Lula tem que ir preparado 'para qualquer coisa' em encontro com Trump
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- Encontro Lula e TrumpDiálogo e oportunidades · Imprevisibilidade de Trump · Relação comercial · Investimentos · Guerra contra o Irã · Defesa da soberania · Eduardo Bolsonaro
- Desenrola Brasil 2Renegociação de dívidas · Famílias endividadas · Estudantes do FIES · Empreendedores · Produtores rurais · Apostas esportivas · Juros altos
- Indicação Jorge Messias ao STFIndicação para o Supremo Tribunal Federal · Advogado-Geral da União (AGU) · Senado Federal · Alexandre de Moraes · Davi Alcolumbre · Caso Master
- Minerais críticos e terras rarasPolítica nacional de minerais críticos e estratégicos · PL 2780 de 2024 · Indústria de transformação · Tecnologia · Energia · Ronaldo Caiado · Flávio Bolsonaro
- Discurso antissistema de LulaCrítica à governabilidade · Defesa das instituições · Eleições 2022 · Bolsonaro · Pablo Marçal
- Fim da escala 6x1Projetos de lei · Câmara dos Deputados · Congresso Nacional
Viva a voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães, hoje aqui do meu ladinho, no estúdio da CBN no Rio. Tudo bem, Vera? Boa noite. Oi, boa noite para você, Carol, para o Fê lá em São Paulo, para os nossos ouvintes, também para quem nos assiste.
E a gente começa essa edição do Viva Voz falando sobre o início do Desenrola 2, que estava sendo prometido pelo governo já há algum tempo. O ministro Dario Durigan estava se reunindo com as entidades financeiras, com os bancos, para tentar formatar esse projeto. Agora, finalmente, vai sair. Amanhã começam as adesões e hoje saíram todos os detalhes.
Ana Carolina Tomé tem as informações para a gente em Brasília. Oi, Ana, boa noite. Oi, Carol, boa noite para você e para os nossos ouvintes. O governo federal dá início, nesta terça-feira, a uma mobilização nacional de 90 dias para os brasileiros endividados renegociarem as suas dívidas com o novo Desenrola Brasil. O programa foca em quatro categorias, famílias, estudantes do FIES, empreendedores e produtores rurais.
Ao todo, a medida pode atingir mais de 20 milhões de pessoas e foi lançada em um momento que o governo tenta reverter a avaliação negativa em ano de eleições. No Desenrola Famílias, quem ganha até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105,00, poderá renegociar dívidas contraídas até o dia 31 de janeiro deste ano, no valor de até R$ 15.000,00 e que estejam atrasadas há 90 dias e até dois anos.
o que abrange, segundo o governo, 90% dos endividados. Os descontos iniciam com 30% e chegam a 90% para cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A dívida poderá ser paga em quatro anos, com juros de 1,99% ao mês e carência de 35 dias para o primeiro pagamento.
O trabalhador ainda poderá utilizar o FGTS exclusivamente para abater dívidas, até 20% do saldo líquido ou R$ 1.000, o valor que for maior após o banco aplicar o desconto. Lula afirmou que o objetivo é tirar a corda do pescoço dos brasileiros que se endividam até para comer.
O que nós estamos aqui tentando corrigir, nós já fizemos outras vezes, é que houve momentos singulares no Brasil. Esse país vem se endividando há muito tempo. A Covid fez com que a sociedade se endividasse por necessidade mesmo. Então nós estamos tentando encontrar uma fórmula de tirar, sabe, a corda do pescoço dessa gente para ele voltar a respirar normal.
para ele poder voltar a sonhar, ter o seu nome limpo na prata. Dessa vez, a renegociação será feita diretamente pelos bancos ou instituição financeira a partir desta terça-feira. O ministro da Fazenda, Dário Durigan, reforçou a proibição automática às Betis durante um ano para quem aderir ao programa. Além disso, os bancos devem perdoar as dívidas de até R$ 100.
Para estudantes, o Desenrola Fies vai oferecer descontos de até 99% para quem está no Cade Único. Já para microempresas e produtores rurais, os limites de crédito foram ampliados e os prazos de pagamento estendidos, com o Procred e Pronamp.
Os agricultores familiares terão o prazo de renegociação do crédito rural estendido até 20 de dezembro de 2026. O novo Desenrola também traz mudanças nos empréstimos consignados do INSS e de servidores públicos, reduzindo o limite total de comprometimento da renda de 45% para 40% e ampliando os prazos de pagamento. Volto com você.
