Entenda o que é o PMMA e quais são os perigos de utilizá-lo em procedimentos estéticos
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Cássia
Milton
Luis Fernando Correia
- Medicina Estética e Ética MédicaCursinhos de final de semana · Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) · Registro e Qualificação de Especialidade (RQR) · Profissionais habilitados
- Proibição PMMA preenchedorCimento ortopédico · Lentes intraoculares · Próteses odontológicas · Reconstrução de defeitos ósseos · Anvisa
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Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvinte. Bom dia, doutor.
Doutor Luiz Fernando, hoje nós trouxemos uma reportagem sobre mais um caso de uma vítima, uma mulher, foi fazer um procedimento estético, foi injetado PMMA e ela infelizmente morreu. Você podia começar explicando para nós o que é esse produto?
Milton, esse produto é um produto plástico. Se a gente for entender, são microesferas. Elas têm umas bolinhas muito pequenas, com um tamanho de 30, 50 micrômetros. Tem um milésimo de um milímetro, vamos dizer assim, talvez. Muito pequeno. Que estão suspensas numa coisa gelatinosa. E isso é...
utilizado em algumas aplicações. Existem usos legítimos, com registro regulatório, inclusive aprovado pela Anvisa, como o cimento ortopédico para ortoplastia de quadril e de joelho, para fixar a prótese no osso. Lentes intraoculares rígidas são feitas de PMMA para cirurgia de catarata.
Próteses ondontológicas e resinas podem ter esse componente na sua composição para que o dentista possa fazer a moldagem e aquele reparo cuidadoso que eles fazem.
Construção de implantes e reconstruções de defeitos ósseos, por exemplo, um pedaço do crânio, da calota craniana, pode ser substituído por um pedaço de plástico moldado a partir dessa substância. Lentes de contato rígidas, quem usou isso lá no passado, lá no passado longínuo, eu utilizei esse troço, parecia que tinha um caco de vidro no olho quase, mas eram feitas dessas mesmas substâncias.
Enfim, existe uma indicação aprovada pela Anvisa para uso injetável, mas é classificado como um produto injetável de risco máximo e tem indicações muito restritas.
pode ser usado para tratamento reparador, em caso de correção de volume, volume facial e corporal. Para tratar alterações de volume, você pode preencher um preenchimento, mas no sentido de reposição, de reconstruir alguma coisa.
Em janeiro de 25, ano passado, o Conselho Federal de Medicina levantou um documento muito extenso e solicitou o banimento da Anvisa da utilização do PMMA. Por conta de dados de complicações graves, que volta e meia a gente vê acontecer, infelizmente, pessoas falecem, isso continuou acontecendo. E em 10 de julho do ano passado, 25, a Anvisa fez uma revisão abrangente e manteve autorização para esses usos que eu falei.
correção de defeitos de pele, e manteve a proibição para o uso estético. É proibido pela Anvisa a utilização do PMA para fins estéticos. Por que, Milton? É um plástico não absorvível. Aquele produto vai ficar para sempre ali dentro.
Então, isso além de levar a uma situação que você pode, na aplicação, você já ter problemas graves, você vai gerar reação inflamatória, porque é um corpo estranho dentro do corpo, necrose do tecido, pode se formar, o corpo vai reagir, pode fazer em volta daquilo um granuloma.
Você pode, infelizmente, quem faz a aplicação de uma linha indevida pode, por exemplo, injetar isso na corrente sanguínea e causar embolia. Você imagina micro bolinhas de plástico circulando pelo sangue da pessoa, vai entupir em algum lugar e vai causar algum problema grave. Infecções na hora da aplicação, a migração desse produto, mesmo local, coloca-se no local, mas ele vai escorrer para outro.
Então, não é para isso, né? Esse é que é o grande problema. Então, Milton, existe o seguinte, eu vou falar aqui até pessoalmente, porque eu trabalhei em uma clínica de cirurgia plástica com o clínico, fazendo avaliação pré e pós-operatória durante muito tempo.
É perfeitamente justo que as pessoas queiram melhorar alguma coisa nos seus corpos. Isso faz parte do ser humano. E eu passei a entender isso, convivendo com os pacientes, e aprendi isso. Agora é o seguinte, para fazer isso, gente, tem que ser com quem pode fazer e quem sabe fazer. O risco acontece porque a gente tem uma série de cursinhos de final de semana, acredite se quiser, que...
entre aspas, bota aspas nisso para todos os lados, ensinam esse tipo de aplicação para qualquer profissional. E essas pessoas saem por aí vendendo isso. Você vai querer fazer uma cirurgia plástica, vai procurar um cirurgião plástico. Existe a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, SBCP. Ali você tem a lista dos cirurgiões plásticos habilitados a fazer cirurgia plástica no país.
consulte o Conselho Federal de Medicina, o site do Conselho Federal de Medicina tem o que se chama RQR, Registro e Qualificação de Especialidade. Se o colega médico fez residência ou fez pós-graduação e fez prova de título, a gente já comentou isso aqui alguma vez, ele vai ter direito a colocar ali o título dele e ter o seu Registro e Qualificação de Especialista aceito.
Não corram riscos. Não aceitem isso. Não tem essa coisa de fez um cursinho de medicina estética. Pós-graduação em medicina estética. Isso não existe, gente. Não dá. Infelizmente, o que a gente está vendo, Milton, é essa banalização do título. As pessoas acreditam... Outro dia até um colega nosso estava reclamando num desses inúmeros grupos de WhatsApp que nós temos.
Parece que o público prefere entender. O sujeito faz. O colega médico vai para a faculdade, faz seis anos de medicina, faz dois anos de cirurgia geral, de residência médica, faz mais três de cirurgia plástica. Mas quem entende disso é o cara do Instagram. É difícil, cara. Está complicado, viu? Obrigado por mais esse alerta. Está muito difícil, viu? Obrigado pelo alerta. Valeu. Até mais.
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