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Porque nos referimos à classe de palavras "substantivo" desse modo e não com "nome", como no francês e no inglês

03 de março de 202612min
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Professor Pasquale finaliza a resposta para a dúvida de um ouvinte e conta com os auxílios luxuosos de "Ok Ok OK", de Gilberto Gil, e "A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana", de Branco Mello e Sérgio Britto, com Titãs.

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Assuntos5
  • Substantivo Nome LinguagemTerminologia em português vs outras línguas · Relação com palavra substância · Definição de substantivo · Função de nomear
  • Relatividade linguísticaConceito de relatividade nas classes de palavras · Crítica ao absolutismo · Palavras com múltiplos sentidos · Contexto determina função gramatical
  • Natureza da LinguagemIlustre desconhecido · Inversão de funções gramaticais · Sentido irônico vs literal · Caso Fernando Henrique Cardoso
  • Multiplicidade de perspectivasSubstantivo como substantivo · Substantivo como adjetivo · Uso jurídico · Variabilidade de função
  • Poder das PalavrasPalavra poder como verbo vs substantivo · Sentidos figurados e concretos · Transitividade de significados · Análise semântica
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Oi, professor, boa tarde. Tatiana, querida, boa tarde. Querido Fernando, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Professor, hoje segue na aula de ontem, baseada na dúvida do ouvinte Gabriel Feitosa, de Manaus, a respeito das palavras substantivo e nome, ou dos conceitos, né, professor? Isso. O ouvinte perguntou, é bom relembrar isso, por que é que nós não chamamos a classe de palavras substantivo de nome?

essa classe de substantivo e não de nome como no francês e no inglês. Eu disse para ele ontem, para ele e para todos os ouvintes, que a gente chama também de nome porque substantivo, a palavra substantivo que tem relação com a palavra substância, com a palavra substancial, essa palavra é aquilo que, essa classe de palavras é aquilo que nomeia tudo, tudo que tem nome é substantivo.

um auxílio luxuoso e chegamos a ver o segundo, que é com o Gilberto Gil. Nós vimos primeiro a gramática de Luiz Tatis e Sandra Pérez, uma canção magnífica que explica muita coisa em relação a isso. E o segundo auxílio de ontem vai ser o primeiro de hoje. Eu vou repetir. O Gilberto Gil cantando Ok, Ok, Ok, até a partezinha, um pedacinho pequeno, em que ele fala,

ele cita substantivo, aliás, no plural, substantivos, e a gente vai voltar à conversa. Vamos lá.

Enquanto os ratos roem o poder Os corações da multidão aos prantos Então vejam a genialidade do poeta. Quando ele põe penúria, fúria, clamor, desencanto, ele põe substantivos que nomeiam sentimentos, sensações. E como eu já disse, tudo que tem nome é substantivo.

que a gente chama de abstratos, os que são designativos do ato de, do sentimento de, de todas as impressões que a gente tem a respeito de algo. Mas veja a genialidade, substantivos duros de roer. A gente tem a expressão tal coisa, osso duro de roer, substantivo duro de roer, e a penúria é dura no sentido figurado, não no sentido concreto.

aqui embaixo, não sei se vocês estão ouvindo aí uma encrenca bem forte. Então, penúria, fúria, clamor, desencanto, substantivos duros de roer e depois a outra parte que diz enquanto os ratos roem o poder e esse roem já não é mais no sentido que é duro de roer, é outra coisa, eles roem mesmo o poder, embora o poder não seja um osso, é algo que se pode roer.

como transita a duplicidade de sentidos das palavras. Poder, no caso, o poder não é verbo, é substantivo, porque é o nome. O nome daquilo que se exerce. Eu quero chegar a um ponto que me parece muito importante e que é fundamental no trabalho do professor na sala de aula, que é a introdução da noção de relatividade.

Mano, é muito absolutista, é extremamente absolutista. É sim, não, é tudo, é nada, é isso, é aquilo. E fica difícil para quem é absolutista entender que tal coisa pode ser hora X, pode ser hora Y. Uma vez a FUVEST colocou no vestibular um quadro do René Magritte, um pintor belga. Não sei se vocês se lembram dele, é um quadro famoso de um cachimbo,

desenhado um cachimbo, pintado um cachimbo. Exatamente. Isto não é um cachimbo. E depois ele pinta mais um e diz isto continua a não ser um cachimbo. E muita gente entra em choque com isso. Como? Não é um cachimbo? É o quê? É um avestruz? Não é um cachimbo. É a tentativa de representação gráfica de um cachimbo. Daí, para ser um cachimbo, falta tudo. Falta simplesmente ser cachimbo. Nesse mesmo ano, a FUVEST

colocou isso no tema de redação, ele colocou um trecho de Fernando Pessoa que diz, o Tejo é mais belo que o rio que corre na minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre na minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre na minha aldeia. E aí muita gente enlouquece, como? Primeiro ele diz que o Tejo é, depois diz que não é?

