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Como preservar a saúde emocional em tempos de guerras e incertezas globais

01 de março de 20268min
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Em meio a transformações geopolíticas e ao aumento das tensões internacionais, Rossandro Klinjey reflete sobre o impacto emocional que guerras e conflitos exercem sobre cidadãos comuns, mesmo à distância.

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Assuntos9
  • Impacto emocional de guerras e conflitosSentimento de impotência diante de eventos globais · Medo e dúvida sobre o futuro · Ansiedade ao consumir notícias sobre conflitos · Afetação emocional mesmo à distância · Polarização e confusão sobre a verdade
  • Fé e EsperançaEsperança versus desesperança · Vivendo entre utopia e distopia · Possibilidade de encontrar certeza interna · Esperança como ferramenta emocional · Rejeição do desespero
  • Relações InternacionaisHumanidade sempre viveu em guerras · Período pós-Segunda Guerra Mundial como exceção · Transformações geopolíticas atuais · Questionamento da ordem internacional · Ascensão da China versus poder dos Estados Unidos
  • Pilares da Saúde EmocionalNão controlar eventos globais, mas controlar como nos afetam · Gestão do consumo de mídia e redes sociais · Evitar ficar tragado pela angústia · Estabelecer limites para não ser arrastado por notícias
  • Cuidado Pessoal e Bem-estarPriorizar saúde mental pessoal · Focar no que se pode controlar · Autocuidado durante crises · Responsabilidade com a família · Aceitação de limitações
  • Crise InstitucionalMúltiplas perspectivas sobre quem está certo · Violações de direitos humanos em todos os lados · Ambiguidade moral nas guerras · Dificuldade em discernir a verdade · Questões de direitos das mulheres e regimes autoritários
  • Ordem InternacionalInexistência de autoridade global real · Lei internacional como ficção · Poder dos países mais fortes · Questionamento da soberania internacional · Reconstituição da geopolítica
  • Educação e Conflitos GlobaisNecessidade de conversar com crianças · Explicar o que está acontecendo no mundo · Proteger sem alienar · Educação das próximas gerações
  • Observação crítica sem alienaçãoManter-se informado sem ser tragado · Equilíbrio entre consciência e saúde mental · Não ficar alienado mas preservar bem-estar · Análise racional de eventos
Transcrição14 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

O Divã de Todos Nós, com Rossandro Klinger. Meu querido Rossandro Klinger, boa tarde. Boa tarde, Pétria. Sabe o que eu estava pensando aqui? A gente fala muito sobre relacionamentos humanos e relações a dois, mas quando a gente passa por um dia histórico como o de ontem, não tem como a gente não refletir sobre os impactos que tem sobre a nossa vida, cidadãos comuns do mundo que estão observando uma geopolítica que a gente não domina.

e especialmente se o programa tem um nível cultural diferenciado, de imaginar o impacto que isso tem sobre nós. Porque a gente está vendo o mundo mudando de uma forma absurdamente violenta. Tudo que a gente viu pós-segunda guerra mundial, instituições, é que eu não estou falando nem defendendo quem atacou, muito menos quem estava lá. O ditador destruindo vidas. Mas é sobre assim, é sobre imaginar o mundo está sendo redesenhado por IAR, por robô, por algoritmos, e agora por uma reconstrução

geopolítica profunda. E as pessoas são impactadas por isso. Nós somos. Dá um sentimento de impotência, dá um sentimento de medo, de dúvidas sobre para onde nós vamos. Eu acho que nem os que estão à frente dessas decisões têm tantas certezas sobre os resultados, porque a gente já viu, por exemplo, outras invasões que depois deram muitos problemas. Eu acho que até por isso que as pessoas estão querendo ali fazer uma coisa menos de chegar a invadir, como é o caso dos Estados Unidos. Mas, assim, o impacto sobre as pessoas, por exemplo, quem está agora ali no

gente médio vivendo isso, quem teve o voo cancelado, quem está morrendo nesse processo e quem está só vendo na TV ou na internet, está todo mundo sendo afetado. O mundo é afetado por transformações e a gente tem que refletir sobre como é que a gente lida com isso para não ser tragado por essa carga de dor, de sentimento de desesperança, de angústia. Acho que é uma coisa que a gente precisa refletir. Muito, muito de desesperança na própria humanidade e algo que eu tenho notado

muito, Rossandro, no sentido de uma polarização que volta. Eu, particularmente, fico muito abalada por toda a questão de direitos humanos de todos os lados. É mais uma guerra, é mais bombardeio. Por outro lado, a gente viu também o que estava acontecendo no Irã no começo do ano, milhares de pessoas mortas, o tratamento daquele regime em relação às mulheres. E, para mim, o que salta, e eu queria que você comentasse, é um mundo, além do mundo estar muito desafiado,

