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No Dia do Trabalho, entenda a origem da palavra

01 de maio de 202621min
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O professor Pasquale fala sobre a palavra "trabalho", explicando como foi criada e curiosidades sobre ela.

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Participantes neste episódio3
F

Fernando

HostJornalista
O

Odair Batista

Convidado
P

Professor Pasquale

ConvidadoProfessor
Assuntos7
  • Origem da palavra trabalhoTrabalho · Tripálio · Instrumento de tortura
  • O valor do trabalho e da açãoTrabalho enobrece e glorifica o homem · Trabalho empobrece e danifica o homem · Escala 6x1 · Fim da escravidão
  • Dio Zambi - Rafael Altério e Celso ViáforaRafael Altério · Celso Viáfora · Italianos no Brasil · Escravidão · Laborar
  • Elis ReginaElis Regina · Milton Nascimento · Fernando Brant · Censura · Trabalho no sol
  • Trabalho por turnos e stressEsforço extremo · Submissão a atividade · Remuneração
  • Música 'Música de Trabalho' - Legião UrbanaLegião Urbana · Renato Russo · Dignidade · Identidade · Salário miserável
  • Viagem para a ItáliaDialeto de Nápoles · Fadiga · Constituição Italiana
Transcrição56 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Boa tarde, trabalhador Pasquale. Faltou o trabalho, tá vendo? Só eu trabalho.

Professor Pasquale, me ouve? Caiu, caiu, caiu. Bom, já vou lendo aqui a pergunta do nosso ouvinte, que faz o seguinte, deixa eu me encontrar aqui, é o nosso ouvinte, o Dario Batista. Ele conta, eu fiquei... Voltou, voltou. Oi, professor Pasquale, boa tarde. Boa tarde, Fernando, boa tarde, ouvintes.

Vamos lá. Trabalhar. Trabalhar. Achei demais a pergunta dele. Estou preocupado, mas vamos lá. O Odair Batista conta aqui. Ele leu num chamado... Leu num site chamado Etimologia e Origem das Palavras. Dá até aqui o endereço. Que a palavra trabalho, professor, tem origem na palavra tripálion. Que era o nome de um instrumento de tortura. É verdade, professor? É verdade.

A pergunta desse verdade aí, acho que é dele, mas você encampa também, né? Sim, eu não estou acreditando, eu já abri aqui o A e estou procurando aqui, mas vai falando enquanto isso. É, mas é verdade, sim. É. Né? É. Quem inventou essa palavra?

que dá origem a trabalho. E por que tripalium? Tri de três e palium de paus. Era um instrumento de tortura, tortura sim, com três estacas. E isso era o castigo, né? Era o castigo. Vai ser...

se não me suma, era a tortura executada com esse instrumento. E o trabalho, Fer, você conhece aquela frase famosa, o trabalho...

enobrece e glorifica o homem. Conhece? Conheço. Eu tenho um querido amigo, professor, faz tempo que não vejo. Padeiro, onde anda você? O Padeiro, Padeiro era o sobrenome dele mesmo, português, veio para o Brasil pequeno, Orlando de Souza Padeiro. O Padeiro dizia sempre, o trabalho empobrece e danifica o homem.

Em vez de enobrece, englorifica, empobrece e danifica. Bom, eu vou passar para os auxílios para a gente ver se é verdade mesmo que o trabalho enobrece, se o trabalho cansa, não cansa, e depois a gente vai discutindo isso.

O primeiro auxílio, aliás, eu teria 200 auxílios para falar de trabalho, com todas as visões possíveis. Mas a gente começa com uma canção que se chama Música de Trabalho.

E você sabe, certamente, Fernando, que antigamente, quando os cantores, compositores lançavam um disco, sobretudo quando lançavam um LP, e o LP tradicionalmente sempre tinha 12 músicas, seis de um lado, seis do outro, demorou para isso mudar, para começarem a fazer discos.

com canções mais compridas e, portanto, com menos canções, né? Quatro de um lado, seis do outro e por aí vai. Mas sempre havia uma música que era chamada música de trabalho. Os camaradas saíam pelas rádios, iam pelas rádios para fazer entrevista. O disco foi lançado, tal, não sei o quê. E o que a gente vai ouvir? A gente vai ouvir tal, que era a música de trabalho.

E os meninos do Legião Urbana, o Renato Russo, Dado Villalobos e Marcelo Bonfá, compuseram uma canção chamada Música de Trabalho, que tem um duplo sentido. Vamos ouvir isso, está no disco Tempestade, de 96. Vamos prestar atenção na letra, vamos lá.

Sem trabalho não sou nada Não tenho dignidade Não sinto o meu valor

Não tenho identidade, mas o que eu tenho é só um emprego. E um salário miserável. Eu tenho meu ofício, que me cansa de verdade. Tem gente que não tem nada, e outros que tem mais do que precisam.

Tem gente que não quer saber de trabalhar. Mas quando chega o fim do dia, eu só penso em descansar. E voltar pra casa, pros teus braços. Quem sabe esquecer um pouco.

