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Vorcaro: 'Não são decisões de um banqueiro, mas de um operador de um esquema de lavagem de dinheiro'

05 de março de 202615min
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Maria Cristina Fernandes comenta o desenrolar da prisão de Daniel Vorcaro, como a divulgação de mensagens de seu celular apreendido. 'A gente ainda não tem ideia do tamanho disso, mas o fato é que uma delação só virá a ser negociada depois que se tiver uma ideia do conjunto da obra. Tem muita coisa para sair'. Ouça o comentário.

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Assuntos11
  • Daniel VorcaroInvestigação criminal · Apreensão de celular · Divulgação de mensagens · Agenda de contatos · Possibilidade de delação premiada
  • Rede de Contatos PolíticosNomes dos três poderes · Ministros do STF · Parlamentares · Empresários · Operadores de negócios
  • CorrupçãoEsquema operacional · Caixa dois · Estrutura de operações · Fundos de investimento · Banco Central
  • Procuradoria-Geral da RepúblicaResistência às prisões preventivas · Rejeição de suspensões · Blindagem de investigações · Falta de cooperação · Conflito de interesses
  • André MendonçaPoder concentrado · Caso Vorcaro e Master · Fraudes do INSS · Influência no STF
  • Reforma TributáriaGarantia de cobertura do Sangar · Fundos de previdência e decreto de carbono · Relatoria do Deputado Bonota · Propostas legislativas estruturadas
  • Financiamento de CampanhasFinanciamento de Bolsonaro · Financiamento de governador · Operadores do Centrão · Conexões políticas variadas
  • Política e GovernoProximidade de eleições presidenciais · Repercussão política · Envolvimento de três poderes · Operadores de múltiplos partidos
  • Fundos de investimento e CVMPaulo do Grupo Láster · Fundo dos investimentos · Fiscalização inoperante · Lobby e indicações · Falta de regulação
  • Segurança OperacionalInvestigações independentes · Descoberta de provas · Dedicação à investigação · Contraste com PGR
  • Midia e TecnologiaComplexidade do caso Master · Necessidade de explicação para público · Remontagem de teia de atores · Conexão com voto do cidadão
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Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Maria Cristina Fernandes, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Boa tarde. Bom, obviamente, Maria Cristina Fernandes volta a se debruçar sobre as investigações que levaram Daniel Vorcaro à cadeia, todas as informações que foram tornadas públicas ontem, a partir do inquérito relatado por André Mendonça, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal,

fala-se em uma possibilidade de delação premiada. Ontem a gente falou sobre isso aqui um pouquinho, né, Maria Cristina? E você dizia, mas se ele é apontado como chefe de uma organização criminosa, quem ele delataria acima dele? Mas hoje veio a público, por exemplo, uma lista de... uma agenda do telefone de Daniel Vorcaro, com nomes aí bastante conhecidos de quem acompanha o noticiário político, né? Pois é, Tati. Ali a gente tem nomes dos três poderes,

e uma agenda de um operador. Se a gente vê os diálogos que foram transcritos na decisão do ministro André Mendonça, a gente não precisa nem entrar nesses que vieram depois. Na decisão do ministro André Mendonça, ali quem manda quebrar os dentes do Lau Jardim é o próprio Borgaro, não é nem o Capanga, que, aliás, atentou contra a sua própria vida.

que está lá no hospital em Belo Horizonte. Ele que manda pagar. Então, isso não são decisões de um grande banqueiro, um grande empresário. São decisões de um operador. Um operador de um grande esquema de lavagem de dinheiro. Então, quem opera, opera não apenas para si, mas opera para outros. O que parece ser o alvo desta operação

que é muito embrionária ainda. É o organograma desta organização. E, definitivamente, o Daniel Vorcaro não é a cabeça. Conversando com algumas pessoas desde ontem, a gente... Ah, mas o Vorcaro não tem como delatar, porque se ele era a cabeça, não é o que sugere. Ele não é a cabeça disso. E vendo essa lista, é uma lista que tem dois únicos empresários,

Jóezes e Batista e dois tanures e o resto é de operadores, gente no judiciário, ministros, ministros do executivo e muitos parlamentares e advogados. Então, há uma certa ansiedade em relação aos próximos passos, mas era sempre bom lembrar que quando o ministro André Mendonça pegou este caso, havia 111 celulares,

e o do Vorcaro estava começando a ser decifrado. Então, o que a gente viu ontem são os primeiros resultados, o que a gente está vendo hoje, o vazamento dessas conversas, são o resultado das primeiras, da decupagem, da revelação das primeiras provas do que eles foram descobrindo neste celular, nas conversas do Daniel Vorcar.

A gente ainda não tem a ideia do tamanho disso. Mas o fato é que uma delação só virá a ser negociada depois que se tiver uma ideia do conjunto da obra. Tem muita coisa para sair. Como é que se deu a compra de vários bancos que inclusive já tinham sido liquidados pelo Master, com autorização do Banco Central,

Como é que foram estruturadas muitas operações de conjuntas nos fundos, que é por onde se dava a grande lavagem de dinheiro do Vorcaro. Ele operou um grande caixa 2. É o que sugerem as investigações, é o que está ali na decisão do ministro André Mendonça. Qual é a cadeia de beneficiários? Foi só ele que se beneficiou dessas propostas legislativas que a gente viu que foram operadas aí pelo senador

Ciro Nogueira, seja da elevação da garantia de cobertura do garantidor de crédito, seja na obrigatoriedade para que os fundos de previdência comprassem crédito de carbono, isso foi aprovado com a relatoria do deputado Hugo Mota, hoje presidente da Câmara, quando o presidente da Câmara era Arthur Lira. Então, são tantas as vertentes,

E a desenvoltura do Vortaro em operar tudo isso foi tamanha que é cedo a gente dizer que ele vai delatar ou não. Muito certamente a Polícia Federal, quando se deparar com o esgotamento das provas, vai ver aí o que mais precisa ser levantado para poder traçar uma linha condutora dessas instituições.

e saber de fato o que aconteceu. E aí a gente vai ver se essa delação será proposta. Eu acho que a gente deve esperar, se ela vier, ela venha pela Polícia Federal e não pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral da República, que como a gente viu, a PGR não queria nem mesmo autorizar essas prisões preventivas que foram feitas ontem.

