'Cesto' e 'cesta' têm o mesmo significado?
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Professor Pasquale
Fernando
Tatiana
Carminho
Fernanda Montenegro
João Bosco
Ricardo Dias
- Chamado e Caminho CristãoCesto e cesta · Recipientes · Gênero das palavras · Palavras homófonas
- Sabiá: gênero e usoSabiá · Gênero das palavras · Canção do Exílio · Chico Buarque · Tom Jobim
- Tamanca e tamancoTamanca e tamanco · Subir nas tamancas
- Cinto e cintaCinto e cinta
- Saco e sacaSaco e saca
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor. Boa tarde.
Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Que conversa boa essa do Alcoforado com o doutor Luiz Fernando. Vocês não me deixam trabalhar. Eu estou aqui trabalhando, ligo o rádio. E aí não dá, né? Melhor elogio esse. Eu gosto desse e eu gosto daquele que os ouvintes falam. Eu cheguei no meu local de destino e não consegui descer do carro enquanto vocês não terminavam a conversa.
Eu adoro, acho melhor elogio. E pra eles tem uma sugestão. Baixe o aplicativo da CBN aí no seu celular, mete o fonezinho. Não precisa esperar acabar. Põe o fone e segue ouvindo. Pronto, tá dada a minha sugestão.
Então, deixa eu dar dois recados aqui rapidinho. Um é um abraço para um querido amigo ouvinte nosso de longuíssima data, meu colega de Folha de São Paulo, o Marcão, que fez aniversário ontem. Beijo, Marcão, beijo na careca. Ele é simplesmente igual...
ao Domenico de Masi. Você põe um do lado do outro e quando o Domenico esteve na Folha e o Marcão foi encarregado de ciceronear o Domenico, ninguém sabia quem era quem. Bom, e o outro recado é que nós temos um lançamento hoje de um livro
Dois Pais, é um livro escrito por Moacir Godoy Moreira, e eu conheço o Moacir, ele é médico, é escritor, é o sétimo livro dele, ele trata de coisas muito interessantes, hoje dia 25, 19 horas, no São Cristóvão Bar, na rua Purpurina, lá na Vila Madalena, vamos lá.
Professor, hoje a dúvida é de Ricardo Dias. Ele conta o seguinte, que a insônia me gerou uma questão. Sexto e sexta significam rigorosamente a mesma coisa ou não? Como? Ao que eu sabia, recipientes não têm sexo. De onde vem isso? Esse fenômeno tem nome? Ele não conseguiu pensar em nenhum outro exemplo. Ou, para se adaptar aos novos tempos, devo escrever...
Sexte, veja só. Aliás, acaba de... Ele acaba de me dar conta de que o senhor já nasceu apaziguando, sendo batizado de forma neutra, Pascualê. Olha aí. Veio ao mundo para trazer paz contra ele aqui. E aí, sexto, sexta ou sextê?
Não, a cesteia da linguagem neutra não nos cabe aqui entrar nesse mérito. O Ricardo Dias é luthier. Luthier é quem fabrica instrumentos, quem produz instrumentos. É uma figura fundamental. E a questão é a seguinte, ele se refere a sexto e sexta, mas não sexta de sexta-feira, que é outra coisa, né? Sexta de sexta-feira, o numeral, sexta.
é com S no começo e X no meio, mas a cesta a qual ele se refere é com C de casa no começo e S de sapato no meio. Essas duas palavras cesta se escrevem...
de maneira diferente, mas se leem do mesmo jeito, por isso são palavras homófonas, homo quer dizer igual, fona de fone, de som, e sexto no masculino, o sexto a sexta. E aí, quando a gente procura nos dicionários, a gente vê que...
Há uma certa especificação, sexto se usa para certos casos, sexta para outros, mas ao fim e ao cabo são sinônimos, tanto que os dicionários colocam lá, depois disso e daquilo, colocam como sinônimos. Um é masculino, o sexto, outro é feminino, a sexta.
Não há explicação, é bom lembrar, para o gênero das palavras. Como ele mesmo diz aqui, palavra não tem sexo, palavra tem gênero. E o gênero é definido pelo uso. Tanto é verdade que a mesma palavra em línguas distintas tem gêneros distintos, ou pode ter gêneros distintos. Sangue, em português, é palavra...
Masculina, o sangue. Em italiano também, il sangue. Mas em espanhol é palavra feminina, la sangre. Sal, em espanhol é palavra feminina, la sal. Em português é palavra masculina. Em italiano também, il sale.
Então, essa coisa do gênero, não adianta procurar explicação, entre aspas, científica, de jeito nenhum. Casos como o de sexto e sexta são poucos na língua. Vou mostrar um agora com um auxílio luxuoso, luxuosíssimo. Quem vai cantar para a gente é o João Bosco.
uma canção que se chama Terreiro de Jesus, composta por ele, João Bosco, por Edil Pacheco e pelo Francisco Bosco, grande jornalista, grande letrista. Isso está no disco Malabaristas do Sinal Vermelho, de 2002. Prestem atenção na letra, há uma palavra aí que se enquadra no mesmo caso de sexto e sexta. Vamos lá.
