O culto à performance e os impactos na saúde
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
Michel Alcoforado
Fernando
Tati
Luiz Fernando Correia
- Morte de fisiculturistaGabriel Gunley · cardiomiopatia hipertrófica · uso de hormônios anabolizantes
- Influenciadores e Criadores de ConteúdoRenato Ortiz · intelectuais públicos · mediadores culturais · influenciadores
- Crise da Masculinidademaxing · novas masculinidades · hipertrofia
- Cultura e Liderança em Alta Performancetranstorno disfórico corporal · jogos dopados · atalhos e desvios
- Medicina do estilo de vidamedicina diagnóstica · saúde integral
Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido plug-in com até 1.300 km de autonomia combinada, com conforto de primeira classe. E na cidade você roda no modo 100% elétrico. Com esse SUV, cada caminho leva você mais longe. Dili EX5 EMI. Sua grande jornada começa agora. Saiba mais em dilibrasil.com.br
No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Pra Onde Vamos, com Michel Alcoforado. Michel Alcoforado, boa tarde. Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernando.
Bom, hoje parece que tem mais alguém aqui na tela. Temos um invasor do Pra Onde Vamos. Muito bem acompanhado hoje, né?
Vamos ver se ele consegue responder pra gente pra onde a gente vai, hein? Pois é. Isso é contigo, cara. É o seu programa, é o seu quadro. Doutor Luiz Fernando Corrêa hoje com a gente também no nosso feat de comentaristas pra discutir, pra falar, pra alertar os nossos ouvintes a respeito da morte do fisiculturista Gabriel Gunley, jovem, morreu no último sábado.
Foi encontrado morto por um amigo, atestado de óbito dele, 22 anos. Aponta que ele teve uma morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica. E eu quero começar perguntando para o doutor Luiz Fernando Correia, o que significa isso? Traduz para a gente, doutor. Olha, isso significa simplesmente que o coração dele estava aumentado.
em tamanho, em volume, e as paredes musculares estavam muito espessadas. Isso é uma doença que acontece por várias situações, e especificamente no caso dele, pela idade que ele tem,
E pelo fato que ele mesmo, isso a gente pode ficar tranquilo de falar, porque ele mesmo declarava isso em vídeos, nas redes sociais, desde agosto do ano passado ele decidiu que ele ia usar hormônios anabolizantes, de forma, segundo ele, de forma objetiva.
Ele queria ficar um monstro porque ele queria competir em fisiculturismo em nível mundial. E para isso ele precisava crescer muito a massa muscular dele. Ele resolveu que ele ia partir para a guerra química, vamos dizer assim. E declarou isso em um vídeo muito tranquilamente, segundo ele, sabendo os riscos que estava correndo e tudo mais. Mas é uma consequência descrita do uso de hormônios anabolizantes em doses absurdas, como esse garoto tomou.
É bom que a gente diga que não há confirmação oficial de que essas substâncias eram usadas por Gabriel. O doutor Luiz Fernando está se baseando em declarações dadas por ele de que usava essas substâncias. Então, uma coisa é o que ele disse, outra coisa é o laudo e tal. Só para que não haja nenhum tipo de problema. Até porque, Tatiana, o laudo da necrópsia do corpo dele não vai ter...
provavelmente análise toxicológica possível, porque já a descrição da situação, ele já foi encontrado com muito tempo de falecer. Então isso complica muito esse tipo de análise. Mas de qualquer forma, ele não fez um vídeo falando disso, ele vivia falando disso.
Ele era um influenciador dessa carreira do fisiculturismo. É isso que eu quero que o Michel nos ajude a entender por que as nossas crianças estão olhando para essas pessoas e estão se mirando nessas figuras e buscando que eram iguais a elas. Esse é um negócio que não é um fenômeno... Na minha época não existia, quer dizer, é um fenômeno novo, acredito eu, Michel. Só dando um depoimento, eu fiquei sabendo da morte dele por um garoto magrinho de 15 anos, o meu filho.
que seguia. Diga, Michel. O fenômeno, eu acho que ele revela muito um quadro que é cada vez mais recorrente nos nossos tempos, que é o tipo de novos mediadores ou de profissionais que nos ajudam a entender o mundo, que são muito diferentes daqueles modelos que a gente se baseava anteriormente.