o Tejo não corre na minha aldeia, o rio da minha vida é o rio da minha aldeia, esse rio para mim tem significado e não o Tejo, que para mim é apenas um risco no mapa, é apenas uma citação, uma referência. E aí a FUVEST perguntou no tema de redação, você acha a partir do quadro, a partir do texto, você acha que a gente pode dizer que tudo é relativo? E isso pirou a cabeça de muito.

muito garoto, que fez essa prova, porque nós somos absolutistas. Então, as pessoas vão e decoram. Tal coisa é verbo, tal coisa é substantivo, tal coisa é adjetivo. E não é assim que a coisa funciona. Nós acabamos de ver, na letra do Gilberto Gil, a palavra poder não ser verbo, e sim substantivo. Aliás, o Fernando está aí? Não está. Foi ver como é que está o mundo. Que, como o senhor sabe, não anda nada tranquilo. Foi ver como está o mundo. Putz! É, pois é.

Não me diga. Pois é. Se a gente procurar no dicionário substantivo, no dicionário WISE, por exemplo, ele dá lá substantivo. Primeira coisa, substantivo masculino. Ou seja, a palavra substantivo é um substantivo masculino. Aí ele dá lá as definições. Depois, em seguida, ele diz adjetivo. Ou seja, a palavra substantivo pode ser um adjetivo. E a gente ouve muito isso na linguagem jurídica. Isso não é um aspecto substantivo.

Um aspecto adjetivo, um aspecto substantivo, um aspecto substancial. Substantivo vira adjetivo de aspecto, que é, no caso, a substância, é o substantivo. Bom, eu estou aqui olhando para o relógio, vamos lá para um segundo auxílio, que vai ajudar a gente. Eu posso pular para o terceiro, porque o tempo já vi que não vai dar para tudo? Não, Dani, pode, né?

essa palavra que vira isso, que vira aquilo, a melhor banda de todos os tempos da última semana, de Branco Melo e Sérgio Brito, com os Titãs, disco homônimo de 2001. Prestem atenção numa expressão que é muito conhecida e a gente vai falar dela rapidamente. Vamos lá.

Essa música é genial, né? Genial. Ela expõe com muita propriedade muita coisa, mas lá pelas tantas a letra diz assim, no trecho que eu destaquei, os bons meninos de hoje eram os rebeldes da outra estação. O ilustre desconhecido é o novo ídolo do próximo verão. Uma vez a Unicamp fez uma questão interessante sobre a expressão o ilustre desconhecido.

Bom, Tati e ouvintes, que o ilustre desconhecido, a expressão ilustre desconhecido, dependendo de como ela é usada, ilustre pode ser substantivo e desconhecido adjetivo e vice-versa. Normalmente, quando a gente diz fulano é um ilustre desconhecido, a gente está dizendo que ele é desconhecido e um desconhecido ilustre no sentido irônico. A frase significa que ele é um zé ninguim, na verdade.

mas o sujeito pode ser mesmo ilustre, mas ninguém o conhece. E aí ele é um ilustre, desconhecido, ilustre vira o substantivo e desconhecido vira o adjetivo. Isso na Unicamp foi questão por causa de um texto da Folha de São Paulo sobre Fernando Henrique Cardoso, lá em 94, dizendo que ninguém sabia, 79% das pessoas entrevistadas não sabiam que Fernando Henrique Cardoso

era o novo ministro da Fazenda. E aí ele passou, no Congresso, passou a ser usada uma expressão assim, literalmente, para se referir a isso, o ilustre desconhecido, literalmente. Quer dizer, o Fernando Henrique Cardoso era um sociólogo ilustre, um ilustre desconhecido, diferentemente do que acontece quando a gente usa essa expressão no dia a dia. Ou seja, cada caso é um caso, é preciso sempre relativizar para a gente pensar.

nisso. E substantivo é sim nome, tá bom? É isso. Muito bem, se você tem dúvidas sobre a língua portuguesa, é só mandar o seu e-mail para a nossa língua, tudo junto, sem acento, arroba cbn.com.br. Obrigada, professor, um beijo e até amanhã. Tati, querida, beijo para você, beijo para os ouvintes, até amanhã.

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