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'Ilhas Suspensas': romance de estreia de Fabiane Secches aborda luto e adaptação em outro país

23 de maio de 202610min
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A crítica, pesquisadora e professora de cinema Paula Jacob recomenda o livro "Ilhas Suspensas", romance de estreia da psicanalista Fabiane Secches, que acompanha uma mulher em processo de elaboração de diferentes lutos enquanto tenta se adaptar a uma nova vida em outro país. Ela também destaca produções com participação brasileira no Festival de Cannes.

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Participantes neste episódio2
F

Fernando

HostJornalista
P

Paula Jacobi

ConvidadoCrítica, pesquisadora e professora de cinema
Assuntos2
  • Cinema BrasileiroElefantes na Névoa · La Perra · Festival de Cannes · Produção brasileira · IA no cinema
  • Romance 'Ilhas Suspensas'Luto e adaptação em outro país · Fabiane Secches · Mariana · Chantal Ackerman · Agnès Varda
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

Tem mais cultura aqui no Revista CBN. Sempre, sábado, a gente termina com uma conversa com a Paula Jacobi, trazendo mais coisa boa, mais coisa que nos toca, mais cultura que nos reinventa. Oi, boa tarde para você, Paula, e bem-vinda mais uma vez. Boa tarde, Fernando, boa tarde aos ouvintes, obrigada. Hoje eu trouxe duas indicações, quer dizer, na verdade, uma indicação que as pessoas conseguem...

ler e outra que as pessoas vão assistir em breve, mas vamos comentar sobre isso. Vamos lá, Ilhas Suspensas livro novo de Fabiane Seques, saindo pela Companhia das Letras já temos aqui na nossa tela a capa conte mais sobre ela é o primeiro romance dela, da psicanalista? Isso é o primeiro romance da Fabiane Seques que é uma psicanalista maravilhosa, ela também é crítica de literatura e de cinema adapted adapted

E nesse livro ela cria uma história muito sensível a partir da Mariana, que é a protagonista desse romance, que é uma mulher que passa por várias situações de luto na vida dela, lutos simbólicos e lutos reais, né, de perdas familiares e tal, ao mesmo tempo que ela precisa mudar de país por conta do trabalho do marido dela.

Só que ela vai para um país que ela não fala língua. Então, existe uma espécie de deslocamento interno dessa personagem, atravessada por esses lutos, ao mesmo tempo que ela precisa resolver como vai se estabelecer nesse novo país. Então, ela encontra nas amizades, na literatura, na companhia do cachorro dela, que se chama Kinkas, esses pilares para sustentar a subjetividade dela nessa travessia.

Eu acho que uma das grandes coisas desse livro é que ele não tem tantas reviravoltas igual a gente está acostumado, principalmente na literatura contemporânea, a gente tem um movimento desses livros que são movidos a plots, que são movidos a acontecimentos muito grandiosos, que mexem e vão para um lugar e vão para outro lugar. Aqui não dá nem para falar de spoiler, porque o livro se passa muito dentro da personagem. E eu acho que isso, claro, porque escrito por uma psicanalista, não veria de uma outra maneira.

mas eu gostei muito dessa subjetividade da personagem trabalhada dessa forma, porque eu, que venho da crítica de cinema principalmente, lembrei muito dos filmes da Chantal Ackerman e da Inês Vardá, que são duas cineastas, a Chantal é belga, mas radicada na França, e a Inês Vardá também francesa.

que trabalhavam os gestos femininos cotidianos como uma coisa não ordinária, então como transformar o banal da nossa rotina em uma coisa extraordinária. Então eu digo que não tem esses grandes plotes, essas grandes reviravoltas.

da própria narrativa, porque as coisas estão passando dentro da personagem, né? O cotidiano da gente não é... Então, por mais que a gente gostaria que fosse marcado por grandes reviravoltas todos os dias, a gente sabe que não é bem assim. Então, eu achei muito bonito como a Fabiane traz esse livro dessa maneira, né? Muito interna ali da protagonista. E é uma leitura deliciosa, principalmente, né? A gente está aqui em São Paulo, esse frio, essa chuva, não dá vontade de sair de casa.

Esse livro é um livro muito fácil de ler também, então você consegue ler dois, três dias, porque é uma leitura que te envolve por completo, então não tem como largar. Então quem estiver precisando de uma companhia nesses dias chuvosos, aproveite este lançamento, porque ele é realmente muito especial.

É especial até porque o Zé Godói, no Clube do Livro, no Estúdio CBN, também recomendou recentemente, ele falou muito bem dele. Ah, demais. Então tá aí. Sim. Ilhas Suspensas, que é o romance lançado recentemente pela Companhia das Letras. A escritora é Fabiane Sex. É o Sexes. É o primeiro romance dela. Passamos agora para o cinema, porque tem Brasil em canes. É bem legal essa história. Conta pra gente.

Sim, esse ano o Brasil estava bem discretinho no Festival de Cânias, também não tem como comparar com todo o furor que teve no ano passado. Não dá para manter esse nível sempre, eu gostaria. Difícil, a barra ficou muito alta nos últimos dois anos, mas de qualquer forma...

