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Entenda o que é a cardiomiopatia hipertrófica, causa da morte do fisiculturista Gabriel Ganley

26 de maio de 202610min
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Luis Fernando Correia explica o que é cardiomiopatia hipertrófica, que segundo o atestado de óbito de Gabriel Ganley, fisiculturista que morreu aos 22 anos, foi o motivo da morte do influenciador.

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Participantes neste episódio3
L

Luis Fernando Correia

HostJornalista
C

Cássia

Co-hostJornalista
M

Milton

Co-hostJornalista
Assuntos4
  • Estratificação de risco na miocardiopatia hipertróficaCrescimento do músculo do coração · Doença genética · Uso de hormônios anabolizantes · Gabriel Ganley
  • Anabolizantes e SaúdeCrescimento do músculo do coração · Sangue mais grosso · Estresse oxidativo · Apoptose (morte celular) · Aumento de pressão arterial · Gabriel Ganley
  • Regulação de HormôniosProibição pelo Conselho Federal de Medicina · Infração ética para médicos prescritores · Sociedades médicas internacionais · Sociedade da performance
  • Influenciadores DigitaisRomantização do uso de hormônios · Seguidores jovens e espelhamento · Gabriel Ganley (22 milhões de seguidores) · Deolane (22 milhões de seguidores)
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O futuro não começa com o carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas. Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso, somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BioID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, doutor Luiz Fernando Correia.

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Nós havíamos conversado ontem pela manhã ainda sobre o caso daquele fisiculturista Gabriel Gunley, que é influenciador, infelizmente morreu. E aí, ao longo do dia, veio, surgiu o atestado de óbito apontando que ele teve, sofria de cardiomiopatia hipertrófica, uma doença no coração. É o que está lá no atestado de óbito.

A partir dessa informação, o que a gente traz aqui de análise para os nossos ouvintes? O que é importante nesse processo? Até para entender como é que essa doença surge. Como é que as pessoas têm uma doença como essa, doutor?

A cardiopatia hipertrófica é, como o próprio nome diz, o crescimento do músculo do coração. Se a gente dividir a palavrinha aí nos componentes. Cardio de coração, mio de músculo, hipertrófico de crescimento. O próprio nome já diz o que é. O coração é um músculo e, para ele bombear, Milton, ele precisa encher de sangue.

e apertar para jogar o sangue para distribuir no corpo. Isso todo mundo também entende. Quando essa parede do coração começa a ficar muito grossa, principalmente a parede que separa duas câmaras que tem dentro do coração, o lado esquerdo e o lado direito, ele não consegue mais encher completamente. E ejeta menos sangue.

Ejeta menos sangue, tem que fazer mais força, isso aí faz ele crescer mais ainda. E aí depois disso, nessa região onde o músculo cresceu, você tem células que cresceram de maneira anarquizada e podem gerar arritmias que geralmente são fatais nesses pacientes. Agora vamos ao que isso tem a ver com o Gabriel Ganho.

porque tem um outro componente. Cardioepatia hipertrófica habitualmente é diagnosticada com uma doença genética, com uma tendência de aparecimento em famílias bastante frequentes. Então, você tem casos anteriores de morte, muitas vezes de morte súbita não explicada na família, em ascendentes, em pessoas que vieram antes. Mas você também tem o outro caso. Essa doença pode ser adquirida ou piorada.

com o uso dos hormônios anabolizantes, que infelizmente o Gabriel usava, em doses industriais, vamos dizer assim, para ser delicado. E o que esses hormônios podem agravar essa situação? Ou existem, inclusive, relatos na literatura científica da cardiopratia hipertrófica induzida pelo uso dos esteroides anabolizantes.

O esteroide anabolizante, a gente já sabe o que ele faz. Você olha para o músculo do braço, você vai ver o que acontece com o músculo do coração. É músculo também? Então, ele vai crescer. Da mesma maneira que a doença genética faz a parede do músculo crescer, a utilização do hormônio esteroide anabolizante vai fazer a parede do coração crescer também. Vai ficar mais grossa, porque é músculo. Além disso...

Tem outros efeitos ruins. Ele aumenta a quantidade de células vermelhas do sangue. O sangue fica mais grosso, para o público entender. Então, o coração tem que fazer mais força ainda para bombear. Você tem um estresse oxidativo do próprio músculo do coração, que é induzido pelo hormônio. Ele atua diretamente no músculo. E um terceiro efeito extremamente grave. Induz o que a gente chama, o nome é esquisito, a gente chama apoptose.

A apoptose é a morte programada das células. Isso acontece no nosso corpo o tempo todo. As células vão se renovando. Elas têm um tempo de vida. Então, acontece a apoptose. Só que, nesse caso, o hormônio anabolizante esteroide, ele induz a apoptose do músculo do coração, das células do coração, do músculo. Então, você tem o coração que cresceu, está com a parede mais grossa, está bombeando o sangue mais grosso.

