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Oriente Médio em crise: impactos na economia e no seu bolso

02 de março de 20268min
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Ana Leone e Natália Largue comentam sobre como o mercado reage diante dos conflitos recentes no Oriente Médio. Ouça para entender melhor sobre o assunto.

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Pode isso, meninas. Na CBN, com Ana Leone, Nayara Bertão e Natália Largue. Natália, Ana, boa tarde. Olá, pessoal, boa tarde. Boa tarde. Boa tarde. Bom, mercado começou a semana, cautelou. Eu amo quando a gente fala do mercado como se ele fosse uma pessoa. Sim, exatamente isso. O mercado não gosta de certeza. Os humores do mercado, o mercado sensível. O mercado é uma conjunção de gente.

que movimenta muito dinheiro, é isso que é o mercado. Exatamente. E o pessoal está cauteloso, obviamente, porque temos mais uma guerra inaugurada pelos Estados Unidos nesse mundo. O petróleo disparou, as bolsas caíram. Nath, explica para a gente como é que a guerra impactou as movimentações do mercado financeiro e o que é que isso tem a ver com o meu, o seu e o nosso bolso. Exatamente, Tati, porque a gente pensa nisso, está longe e tudo mais.

Óbvias consequências humanitárias que são desastrosas. E aí, num segundo momento, a gente pensa que isso impacta também o mercado financeiro. E aí, como você falou, o mercado ali, como uma pessoa, ele não gosta de incerteza, ele não gosta de surpresa. E foi justamente o que a gente teve. Porque na semana passada, quando a gente estava noticiando essas questões do Irã e Estados Unidos, a gente falava muito das negociações, que eles estavam sentados, se reunindo, para conversar, para ver como é que isso ia se desdobrar. E no final de semana tem isso. Então, é mais um ponto de incerteza.

digamos assim. E aí, o que a gente tem de importante agora nessa ocasião? Que o Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, né? E a gente sabe que todos os países necessitam de petróleo, usam petróleo. E, além de tudo, ele controla o Estreito de Hormuz, que é uma das principais rotas de escoamento da commodity, né? Então, quando a gente tem essa passagem fechada e o Irã envolvido num conflito, numa guerra, o que acontece é que você pode ter um choque ali na demanda, na oferta, na verdade, do petróleo, né? Então, pode ter menos petróleo sendo produzido

e também sendo distribuído. E aí, isso sim pode impactar todo o mundo, e não é exagero a gente falar de muitos países, da grande maioria dos países que pode ser impactado por isso. O que a gente teve agora é justamente essa incerteza do mercado ter tomado um susto, e isso faz com que os investidores fujam daqueles ativos mais arriscados, como, por exemplo, a Bolsa. Então, hoje de manhã, por exemplo, as Bolsas europeias estavam despencando, como era de se esperar, as Bolsas americanas também estavam caindo no pré-mercado, e o petróleo, claro, estava disparado.

Porque você pode ter uma oferta menor, então o preço do petróleo sobe também. Além disso tudo, a gente fica pensando, mas o que isso tem a ver com o meu bolso, no final das contas? Porque se a gente tem um petróleo mais caro, isso impacta na inflação. E não só na inflação desses países envolvidos, mas na inflação de vários outros países que precisam usar petróleo para combustíveis, para energia e tudo mais.

dólares, isso pode pressionar a inflação global. Então, a gente está falando realmente do impacto que pode ter em todos os países, incluindo o Brasil, e aí sim entra o nosso bolso na história, né? Porque se a inflação aqui sobe por conta disso, claro que a gente vai sentir também. Ana, queria te ouvir sobre isso, sobre como que tudo isso impacta diretamente o nosso bolso. Explica pra gente, Ana. Então, Fernando, impacta bastante, né?

