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Entenda a ruptura entre Pentágono e Anthropic

02 de março de 20268min
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Pedro Doria detalha as divergências sobre o uso militar da Inteligência Artificial. Saiba mais.

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Assuntos9
  • Ruptura Anthropic-PentágonoConflito contratual · Retirada de contrato · Razões da desavença · Consequências para Anthropic · Substituição pela OpenAI
  • Restrições éticas da Anthropic em IA militarVigilância em massa · Armas autônomas · Claúsulas de uso responsável · Recusa de militarização irrestrita · Posicionamento ético da empresa
  • Inteligência Artificial MilitarDecisão de vida e morte automatizada · Ausência de intervenção humana · Riscos de autonomia · Segurança de sistemas de armas · Tecnologia em combate
  • Ataques a Alvos AmericanosOperação contra Qassem Soleimani · Planejamento com inteligência artificial · Precisão de ataques · Análise de dados militares · Uso de Claude em operações
  • Consequências regulatórias para AnthropicProibição de contratos governamentais · Bloqueio com empresas contratadas pelo governo · Impacto no modelo de negócios · Sansões federais
  • Inteligencia Artificial e Governanca de DadosImprevisibilidade presidencial · Abertura para militarização irrestrita · Risco de escalação · Postura agressiva em defesa · Contraste com predecessores
  • Conflito EUA-IrãRegime iraniano · Ditadura de Khamenei · Relações EUA-Irã · Precedentes históricos · Escalação de tensões
  • Transparência PúblicaClaúsulas no contrato OpenAI-Pentágono · Aparente contradição · Questões sem resposta · Inconsistência regulatória
  • Comparação com modelos de linguagemCapacidade de processamento de dados · Análise numérica · Eficiência em operações militares · Diferenças técnicas
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Conversa de primeira. Vida Digital com Pedro Doria. Bom dia para você, Pedro. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, Pedro. Pedro Doria, ao mesmo tempo que assistimos ao conflito dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, há uma batalha interna nos Estados Unidos envolvendo o tema da inteligência artificial. E os atores dessa batalha são o Pentágono e Antropic. Explica para nós. Pois é, Milton. Sempre lembrando para os nossos ouvintes, Antropic é uma das três grandes potências

de inteligência artificial ali em rivalidade com o Google e com a OpenAI. Antrópica faz o modelo Claude. Pois bem, teve uma ruptura violenta no finalzinho da semana passada, inclusive pegando aqui o fim de semana, entre Antrópica e o Pentágono. O Pentágono é aquilo que durante todas as nossas vidas foi chamado de departamento de defesa e que o presidente Donald Trump chamou agora de departamento de guerra. A gente está falando das forças armadas americanas.

contrato entre Antropic para fornecer o seu modelo de inteligência artificial, o mesmo modelo que nós usamos, o CLOD, que qualquer um pode usar, para uso do Pentágono de inúmeras maneiras, desde transcrever reuniões até inclusive fazer planejamento de operações de guerra. E toda essa operação que levou à morte do Ayatollah Ali Hamenei, essa operação foi planejada usando o CLOD, o modelo de inteligência da Antropic. Mas o problema é o seguinte,

Num determinado momento, o secretário de guerra, Pitz Herzogseff, instituiu que queria um contrato aberto, que o Pentágono pudesse usar para qualquer fim o modelo de inteligência artificial. A Antropic, a empresa, teve um problema com isso. O que ela afirma? Ela afirma que ela não permite o uso para dois fins específicos. Espionagem em massa de cidadãos americanos, um. E número dois, armas autônomas, ou seja, armas pilotadas por inteligência artificial,

E tomou a decisão de quem vive e quem morte, qual é o alvo, sem a intervenção humana, sem que um ser humano veja aquela decisão que o I.I.A. tomou e diga sim. O Pentágono não queria mais essas cláusulas. Antropic listou uma linha no chão e falou, olha, daqui a gente não passa, essas cláusulas precisam estar. Seria apenas uma ruptura contratual. Mas P.K.X.F. queria mais do que uma ruptura contratual. Diz que se Antropic não permitisse esses usos, o que aconteceria?

a empresa seria banida de ter qualquer contrato com o governo norte-americano e mais do que isso. Além de não poder ter nenhum contrato com o governo norte-americano, a empresa seria proibida de ter contrato com qualquer empresa que tenha contratos com o governo americano, ou seja, qualquer empresa americana. E Antropic é uma empresa B2B, é uma empresa que vive principalmente de contratos com outras empresas muito menos do que consumidores.