é tudo muito paradoxal. Eu tenho usado essa palavra em quase todas as entrevistas. Em que você fala, isso aqui está certo. Não, mas espera aí, não está totalmente certo. Isso aqui também não está certo. E você fica muito confuso sobre o que é a verdade. E isso que você colocou para onde o mundo está indo. Nesse sentido, como é que a gente pode construir um lugar interno, talvez, de certeza ou de esperança?

tão paradoxais? Não é uma coisa que tem uma receita de bolo simples, a gente sabe, porque a gente está cada vez mais num mundo paradoxal em que a gente fica entre a distopia e a utopia ao mesmo tempo, né? Tem hora que a gente acha que vai para uma distopia, a esperança alimenta uma utopia, a gente quer que as coisas melhorem, mas às vezes parece que não. Acho que a primeira coisa que a gente tem que pensar é o seguinte, um primeiro movimento emocional, e eu faço isso na minha vida, é eu não controlo a maior parte dessas coisas.

mas eu controlo o quanto elas me afetam. Eu posso ficar aqui o dia inteiro consumindo essa guerra e ficar mal e mal e mal e mal e vendo cada bombardeio, cada revelação. E se eu for para a rede social vendo um lado e o outro lacrar e dizer que é a verdade, que bom que estão fazendo isso, o outro, isso é um crime. E aí você fica nessa coisa. Então, como isso não deve me afetar? Para quem tem filho em casa pequeno, adolescente, conversar é preciso conversar, explicar o que está acontecendo.

E também uma outra coisa que a gente faz, que ajuda muito, é ter uma visão histórica sobre os eventos.

e você pega qualquer especialista em geopolítica e que conversa aqui ou fora do Brasil, esse período de paz pós-segunda guerra mundial que a gente teve, ele é uma exceção na história humana. A gente sempre viveu em guerras. É porque a gente nasceu nessa época, Petra, em que a gente viveu com guerras em muitos locais. Em nenhum momento a gente viu essas potências maiores no confronto direto. E, por enquanto, elas estão em proxies, elas estão num confronto indireto. A gente sabe, por exemplo, que há também

uma potência em ascensão, que é a China, questionando uma potência com relativos problemas, mas ainda mais poderosa do mundo em vários sentidos que é os Estados Unidos. A gente sabe que o movimento na Venezuela, no Irã, também tem como objetivo diminuir o poder de mobilização de energia por causa do petróleo na China. Tem também o fato de que lá os escândalos de Epstein com arquivos saindo também fazem com que a decisão tenha um interesse de ser nesse momento, porque aí você despista, não que isso exime o regime

iraniano que estava matando pessoas. É o que você está falando, esse paradoxo todo. Então, observa para não ficar alienado, porque a gente não pode, mas não fica tragado pelos acontecimentos. O que nós podemos fazer se não continuar educando as pessoas que estão ao nosso redor, os filhos, se tornando pessoas boas, contribuindo coletivamente com o mundo, pagando nossas contas, indo atrás do nosso trabalho, enquanto as coisas estão acontecendo. E também torcer, rezar, orar,

seu ritual é espiritual para que isso não se alastre, para que as coisas se resolvam logo. Porque, assim, historicamente a gente vive em guerras. E a gente tem um período de paz longevo aí de mais de 80 anos que está sendo questionado porque o mundo que a gente conhecia está sendo questionado. A ordem internacional que nunca existiu de fato, porque a lei internacional não existe, ela é uma ficção, né? Não tem um mandativo do mundo.

Os países internacionalmente são... é a lei do mais forte. A gente está voltando para esse momento, para esse lugar. Então, são muitas coisas ao mesmo tempo. Eu não tenho uma resposta.

é muito mais reflexões sobre o que você me provocou aqui agora. Tem alguma palavra final para a gente levar para esses próximos dias, Rossandro, em que está tão difícil a gente ter... Já é difícil a gente conseguir saúde mental e emocional, ainda mais quando o noticiário também nos bombardeia. Eu acho que é sempre bom a gente fazer o seguinte, quando lá fora está chovendo muito, controla a tempestade interna, porque se os dois invernos coincidirem, você está em risco. Então cuide de você e cuide dos seus,

Um abraço, boa semana. Uma hora, cinquenta e dois minutos agora.