Tivemos a presença de brasileiros esse ano. O Festival de Cannes dura duas semanas, só para dar uma contextualizada para os ouvintes. Esse ano ele foi marcado pela falta de Hollywood, então muitos críticos estavam comentando bastante sobre o quanto não ter grandes filmes hollywoodianos nessa edição estava dando um protagonismo muito maior para o cinema independente e o cinema autoral, que é o que, na verdade, o Festival de Cannes e o Festival de Veneza...

gostam de trazer, Festival de Berlim, enfim, fugir um pouco dessa rota comercial, entre aspas, desses filmes mais tradicionais, que estão aí nesse mainstream, mas também discussões importantes sobre a IA no cinema, sobre a arte é política ou não, enfim, então essas duas semanas foram marcadas por essas conversas, ali tanto nos bastidores quanto nas coletivas de imprensa.

E voltando para a presença do Brasil, na verdade o Brasil aqui está um pouco quase ali nos bastidores para a gente também dar valor para a profissão de produtores. Então, Elefantes na Névoa é um filme que é uma coprodução de vários países, então Nepal, Alemanha, França, Noruega e Brasil.

E aí, representado, o Brasil representado pelas produtoras Enquadramento Produções e Bubble Project. O filme, ele foi o vencedor do grande prêmio do júri na mostra Um Certo Olhar, que é uma das mostras mais especiais, paralelas à Palma de Ouro, dentro do Festival de Cannes. É uma mostra oficial, um prêmio oficial do Festival de Cannes, mas ele corre paralelo à Palma de Ouro.

essa amostra, um certo olhar, está muito olhando justamente para esses filmes independentes, com essas histórias que estão tentando transpor barreiras regionais, enfim, olhando mais para um cinema internacional, um cinema autoral que olha o internacional. E o filme também levou o prêmio de melhor canção original do festival, e é uma história muito bonita, muito poética, ambientada em um vilarejo no Nepal, à beira de uma floresta.

habitada por elefantes selvagens. E aí a gente tem uma líder dessa comunidade, que é uma comunidade matriarcal, e que ela tem a vida dela.

abalada pela perda de uma das filhas, o sumiço de uma das filhas. E aí ela vai investigar o que aconteceu. E aí o filme tem esses elementos, gosto bastante desse título, Elefantes na Névoa, que eu acho que a névoa é quase uma metáfora dessas coisas que também ficam difíceis da gente enxergar, mesmo a gente tentando querer muito investigar e querer saber o final dessa história. Isso às vezes escapa à nossa visão.

E aí o segundo filme que tem presença brasileira em Cannes esse ano é o La Perra, que é produzido pela RT Features, do Rodrigo Teixeira, que é um grande produtor de cinema brasileiro, em parceria com a Planta, que é a outra produtora do filme. Esse filme é inspirado num livro que eu acho sensacional. Fica aí a dica também, porque a gente tem essa edição em português, chama A Cachorra, da Pilar Quintana. É um livro muito radical, de muitas vísceras expostas, mas é um livro muito genial.

e que é um filme dirigido pela Dominga Sotomayor, que traz essa relação complexa da maternidade a partir dessa personagem, o protagonista, com uma cachorra. Então, essa mulher não pode ter filhos, e ela vê uma cachorra que teve filhos.

quase como uma rival, só que aí ela acaba criando uma relação muito linda com esse animal. Então é um livro muito especial, muito difícil um pouco de ler, num sentido dessa dureza da vida, mas ainda assim eu acho que é uma experiência muito válida. Ele também é curtinho e também fácil de você engatar um capítulo atrás do outro. E aí tem uma curiosidade que o Salton Mello faz parte do elenco principal desse filme.

E aí só confirma mais uma vez essa ascendência da carreira internacional dele, que já vem de anos, mas acho que nos últimos anos ele tem feito bastante coisa lá fora. Então aqui a gente tem mais um ator brasileiro despontando nas produções internacionais, que assim, no fim das contas, a coprodução com o Brasil.

Muito bem, conseguiremos vê-los no circuito brasileiro? Então, esses filmes, com certeza, eles vão vir para o Brasil em breve, até por conta dessas coproduções, mas fica difícil a gente dizer exatamente a data, porque tudo depende, encerramento de festival, distribuição, enfim, mas acredito que metade do segundo semestre já deva estar disponível no Brasil, nos cinemas.

Elefantes na Névoa e La Perra. Ficaremos de olho. Paula, muitíssimo obrigado mais uma vez pela participação aqui no Revista CBN. Até uma próxima. Obrigada a você, Fernando. Até. Um beijo. O futuro não começa com um carro, começa com energia. Enquanto outros faziam promessas, a BioID já estava construindo baterias. Enquanto o mercado discutia, nós colocávamos milhões de veículos nas ruas.

Aqui, tecnologia não é um acessório, é a base. Bateria, chip, motor, software, tudo construído junto desde o início. Por isso somos mais seguros, mais eficientes e mais acessíveis. Não construímos carros para poucos, criamos mobilidade para todos. BYU-ID, uma revolução global. No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.

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