A OpenAI afirmou que assinou um contrato para substituir a Antropic no Pentágono. Ou seja, a OpenAI assumindo o lugar da Antropic. Antropic que é uma dissidência da OpenAI. A OpenAI, exatamente. O Dário Amodei, que é o atual CEO da Antropic, foi o sujeito que fez o 7GPT1 e o 2. Quer dizer, ele é meio que um dos inventores dessa inteligência artificial que nós usamos hoje. É um cara brilhante. Sim, a

Agora, tem uma curiosidade aí, nesse momento do Sam Altman, nessa briga dele com o Dario Amodei, tem uma curiosidade aí, porque o Altman diz que no contrato da OpenAI com o Pentágono, haverá cláusulas dizendo que não podem ser usados, o GPT não pode ser usado para vigilância em massa e não pode ser usado, ora pois, para armas autônomas. Aí Milton, você vai perguntar, a Cássia vai perguntar,

mas vem cá, explica esse troço direito. Como que a razão de ruptura do contrato ali e a guerra do governo americano com a Antropic, de repente não há um problema com o OpenAI? Ninguém está sabendo responder essa pergunta, tá? Agora, tem a possibilidade desse tipo de arma autônoma, a respeito da qual já tinha se manifestado contra a Antropic, ter sido usado agora nesse conflito que a gente viu no fim de semana,

do Irã pelos Estados Unidos e Israel? O Pentágono diz em que eles usaram inteligência artificial para esses ataques, Cássia. Então, a gente não sabe esses detalhes. Foi usado no planejamento, provavelmente para análise pesada de dados. O Claude é um modelo melhor do que o GPT quando você tem que pegar muito número e fazer conta com esses muitos números, sabe? Aproximações, esse tipo de coisa. E a gente, quando está falando desse tipo de ataque,

A gente está falando de coordenadas, a gente está falando de pegar inúmeras informações que vêm de inúmeros espiões, mas dados que foram coletados de servidores que foram invadidos por hackers americanos no Irã e juntar todas essas informações e começar a tirar conclusões a partir delas. Veja que os americanos sabiam exatamente onde estava o Hamenei e acertaram com bombas muito precisas.

inteligência artificial, porque acelera muito o processo. Não tem nenhum indício que armas autônomas usando inteligência artificial jamais tenham sido usadas no mundo. A gente não tem nenhuma pista, nenhuma mostra de que isso tem acontecido. O problema é, veja, o Irã é um problema. Eu convivi muito tempo com iranianos. Eu estudei na universidade nos Estados Unidos o sistema político iraniano atual. É muito impressionante o quanto que

A ditadura do Zahir Talaz é absolutamente odiada no Irã. É uma ditadura horrorosa, muito pior do que qualquer ditadura que nós temos aqui no Brasil. Mas uma coisa que presidentes americanos jamais fizeram foi, apesar de tudo isso, apesar da imprevisibilidade do Irã que existe, o que jamais se fez foi, vamos lá, vamos matar o supremo líder do Irã. Isso é uma linha que os Estados Unidos nunca seguiu, porque é de legalidade duvidosa mesmo.

Donald Trump tem essa imprevisibilidade. Então, eu acho que essa restrição de Antropic vem justamente disso. Esse cara é maluco, pode fazer. Pode decidir começar uma guerra ou permitir que inteligências artificiais assumam o comando de parte do armamento americano e aí elas podem decidir começar uma guerra. Quer dizer, existe um risco aí que a gente não sabe avaliar. Então, a regra aparentemente vem não de ter sido usado já,

mas do medo de que um presidente tão imprevisível quanto Donald Trump possa decidir simplesmente botar. E aí, um problema gigante acontecer. E as não são seguras hoje para tomarem a decisão de quem vive e quem morre, sem que um ser humano chegue lá e confirme aquela decisão. Muito obrigado por esse alerta e esse conhecimento, Pedro Doria. Bom dia. Bom dia. Até. Até.