito, como arquétipo, são figuras, sentimentos, emoções, situações dramáticas muito poderosas e que, na verdade, é isso, um pouco são espelhos da humanidade mesmo, são um pouco cartilhas do ser humano, essas grandes peças, esses grandes clássicos. Então, como eu disse, nada mais interessante para

mim como criador, como encenador e para o grupo com quem a gente está montando essa peça, do que trazer uma história tão ancestral e ao mesmo tempo tão atual para a renovação de um edifício fechado há décadas e que vai voltar a ser um palácio da cultura, vai voltar a ser um cinema. E é um texto clássico, mas também tem uma modernização da peça, alguns personagens masculinos são interpretados por atrizes, tem um jogo de luzes muito interessante.

vocês pensaram em modernizar esse texto na montagem? A vontade primeira de fazer uma peça dessa é que ela se comunique, é que ela seja horizontal, é que ela fale para as pessoas, todas as pessoas. Eu brinco e não brinco, na verdade, dizendo que eu quero que um menino, uma menina de 16 anos que passa o dia no TikTok, sente ali e goste da história e fique na pulsão do que aquilo está querendo dizer.

no ritmo, na intensidade, nas viradas, nas emoções. O Hamlet é também um thriller psicológico, é uma história muito boa, não é chato, não é uma falação, não são palavras antigas que não querem dizer nada, pelo contrário. Agora, claro, ela foi escrita há 400 anos, mais até, para uma linguagem, um tipo de vida que não é a nossa hoje. Então, para que ela continue tendo a força que ela tem,

Porque Hamlet, Shakespeare, quando as pessoas viam em 1600, era novela, era o TikTok, entende? Era a diversão que tinha, era aquilo ali, era uma coisa muito popular para todo mundo. Então, como que a gente traz isso para o presente e ainda faz com que isso seja, é isso, pulsante e próximo para as plateias contemporâneas, de todas as idades, de todos os mais variados procedências de plateia.

a gente trabalha ali com alguns artifícios que tentam aproximar a história e é isso, tentam um pouco quebrar a rigidez. Então, quando você fala, tem uma atriz fazendo um papel masculino, por que não? Entende? É um jogo, é um jogo, é teatro, teatro é um jogo, é um jogo de faz de conta, é uma brincadeira. Então, também tem, tá tudo, e a luz, e tudo que você citou, tá tudo dentro dessa premissa. E vocês têm Gabriel Leone no personagem principal, que também é um ator que tem aí uma carreira, claro, com diversos destaques,

Jovem, né? Queria saber como é que tá sendo também esse trabalho pra que ele interprete um personagem tão importante nesse contexto de tantas disrupções que vocês têm aí nesse local da montagem. Como é que tá sendo esse processo com ele? É, não se faz um Hamlet se você não tem um Hamlet, né? Isso aí é o coração da peça. Sem dúvida. E o Hamlet é um personagem que domina dois terços do espetáculo, assim, de fato. Ele fala dois terços do texto da peça.

E move essa narrativa, e move essa história, ele que fala com a plateia, ele que se comunica, ele que estabelece o jogo. Então, realmente, precisa de um ator do tamanho do Gabriel Leone para que isso funcione e dê certo. O Gabriel é um ator fantástico, extraordinário, e como vocês disseram, ele vem de papéis muito populares no audiovisual, protagonistas muito fortes e muito marcantes, como Ayrton Senna e o próprio Dom, na série que ele fez, entre outros.

de Mônica, né? Quer dizer, um filme popular, de uma música popular que está no imaginário das pessoas. Então, acho que o Gabriel é esse ator que foi se inscrevendo, se costurando na cabeça das pessoas, nesses papéis muito fortes, assim. E ele fazer essa volta para o teatro, bom, para ele, nas palavras dele mesmo, é uma libertação. Ele diz que ele redescobriu o corpo dele fora da câmera, fora do enquadramento da câmera, o corpo dele podendo se mexer, existir, se expandir, ainda mais nesse

que é um espaço de um palco imenso, né? A gente está, como foi falado, a gente está usando o que um dia foi a plateia como palco. Então, é um palco para mil lugares. Essa é a brincadeira, assim. É um palco para um lugar onde um dia coube mil lugares, mil cadeiras. E o Gabriel está nisso, assim. Ele está nesse movimento de expansão e de reconexão com o teatro, que foi onde ele começou, num papel tão importante. Bom, está em cartaz no Cine Copan, na Avenida Ibiranga,

Jornal da ganga 200. Começou a temporada no dia 19 de fevereiro, vai até o dia 19 de abril, às quartas, quintas, sextas, sábados e domingos. Os ingressos disponíveis no site nucinecopan.bint, se escreve b-y-i-n-t-i.com. Duração de 2 horas e 15 minutos, sem intervalos. Vale muito a pena conferir. Rafael Gomes, diretor da peça Hamlet, conosco aqui hoje no CBN São Paulo.

Passamos, deixamos o convite para todos os ouvintes. Valeu! Obrigado, eu que agradeço. Vamos lá ver. Vamos sim, com certeza. Yasmin já viu, eu e Muniz estamos ansiosos para conferir. Nós vamos sim.

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