Eu vou deixar falar, vou mandar descer. Pode chegar cegado que essa mesa é branca. Vou bater palma de mão com fé no coração. Eu vou de guia e da manca. Eu sou de escorregar, liso de doer. Tenho boca de quiabo e casca de banana. Eu sou da saúde, eu sou de lá.
Eu sou da Gamboa, praça Mauá. Sou o samba, sou. Sou da Praça Rondos, eu vim de lá. Do tempo que bobo era bobo e bamba, bamba. Eu sou, sou do estado. E aí, professor? Qual é a palavra, meninos? Ha, ha, ha.
A palavra é tamanca. Diz a letra aqui, vou deixar falar, vou mandar descer, pode chegar sossegado que essa mesa é branca, vou bater palma de mão com fé no coração, eu vou de guia e tamanca. A tamanca, todo mundo conhece a expressão, fulano subiu nas tamancas, ou fulana subiu nas tamancas. E tamanca, a tamanca é a mesma coisa que o tamanco.
É um caso semelhante, análogo ao que se vê com um cesto e cesta, um cesto de frutas, uma cesta de frutas e por aí vai. Nós temos outros casos, por exemplo, cinto.
colocar o cinto, a cinta, também é a mesma coisa, o cinto, a cinta, saco, um saco, uma saca, usa-se muito saca para falar de cereais, uma saca de café, uma saca de não sei o que, mas também se fala um saco de café, então saco e saca caem exatamente no mesmo caso.
de sexto e sexta. E aproveitando a ocasião, eu vou para um outro lado da questão, mas que não deixa de ser relativo a essa questão. Eu vou tocar aqui uma maravilha, uma preciosidade chamada Sabiá.
Melodia de Tom Jobim e letra de Chico Buarque. Vocês sabem o que aconteceu com essa canção, né? Na década de 60, num festival, o povo que iria caminhando do Vandré.
quem ganhou o festival foi Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, o público do Maracanãzinho vaiou tudo que pôde, uma vai absolutamente absurda e injusta, porque Sabiá é um primor, é uma obra-prima, e ela remete a um poema conhecidíssimo, então a gente vai ouvir, se quiserem interromper, depois da fala da Fernanda Montenegro, a gente pode interromper e depois continuar, vamos lá.
Não permita a Deus que eu morra sem que eu volte para lá. Sem que desfrute os primores que eu não encontro por cá. Sem que ainda viste as palmeiras, onde canta o sabiá.
Nós ouvimos aí a queridíssima Fernanda Montenegro dizendo o texto, canção, um trecho, né? Canção do Exílio de Gonçalves Dias. E nessa parte lindíssima, não permita Deus que o morra e por aí vai, que introduz a canção Sabiá, que nós vamos ouvir com a Carminho, cantora portuguesa.
Porque a letra do Chico Buarque, a melodia do Tom, a letra do Chico, direta ou indiretamente, faz referência a isso. E é de matar, é de matar. É lindo demais. E vamos ver o que acontece nessa letra de Sabiá em relação a gênero. Vamos lá.
Vou voltar, sei que ainda vou voltar para o meu lugar. Vou voltar e ainda vou voltar.
Uma sabiá Cantar O meu sabiá Vou voltar E aí, professor? Um sabiá, a sabiá
Pois é, a letra do Chico Buarque diz justamente isso, que eu hei de ouvir cantar uma sabiá, o meu sabiá. Sabiá entra no mesmo território aí, mas não exatamente como o sexto e sexta, porque sabiá não muda, a forma não muda, mas pode ser palavra feminina ou masculina.
E o Chico Buarque contemplou as duas hipóteses. Em algumas regiões do Brasil, sabiá é palavra feminina, uma sabiá, em outras regiões do Brasil é palavra masculina, ou sabiá, um sabiá, e ele deu de encaixar direitinho na melodia do tom essas duas versões, conferindo a essa canção memorável um tom ainda mais brasileiro.
O exílio, é bom lembrar, a música de 68, época de ditadura militar maldita, em que as pessoas inteligentes, cultas, artistas, precisavam fugir para não morrer. O Chico foi para o exílio, como Caetano, Gil e tantos outros. Então, sabiá é um caso de palavra que pode...
ser feminina ou masculina. É isso. Gênero é essencialmente uso. Tá bom? É isso. Obrigado, professor. E até amanhã. Beijo, professor.
Beijo para vocês. Até amanhã. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas. Um time de cientistas com visão empreendedora e conhecimento em negócios, trilhando soluções estratégicas com dados e inteligência aplicada. Um negócio com selos de confiança e inovação da B3.
Conheça a trilha. Pensar fora da curva é o melhor caminho.
CBN
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