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A participação das mulheres na tecnologia e no desenvolvimento de inteligências artificiais

05 de março de 202610min
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O Dia Internacional da Mulher é celebrado no próximo domingo (8), e a Leny Kyrillos aproveita o gancho da data para falar sobre o o papel de liderança das mulheres no meio da tecnologia, principalmente em inteligências artificiais.

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Assuntos6
  • Participação das mulheres em IASub-representação feminina · Mulheres em cargos técnicos · Ciclo vicioso na tecnologia · Necessidade de diversidade
  • Viés de gênero em algoritmosViés em sistemas de recrutamento · Discriminação de currículos femininos · Caso Amazon · Erros em reconhecimento facial
  • Riscos pessoais e sociaisAmplificação de desigualdades · Oportunidade de moldar tecnologia · Ética e inclusão · Participação na governança de IA
  • Empoderamento FemininoPensamento crítico · Empatia · Comunicação · Escuta · Mediação · Visão sistêmica
  • Dia Internacional da MulherCelebração no dia 8 de março · Necessidade de representatividade · Ocupação de espaços de liderança
  • Disparidades e DesigualdadesCríticas desproporcionais · Duplo padrão de avaliação · Visibilidade vs julgamento moral
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Lenin Queridos aqui com a gente. Tudo bem, Lenin? Tudo bem, Sardenberg. Boa tarde, boa tarde, Cássia. Boa tarde para todos. Boa tarde, Lenin. Nós temos aqui como referência o gancho, como a gente diz, jornalismo, o Dia Internacional da Mulher. Isso. Muitos ouvintes pediram para que você tratasse desse tema, mas você resolveu pegar uma abordagem bem diferente, que é a participação das mulheres na tecnologia. Exato. E, em particular, na inteligência artificial. Isso mesmo, Sardenberg.

Porque assim, a gente já vem falando, inclusive, não é, Cássia? Nós fizemos o livro, uma extensa pesquisa sobre liderança feminina. Já falamos em vários momentos e todo ano no Dia Internacional da Mulher nós resgatamos sobre a comunicação feminina, a ocupação dos espaços de liderança. E aí esse ano eu falei, deixa eu pensar em algo que a gente ainda não comentou a respeito do caso. E fiz uma extensa pesquisa aqui, identificando qual era a participação feminina na inteligência artificial.

E tem alguns dados interessantes para a gente compartilhar. Primeiro, gente, a inteligência artificial não é neutra. Ela é abastecida, ela aprende com dados históricos. E dados históricos acabam carregando desigualdades históricas também. Então, as pesquisas mostram que nos sistemas de recrutamento, de uma forma geral, quando aparece a palavra mulher,

de gênero importante. E, especialmente na área da tecnologia, como são poucas as mulheres, para vocês terem uma ideia, no máximo 30% do grupo de pessoas que lidam com tecnologia, a gente tem mulheres, o programa traz um viés e esses currículums, que muitas vezes são ótimos, com formações qualificadas e etc., eles acabam sendo deixados de lado, discriminados. Inclusive, um tempo atrás, teve até um experimento interno da Amazon,

que acabou abandonando uma ferramenta de recrutamento porque ela estava justamente reproduzindo esse viés de gênero. Eles recebiam currículos das pessoas e quando eram pessoas do gênero feminino, o algoritmo mostrava que era algo atípico, que estava fora do que se esperava para o cargo. Olha só, pela tradição mais masculina nessa área. E a Amazon acabou deixando de lado essa ferramenta para ser mais justa.

do MIT, que mostrou o seguinte, que inclusive, gente, os sistemas de reconhecimento facial tem muito mais taxa de erro, taxas mais elevadas de erro, quando se trata de rostos femininos, porque também foram formatados a partir de referências masculinas. Olha só. Bom, então existe uma sub-representação feminina no desenvolvimento da inteligência artificial. As mulheres são ainda a maioria,

da população. Sabemos que, historicamente, mulheres são altamente qualificadas. Do ponto de vista de formação, existe até uma discrepância, um número muito maior de mulheres qualificadas do que de homens, mas elas ainda são minoria nas áreas de ciências de dados e de engenharia de inteligência artificial. Isso é um dado do Fórum Econômico Mundial. As mulheres ocupam cerca de 30% dos cargos de TI globalmente, no mundo todo.

