Episódios de Comentaristas

Conflito no Oriente Médio pode atrasar transição energética

02 de março de 20265min
0:00 / 5:26
Rosana Jatobá comenta que a escalada do conflito no Oriente Médio pode comprometer o ritmo da transição energética global e afetar diretamente a agenda climática. Segundo ela, a principal preocupação dos ambientalistas é o atraso na migração para uma economia de baixo carbono.

Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices

Assuntos6
  • Conflito EUA-IrãRedirecionamento de recursos do clima para defesa militar · Atraso na migração para economia de baixo carbono · Risco de aumento de emissões de carbono · Priorização de segurança energética sobre descarbonização
  • Resposta global a conflitos: reativação de combustíveis fósseisAumento de produção de óleo e gás · Reativação de produção de carvão · Acionamento de usinas térmicas · Subsídios a combustíveis fósseis · Caso europeu pós-guerra da Ucrânia
  • Preços de Combustíveis e PetróleoImportância do Estreito de Hormuz (20% do petróleo mundial) · Risco de bloqueio e aumento de preços · Impacto na inflação global · Volatilidade do mercado energético
  • Metas PessoaisRedução de 43% nas emissões de carbono até 2030 · Expansão de energias renováveis necessária · Corte em combustíveis fósseis · Impacto dos conflitos nas metas internacionais
  • Energia RenovavelIndependência de rotas marítimas · Resistência a sanções internacionais · Segurança geopolítica energética · Expansão de energia solar e eólica na Europa
  • Financas GovernamentaisDesvio de recursos para defesa · Financiamento insuficiente para países vulneráveis · Conservação da natureza prejudicada · Comparação gastos-benefícios
Transcrição9 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

CDN Sustentabilidade. Com Rosana Jatobar. E aí, Rosana? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você, para casa e para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana. E aí, Rosana? A questão da guerra lá no Oriente Médio afeta diretamente a questão de energia, agenda climática e agenda de energia, Rosana. Sardenberg, a grande preocupação dos ambientalistas é com atraso na velocidade da transição energética para uma economia de baixo carbono.

base de carbono precisam cair 43% até 2030. Isso vai exigir expansão de energias renováveis e um corte profundo no uso de combustíveis fósseis. Acontece que um conflito geopolítico como esse do Irã muda completamente a ordem de prioridade dos países. O dinheiro sai do clima e vai para a guerra, que os conflitos exigem mais gastos militares e mais investimento em segurança. Então o resultado é que a gente vai ter menos recursos para energia limpa, menos

E o caso do Irã é ainda mais grave, por causa do risco no fornecimento de petróleo e de gás natural. Ali na região, no Estreito de Hormuz, passa cerca de 20% de todo o petróleo que é comercializado no mundo.

O bloqueio nessa rota dispara o preço do petróleo, sobe o custo da energia no mundo e aumenta a inflação global. O que os governos fazem numa hora dessas? Correm para garantir energia rápida. Aí eles apelam para os combustíveis fósseis, aumentam a produção de óleo e gás, reativam a produção de carvão e acionam as usinas térmicas. Tudo isso que representa mais emissões de carbono e bate direto nas metas do Acordo de Paris.

depois descarbonizar. A gente lembra que foi exatamente isso que aconteceu depois da guerra da Ucrânia. A Europa teve que reabrir usinas a carvão, subsidiar gás e gastar bilhões para garantir segurança energética. Rosane, quais seriam os impactos da escalada destes conflitos aqui no Brasil em termos de transição energética? Cassia, no curto prazo, o impacto é negativo. Se o conflito lá no Irã escalar, o petróleo fica ainda mais caro,

ele já subiu quase 10%, e isso pode aumentar o custo das usinas térmicas aqui no país. A gente sabe que em períodos de seca, o Brasil aciona usinas térmicas, usinas que dependem de combustíveis fósseis. Então, no fim das contas, isso acaba elevando as tarifas de energia elétrica. Conta de luz mais alta, a gente sabe, vira fator de risco para a inflação. Dificulta também a queda de juros, afeta o crescimento econômico.

um paradoxo muito interessante aí nessa discussão. Quanto mais instável fica o petróleo, mais forte fica o argumento econômico das energias renováveis. Porque energia solar, eólica, biomassa, não dependem de rota marítima, não sofrem sanção internacional e não carregam esse risco geopolítico. Elas representam segurança energética. E nesse cenário, o Brasil arrasa, porque a gente tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, a gente exporta energia,

podem transformar essa vantagem em liderança nessa nova geopolítica global. Aliás, voltando ao exemplo que eu dei da Europa, foi exatamente isso que aconteceu por lá depois da Guerra da Ucrânia. Houve um recorde de instalação de energia solar e eólica justamente porque os países entenderam que dependência de combustível fóssil significa risco político. É isso mesmo, né, Sardenberg? Claro, Rosana. Isso mesmo. Você que é fera nessas questões de petróleo.

Eu imagino. Mas é isso. Então, no curto prazo, a gente tem esse efeito negativo, mas no médio e no longo prazo, os especialistas veem como uma vantagem competitiva que o Brasil pode assumir, né? Tá certo. Muito obrigado. Informação da Rosana Jatobá. Voltamos amanhã, Rosana. E ainda temos muito o que falar sobre esse assunto.