Episódios de Comentaristas

‘Criança precisa de livro, mas também precisa de joelho ralado’

25 de maio de 20263min
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Rossandro Klinjey faz uma reflexão sobre um caso em que pais foram condenados por educar as filhas em casa no interior de São Paulo. Comentarista cita os argumentos da sentença dada pelo juiz e destaca as consequências de se criar uma criança isolada do mundo. ‘A vida real é desorganizada. E é nessa desorganização que a gente aprende a ser gente’. Ouça.

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Participantes neste episódio1
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos2
  • Isolamento social e emocionalCondenação de pais por educar filhas em casa · Argumentos da sentença judicial · Consequências de criar criança isolada · Capitão Fantástico (filme) · Importância do contato social para o desenvolvimento · Necessidade de 'joelho ralado' e experiências reais
  • Críticas ao JudiciárioNão gostar de funk e sertanejo como evidência judicial · Fragilidade dos pontos da sentença · Denúncia contra o juiz no CNJ
Transcrição11 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Refletir para viver, com Rosandro Klingey.

Um casal do interior de São Paulo foi condenado a 50 dias de prisão porque educa as duas filhas em casa. As meninas leram mais de 60 livros no ano passado. Estudam latim, piano, canto coral. A mais velha, de 15 anos, leu Tolkien e Júlio Verne. Eu, aos 15, estava lendo Bula de Remédio para ver se tinha efeito colateral interessante.

mas o que incendiou o caso foi a sentença o juiz citou o fato de as meninas não gostarem de funk e sertanejo como evidência de preconceito

Não gostar de funk virou sintoma judicial. Se a justiça medir a saúde de uma família pelo que toca no rádio da sala, vai ter que prender metade do país por ouvir sofrência às seis da manhã. A sentença tem pontos frágeis. O juiz já é alvo de denúncia no CNJ. Mas o exagero da sentença não significa que criar uma criança isolada do mundo seja algo sem consequência.

Tem um filme de dois mil e dezesseis, Capitão Fantástico, em que o pai leva seis filhos para a floresta. As crianças leem Dostoiévski, debatem filosofia, caçam. São brilhantes e são solitárias. O filme mostra um pai que acerta em quase tudo, menos no essencial, preparar os filhos para viver entre outras pessoas.

sessenta livros por ano impressiona qualquer educador mas nenhum livro o ensina a dividir o lanche com quem você não escolheu nenhuma enciclopédia simula perder uma discussão no recreio e ter que sentar no dia seguinte do lado de quem ganhou

Criança precisa de vírus, precisa pegar gripe de colega, construir defesa. O sistema imunológico se forma no contato. E o que vale para o corpo, vale para o emocional. Quem nunca foi injustiçado, nunca perdeu a vez na fila, chega na vida adulta sem anticorpos emocionais. O caso não é de direita ou de esquerda, é questão de criança. Criança precisa de livro, sim.

mas também precisa de joelho ralado de fila do bebedouro de colega chato e de festa junina com pipoca queimada a vida real é desorganizada e é nessa desorganização que a gente aprende a ser gente

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