Com bloqueio causado por causa dos conflitos no Oriente Médio, navios brasileiros buscam alternativas para levar cargas
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- Bloqueio de rotas marítimasDesvio de rotas de navios · Navios parados em Oman · Alternativas de transporte · Impacto na logística brasileira
- Sobretaxa de risco de guerra marítimaTaxa de segurança em transporte marítimo · Aumento de custos para containers refrigerados · Tarifas adicionais de demurra · Impacto nos exportadores
- Exportações BrasilCarne bovina · Carne de frango · Containers refrigerados · Cargas perecíveis em espera
- Safra de soja nos EUAPico de colheita · Safra recorde · Crescimento de 20% na produção · Período de colheita até abril
- Preços de Combustíveis e PetróleoAumento do preço do petróleo · Política de preços da Petrobras · Repassos de custos · Impacto no frete rodoviário
- Impacto no Setor de TransportesDependência de caminhões · Problemas de acesso aos portos · Região do Arco Norte · Frete rodoviário
- Rentabilidade Produtores AgrícolasQueda de rentabilidade · Pressão nos preços · Problemas financeiros do setor · Endividamento crescente
- Crise de FertilizantesOriente Médio como grande fornecedor · Impacto global · Suprimento agrícola
- Energia BrasilBrasil importa diesel · Grande produtor de petróleo · Contradição na matriz energética
Conosco aqui no estúdio, o Cassiano Ribeiro e com a repórter especial do Globo Rural, a Nayara Figueiredo. Muito obrigado a ambos, tudo bem? Tudo bem, Sérgio Demec, tudo bem, Cássia? Tudo bem, boa tarde. Boa tarde. Cassiano, falávamos ontem do impacto da guerra no agro-brasileiro, né? E já no segundo dia de guerra e tal, já tem mais consequências. O que nós temos hoje? Sim, Sérgio Demec, temos consequências principalmente ligadas à logística, rotas de exportação.
tem aqui das alternativas que o setor está buscando lá para desviar, porque tem muito navio brasileiro, navio brasileiro, um navio com carga brasileira, indo já em direção à região, ou que já está lá na região. Então, eles estão agora buscando alternativas para fazer essas cargas chegarem, porque o Oriente Médio é um grande comprador de carne de frango, também é um grande fornecedor de matérias-primas para fertilizantes aqui no Brasil, para o mundo todo. E a Nayara Figueiredo tem acompanhado de perto isso e apurou que,
E existem hoje, já sendo praticadas, tarifas adicionais no transporte marítimo que incluem uma sobretaxa de risco de guerra. E é exatamente esse nome. Cássia, a Nayara pode explicar melhor. Exatamente. Alguns armadores já anunciaram essa sobretaxa de risco de guerra, que é uma taxa para garantia da segurança, principalmente, dos funcionários que estão trabalhando nesses processos de transporte logístico.
conseguiu apurar, essa taxa para contêineres refrigerados, por exemplo, que são os mais exportados nesse momento, que são cargas com carnes, carne bovina, carne de frango, pode chegar a 3,5 mil dólares por contêiner refrigerado. Então, essa é uma tarifa que é adicionada e tem algumas outras tarifas também de demurrage, que é uma taxa a partir do momento em que aquele navio precisa ficar mais tempo
descarregado. Nesse momento, a gente também conversou com o pessoal da Câmara Árabe e os navios, não só com cargas brasileiras, mas no mundo todo, estão parados ali na região de Oman, aguardando uma nova rota ou se vão fazer uma descarga para conseguir enviar seus lotes, as cargas por via rodoviária também. Rodoviária lá no... Lá no Oriente Médio, exatamente. E tem um outro impacto, Sardemerg, que a Nayara também já apurou, que aí diz respeito ao transporte
interno no Brasil, porque a gente está, como eu falei ontem, no pico da colheita da soja agora, Cássia. Então o Brasil está colhendo uma safra recorde e, como muitos sabem, o Brasil depende basicamente de rodovia, de caminhão para transportar esses grãos das fazendas até os portos. E como o Brasil é um grande dependente de diesel, o Brasil importa diesel, não produz diesel, embora seja um grande produtor de petróleo, tem um impacto do aumento do preço do diesel
já nesse transporte rodoviário, né, Nayara? Exatamente. O pico de escoamento de safra começou no final de janeiro, início de fevereiro, e ele se estende até abril. Então, é um momento em que a demanda por logística e fretes rodoviários aumenta muito. Já existia um problema na logística nessa temporada, na região de Miritituba, no Pará, por problemas no acesso aos portos ali da região do Arco Norte.
