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Por que chamamos a classe de palavras "substantivo" de "substantivo" e não de "nome", como no francês e no inglês?

02 de março de 202611min
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Professor Pasquale responde dúvida de ouvinte e conta com os auxílios luxuosos de "Gramática", de Luiz Tatit e Sandra Peres, com Palavra Cantada, "Ok Ok OK", de Gilberto Gil e "Águas de Março", de Tom Jobim, com ele e Elis Regina .

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Assuntos7
  • Etimologia e SemanticaOrigem da palavra substantivo · Relação com 'substância' e 'substancial' · Significado de essência e conteúdo · Comparação com outras línguas
  • Diferenças terminológicas entre línguasTermo 'nome' em francês · Termo 'name' em inglês · Uso em português e italiano · Sinonímia entre 'nome' e 'substantivo'
  • Adjetivo e suas característicasAdjetivo como impressão e qualidade · Prefixo 'ad' indicando proximidade · Modificação do substantivo · Exemplos com 'texto inteligente'
  • Língua PortuguesaObjeto direto · Objeto indireto · Sujeito da frase · Papel do verbo na estrutura gramatical
  • Idiotismo LinguísticoCaracterísticas típicas de uma língua · Infinitivo pessoal português · O que não pode ser traduzido · Particularidades idiomáticas
  • Substantivo Nome LinguagemNomeação de sentimentos · Nomeação de reações · Exemplos de Gilberto Gil · Diferença entre concreto e abstrato
  • Barbarismo e estrangeirismoDefinição de barbarismo · Formas linguísticas reprovadas · Estrangeirismos como barbarismo · Conceito de uso incorreto
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Oi, professor, boa tarde. Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Boa tarde. Hoje, dúvida de Gabriel Feitosa, de Manaus. Excelente a pergunta. Por que chamamos a classe de palavras substantivo de substantivo e não de nome, como no francês ou no inglês? A pergunta realmente é pra lá de boa, né?

boa. E claro que quem estuda outras línguas tem essa informação, deve ser o caso dele. E isso acontece não só no francês e no inglês que ele cita. Acontece também em português. Acontece em italiano e por aí vai. Porque o que é o substantivo, meu Deus do céu? A palavra substantivo

Não por acaso, é da mesma família da palavra substancial, da palavra substância. E antes que eu diga qualquer coisa, eu vou pedir o auxílio luxuosíssimo, o primeiro que eu dividi em duas partes, para a gente já notar o que acontece aí. É uma canção do grupo Palavra Cantada, que é um trabalho maravilhoso que eles fazem.

canção que a gente vai tocar chama-se Gramática. Veja só. Foi composta por Luiz Tati e Sandra Pérez e é cantada pelo Luiz Tati e por ninguém mais, ninguém menos do que o querido José Miguel Wisnik, que a gente mencionou tanto aqui na sexta-feira passada. Está no disco Canções Curiosas de 2004. São duas entradas. Vamos para a primeira e prestem atenção no que se diz

logo de cara. Vamos lá.

Professor, vamos lá. Que maravilha. É muito bonito. Substantivo, o que ele fala mesmo? O substantivo é o substituto do conteúdo. O adjetivo é a nossa impressão sobre quase tudo. Pois é, o substantivo é a substância. Então, quando eu digo texto inteligente, a substância é texto.

Inteligente é a impressão que eu tenho a respeito desse texto ou que alguém tenha a respeito desse texto. Texto é a substância do que se diz. É a palavra substancial. Edifício alto. A essência está, a substância está na palavra edifício, que é a substância, é o substantivo. Alto é aquilo que se diz sobre esse edifício, sobre esse substantivo.

o adjetivo começa com AD, esse AD que é um prefixo que indica ao lado, perto, próximo o adjetivo, jaz ao lado, esse é o sentido etimológico, jaz ao lado do termo que ele modifica, que é o substantivo. Vamos ouvir a segunda parte que é maravilhosa também, vamos lá.

E aí, professor, que letra boa, hein?

Isso aí numa sala de aula? Isso é uma aula completa, sobretudo. Nosso verbo ser é uma identidade, mas sem projeto. E se temos verbo com objeto, é bem mais direto. Eles estão brincando, os autores, o Luiz Tati e a Sandra, brincando com a terminologia e ao mesmo tempo com a vida. Porque se temos verbo com objeto, é bem mais direto. Todo mundo aprendeu um dia na escola que existe o tal do objeto direto,

verbo sem a intermediação de preposição, objeto é alvo, direto, sem preposição. No entanto, falta ter um sujeito, que pode ser o termo da gramática, mas depois ele diz para ter afeto. É o sujeito de outro com outro sentido. Mas se é um sujeito que se sujeita, que se submete, que diz amém, que se cala, ainda é o objeto. Olha que preciosidade com toda essa duplicidade

de sentido. Aliás, na sexta-feira falamos disso e tivemos uma audiência nobilíssima, que eu recebi de mensagem de gente dizendo que estava muito comovida com a história da exposição lá de Lisboa, Complexo Brasil. Muita gente se manifestou, fiquei muito feliz com o alcance. Então, aqui uma aula de língua e de gramática e de vida dos nossos amigos Luiz Tatis, Sandra Pérez,

ressaltando a ideia de que o substantivo é o substituto do conteúdo, ou seja, é a essência. Se nós procurarmos no dicionário... Aliás, antes que eu me esqueça, ele fala aí de barbarismo. Barbarismo é uma forma linguística que os puristas reprovam. Por isso, os estrangeirismos, por exemplo, são considerados barbarismos.

A canção diz os barbarismos, onde é que está aqui? Todo barbarismo é o português que se repeliu. Já o idiotismo é tudo que a língua não traduziu. O idiotismo, quando se fala de estudo linguístico, diz respeito a uma coisa que é típica de uma língua, que há naquela língua, mas que não há em outras. Por exemplo, o infinitivo pessoal, fazeres, dizeres, isso é típico do português.

Idiotismo é tudo que a língua não traduziu, mas tem idiotismo também na fala de um imbecil, que já é outro conceito de idiotismo. Bom, aí o substantivo então é, como diz a letra aqui, é o substituto do conteúdo. E aí eu vou passar para o Gilberto Gil, deixa eu olhar para o relógio, temos ainda um tempinho. Janaína, vai me dando aqui um sinal, até 18. Ixi Maria, então acabou. Ixi Maria. Vamos sair com ela. Como é que é?

com ela, vamos com ela, ok, ok, não é isso? Ah, então vamos, ok, ok, Gilberto Gil, disco homônimo, vamos ouvir rapidinho, vamos lá.

Substantivos duros de roer, enquanto os ratos roem o poder. Penúria, fúria, clamor, desencanto, substantivos duros de roer. Em outra canção dele, Gilberto Gil diz, rebento, substantivo abstrato. Todos esses que ele cita aí, penúria, fúria, clamor, desencanto, são substantivos abstratos. Nomeiam sentimentos, reações e tal.

nas outras línguas tem o nome de nome, porque o substantivo nomeia. Tudo que tem nome é substantivo. Por isso, em outras línguas se chama de nome o que é substantivo. Mas se pegarmos num dicionário francês, por exemplo, o La Russe, na palavra nom, que é nome em francês, ele diz tudo isso, e no final ele diz sinônimo, substantivo. Ou seja, são sinônimos, é a mesma coisa.

esse assunto amanhã, porque vale a pena, tem mais coisa pra dizer, tá bom? É isso. Obrigado, professor, e até amanhã. Beijo pra vocês, meus queridos, até amanhã.