E de forma bem objetiva. Como a Nath comentou, a gente acredita que esse negócio está tão

longe da gente, mas as economias têm uma interdependência muito forte. O petróleo é a base dos combustíveis e ele também influencia praticamente todas as cadeias produtivas. Então, se a gente está falando de um aumento no preço do barril, a gasolina vai subir, o diesel também vai subir e aí isso vai impactar aquelas nossas coisas do dia a dia. O transporte é um componente essencial no custo de quase tudo que é produzido, alimentos, roupas, eletrodomésticos,

material de construção civil, e isso pode repetir o preço. Por quê? Porque o frete pode ficar mais caro. Aqui no Brasil, especificamente, que a gente tem o transporte rodoviário de uma forma muito intensa, isso pode fazer com que as empresas tenham esse aumento de custo e, para manter as suas margens, eles acabam repassando valores para o consumidor final. E tem um outro aspecto também, que o petróleo impacta a produção de outras coisas que não é só aquilo que a gente põe no combustível do carro.

mas o preço dos plásticos, fertilizantes e outros insumos industriais, porque usam esse petróleo como matéria-prima. Então, a gente está falando aqui que aquele consumidor, mesmo ele não indo no posto de gasolina, mas se ele vai no supermercado, ele pode enfrentar uma pressão na inflação. E aqui no Brasil, a gente vê que ela é persistente. O próprio Banco Central acaba sendo bastante cauteloso.

que a taxa básica de juros diminui, mas quando a gente encara mercados mais tensos dessa forma, pode ser que esses planos mudem. E aí isso vai fazer que o crédito fique mais caro, o financiamento imobiliário é mais pesado, as parcelas do cartão de crédito de empréstimos também podem encarecer. Então, embora a gente tenha esse conflito muito longe, a gente acaba tendo impacto sim no bolso. E tem um outro aspecto, que é para quem investe, eu até escrevi sobre isso,

hoje no Valor Invest na minha coluna. A instabilidade geopolítica, tensões comerciais, conflitos internacionais, como a gente está vendo pipocando cada hora em um lugar, tem um efeito automático na gente e também nesse anti-mercado. Para nós, acaba aumentando os nossos batimentos cardíacos, porque a gente fica também mais apreensivo com essas incertezas, e nos mercados, acaba ampliando a volatilidade, que é também o reflexo que os mercados têm

ou seja, os diferentes investimentos, os diferentes agentes têm em momentos de incerteza. Então, por mais que seja horrível mais esse conflito, a gente precisa ter calma e ter um planejamento financeiro, porque eu sempre gosto de lembrar que o planejamento financeiro não serve para prever crises, ele serve para a gente atravessar um pouco melhor as crises que aparecem e às vezes elas aparecem a todo tempo. Então, a gente ter os nossos investimentos de maneira bem estruturada, já considerando,

ciclos que possam acontecer, choques, eventos inesperados, é uma maneira de planejar para que a gente consiga manter a calma e passar melhor por circunstâncias como a gente está passando mais uma vez com esse conflito mais recente. Perfeitamente. Deixa eu só ilustrar o que você falou, uma informação que acabou de sair na Al Jazeera, que diz que a empresa estatal de energia do Catar suspendeu a produção de gás natural liquefeito após ataques iranianos,

fazendo os preços do gás dispararem na Europa e na Ásia, enquanto a Arábia Saudita anunciou que está fechando temporariamente algumas unidades da refineria de petróleo chamada Rastanura, fica no leste do país, depois que o incêndio começou na sequência de um ataque com um drone. Logo depois disso, depois desse anúncio, os preços de referência do gás no atacado na Holanda e no Reino Unido dispararam quase 50%. Uau! Está vendo? Na prática, o que a gente acabou de falar, infelizmente,

Ana, Natália, obrigada por hoje, um beijo pra cada uma e até quarta-feira. Muito bem, era só saber se você tava atenta, Natália. Beijo, gente, obrigado. Beijo. Chamada oral do dia da coluna, pra ver se ela vem, né, pô.

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