Escalada no Oriente Médio ameaça agronegócio brasileiro e global
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- Impacto do conflito no Oriente Médio no agronegócioEfeito na exportação de frango brasileiro · Disrução do fluxo comercial de milho · Risco nas rotas marítimas e logística · Aumento de custos de frete e petróleo · Impacto nas margens dos produtores
- Crise de FertilizantesUréia como insumo crítico · Irã como principal produtor de uréia · Impacto na cadeia global de fertilizantes · Escassez de fertilizantes na China · Dependência do agronegócio por insumos
- Exportações BrasilBrasil como maior exportador de frango do mundo · Oriente Médio como destino principal (25% das exportações) · Alteração de rotas de navios · Preocupação com atrasos na entrega · Impacto na cadeia de ovos
- Rotas EnergéticasEstreito de Ormuz versus Canal de Suez · Rota do Cabo da Boa Esperança · Aumento do tempo de entrega · Impacto no custo operacional · Alternativas via Turquia e acesso por terra
- Pressão nos custos e rentabilidade dos produtoresAumento de custos de frete · Queda de preços por excesso de oferta · Aperto nas margens dos produtores · Custos de seguro elevados · Gestão de rentabilidade das fazendas
- SeguroBaixa adesão ao seguro entre produtores rurais · Custo elevado do seguro · Acesso limitado a seguros adequados · Risco aumentado em período de crise
- Safra de milho e calendário agrícolaPeríodo de plantio da safra principal · Segunda safra de milho em julho · Timing de necessidade de fertilizantes · Exportação de milho para o Irã
Muito bem, agora está conosco o Cassiano Ribeiro, editor da Globo Rural, numa participação extraordinária, porque o Brasil tem um comércio muito importante com o Oriente Médio, especialmente o agro, inclusive comércio com o Irã, né? O Cassiano, a gente exporta milho, por exemplo, para o Irã. Mas o Brasil é grande exportador também de frango, de carnes para o Oriente Médio, para países do Oriente Médio, enfim,
a situação lá nos afeta diretamente. Boa tarde, Sérgio Demérico, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvinte. Exatamente, a gente tem aí uma situação que afeta não só o agronegócio brasileiro, Sérgio Demérico, mas o agronegócio mundial. Isso porque, como você falou, no caso do Brasil, a gente exporta muito milho para o Irã, que tem uma das indústrias avícolas mais fortes do mundo, então eles precisam desse milho para produzir a ração para essas granjas, para essas galinhas e demais animais.
seja a mais importante neste momento, que diz respeito ao fluxo de insumos para fertilizantes. E aí eu estou falando basicamente de ureia, o Irã é um grande fornecedor de ureia, e a ureia é um insumo, é um fertilizante químico que o Brasil usa muito, é um insumo básico, e não só o Brasil, a China também usa muito esse fertilizante, que está em falta inclusive na China, então isso também interessa muito a outros países, como a China, os próprios Estados Unidos também, que estão nesse momento,
iniciando um plantio de uma nova safra, tem total interesse em ter acesso a esses produtos, porque a agricultura precisa de fertilizante. O Irã é um dos grandes produtores de ureia, além de outros países da região ali, Sardenberg e Cássia, que também produzem insumos para outros fertilizantes, como fosfatados, ureia, que usam o gás natural fornecido pelo Irã, que transformam esse produto em outros fertilizantes.
muito no caso a logística, porque hoje a maior preocupação do agronegócio é com relação a esse fluxo de navios ali pela região, tanto para chegar milho como para sair insumos como fertilizantes e as carnes. É o Brasil, é um grande exportador de frango, é o maior exportador de frango do mundo e essa região do Oriente Médio importou no ano passado, só para a gente ter uma ideia, 25% de tudo que o Brasil exportou de frango.
