'Relação desgastada entre EUA e Alemanha pesa na retirada de tropas'
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Fernando Andrade
Filipe Figueiredo
- Retirada de soldados dos EUA da AlemanhaRelação desgastada entre Donald Trump e governo alemão · Donald Trump · Friedrich Merz · OTAN · Steve Bannon · Alternativa para a Alemanha · Irã · Guerra Fria · Base de Hamstein · Oriente Médio · Polônia · Ucrânia · Síria · Líbia · Indo-Pacífico · China
- Defesa EuropeiaGastos militares dos EUA vs Europa · Guarda-chuva nuclear dos EUA · General Hastings · Rússia · França · Reino Unido · Itália · Alemanha · Polônia · Guerra na Ucrânia
- Relações dos EUA com Itália e EspanhaPedro Sánchez · Georgia Meloni · Base de Siracusa · Mediterrâneo · Norte da África
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho, bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia. Obrigada.
CBN pelo mundo, com Felipe Figueiredo.
Felipe gravou hoje pela manhã com o Fernando Andrade. Solta aí, João. Oi, gente. Felipe Figueiredo. Felipe Figueiredo, mais uma vez, obrigado pela sua participação aqui. Tudo bem com você? Tudo bem, Fernando. E eu que agradeço você, a Tati, todos os nossos ouvintes da CBN. Sempre um prazer estar aqui com vocês.
Nosso assunto hoje, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos vai retirar soldados americanos da Alemanha. A relação entre o presidente Donald Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz não está boa. Em que contexto isso acontece, Felipe?
Então, Fernando, primeiro, o contexto imediato é o fato de que, recentemente, o MERS afirmou que os Estados Unidos não tinham um plano de saída em relação ao Irã e que o Irã estava, basicamente, ali manipulando, estava conseguindo contornar o Donald Trump. Porém, nós temos outros elementos nessa relação. Primeiro, nós temos uma proximidade...
tanto ideológica quanto em relações estabelecidas entre o Donald Trump e parte do seu círculo como o ex-conselheiro Steve Bannon com o partido alternativa para a Alemanha,
que é um partido no cenário alemão de extrema direita, considerado pela inteligência alemã como um risco à democracia, pela própria inteligência alemã. Então existe essa relação ideológica entre o governo Trump e o seu círculo e parte da oposição à direita, hoje na Alemanha, isso também é um elemento.
E também existe a questão, principalmente nessa relação, da ideia do governo Trump de que os europeus são, entre aspas, preguiçosos e se aproveitam das tropas dos Estados Unidos, o que não é exatamente verdade. Felipe, a gente está falando de quantos militares? Trump fala, em princípio, em tirar 5 mil. Qual é o contingente nesse momento lá? E outra coisa, fazem o que lá?
Então, Fernando, essa sua pergunta é muito interessante. A retirada prevê, como você disse, 5 mil militares. O contingente total de militares dos Estados Unidos na Alemanha flutua um pouco, de acordo com o período do ano e entre os anos, mas tem um piso de mais ou menos 30 mil e um teto de mais ou menos 65 mil, ou seja, 5 mil é um contingente significativo, mas ainda sobra bastante gente.
E sobre o que eles fazem lá, nós temos, primeiro, um elemento importantíssimo, estratégico, que é a base de Hamstein, que é uma base aérea, que é importantíssima para a logística dos Estados Unidos. De lá chegam os voos de carga dos Estados Unidos, e dessa base, a munição, os equipamentos, tanto seguem voo ou combustível, tanto seguem para o Oriente Médio, quanto também podem ir para a Polônia e de lá para a Ucrânia.
Além disso, o enorme contingente dos Estados Unidos na Alemanha tem uma óbvia origem na Guerra Fria, pensando em conter uma ameaça asiática, mas hoje tem também papel de treinamento, inclusive das próprias forças dos Estados Unidos, tem o papel de manter a OTAN, manter essa aliança militar, manter essa operação de, digamos assim, de dissuasão de uma ameaça externa, de uma agressão externa.
E também existe ali um elemento importantíssimo também de forças que podem ser rapidamente deslocadas para teatros de operação em caso de necessidade. Então, a partir da Alemanha, que nós tivemos deslocamentos de tropas para a Síria, que nós tivemos operações contra a Líbia, então, a posição militar dos Estados Unidos na Alemanha é muito grande e é muito importante, além de outras razões históricas.
Isso tem algum significado com essa tentativa de Donald Trump de minar e até mesmo de sair da OTAN? Tem uma relação, certamente. O governo Trump alega, como eu falei na primeira resposta, ele alega que os europeus se beneficiam da OTAN, se beneficiam dos gastos militares dos Estados Unidos. Isso é parcialmente verdade. A Europa gasta, investe menos em armas do que os Estados Unidos.