Então... Te causou algum tipo de estranheza essa postura da PGR, Maria Cristina? Sim, Tati, não é o primeiro, não foi a primeira decisão da PGR no sentido de blindar, digamos assim, a primeira retranca, a primeira jogada na retranca aí da PGR. Vamos lembrar que o PGR, o Paulo Guanet, também rejeitou pedidos de suspeição,

do ministro Dias Toffoli para julgar o caso. O ministro Dias Toffoli que mais tarde revelaria que ele tem cotas na Maridit, que é esta empresa que fez negócios com o Vorcaro, dona do resort Italiayá. Também ele rejeitou pedidos sobre a abertura de sigilo do contrato no escritório de advocacia da família do ministro Alexandre Moraes

o dono do Master. Então, esta é a terceira decisão do Gonê na retranca. Então, a gente não deve esperar que uma eventual delação venha pela PGR e sim pela Polícia Federal, que demonstrou que depois que o Toffoli ficou sentado em cima durante todo o período em que ele foi relator, de fato, agora está indo para cima e vai se dedicar

a abrir esse celular e descobrir o que tem aí. E, principalmente, eu queria chamar a atenção que é um capítulo que ainda é desconhecido, que é o capítulo dos fundos, da REAG, que é este fundo de investimentos por meio do qual, do Grupo Master, por meio do qual Daniel Vorcaro operava. Este capítulo, REAG, ainda é um capítulo muito desconhecido, entre outras razões, porque

A autarquia responsável pela fiscalização deste fundo que se chama Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, é completamente inoperante. Inclusive fez lobby e conseguiu que fosse indicado para presidente da CVM um conselheiro da CVM que é, digamos assim, defendido por grandes empresas.

interessadas em que não haja fiscalização dos fundos. Maria Cristina, uma última questão. Soma-se a tudo isso o fato de a gente estar pertinho de uma eleição presidencial e o caso Vorcaro vai andar junto com as eleições provavelmente. E um outro ponto que o ministro André Mendonça, ele é o relator desse caso e também o relator do caso das fraudes do INSS. Tudo agora na mão de André Mendonça.

Ele está poderoso, né, Fernando? Está bastante poderoso. Se a gente teve até aqui um ministro Alexandre de Moraes, que desde o inquérito do golpe, desde o inquérito das fake news, adquiriu muito poder, tornando-se um nome internacionalmente conhecido como o ministro do Supremo, que salvou a democracia, que conseguiu conduzir, colocar na cadeia,

militares, o presidente da República, ele também se arvorou de poderes inauditos no Brasil. O ministro André Mendonça, com a relatoria desses dois casos, são dois casos bastante vistosos, esse master é um pouco mais difícil para o cidadão entender. Envolve investimento, envolve taxa 2,

fundos de investimento. Por isso, assim, daí o nosso desafio como jornalista é tentar destrinchar este caso para que as pessoas saibam como são feitos os negócios da República, que, no final, afeta a vida de todos nós. O caso do INSS é mais digerível porque diz respeito à poupança de aposentados.

uma quadrilha fez para desviar a poupança de aposentados. Então, é muito gritante, é mais fácil, mas também envolve um emaranhado de atores e de empresas e de políticos gigantesca, que não começou a operar hoje, opera desde sempre. E são dois casos com grande repercussão sobre eleição.

O Daniel Vorcaro foi financiador da campanha do Bolsonaro, foi financiador da campanha do governador Francisco de Freitas, mas teve um sócio que também atuou na Bahia, foi bastante favorecido no governo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que é do PT, de um estado mais poderoso governado pelo PT.

mas notadamente, principalmente no Centrão. Então, é um caso de grandes tentáculos políticos. E a gente precisa explicar e remontar essa teia para poder mostrar o que isso tem a ver com o nosso voto lá em outubro. E o NSS agora está com essa...

essa investigação da CPI do INSS, que quebrou o sigilo do filho do presidente, sobre o qual a gente também falou aqui, e a defesa do filho do presidente agora terá o desafio de mostrar que a relação do filho do presidente com o chamado careca do INSS, que era um desses agentes de tramóias no INSS, ela se restringiu a uma viagem que foi paga por esse careca do INSS, Antônio Carlos,

Camilo para prospectar um negócio de produção de uma fábrica de cannabis na Espanha e que não prosperou e que esta relação não avançou, não foi para frente. Este é o desafio da defesa, ainda que esta quebra de sigilo tenha mostrado recursos que passaram pela conta do Fábio Luiz bastante volumosos.

ao longo dos últimos anos. Bom, segue o baile, a gente vai acompanhando e Maria Cristina está aqui diariamente para ligar os pontos para a gente. Obrigada Maria Cristina, um beijo, até amanhã. Obrigada Tati, um beijo para os ouvintes, uma boa tarde, até amanhã.