Histórias do trem e da vida paulistana
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- Historia do FrevoTrajeto de carro para o trabalho · Obra na Vila Olímpia · Uso do trem na Linha Esmeralda · Observação de conversas no trem · Inspiração para microcontos · Histórias de velório · História de babá criticando patroa · Rapaz atrasado para o trabalho
Dia cheio, treino feito, check. Agora é desligar do mundo maratonando uma seriezinha. E com o que eu economizei com garrafas retornáveis, ainda consigo, por exemplo, pagar mais assinaturas de streaming. É só levar as garrafas de tampa verde ao mercadinho, escolher Coca-Cola, Phantom, Sprite e pagar só pelo líquido. Massa, né? Economize mais com as retornáveis de Coca-Cola.
Conte sua história de São Paulo. Conte sua história de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN, Cristina Schraer Rittitz.
O ano era 2007. Eu trabalhava na Vila Olímpia e morava em Santo Amaro. O trajeto de carro para o trabalho não demorava mais que 12 minutos, até que uma obra, que não leva nada a lugar nenhum, começou a ser construída ao lado do Parque do Povo, em contrapartida a uma construção monumental na região. Passei a levar 40 minutos para chegar ao trabalho e mais de uma hora para voltar para casa. A obra travou o bairro.
Num desses momentos de desespero, tédio e raiva, parada no meio de um mar de carros, olho para o lado e vejo um trem. Por que não?
Estação Granja Julieta. No dia seguinte, estava eu na linha Esmeralda, ainda da CPTM, saindo da Granja Julieta em direção à Estação Vila Olímpia, chegando ao escritório em oito minutos. E o mesmo na volta. Era eu e eu no trem.
A cada partida, um trecho de uma música clássica. No futuro, com a ligação, com a linha Lilás, o trem lotou. O serviço piorou. A concessão piorou ainda mais. E a música parou. Liguei e me explicaram o que tiraram porque os usuários não gostavam. Eu gostava, mas não fui ouvida.
Foi nesta época que comecei a prestar atenção nas conversas no trem. Confesso que sempre fiz isso em filas de mercado, restaurantes, mas no trem era diferente. Muitas vezes eu só ouvi uma parte das histórias. Ainda sem as facilidades dos smartphones e sem os aplicativos de mensagens, as pessoas falavam ao telefone.
Eu ouvi uma parte e imaginava as respostas. Muita gente falando mal da chefia, reclamando da patroa, fofocando sobre colegas de trabalho e eu só criando os diálogos na minha cabeça. Gente que dizia que estava numa estação, chegando já já, mas que ainda estava umas três antes. Eu até torcia para a voz do alto-falante não anunciar a estação e dedurar a pessoa. Também prestava atenção aos diálogos e a outras histórias compartilhadas.
As pessoas esquecem que estão tornando sua vida pública. Afinal, estamos num trem. Então vem a ideia de escrever microcontos, tentando reproduzir o que ouvia e inventando a outra parte. Ou simplesmente escrevendo o que vi e ouvi. Vamos a algumas dessas histórias?
E no trem, ao celular, a amiga aconselha. Presta atenção, porque daqui a pouco você estará vivendo um triângulo amoroso. E vai ser a última a saber. O seu problema é a comodidade. E assim começa a semana. A moça lê no trem orações e bênçãos. Uma formiga atravessa as páginas. A moça esmaga a formiga. Que Deus a tenha, a formiga.
A moça segue em direção ao Grajaú. Vai a um velório? Morreu a mãe de uma amiga. O pai também já morreu. Sei porque ela contou para um outro passageiro. Ela liga para três pessoas para convidar para o tal velório. Sua mãe, inclusive. Houve três nãos. Pouco prestígio. Dela e da falecida.
Hoje acompanhei a história de uma babá criticando muito, muito a sua patroa para uma amiga ao celular. Hilário. Sei o nome da patroa, de uma das crianças, do motorista, da cozinheira demitida e da faxineira da casa da praia. E sei também o preço da diária da folguista.
O rapaz liga para a chefe e avisa que está atrasado. Confessa que perdeu a hora, vai chegar logo. Incrível a mágica que transforma 40 minutos em 40 minutinhos. E siga a vida de estação em estação. Desembarque pelo lado esquerdo do trem. A CPTM informa. Evite acidentes. Não entre e não saia do trem após o sinal de fechamento das portas.
Cristina Sravi Titz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antônio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
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