Para a gente entender sobre qualquer coisa, sobre alimentação, sobre o corpo, sobre academia, sobre bem-estar, sobre a vida, a gente se balizava antigamente em dois tipos de figura. Um era as figuras que a gente considerava os intelectuais públicos, que era a gente que tinha estudado muito alguma coisa e tinha a capacidade de nos ajudar a ter um olhar totalizante daquilo que era a realidade, ou seja, do que era o corpo. É um papel que o doutor Luiz Fernando faz aqui muito bem.
Ou, se não, era outra figura que o doutor Luiz Fernando faz muito bem também, que é o papel de mediador cultural. Que é isso, né? O doutor Luiz Fernando foi à universidade, conquistou todos os diplomas, tem uma carreira de muito sucesso, e aí, num determinado momento, entende que a disseminação do conhecimento que ele adquiriu na universidade é importante para a sociedade brasileira como um todo.
E aqui ele assume um papel de tradutor, de mediador daquilo que a universidade, o conhecimento científico está produzindo com aquilo que é necessidade comezinha cotidiana. Essas duas figuras, tanto o intelectual público quanto os mediadores culturais, agora eles têm que conviver com o terceiro tipo, que são os influenciadores. E os influenciadores não precisam ter um pacto com o conhecimento científico, com a academia, com o conhecimento que já foi estabelecido.
ou, muito menos, só em fazer essa tradução do jeito mais correto ou responsável. O pacto de qualquer influenciador é único e exclusivamente com a sua audiência, que, teoricamente, a gente chama de comunidade. E o Renato Ortiz, que é um sociólogo importantíssimo, vai dizer que de comunidade não tem nada, não. Por quê? Comunidade, a gente constrói uma memória comum e um conjunto de trocas que vão balizar aquela relação independente daquilo que aconteça.
a teu vizinho de cima ou de baixo, ou a tua relação com teu bairro, isso sim é uma comunidade. Porque mesmo quando você tropeça, faz alguma coisa fora do lugar ou não se comporta do jeito mais apropriado, as pessoas lembram do teu histórico para poder definir quem você é ou ter uma percepção correta sobre você.
O que acontece com os influenciadores? Esse pacto que eles fazem com os seus seguidores é um pacto frágil e que a qualquer momento pode se romper.
Então, o que acontece? Eles ficam sempre dobrando a aposta para poder reforçar a entrega com um plus sempre, com um adicional sempre, para deixar a audiência fortemente engajada. Então, se eu começo, eu sou magrinho e eu começo a treinar para mostrar como minha barriga ficou, e aí os meus influenciadores começam a dizer, ué, mas a barriga já está trincada, e o braço?
Aí eu começo a dizer, é, eu vou treinar o braço também. Aí daqui a pouco eles falam, poxa, mas seu braço, o meu braço que estou te seguindo é melhor do que o seu, que está aí vendendo como é que fica com o braço bom.
Então, essas figuras vão sendo obrigadas a lidar com outras camadas de performance, que são sobre-humanas, para conseguir atender as necessidades dos seus consumidores, dos seus seguidores, que estão ali sempre abicionando mais, mais, mais.
Porque se você não ofereceu mais, mais, mais, mais, automaticamente ele deixa de te seguir e segue o próximo, né? A gente pode pensar aqui em outros campos, sei lá, desses influenciadores do mercado de luxo, né? Inclusive os que estão soltos e os que já foram presos. Que começam mostrando a casa e a casa é maravilhosa. Semana que vem ele tem que comprar uma casa maior, o carro maior, o helicóptero maior e tudo maior.
Porque é esse maior que se apresenta como uma novidade sempre, que mantém essa audiência engajada no teu tipo de conteúdo. Quando é só comprar coisinha, bolsinha de luxo, bujinganga, traquitana, não tem nenhum problema, porque se essa figura tiver a possibilidade de pagar pelas coisas que compra, está tudo bem. O caso aqui de influenciadores no campo da saúde é que a gente está usando esse corpo.
como tubo de ensaio desses experimentos para deixar a audiência engajada. Então, não sabemos aqui, de forma muito clara, as investigações estão se iniciando agora, mas isso acontece com gente jovem, acontece com gente com mais idade, acontece com influenciadores de beleza que começam a fazer plástico ao ponto de a gente não reconhecê-los mais.
acontece com outros tantos campos. E no campo da saúde, como já dissemos aqui outras vezes, é mais grave, porque a gente está brincando não só com o único bem que é insubstituível, que é o corpo e a vida, mas também influenciando outras pessoas a fazerem a mesma coisa. Doutor, o acesso a anabolizantes é fácil no Brasil?