cargos técnicos de nível mais alto, essa porcentagem é ainda menor. Então, isso cria, gente, um círculo vicioso. Menos mulheres desenvolvem tecnologia, menos perspectivas diversas acabam entrando no algoritmo, os produtos atendem menos as necessidades femininas e o ambiente acaba se tornando menos atrativo para mulheres. Isso cria um problema estrutural. E é curioso, gente, porque assim, de uma forma geral,

em redes sociais, as mulheres costumam ter uma participação mais efetiva. A gente identifica mais postagens feitas por mulheres. E também é diferente, Cássia, veja que cruel. A forma como essas características, por um lado, aumentam a visibilidade de mulheres que estão aí fazendo coisas, propondo situações, mas existem críticas desproporcionais. Às vezes,

O mesmo comportamento que é colocado por um homem é avaliado como, nossa, que interessante, olha como ele está bem colocado, como ele utiliza bem, como ele atua profissionalmente de uma forma marcante. E às vezes uma postagem absolutamente igual por mulheres gera coisas do tipo, está querendo aparecer, nossa, que exibida, olha só, acho que colocou para mostrar a roupa que ela estava usando lá,

tudo mais. Tem formas absolutamente diversas de avaliação e de interpretação. As críticas são muito desproporcionais. Quando a gente olha por outro lado, o diferencial feminino agora na era da inteligência artificial, tem coisas, gente, claro, que a inteligência artificial facilitou demais e todo mundo tem acesso a uma facilitação muito grande de processos e etc. Só que, ao mesmo tempo, existem algumas características

que são puramente humanas, que passam a ter um valor ainda mais importante, como o pensamento crítico, a empatia, a comunicação de uma forma geral, a escuta, a capacidade de mediação, uma visão mais sistêmica. E nessas áreas, as mulheres, estatisticamente, têm desempenhos superiores, de uma maneira geral. Então, vejam que, assim, isso acaba trazendo, ao mesmo tempo,

Um risco e uma oportunidade. Assim, do ponto de vista de dois caminhos aí, se as mulheres não participarem ativamente da criação, da governança da IA, a gente vai ampliar desigualdades. A igualdade que já existe, que é real, que a gente identifica no mundo do trabalho, no mundo das remunerações, ela vai ficar ainda mais evidente. Por outro lado, se essas mulheres participarem, que é o segundo caminho,

dar melhor a próxima revolução tecnológica com mais equilíbrio, com mais ética e com mais inclusão. Essa é a busca. E aí a gente está comemorando o Dia Internacional da Mulher, no dia 8 agora de março, e vale aqui o lembrete, o alerta, para que haja essa participação mais efetiva. E já que você está falando disso, Leny, para a gente encerrar aqui, eu quero deixar para os nossos ouvintes um convite, já que as mulheres, por enquanto, estão subrepresentadas

que possam envolver a inteligência artificial e os resultados de buscas nestas ferramentas, um bom caminho para você saber mais sobre inteligência artificial, com duas mulheres falando e arrasando no tema, é o nosso podcast Futuramente, que é feito por duas mulheres. A gente tem a Marta Gabriel, que é a futurista, especialista em inovação e tecnologia, e a jornalista Carolina Tamacia, que é a nossa chefe aqui de reportagem, que faz o podcast junto. Bem lembrado.

falando de inteligência artificial e duas mulheres arrasando na condução desse conteúdo. A gente tem que ir construindo essas referências femininas nas mais diversas áreas e educando os algoritmos e a inteligência artificial em relação à presença das mulheres em todas as áreas e em todas as posições, inclusive as de liderança. Aí a gente vai ter razão para comemorar, não é, pessoal? E assim, durante muito tempo a gente lutou bravamente por ocuparmos os espaços. Que bom!

boa luta, entre aspas, porque está trazendo algo mais humano para as pessoas de uma forma geral. E agora a gente tem que disputar os espaços invisíveis que a inteligência artificial nos traz. Com muita ética, claro, e com muita boa vontade. Então, feliz Dia Internacional da Mulher para quem está nos escutando e vamos em frente. É isso. Muito obrigado, Leny. E, Cássia, antes aqui de chamar para o intervalo, a nossa ouvinte Leny... Olha, me achará! Diz o seguinte,

Casa Santa Luzia em São Paulo, tem muita, assim ó, escreveu, muita paquera. Ah, é mesmo? Tá, tá certo, porque os ouvintes estão falando desse assunto que a gente acabou abordando com a Rosana Jatobá, e a gente tá recebendo uma enxurrada de mensagens de lugares, digamos, inusitados pro flerte. A gente falou de uma série de assuntos importantes, agora o que pegou mesmo? É a história da paquera no supermercado. Ué, faz parte. Gente, ótimo restinho de semana aí pra vocês.

Feliz Dia Internacional da Mulher.