Dentro do Estúdio: 'vaia de bêbado não vale'
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- Show de João Gilberto com problemas de acústicaProblemas técnicos de som · Reação do público com vaias · Presença de Tom Zé e João Marcello Bôscoli · Foto icônica de João Gilberto · Frase 'vaia de bêbado não vale'
- Tom Zé inspiração musicalComposição inspirada em João Gilberto · Abordagem da música bossa nova · Brasil e identidade cultural · Evolução musical através de Bossa Nova
- Producao MusicalGravação original em 1976 · Restauração de áudio · Microfone e tecnologia · Álbum inédito póstumo
- Gestão e LiderançaRestauração de vozes · Rejeição de software de afinação · Integridade artística · Metodologia de preservação
- Elis Regina desenvolvimento musicalCarreira e evolução artística · Álbum Elisitão · Samba moderno · Trabalho com grandes músicos
- Elio de Omiro e guitarraTécnica do instrumento · Contribuição para Bossa Nova · Documentário Elisitão · Influência em músicos
- Paulo César Pinheiro e composiçãoTrabalho com Elis Regina · Separação de Ronald Bosque · Letras e composições · Influência na música brasileira
Sala de Música. Tom João Marcelo Pôscoli. João, boa tarde, João. Boa tarde, tudo bem? Tudo bem, João. Preciso te perguntar uma coisa urgente. Pessoal, tá só um pouco atrapalhado hoje. O Tom Zé participa hoje da Sala de Música? Pra você, né? Ah, então tá bom. Porque no noticiário local, eu aqui anunciei o Tom Zé. Tom Zé, liga o rádio. Tom Zé, ouve muita CBN. Tom Zé, aumenta o rádio que a gente vai falar da sua música aí. Aí o pessoal falou assim, não, é surpresa, é surpresa.
Nossa, será que eu errei? Mas tudo bem. Pode continuar. Boa tarde. Boa tarde. A gente está dentro do estúdio, né? Então, a gente vai chegar já já na parte que é ouvir música, né? Então, começa pelo Tom Zé. E amanhã de manhã, quando a gente acordar, eu quero te dizer que a felicidade, João Marcelo, vai desabar sobre os homens, tá bom? Sério? Mas pode seguir. Desculpa te interromper com essa notícia. Tomara.
O Tom Zé, ele estava numa apresentação, eu também estava nesse dia, a gente estava em mesas próximas, um metro e pouco de distância, quando teve aquele incidente com o João Gilberto, por causa da acústica da casa, realmente, aquele dia ele estava lá, era realmente difícil de qualquer pessoa se apresentar, estava acontecendo um fenômeno que você falava lá, era uma loucura, e aí ele foi ficando daquele jeito, aí começou a ter uma vaia, e aí, caramba, né,
Eu falei, cara, não é possível que eu estou aqui vendo isso ao vivo e do lado do Tom Zé, a gente muito constrangido. No dia seguinte saiu em todos os jornais a foto do João Gilberto com os dedinhos assim, cada indicador no lado da bochecha com os quatro dedinhos assim, mostrando a língua e tal. E aí falou, vai de bêbado não vale. E o Tom Zé fez uma música, vai de bêbado não vale, onde ele abordou a invenção do Brasil para o mundo a partir da bossa nova.
e a Bossa Nova a gente vai chegando mais perto de onde a gente está aqui, do nosso destino. E aí, desse momento aí de ele falar sobre a Bossa Nova, que era um país que era conhecido por vender cana-de-açúcar, exportar monocultura e tal, e que de repente foi despertado através de uma música ali naquele momento para um país gigante. Depois ele fez, tem coisas dele especificamente sobre a Elis.