Infelizmente, é muito fácil, Fernando. E é muito fácil das duas maneiras. É muito fácil da maneira, vamos dizer assim, oficial, ou seja, você tem médicos que prescrevem esses medicamentos em doses inadequadas para pessoas que não precisam, para essas funções, para esse objetivo alucinado, e você tem o mercado negro.
subterrâneo, ou seja, a gente está na tempestade perfeita, porque se teoricamente quem deveria, pelo menos do seu lado, tentar regular isso, a gente tem um grupo de colegas médicos, eu fico triste de falar isso.
que não quer saber das evidências científicas. E quando eu falo de evidências... E atuam nesse mercado paralelo, né? Atuam nesse mercado paralelo. A primeira coisa que eu fiz no sábado foi fazer assim, bom, eu vou falar disso, porque é uma história muito triste. Eu vou levantar qualquer evidência, as evidências que tem sobre isso. Eu já tinha um trabalho muito bem feito que acompanhou 20 mil fisiculturistas.
durante 10 anos. Não foi uma coisa assim à toa. E mostrou que 122 desses caras morreram. Muito jovens, com média de idade de 42 anos.
Ou seja, duas mortes, um negócio assim, fora do normal. Mas você tem colegas, infelizmente, que não seguem a ciência e resolvem por outras razões, todas elas, desde uma coisa de prestígio até passando por uma coisa puramente pecuniária, romper com esse pacto que a gente tem aí como médico de seguir a regra.
E você tem o mercado negro, que quando existe demanda e existe alguma restrição, aparece o bandido oferecendo. Isso é do mundo, gente. Fala, Michel. Eu acho que, adicionando aqui um ponto ao que o doutor Luiz Fernando está trazendo, eu acho que tem uma transformação sociocultural no campo da gestão da saúde, que é muito interessante e abre brechas para novos profissionais aparecerem, inclusive aqueles que são influenciadores que se dizem profissionais.
Há um negócio que é do tipo, do campo da saúde, da doença em si, que nessa o paciente aceita ser paciente, né? Então alguém quando é acometido, sei lá, com uma doença, um câncer, um infarto, tem um AVC, a pessoa chega no hospital e o que o médico diz que ela precisa fazer, ela teoricamente vai tentar fazer naquela situação para sair viva.
Há um segundo campo, que é um campo, esse sim, né, os médicos já são obrigados a disputar com os pacientes, quem sabe mais sobre si, que é o campo da medicina diagnóstica, que eu brinco, que é o paciente que cada vez mais chega no consultório esperando que o médico confirme aqueles exames que ele quer prescrever para si mesmo.
Então ele chegou no chat GPT, na inteligência artificial, e disse, eu estou com uma dor no pé, mas eu quero fazer uma tomografia. E aí o pobre do médico, se não prescrever a tal da tomografia, é visto como um médico péssimo e por aí vai.
Mas há um terceiro campo, que é esse campo aí, onde os influenciadores pululam como praga, que é o que eu vou chamar de saúde integral, que é essa tal de uma medicina do bem-estar. E qual é o grande drama aí? Se no primeiro campo eu me sinto paciente em relação ao médico, no segundo eu me sinto tão bom quanto o médico vai prescrever um exame, nesse terceiro eu acredito que eu sei mais do que o médico, porque o médico não está tão atualizado quanto eu.
E esse drama é interessante porque justamente nesse campo que vem crescendo em termos de preocupação dos pacientes e das pessoas com uma velocidade gigantesca, é o campo onde a medicina está mais pulverizada. No sentido de que a gente não tem... Não há um especialista capaz de dar conta de todos esses campos, que seja desde o botox que o fulano aplica, a barriga trincada que ele precisa, o joanete que ele tem que cuidar. O que ele tem que comer para ter esse corpo.
Isso. Obviamente, né, os médicos vêm se esforçando pra tentar pensar esse corpo de maneira mais integral possível, mas eles concorrem com tudo. A gente tá falando aqui de um caso extremo, né, de uso de anabolizante, mas a gente não pode esquecer também na forma como as elites brasileiras se valem de exercícios de alto impacto, né? Ouvindo só o professor de corrida, que agora virou treinador de Ironman, como se isso fosse suficiente, né, pra...