A Europa precisa do guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos, já que a única potência militar que domina o ciclo nuclear é a França. O Reino Unido depende de equipamentos dos Estados Unidos. Então, isso é parcialmente verdade. Por que eu digo parcialmente, Fernando? Porque esse é, de certo modo, o propósito inicial da OTAN. Existe uma frase muito famosa do primeiro secretário-geral da OTAN, um general britânico chamado General Hastings.
que ele disse que o propósito da otan era manter os americanos dentro os russos para fora e os alemães para baixo ou seja vincular a defesa da europa aos estados unidos tirar a ameaça russa mas também o terceiro elemento é
dissuadir e diminuir as possibilidades de um rearmamento europeu, naquele momento especialmente a Alemanha, mas um rearmamento europeu como um todo. Então, essa ideia de que a Europa não gasta tanto em armamentos ou depende dos Estados Unidos para sua defesa é...
também conveniente para os Estados Unidos. E foi durante décadas parte do projeto da OTAN, de fazer esse vínculo de defesa. Porque as Forças Armadas Europeias também compram equipamentos militares dos Estados Unidos. Inclusive, existe uma entrega de mísseis de cruzeiro dos Estados Unidos para a Alemanha, que está também suspensa, Fernando.
Europa depende, ao depender do guarda-chuva nuclear dos Estados Unidos, desiste de desenvolver o seu próprio arsenal nuclear, então Itália, Alemanha, Alemanha inclusive por questões legais, mas Itália, Alemanha, hoje a Polônia, esses países não têm o seu próprio arsenal nuclear.
porque confiam no dos Estados Unidos. Então, Donald Trump, ao alegar isso, ele busca primeiro jogar para a sua própria base eleitoral a ideia de que, olha só, os europeus são aproveitadores e eu estou acabando com isso, mas também é um alerta aos europeus de que os Estados Unidos estão mudando o seu foco estratégico para a região do Indo-Pacífico.
Vão deslocar essas tropas, estão deslocando suas atenções para a questão especialmente da China. Então, olha só, europeus, vocês precisam começar a cuidar da sua própria defesa, porque nós estamos indo embora. Mas isso vai só até a página 2, já que o Donald Trump quer que os europeus comprem armas dos Estados Unidos.
E só para a gente finalizar, recentemente Donald Trump foi perguntado se também retiraria tropas de Itália e Espanha. E aí Trump, sendo Trump, respondeu, por que eu não faria isso? O que você acha, Felipe? Olha, no caso espanhol, Fernando, nós temos hoje a Espanha, muito provavelmente, o país da OTAN que tem piores relações com o governo Trump.
O Pedro Sanches é ideologicamente oposto ao dono de Trump. O Pedro Sanches impediu, o seu governo impediu que armamentos utilizassem bases espanholas para serem usados contra o Irã. Antes disso, também impediu que carregamentos de armas para Israel vindos dos Estados Unidos não pudessem pousar na Espanha.
Então, em relação à Espanha, é possível. Em relação à Itália, é um pouco mais improvável, tanto pela posição geográfica italiana, já que o sul da Itália, especialmente a base de Siracusa, que fica na ilha da Sicília, é uma base que basicamente domina todas as rotas pelo Mediterrâneo, permite projeção de poder em relação ao norte da África, porém, hoje o Donald Trump precisa fazer...
uma espécie de ameaça velada ao governo da giorgia melone porque embora seja um governo ideologicamente próximo eles desenvolveram uma boa relação recentemente o governo italiano anunciou que não renovaria o seu convênio militar com israel em protesto ao fato de que soldados italianos foram atingidos e foram alvos no líbano por tropas israelenses
Inclusive, recentemente, muitos de nós ouvintes devem ter visto a imagem daquele soldado israelense destruindo uma imagem de Jesus Cristo. Uma imagem que repercutiu bastante. O soldado foi até preso. Soldados italianos que participaram da reinauguração daquela imagem, por exemplo. Então, o Donald Trump quer dar uma alfinetada na Itália por conta disso. Mas, no fundo...
Toda essa questão também está ligada ao deslocamento estratégico dos Estados Unidos, porque a Europa vê a Rússia, especialmente depois da invasão da Ucrânia, como uma possível ameaça nos próximos anos. Felipe Figueiredo, toda segunda-feira com a gente aqui em CBN pelo Mundo. Felipe, mais uma vez, obrigado pela participação e até semana que vem. Eu que agradeço, Fernando, você, toda a nossa equipe maravilhosa, todos os nossos ouvintes e até semana que vem. Até lá.
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