Professor, é linda, mas é muito interessante ouvi-lo e como ele quebra quando ele fala quando chega o fim do dia, né? A música parece que se divide aí, né? Entre o trabalho e o chegar em casa. Adorei.

E no que é que ele pensa quando termina o dia? Ele só pensa no quê? Em descansar. Em descansar e voltar para casa, para os teus braços. Quem sabe esquecer um pouco de todo o meu cansaço. Nossa vida não é boa e nem podemos reclamar. O trabalho, sobretudo em países como o Brasil, o trabalho... As pessoas estão discutindo aí o fim da escala 6x1.

O que é uma coisa impressionante, porque em vários lugares do mundo já estamos no 5x2 há muito tempo e em outros lugares na escala 4x3. E a gente aqui está nessa do 6x1 para mudar para 5x2 e, como sempre, vem os senhores do...

do capital dizer que isso vai quebrar o país. Se você ler os textos que foram publicados na época do fim da escravidão, você vai ver que são iguaizinhos. Os caras diziam, os senhores, barões, diziam que o país ia quebrar. Esse pode, veja como nós somos atrasados.

A música é irônica, sem trabalho eu não sou nada, é só um emprego e um salário miserável. Aqui fica bem claro que o trabalho machuca, que o trabalho machuca muito, porque não é só o trabalho. No Brasil o transporte público é péssimo, então o sujeito que trabalha 8 horas por dia fica fora de casa 14.

leva duas horas e tal para ir trabalhar, mais duas horas e tal para voltar, não sobra nada.

não sobra absolutamente nada. E aí o trabalho se configura como algo que realmente é o tripálion, é a tortura, essa tortura com esse instrumento de três paus. Bom, a gente agora vai para o segundo auxílio, que é mais uma canção voltada para isso, uma obra-prima de Milton Nascimento e Fernando Brant, Melodia do Milton.

Letra do Fernando. A música se chama Caxangá, subtítulo Os Escravos de Jó. Quem canta pra gente é a Elis Regina. É primoroso isso. Tá num disco dela de 77, ano em que alguém que eu conheço nasceu. Eu. Né, Fernando? E... Tu...

77, a minha filha mais velha já tinha um aninho. Então, esse disco da Elis é aquele em que está Romaria, lembra Romaria? Que é um clássico do Renato Teixeira, é um disco maravilhoso. Vamos ouvir Caxangá, Elis Regina cantando pra gente, vamos lá.

E de um dia poder morder a carne dessa mulher Seja bem meu patrão, como pode ser bom Você trabalharia no sol e eu tomando banho de mar

Vivo para morrer Enquanto minha morte não vem Eu vivo de brigar contra o rei Em volta do fogo todo mundo abriu E aí professor, que lindo em

Veja bem, meu patrão, como pode ser bom, você trabalharia no sol e eu tomando banho de mar. Luto para viver, vivo para morrer, e enquanto minha morte não vem, eu vivo de brigar contra o rei. Essa música foi proibida na época, o Milton Nascimento não conseguiu gravar, a censura não deixou, depois a Elis conseguiu gravar.

com esse arranjo magnífico, maravilhoso, e no fim entra o Milton com a voz dele lindíssima. Nós temos aí a confirmação, o verbo trabalhar sempre ligado a essa coisa do cansaço, da fadiga e tal. Aliás, no dialeto de Nápoles, que é...

uma das minhas primeiras línguas, porque na minha casa, meu pai e minha mãe falavam entre si no dialeto de Nápoles e comigo em italiano, mas eu ouvia aquilo e...

E aprendi aquilo, né? No dialeto de Nápoles, trabalhar é fatiga, fatiga. A palavra ligada à fadiga, ou seja, o cansaço. Adobai, vaga fatiga. Fatiga é trabalhar, né? Que é fadigar, né? O pé da letra é cansar-me, vou cansar-me, porque eu trabalho...

Com esse sentido, cansa. Aliás, por falar nisso, a Constituição Brasileira, no seu artigo, o primeiro artigo diz que a República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos estados e municípios e do Distrito Federal, constitui-se em estado democrático de direito e tem como fundamentos, primeiro, a soberania, dois, a cidadania, três, a dignidade da pessoa humana.

Quatro, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Cinco, o pluralismo político. Já a constituição da Itália começa assim. A Itália é uma república democrática fundada sobre o trabalho.

Certo? Sobre o trabalho, mas não o trabalho que mata, né? O trabalho que produz, o trabalho, né? Bom, e a gente agora vai para uma outra... Professor, desculpa, essa palavra que você falou que você aprendeu quando criança, qual é mesmo?

Fadecar, fadecar. Que é de fadiga. E o lavouro? E o lavouro 21? Cansato. E o lavouro? Então, isso a gente vai ouvir agora. A gente vai ouvir uma música primorosa, chamada Dio Zambi.

