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O dia em que a mentira vai cansar

04 de março de 20263min
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Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre a inteligência artificial, que acredita que "vai se afogar no próprio veneno".

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Assuntos6
  • Inteligência ArtificialProdução facilitada de deepfakes e vídeos falsos · Custos reduzidos para fabricar mentiras · Explosão do volume de desinformação · Proliferação de notícias inventadas · IA se afogando no próprio veneno
  • Desconfiança no STFQuantidade absurda de conteúdo falso tornando-se insuportável · Pessoas duvidando de absolutamente tudo · Paranoia e fadiga informacional · Perda de confiança em informações
  • Evolução de sistemas e tecnologiaFiltro comunitário tradicional (vizinhança) · Papel do rádio como filtro informacional · Terceirização para algoritmos · Algoritmos incentivando conteúdo falso por engajamento · Perda do músculo de checagem crítica
  • Comportamento GeracionalGeração de anticorpos sociais contra desinformação · Pessoas cansadas de serem enganadas · Volta ao diálogo antes de compartilhar · Redução do compartilhamento irresponsável em redes sociais
  • Otimismo e perspectivas futurasAposta em despertar coletivo após crise de confiança · Ressaca como remédio amargo necessário · Possibilidade de mundo mais consciente após saturação · Abertura de janelas frente ao acúmulo de lixo
  • Recuperação da Confiança no Jornalismo ProfissionalValorização do jornalismo que apura antes de publicar · Retorno ao jornalismo sério e metódico · Importância da verificação prévia de fatos · Jornalismo como antídoto contra desinformação
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Refletir para viver, com Rosandro Klingey.

produzir mentira despencou. A velocidade explodiu. O volume vai se tornar insuportável. E aí vem minha aposta. Acho que em algum momento a água vai bater no pescoço. A quantidade de conteúdo falso e inútil vai ficar tão absurda que as pessoas vão começar a duvidar de tudo. De absolutamente tudo. No início, isso parece ruim. Desconfiança generalizada. Paranoia. Fadiga. Já estamos no começo disso.

Mas talvez seja o remédio amargo que a gente precisa tomar. Minha avó checava informação de um jeito simples. Ligava para a vizinha. Tu viu isso que estão dizendo? Se a vizinha também tivesse ouvido de fonte diferente, talvez fosse verdade. Se não, era boato. Funcionava. A aldeia funcionava como filtro, o rádio também. A gente terceirizou esse filtro para o algoritmo. E o algoritmo aprendeu que mentira engaja mais.

Perdemos o músculo de checar qualquer coisa antes de compartilhar. Meu palpite é que o excesso vai gerar anticorpos. As pessoas vão cansar de ser enganadas. Começar a perguntar antes de acreditar e voltar a valorizar o jornalismo de verdade. Aquele chato, devagar, que apura antes de publicar. Talvez até voltem a conversar antes de encaminhar o áudio do WhatsApp. Pode ser sonho de otimista, mas eu prefiro esse mundo ao da rendição.

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