de ovos também, que está toda interligada, está muito preocupada com essa situação, inclusive já prevendo uma alteração de rota dessas mercadorias. Eu conversei agora há pouco com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, da BPA, e ele fala um pouco de como o setor está olhando para isso, como que eles estão se preparando, porque esse fluxo de frango para o Oriente Médio, Sardemeg, ele é constante, ou seja, tem navio nesse caminho que está em direção ao Oriente Médio ou que já está nessa região,
com o frango brasileiro. E aí agora, com toda essa tensão lá no Estreito de Hormuz, tem toda essa preocupação com o aumento do frete, por exemplo. Então ele já dá como certo, por exemplo, o aumento de custo logístico por causa dessa guerra, desse conflito no Oriente Médio. A gente ouviu e tem uma sonora do Ricardo Santinho para a gente colocar aí para os nossos ouvintes. As empresas exportadoras de frango, e não é diferente as de suína e de ovos, estão olhando com bastante preocupação o conflito no Oriente Médio.
O Preto Médio é um dos maiores importadores do Brasil e há sim mudanças já anunciadas pelos armadores de rotas, em vez de usar o estreito de Hormuz ou então atravessar pelo canal de Suez, vai ter que fazer aí pelo Cabo da Boa Esperança embaixo da África. Claro que as outras rotas que vão para destinos como a Ásia não se veem comprometidas nesse instante, mas há sim um delay, um delay bastante grande que já está sendo previsto com aumento de custos
a demora na entrega dos produtos e a volta para buscar o que a gente teve. Mas o setor está resiliente, já está olhando as alternativas para que venham produtos via Turquia, que venham lá por cima do Mediterrâneo e que possam ser acessados por terra. No caso de Dubai, que é um grande importador, mais de 30 mil toneladas por mês, você tem acesso pelo porto de Oman, em Salala, você tem outras alternativas, mesmo aí na Arábia Saudita poderão ser construídas alternativas com marítimo e via terrestre.
fazendo as análises para que isso possa manter o fluxo. Aí o Ricardo Santinho, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, falando exatamente de todas essas alternativas. E como eu falei, Sardenberg, tem alternativa, tem rotas paralelas, o problema é a volta que esses navios precisarão dar e aí o custo maior. E aí com o petróleo mais caro, com o custo de frete mais caro, com uma viagem mais longa desses produtos, o que vai acontecer é realmente um aumento direto nos custos de produção e na entrega,
Vai atrasar a chegada de frango, pode atrasar a chegada de fertilizante para o Brasil, mas o que os analistas, especialistas têm dito é que o ponto principal agora é quanto tempo vai durar essa guerra. Porque neste momento, aqui no Brasil, por exemplo, a gente tem um período de entre-safra. Os produtores estão colhendo a soja, estão plantando milho, não estão necessitando tanto de fertilizantes agora neste momento.
Lá no meio do ano, em julho. Então, por enquanto, não tem um grande impacto, mas tem uma grande atenção, uma grande preocupação do setor, porque o custo realmente vai aumentar e no momento em que o produtor já está com margens apertadas, os preços de commodities estão caindo por causa de oferta e agora mais esse fator guerra aí, pesando também na gestão das fazendas e na rentabilidade dos produtores. Cássia Sardenberg. E também aumenta o custo do seguro, né, Cassiano? Totalmente. Seguro, na verdade, né, Sardenberg?
ele não, Brasil, produtor rural brasileiro, ele não é um grande adepto do seguro, porque hoje é um dos maiores gargalos do setor no Brasil, é ter um seguro eficiente e que seja acessível. E o produtor tem feito cada vez menos seguro justamente porque o custo do seguro está muito alto, mesmo com risco maior. Então, realmente é um desdobramento que a gente deve ver nos próximos meses, caso essa guerra se prolongue e se agrave. Tá certo. Bom, continuamos acompanhando a informação aqui, participação,
essa uma canja do Cassiano Ribeiro, editor da Globo Rural, aqui no CBN Brasil. Obrigado, Cassiano. Obrigado, senhor André. Obrigado, Cassi. Até amanhã. Até amanhã, Cassiano.