Dio, Zambi, Zambi, Zambi. Combinação aí Deus, Dio em italiano, Zambi, Zambi. Uma música brasileira composta por dois queridos compositores, queridos amigos. O Rafael Altério, que a gente chama de Garga.

que é o autor da melodia e o Celso Viáfora, que eu já toquei aqui várias vezes. O Celso Viáfora escreveu essa letra linda, ambos italianos de origem, tanto o Altério quanto o Viáfora. A música se chama Diozambi, está num DVD disco, um CD-DVD primoroso, chamado Batuque de Tudo, de 2010. Prestem atenção na letra. Aliás, ela vai entrar duas vezes. Vamos ver a primeira vez. Vamos lá.

Quando o negro depois afoi-se no leito e foi-se alforrear. O café se foi secando ao relento, ninguém pra cuidar. Quem ficou...

E sonhava poder laborar, laborar, enriquecer e voltar.

Eu não conheci o Eito.

Então, diga a você já que você procurou... Que a parte, a parte que é de cultivo, a parte da lavoura que você cultiva, mais ou menos isso. A terra que está sendo trabalhada. É. É, não conheci isso, não. Isso, isso. Essa letra é absolutamente maravilhosa. E, em suma, o eito é isso, é aquilo que se colhe, né? Aquilo que...

que se coloca ali depois da colheita, da produção e tal, com a foice, né? Que é um instrumento de trabalho, né? Então, nessa letra, o Viáfora fala...

do momento em que termina a escravidão, e aí o negro depõe a foice no eito, ele foi se alforrear, o café foi secando ao relento, ninguém para cuidar, e quem chegou no lugar para lavorar, que é uma das vertentes dessas palavras todas, foi o italiano, foi o branco italiano, quem chegou era da cor de sinhá.

E sonhava poder lavorar, lavorar, enriquecer e voltar. Tem hora que ele... Caiu? Enriquecer e voltar. Paramos aqui, que é o trecho da letra em que eles falam que os italianos queriam. Sonhavam em trabalhar, trabalhar, laborar, laborar, enriquecer e voltar para a Itália. E acabou que muitos ficaram por aqui.

Vamos tocar a segunda parte, que tal? Vamos lá? Tinha força debaixo da pele clara e os olhos de mar Só o apinho, um pano posto na cara pra não se queimar

Vão pagar pelo pão, se endividar no armazém do patrão. Laborar, laborar e não ver um tostão, quantos não vão mais voltar. Só eu para você e você para mim. Se amamos nós e tios ninguém.

martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr martyr

Bom, tá aí a segunda parte da música Diozambi, de Rafael Altério e Celso Viáfora. E é interessante que parece filme, quando você vê os italianos trabalhando numa plantação de café. O problema é que a gente não conseguiu conectar o professor pra fazer análise dessa segunda parte da música. Estamos aqui tentando...

mas não conseguimos ainda. Que era a partir da minha pergunta, que era poxa, e o lavouro, que é o trabalhar em italiano? E aí ele então ia falar, haja vista que nessa letra a gente ouve muito laborar, laborar, laborar. Tem alguma relação aqui? Eu tenho certeza.

Voltou? Professor Pasquale voltou. Me ajuda. Ouvimos a segunda parte da música e comentei aqui que parece um filme em que você vê os italianos trabalhando numa lavoura de café. Consegui visualizar isso. A partir de que ponto você quer pegar? É exatamente isso, né? Porque saem os negros que estão alforreados, entram os italianos.

que no primeiro momento são forçados, como diz a letra, a comprar as coisas do armazém do patrão e tal, mas depois eles se revoltam e conseguem botar tudo isso para correr. Em suma, diz a letra aqui que eles...

o normazinho do patrão e tal, e aí, lavorar, lavorar, lavorar. Que são formas registradas, laborar, lavorar, que têm relação com o labor, que é o trabalho, é isso que é o labor. E também está ligado o labor à faina.

foi uma coisa muito legal, que é o trabalho excessivo, o trabalho durante um bom tempo e tal, um trabalho longo. E você me perguntava do italiano que é lavorare, que vem do latim laborare, que tem relação com o labor.

que é justamente isso, o trabalho e a faina, o cansaço. Então, você vê que vai para cá, vai para lá, o trabalho está ligado sempre a essa ideia do esforço extremo, da submissão a uma atividade que cansa, que machuca muitas vezes, e que nem sempre tem a remuneração devida.

É por aí. Então, voltando à pergunta do nosso ouvinte, sim, a resposta é sim. Trabalho tem origem na palavra latina tripalium, três paus, instrumento de tortura. É isso. Tá certo. Professor, muitíssimo obrigado mais uma vez. Bom trabalho. Agora não, né? Agora bom descanso e até amanhã. Até segunda.

Até segunda, querido. Bom trabalho para você aí. Tem mais 36 minutos. Vamos lá. Grande abraço. Até mais. Tem podcast que te inspira a conhecer lugares novos, a ir mais longe. É como o Dili EX5 EMI. Conheça o super híbrido Plugin com até 1.300 km de autonomia combinada com conforto de primeira classe.

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