Isso foi agravado. A expectativa do setor é que nos próximos dias, até as próximas duas semanas, a Petrobras possa definir a sua política de preços e começar a fazer os repasses da alta do petróleo, que vai desencadear um aumento também nos preços do diesel e, consequentemente, nos preços do frete. Então, é um agravante que a gente não sabe ainda até quando vai se estender. Se vai se estender até a segunda safra, vai depender do tempo em que durar esse conflito.
Agora, Nayara Cassiano, eu sei que a gente ainda está muito no começo de tudo isso, mas já existem estimativas de perdas por parte de alguns setores a partir destas taxas extras, a partir destes prejuízos que já começam a acontecer? O que a Câmara Árabe diz é que 75% das cargas brasileiras que vão para o Oriente Médio são alimentos. Então, são produtos de necessidade básica.
O que vai acontecer é a continuidade dos embarques, mas a custos maiores. E assim, né, Cássia? Depende também se a liberação desse estreito aí para alimentos realmente ocorrer. Porque muito se fala que durante a guerra se fecha ali o estreito, mas alimentos são prioridades, né? Ninguém vai ficar sem comer, não tem como fazer guerra. Inclusive o próprio Irã. Exatamente, o próprio Irã, que é um grande importador aí de milho, de soja, farelo de soja.
situação ali no estreito. E tem isso que a Nayara falou, tem cargas que já estão lá e muitos navios estão parados com contêineres funcionando, refrigerando aquela carga e não se sabe quanto se tem de capacidade para manter ali esses alimentos ali ainda saudáveis, vamos dizer assim. Mudando de assunto, saiu hoje o PIB e o destaque é o setor agro que puxou o PIB brasileiro. Exatamente, e puxou com uma das maiores altas aí da história
muito por causa de aumento de safra de soja e milho, que cresceram 20% e mais de 11% aqui, respectivamente, se eu não me engano, e também de aumento de produção pecuária das carnes. O Brasil está produzindo muito mais carne, atendendo o mundo, inclusive o Oriente Médio, com frango, carne bovina, e esses dois segmentos que puxaram principalmente esse aumento do PIB do agro e, consequentemente, o PIB do Brasil. Já o que o pessoal está falando é que em 2026 não deve ser
repetisse esse aumento, porque hoje tem, apesar da safra recorde de soja, vindo aí, aumento de safra também de milho, tem uma questão das carnes, que ainda não está muito definido, de aumento de produção, que deve crescer, mas não tanto quanto nos últimos anos, e principalmente por conta de um peso na rentabilidade. Os produtores estão com margens muito apertadas, preços caíram, a rentabilidade dos produtores caiu e os preços também caíram. Então, a produtividade que a gente viu nesse ano,
E a rentabilidade que os produtores tiveram não deve se repetir. Inclusive, a inadimplência do setor hoje atingiu os maiores níveis, segundo dados do Banco Central. O setor está com problemas financeiros. Não é uma crise, mas é algo que nunca se viu tanta inadimplência no agronegócio como se viu nos últimos tempos. Tá certo. Cassiano, obrigado. E Dayara Figueiredo também. Obrigado pela sua participação. Valeu, Cassio. Valeu, Sardenberg. Obrigada, gente. Até mais.