vocês agora, que a gente vai ouvir, que, assim, continuando na Bossa Nova, um dos discos mais interessantes que deram um passo na linha evolutiva, na minha opinião, da Bossa Nova, fundida com o samba moderno, que está cristalizado ali no álbum Elis e Tom. E esse som, claro, foi desenvolvido por um grupo de pessoas, mas entre elas o grande guitarrista Hélio Delmiro, um dos maiores músicos da história do instrumento no mundo, não é aqui, é estudado fora, um cara que tocou muito com a Elis,
estava lá muito novo. Se alguém for assistir o documentário Elis e Tom, o Hélio Delmiro está lá. Então o Hélio compôs uma música e entregou para um cara que é o Paulo César Pinheiro. Paulo César Pinheiro, quando a Elis Regina se separou do Ronaldo Bosco, ele compôs o Quá, quará, quá, quá, quem riu, quá, quará, quá, quá, fui eu. A letra é dele, né? E o meu pai, eu lembro que ele contou que estava no Caricol assistindo um show de Elis, ela começou a cantar isso olhando para ele,
rodando na cadeira atrás. Falei, filho, no final eu estava atrás do copo de uísque, só minha cabeça para fora, assim, que eu via a sua mãe através das pedras de gelo, eu estava morrendo de medo, assim, vergonha. Falei, pai, mas... Não, era para mim, João, eu te garanto, ela olhou para mim o tempo inteiro, todo mundo olhou para mim. Foi aquele enquadro em público. O Paulo César Pinheiro, depois, que é um dos maiores letristas da história da música brasileira, para mim, se houvesse um top ten, ele estaria lá, né? Realmente, ele depois acabou se aproximando,
ainda mais da Elis quando ele casou com a Clara Nunes, e elas ficaram próximas, tem uma foto da Clara no camarim da Elis, e aí ele ter feito o negócio do Ronaldo com a Elis, lá naquela época, entre outras músicas, ele já era muito importante antes, muito jovem, e depois a separação do Ronaldo Bosco, que é um fundador da Bossa Nova, com a Elis, a gente vai falar agora, enfim, começamos com a Bossa Nova e o Tom Zé lá que falou da Elis, Hélio Delmiro na guitarra,
vai resultar numa coisa que eu vou mostrar pra vocês, que é a Elis Regina cantando o Hélio Delmiro com o Paulo César Pinheiro, a música que o Hélio mandou pro Paulo, que é o Velho Arvoredo. Essa música, ela foi gravada em 76, ela tinha, na época, ia completar 31 anos, tinha 30 anos, e gravou 10 músicas numa noite pra um programa de TV, e ficaram os masters dessa gravação. Então a gente vai ouvir agora a voz só dela, dessa música Velho Arvoredo,
que tem um monte de coisas, né? Que a letra fala da vida das pessoas, dos entrelaçamentos, né? E acho que vocês vão gostar. Então, isso aqui, como a gente está no estúdio, essa é uma voz que será ainda acompanhada e será parte do próximo disco inédito da Iris Regina, que ainda não saiu. Vocês só conhecem uma música do álbum, que é para Lennon e McCartney. Como a gente se sente aqui muito em casa, né? Estranhamente em casa, porque eu sempre penso que somos nós três,
E você, ouvinte, né? Então, hoje a gente tá gravando uma outra música pra esse álbum da Elis. É um dia muito especial. Legal, vamos ouvir. Ah, então, Zé, é pra você.
E eu fui ficando sozinho No pó do caminho Me desenganando, sofrendo e chorando E mantendo em segredo essa minha isa E me escapou
de entre os dedos pra não ser que outras mãos e eu me tornei o arremedo de tudo aquilo que eu não sou mas eu jamais retrocedo o que passou, passou tá bom, né?
É uma rádio de notícias. Daqui a pouco a gente vai ser demitido. Essa é a melhor notícia do dia. Vai ter um disco? Quando a gente lançou Paralelo e McCartney, vocês lembram? A gente falou bastante aqui, contou o processo. As vozes são restauradas. A gente hoje... Vai acabar com o mundo. Não vai? Claro que não. A próxima década é a década da desaceleração. O negócio de...
enfim. Mas vamos lá. O lado positivo é que você consegue restaurar essa voz. Por exemplo, a Elis, essa música ela cantou, né? O que ela tá usando aí, né? É um microfone espetado numa mesa de som. Ponto. Não existe nenhum software de afinação. Nunca foi, nunca será usado pra Elis. Não é um preconceito. Ela não conheceu a tecnologia. Então eu não tenho o direito de aplicar. Só se alguém, claro, alguém faz um remix e quer usar, né? Aí também não pode. Então, por quê? Porque ela não conheceu. Um trabalho
dela não pode entrar algo que ela não conheceu, um instrumento que ela não conheceu, no álbum que a gente quer que seja dela, participação dela em outro álbum, então a gente restaura isso, então tem aí na original, Tatiana Nando e o 21, na fita, que a gente já consegue tirar há uns 30 anos, mas tem outras coisas que não, vazamento de instrumentos, ela cantou essa música, tá gente, num take só e já tinha cantado outras nove, tá, numa noite qualquer da vida dela, né, que nunca é uma noite
qualquer, mas enfim. Então só pra dizer que não tem nada aí fora uma pessoa cantando dez músicas na sequência com o microfone espetado numa mesa. O que a gente faz é limpar e trazer aqui pra vocês. Muito obrigado. Amanhã cês estamos juntos. É... Ele tá fofo hoje, você não tá fofo? Com essa vozinha nesse tom, né? Essa vozinha nesse tom doce. Eu tô trabalhando com a mamãe, eu não quero que ela saiba. Tá bom, queremos mais, hein? Em breve falaremos mais. Amanhã, surpreendente,
Ah, você quer dizer que é coisa diferente? Então, mas eu gostaria, né? Com a mesma pegada da semana passada, algo que seja bem escapista, bem alienante, assim. A gente tá precisando, né, Fê? E se tiver uma música que cure dor nas costas, também pode cair bem aqui pra dupla. Não vou dizer qual de nós tá com dor nas costas. Eu tenho uma pistola de massagem pras costas. Pronto, já se entregou.
Eu vou mandar o Fernando aí, tá bom? Pra fisioterapia. Um beijo. Até amanhã. Até amanhã. Atendemos em duplas. Um beijo. Tchau. Obrigado.