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Necessário que se retire a normalidade da percepção da violência

04 de março de 20264min
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Mario Sergio Cortella faz uma reflexão sobre mais uma guerra no Oriente Médio. ‘O grande perigo que uma guerra produz, além da morte, ferimento e destruição, é que nós nos habituamos a essas ideias’. Ouça.

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Assuntos6
  • Normalização da violênciaHabituação às guerras · Exposição contínua a notícias de conflito · Percepção distorcida como normalidade · Impacto geracional
  • Formação novas geraçõesEducação de crianças e jovens · Rejeição da violência como solução · Construção de valores alternativos · Preparação para futuro
  • Conflito EUA-IrãGuerra expansão · Novos atores envolvidos · Ataques e destruições · Impacto humanitário
  • Violência contra a mulherViolência nas cidades · Violência interpessoal · Violência doméstica · Escala de impacto
  • Cooperação como alternativaRecusa da violência como caminho usual · Diálogo versus confronto · Mudança de paradigma · Necessidade de ação
  • Empatia e SolidariedadeSolidariedade com vítimas · Interesse universal · Conexão humana · Responsabilidade coletiva
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Conversa de primeira, no meio do caminho, com Mário Sérgio Cortella. Bom dia para você, Mário Sérgio Cortella. Bom dia, Milton. Bom dia, Cassio. Bom dia, professor. Professor Cortella, estamos aí diante de mais uma guerra no Oriente Médio, uma guerra que se expande, outros atores surgem. Qual a reflexão que nós devemos fazer a partir de mais este momento?

morte, o ferimento, a destruição, é que nós nos habituamos a essas ideias. Uma criança, Milton e Cassia sabem disso, que tenha nascido, por exemplo, em 2020, ela já teve, desde o seu crescimento inicial, agora que ela começa a compreender algumas coisas, o tempo todo a exposição a notícias de guerra na Europa entre Ucrânia e Rússia, guerra na Palestina dos ataques terroristas, as destruições

de vários lados. E agora, mais uma vez, todas as cenas que no dia a dia elas aparecem. Por isso, acho que a reflexão mais forte é que a gente também seja capaz não apenas de buscar diminuir ou afastar de vez esse tipo de confronto, mas preparar as novas gerações que chegam para que elas não tenham como hábito que isso é a normalidade. Ou seja, que é exatamente assim que a vida funciona. Essa é uma das formas da vida funcionar,

não é nem a forma boa, nem a forma correta, nem a forma desejada. O sofrimento de cada pessoa, a dor de quem pede, de quem vê, de quem tem parentes lá ou a distância que é atingido, é algo que interessa ao conjunto da humanidade. Não é uma coisa apenas de quem está lá no Oriente Médio. Como dizia Terêncio, tudo que é humano não me é estranho. Tudo que é humano não me é estranho. Isto é, tudo que atinge outra pessoa,

E como fazer isso, professor? Não trazer essa naturalidade para a questão da violência, desde a violência mais cotidiana, que infelizmente a gente acompanha diariamente nas nossas cidades, até a violência em escala global, como a de uma guerra?

tem seu lugar, tem seu momento, mas quando ela é colocada como sendo o caminho usual, o caminho habitual, seja na relação entre pessoas, seja na convivência da família, na cidade, é necessário que se retire essa normalização dessa percepção com o diálogo, com a compreensão, com a noção de cooperação. É um pequeno passo, mas é um passo necessário para que mais adiante, ao se olhar o horror que se tem hoje, que não se diga a frase que eu vou dizer

agora, que a vida é assim. Essa é uma das formas da vida ser, mas não é necessário que ela seja assim. Não é preciso que ela seja assim. E quando é, nós temos de recusar e temos de dizer, acontece, não deve, precisa parar. Muito obrigado, professor Mário Sérgio Cortella. Bom dia. Abraços. Abraços.

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