Novo Desenrola: programa de renegociação de dívidas terá uso do FGTS e bloqueio às bets
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Cassa
Sérgio Denberg
Luiz Gustavo Medina
- Dívida Pública BrasilRenegociação de dívidas · FGTS · Bets · Rotativo do cartão de crédito · Cheque especial
- Crédito consignadoOferta de crédito · Juros altos · Crescimento da dívida · Regras para crédito novo
- Apoio ao Programa e Cupons de DescontoCadastro Único · Desincentivo ao pagamento
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. O assunto é dinheiro. Com Luiz Gustavo Medina.
E aí, Teco? Oi, Sérgio Denberg, boa tarde, boa tarde, Caça, boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo certo, Teco, boa tarde. Saiu o Teco desenrola dois, vai permitir a negociação de dívidas de até 15 mil reais, dívidas do rotativo do cartão de crédito, do cheque especial e do crédito pessoal, sendo que a maior parte disparada, a maior parte da dívida é no rotativo do cartão de crédito.
vai poder usar uma parte do fundo de garantia. Enfim, do que você viu até agora, o que você destaca até agora? É, já tinha sido amplamente divulgado, né, Sra. Agora, já foi só confirmação de tudo, né? Acho que as duas grandes novidades ali confirmadas é a história de poder usar até 20% do fundo de garantia.
Acho que dá para a gente olhar essa medida por vários lados. É um dinheiro da pessoa, acho que faz todo sentido ela poder usar. Por outro lado, acho que também precisaria ser discutido o resto, porque no final das contas a gente está liberando o dinheiro do fundo de garantia exatamente no momento que a economia está crescendo. E a ideia era exatamente ao contrário.
vai também, na Sarenberg, proibir a pessoa das bets por um ano. Isso acho que é uma coisa importante, acho que não é suficiente, mas é fundamental que você feche essa porta das bets. Acho que vai ajudar as pessoas, sem dúvidas vai ser renegociado o prazo, vai ser renegociado o valor, deve ter ali um suporte do Tesouro garantindo que essa coisa seja paga, vai se alongar da dívida com juros menores.
Tudo isso acho que ajuda. A parte que eu acho que é mais paliativa é porque houve muito pouca medida para estruturalmente, para resolver estruturalmente esse problema, ou melhorar estruturalmente esse problema. A oferta de crédito precisaria ser discutida, precisaria ser discutidas outras coisas ali que fazem com que a pessoa vá se endividando e vá pagando um juro muito alto.
Uma coisa que me desagradou foi a história do Fies, né? Tem desconto de 99% de quem está devendo para o Fies. Acho que isso gera um problema lá na frente, porque é um desincentivo enorme a quem tem dívida com o Fies hoje a continuar pagando. Mas tem um detalhe importante nessa questão do Fies, é que esse desconto tão grande de até 99%, que é só para quem está no cadastro único. Então, a pessoa tem que ter um perfil de renda realmente muito baixo a ponto de estar no cadastro único. Não vale para todo mundo do Fies.
Sim, é verdade, Cássia, mas eu acho que, na verdade, esse desconto do Fies, se não me engano, é o segundo ou terceiro que os governos já oferecem. Eu sempre acho que para quem está no Fies, o cara fala, pô, eu não vou pagando isso aqui. É tipo o refis para as empresas, né? A empresa, quando está empipinada, ela vai escolhendo o que não pagar e ela sempre conta que vai lá na frente e vai aparecer um refis.
Mas enfim, é um problema sério, precisava de alguma coisa, é bom que alguma coisa seja feita, mas eu ainda preferia que tivessem coisas, uma atenção maior para tentar melhorar a estrutura desse problema. Acho que se a gente não cuidar da oferta de crédito, esse problema só vai ser postergado.
Eu até escrevi isso na minha coluna de hoje do Globo, que a gente vê o crescimento da dívida paralelo ao crescimento da oferta de cartões de crédito. E é exatamente isso que está acontecendo. Quer dizer, muita gente entrando no sistema bancário, no sistema financeiro, e muita gente já de cara recebendo o seu cartão de crédito. E é outro ponto que eu levantaria.
Eu proporia para você o seguinte, não tem no esquema, no desenrolador, uma regra dizendo o seguinte, quem renegociou a sua dívida não pode tomar dívida nova. Essa regra não existe. Então, dá a impressão de que a pessoa renegocie uma dívida e aí fica preparado para tomar outra dívida.
Que é o que parece que o governo, no fundo, quer, né, Sademberg? Acho que não vai ser dito em voz alta, mas me parece que ele está querendo abrir um espaço no orçamento para que as pessoas consumam, né? É um governo que acredita muito nesse negócio de que a economia se move por crédito para as pessoas liberado, as pessoas consumindo, é isso que faz o país crescer.
E acho que você tem toda a razão, a gente tem que olhar isso de outra maneira, deveria ser olhada a oferta de crédito, deveriam ser postas regras mais rígidas para quem for usar isso, porque se não esse problema, na verdade, ele só vai piorar, porque daqui a pouco essa pessoa está empepinada de novo, já com menos dinheiro no fundo de garantia, se a economia desacelerar, porque faz parte de ciclos econômicos crescer mais e crescer menos, essa pessoa não vai poder contar com o fundo de garantia integral dela, porque já foi usando parte disso ao longo do ano,
Então, acho que resolve um problema imediato, melhora, mas eu acho que é tímido. Acho que poderia ter sido feito mais, principalmente se a ideia é melhorar como o brasileiro lida com o dinheiro, lida com o crédito, lida com o endividamento. Acho que a primeira parte ajuda, mas me parece pouco o suficiente para um problema importante que precisava ser tratado por inteiro.
Daqui a pouco a gente vai ter o desenrola três, né? Pois é, isso que a gente não queria, né? A gente não queria isso. A gente quer que as coisas se encaminhem e é evidente que passa pela oferta de crédito. Muita gente tendo acesso a banco agora com pouca informação, já cai um cartão de crédito na mão.
com limite de crédito acima do que a pessoa ganha, às vezes, o que não faz o menor sentido técnico, você imaginar isso. Então, você vai criando problemas ao mesmo tempo que propõe melhorá-los. Teco Medina, obrigado, Teco. Até amanhã. Até amanhã. Tchau, tchau.
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