Então isso é um processo que a gente vai ter que lidar. E o Conselho Federal de Medicina tem um papel importantíssimo nisso, para tentar regular esse processo. Eu queria colocar mais um ingrediente que me chamou a atenção, que é a pressão estética, a que jovens estão submetidos desde muito cedo, sobretudo quando eles estão nas redes sociais, que é algo que a gente fala muito sobre as mulheres.
e é real, mas que acontece muito com os jovens homens também que são pressionados a serem fortes, másculos, como símbolo de masculinidade. E acho que isso tem tudo a ver com essas discussões que a gente está tendo, felizmente, na contemporaneidade mesmo, na nossa sociedade, sobre novas masculinidades. Não, Michel?
Com certeza. E aí os homens, nesse caso, eles são vítimas de jeitos diferentes do que as mulheres são, né? Porque dentro desse campo da masculinidade, a hipertrofia assume um papel importantíssimo na invenção desse macho, né? Que é um macho desejado ou se crê desejável pela sociedade como um todo.
A gente já falou aqui, comentários atrás, sobre o fenômeno do maxing, que é essa capacidade ou a busca por maximizar traços físicos como se isso fosse produtor de status ou de diferenciação. Então eles aplicam substâncias para aumentar o queixo, como se o queixo fosse um marcador importante desse jogo da masculinidade.
Chama Lux Maxing, né? Aí ficar com o queixo de homem. Hipertrofia do peitoral, do braço, dessas coisas todas para tentar inventar um modelo de masculinidade que caiba dentro dessa ideia, que é uma ideia difundida e criada, obviamente, dentro dessas câmeras de eco, né? Que é o que as redes sociais são.
Então, eu não fazia ideia de quem era esse menino, por desconhecimento meu, mas também por culpa, obviamente, do modelo de produção dessas referenciais, hoje na sociedade brasileira e no mundo de uma forma geral. Então, ele é muito importante, importante demais para um público que consome o conteúdo dele, ou qualquer outro influenciador, ao ponto de não haver nem questionamento, porque outros influenciadores, outras formas de ser, não aparecem aí.
Então isso revela, obviamente, a ideia. E por mais que a gente batalhe, esse é um exercício que vai precisar de um esforço contínuo da sociedade. Aqui, obviamente, a gente está falando de um caso drástico, mas no outro dia eu fui dar aula na universidade e reparei que todos os meninos estavam de bigode. Todos os meninos de bigode.
E eu falei, gente, que história é essa? Tá todo mundo de bigode aqui? E aí eles me disseram, não, não, professor, é que as meninas agora acham que isso é coisa de homem. E aí todos os meninos de bigode, eu falei, mas meu filho, você não tem nem bigode direito, tá horrível.
fugindo de todo o compliance da universidade, criticando um aluno. Doutor, doutor. Mas esse jogo, né? Isso, inclusive, que o Michel está falando, tem muito a ver com o uso dos hormônios, porque isso muda fisicamente esses meninos. Se a gente fala em jovens adolescentes, esses jovens adolescentes que não têm barba passam a ter barba.
por conta do uso do hormônio, o hormônio alabolizante, eles passam a ter bigode, eles passam a ter a voz mais rosa, mais forte, voz de homem, né? Então, isso tudo também faz parte desse imaginário. E tem uma coisa que eu queria ouvir do Michel, que é o seguinte, a gente vive nessa sociedade de performance, e é outro ponto dessa coisa.
Inventou-se um esporte, não tem nada contra dizerem que é um esporte, me entendam bem, mas na verdade é um show, onde essas pessoas boldam seus corpos, sobem num palco e exibem o seu corpo para comparar com o do outro. Quer dizer, isso é muito mais um show do que um esporte, como a gente classicamente entende. Mas eles entendem isso e buscam essa... Também a questão da performance que eu penso é o seguinte,
Funciona quase que como uma desculpa, um discurso de eu vou melhorar a minha performance. Isso é uma coisa boa. Essa romantização do uso do hormônio, essa romantização dessa busca da hipertrofia é que me preocupa. Isso virou normal. A gente tem o meme do MeteoShape.