Você tem aumento de pressão arterial, porque desregula o sistema de controle de hipertensão do corpo humano, que é o sistema renina e angiotensina, que são dois hormônios naturais. Está descontrolado por causa do esteroide. Então, você tem um coração mais forte, que não consegue bombear completamente, que tem um sangue mais grosso, e está trabalhando contra um cano mais estreito, porque a hipertensão é isso, a artéria fica mais estreita. Então, você imagina...

o cenário que a gente está criando. É isso que aconteceu dentro do coração. E, doutor Luiz Fernando, tem exame que você pode fazer de forma preventiva, até para saber se você tem essa doença de maneira genética, ou se o coração está com essa característica? Milton, nos casos, infelizmente, muitas vezes, esse diagnóstico é feito pós-mortem por arritmia, principalmente em jovens. Mas a gente aí tem uma coisa. Eu queria entender o negócio.

Se o Gabriel ou outro qualquer fisiculturista está fazendo reposição hormonal orientada por um colega médico, ele deve ter feito algum exame antes, né? Ou deveria, né? Aí se fizesse um ecocardiograma, possivelmente se ele já tivesse essa doença, se ele tivesse essa doença, por uma questão genética, possivelmente já teria sido diagnosticado. E aí, mais uma vez, obviamente não estaria indicado fazer nenhum tipo de reino.

Milton, eu acho que uma questão que fica, que eu acho que vai tentar encerrar esse assunto muito triste, que infelizmente não vai se encerrar, é o seguinte, a gente tem que parar de romantizar essa história de usar hormônio, gente. Isso não é um negócio legal. Não dá para ficar brincando com isso e entre eles, eles chamam o hormônio de suquinho. Você tem memes na internet falando disso.

Você acha isso normal? A indicação de reposição hormonal em homens é extremamente pontual e bastante limitada, segundo as sociedades médicas internacionais, segundo as indicações. O Conselho Federal de Medicina proíbe.

proíber qualquer médico de prescrever hormônios para hipertrofia, para aumento de performance. Isso é proibido. Colega que faz isso está incorrendo em infração ética, está escrito numa resolução do Conselho Federal de Medicina. Você tem que parar de brincar com isso, gente. As pessoas estão morrendo. As crianças estão olhando. Sabe o que é mais importante? Perguntar para a audiência toda.

Provavelmente a nossa audiência não conhecia o Gabriel Gangue. Como eu também não conhecia. Mas meu filho conhecia. O filho de todo mundo provavelmente conhecia ele. O cara tinha 22 milhões de seguidores, gente. E quem eram esses seguidores? Eram jovens, que olhavam para aquele cara e se espelhavam. Ou a gente para de romantizar isso, ou outros casos vão acontecer. Isso é praticamente inevitável, Milton. Desculpa, mas é um negócio absurdo. E eu digo o seguinte.

Não, médico não pode prescrever, por orientação do Conselho Federal de Medicina, hormônio esteroide para hipertrofia. Quem faz isso está incorrendo em infração ética. Independente disso, não existe indicação, gente. Nós estamos vivendo uma sociedade... A gente teve uma conversa ótima ontem, recomendo vocês olharem o podcast, a conversa que a gente fez à tarde, na CBN, com o Michel Alcorforado.

que discute essas coisas, a gente vive a sociedade da performance. Gente, o corpo humano, é lógico, é muito bom que a gente queira viver mais, a gente pode viver mais, a gente faz exercício para viver mais, para ter uma vida melhor, para funcionar melhor, mas não tem que correr atrás de funcionar melhor além do ponto. Não existe essa coisa suprafisiológica, ser super humano.

É isso que está sendo romantizado, é isso que está entrando na cabeça das crianças, é isso que está entrando na cabeça dos adolescentes, e eles estão caindo nesse canto da sereia. Gente, não existe protocolo seguro de aplicação de hormônio esteroide para hipertrofia. Se alguém disser isso, está mentindo. Está indo contra as evidências científicas, contra as sociedades internacionais que recomendam, e se for médico, está indo contra a resolução do Conselho Federal de Medicina. Infelizmente, é assim.

Deixa eu só fazer um ajuste aqui nos nossos números. O Gabriel tinha coisa de 1 milhão e 800 mil seguidores. Quem tinha 22 milhões é a Deolane. Pode ser por isso. É outro caso. Esse está na polícia. Tem uma influenciadora e tal. Mas 22 milhões. Foi muito falado também. Isso que a gente falou também. Obrigado, doutor Luiz Fernando. Até mais.

Até mais, Milton, Cassi e todos os ouvintes. Até mais. Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido Plugin com até 1.300 km de autonomia combinada com conforto de primeira classe. E na cidade, você roda no modo 100% elétrico. Com esse SUV, cada caminho leva você mais longe. Dili EX5 EMI. Sua grande jornada começa agora. Saiba mais em dilibrasil.com.br

No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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