Meter o shape é uma frase que todo mundo usa, gente. Você vê toda hora em tudo quanto é canto. Você nunca ouviu isso, Tatiana? Eu fico feliz por não saber, viu, doutor? É, mas é a frase que... A ignorância, nesse caso, é uma bênção sim. Vou malhar porque o shape vai vir. Isso é uma frase que se escuta toda hora, quando você fala de exercício e essas coisas, entendeu? É pressão estética, é do que a gente está falando. Em vez de eu dizer assim, eu estou querendo só ficar fortão, não. Eu estou melhorando. Eu estou... Me... Me...
performando bem. Performando bem. Isso é mais aceito pela sociedade. Isso é um perigo danado, gente. Tem uma questão que a nossa ouvinte, a Márcia, levanta. Acho que ela tem razão, porque ela começou a ver posts na rede social de fisiculturismo e chamaram a atenção porque levantam a hipótese de um tipo de transtorno disfórmico, que é o transtorno disfórmico corporal, TTC.
É um transtorno mental em que a pessoa fica excessivamente preocupada com pequenos defeitos na aparência. Eu fico imaginando uma figura como essa, que vai se apresentar numa competição dessa, e o músculo está um pouquinho diferente do que o cara ao lado. O que isso causa na mente dessa figura?
Michel que entende disso, cara. De músculo. De músculo. Capaz de entender a cabeça das pessoas, cara. Não, mas isso é... Eu acho que tem um fenômeno que é clássico dos nossos tempos, que é essa coisa da parte engolir o todo, né? É quase como se um tropeço é um erro...
fosse capaz de arruinar a identidade de alguém ou acabar com a trajetória de alguém, muito por conta dessa vida pensada enquanto um conjunto de episódios, né? Como a série do Breaking Bad, sei lá do quê, as pessoas estão assistindo. E relacionado ao que o doutor estava dizendo, eu acho que tem um aspecto interessante, que essa mesma sociedade da performance é aquela que valoriza atalho e desvio, né? Como o caminho de chegar mais rápido antes dos outros num resultado que seja esperado.
Então o que os anabolizantes fazem é entregar esse corpo, que é o corpo desejado, mais rápido do que os outros, né? É o mesmo movimento de que na hora o fulano tá jogando, sei lá, Fortnite, e aí descobre algum gatilho, que ele pula de fase, conquista mais moedas, vidas, ou outras coisas, né? A gente tá falando aqui de uma sociedade que tá desesperada pra inventar um atalho pra conseguir chegar lá no pote de ouro antes dos outros. E isso impacta na saúde também.
A gente está vendo, nesse momento, acontecer os jogos dopados. Os jogos olímpicos dopados estão acontecendo e, graças a Deus, estão flopando diretamente. Ontem, inclusive, foi uma vergonha. Passaram a vergonha na nada, graças a Deus, porque o cara que ganhou a rotação não era dopado. E ganhou dos...
Aí foi pego no doping porque não estava dopado. É, não, mas é um jogo... Fora da regra. A gente já comentou esses jogos aqui, isso é um negócio alucinado. Estão acontecendo aí dinheiro de um australiano maluco. Mas, aí sabe qual foi a desculpa dos atletas que perderam? Eles tiveram pouco tempo para se dopar.
Foram só quatro semanas. É muito surreal. Foram só quatro semanas para tomar suquinho. Olha só, a gente está chamando hormônio anabolizante de suco. Eles chamam de suco, eles entre si. Tomou suco de canudinho. É o cara que tomou muito hormônio. É um negócio muito louco, gente. Muito louco mesmo. Aí, bichão, explica. Quer dizer, a performance...
justifica o roubo, o tiring da história. Isso é que é muito louco também, né? Não tem mais ética na parada. Não, eu vou ganhar de qualquer jeito. O que eu posso fazer pra ganhar, eu faço. Senhores, eu adoraria me estender por mais meia hora nessa conversa, mas o tempo, como vocês sabem...
Janaína vai brigar com a gente. Urge neste estúdio CBN. Muito boa essa conversa do ponto de vista da saúde, do ponto de vista da cultura e do comportamento, a abordagem da morte do fisiculturista Gabriel Gunley, de 22 anos, e os alertas aqui, que essa é a ideia mesmo dessa conversa.
Presta atenção em quem você está seguindo nas redes, que tipo de valores têm essas pessoas, e sobretudo, nesse caso, que tipo de risco isso oferece à sua saúde e à sua vida. Quero agradecer muito o doutor Luiz Fernando Correia nesse fit com o Michel Alcoforado, dentro de Pra Onde Vamos. Obrigada, gente. Obrigada, Michel. Obrigada, doutor. Tchau, gente. Eu adorei. Obrigado. Tchau, tchau. Tchau, tchau.
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que, de fato, somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
. . . . . .
Dili
Dili EX5 EMIMagalu