Obrigada, Ana Carolina. E aí, Vera, dá tempo de surtir efeito econômico e eleitoral, essa medida entrando em vigor agora, mês de maio? É, o que a gente viu do desenrola 1 é que ele surtiu um efeito econômico até rápido, porque as pessoas aderiram...
dentro dos limites em que elas podiam aderir, mas ele não foi duradouro no tempo. Ele resolveu a questão ou minimizou num primeiro momento, mas em seguida o endividamento já voltou a subir. Sinal que faltou, nesse caso, compatibilizar o perdão das dívidas, o abatimento das dívidas, que é...
necessário, importante, com um programa de educação financeira, com alguma coisa que, de alguma maneira, protegesse as famílias e essas outras categorias que estão agora entrando no Desenrola 2.
de entrar num novo ciclo, numa nova espiral de endividamento. E aí a gente sabe que essa coisa das apostas esportivas e outros tipos de aposta tem um papel muito importante nesse ciclo, além dos juros altos, que são um outro fator.
que leva a que essa bola de neve nunca termine. Contra esse, o governo vem, sim, surgindo, mas não tem muito o que fazer, porque isso tudo é determinado, primeiro pela taxa básica de juros da economia, depois pelo spread bancário, que é altíssimo. Mas, em relação ao programa de educação financeira, principalmente de educação para alertar para os perigos...
das apostas, eu acho que o governo poderia investir mais pesadamente. Então, eu acho que vai ter um efeito até rápido, do ponto de vista econômico, e isso pode levar a um ganho político para o governo. Mas por que eu digo pode? Outras apostas recentes, em programas que igualmente...
podiam levar a uma melhora da renda e da situação econômica, não tiveram todo o efeito político que o governo esperava, que foi o caso da reforma do imposto de renda. Então, potencial tem. Parece que essa demora levou a que o programa ficasse bem desenhado, mas a gente não sabe se isso vai ser suficiente para vencer um certo mau humor que existe com o governo, inclusive em setores que vão ser beneficiados agora.
Vera, voltar num ponto que são as bets. Quem garante? Como é que dá para garantir que a pessoa endividada vai lá, renegocia a sua dívida e não volta a jogar num outro dispositivo, alguma coisa desse tipo? Pois é, isso é a parte que eu achei mais frágil, Fê, de todo o regulamento do novo Desenrola Brasil, ou Desenrola 2. Porque, fala isso, a pessoa fica proibida de jogar por um ano. Mas muitos desses sites, muitos desses programas, aplicativos, a gente sabe...
escapam de qualquer fiscalização. Mesmo os que são regulamentados, a gente não sabe de que maneira é feita a fiscalização. Se tinha pessoas, até pouco tempo, apostando até os benefícios sociais, a pessoa ia lá e apostava o benefício que ela recebia do Bolsa Família, que deveria ser uma coisa mais fácil de o governo filtrar e controlar, e não vinha sendo feito.
Muita gente apostando aposentadoria, entrando em crédito consignado, em cima de crédito consignado para apostar. Então, eu acho que as maneiras de você driblar essas proibições são inúmeras. É isso, usar um outro dispositivo, usam uma outra conta e vai ser muito difícil para o governo controlar isso. Essa questão das bets mereceria um olhar mais atento e mais direcionado para elas Muitas essas essas essas essas essas essas essas essas essas essas essas essas essas
Com toda uma questão de maior fiscalização, de mais limitações de atuação no Brasil, de um robusto programa de educação financeira, inclusive nas escolas, porque é um problema muito sério e está muito disseminado.
O Vério, o Lula está fazendo uma clara aposta eleitoral, repetindo o discurso de que ajuda os mais pobres, nesse caso do Desenrola, até pega uma fatia da classe média, porque quem ganha é até 8 mil reais. No primeiro de maio chegou a dizer que o sistema o persegue. Esse discurso cola no eleitorado? Eu achei muito estranho esse discurso do Lula se colocando como antissistema. Porque você imaginar...
que alguém que está por trás da ressindicalização no Brasil, criação da CUT, criação do PT, foi candidato em inúmeras eleições, está no seu terceiro mandato, como presidente da República já teve um mandato como deputado constituinte, é alguém que está totalmente no sistema.
E a vitória toda do Lula em 2022 foi a defesa das instituições, portanto do sistema. Ele inclusive nesse mandato todo, boa parte dele governou numa espécie de dobradinha com o judiciário em defesa da democracia e portanto das instituições. Esse discurso anti-sistema no momento em que acabou de sofrer uma derrota para o Congresso
Parece um pouco complicado você querer culpar ali uma figura genérica, o sistema não me deixa governar, quando a sua grande deficiência é de governabilidade e de apoio popular, que são as duas...
São os dois pilares da democracia. A democracia existe porque existe um sistema representativo e, portanto, o Congresso e porque existe voto e, portanto, o eleitor e, portanto, a avaliação do governante e a chance dele ser confirmado ou não. Você negar essas duas coisas e reclamar que o sistema não te deixa governar é praticamente negar a essência.
da democracia. E o grande problema que tem havido no Brasil tem sido o surgimento de candidatos que fazem discurso antissistema e, portanto, anti-instituições, e a gente tem visto no que deu. Bolsonaro se elegeu com esse discurso, o Pablo Marçal fez esse discurso. Então, achei meio apelo de quem está perdendo, de quem está com dificuldades apelar para esse negócio de antissistema.
Agora, Vera, com relação ao fim da escala 6x1, Lula também reivindicou a paternidade da ideia nesse mesmo pronunciamento. E é uma semana importante, né? A Câmara vai acelerar a tramitação da PEC. O próprio presidente da Casa, Hugo Mota, disse que vai convocar mais sessões para isso. Vai avançar? Pode avançar. Eu acho que tem uma boa chance de avançar na Câmara, justamente porque o Hugo Mota...
está pondo pilha e pondo gás nessa pauta. A dúvida é, vai avançar como sendo um projeto do governo Lula? Porque o governo perdeu muito tempo com essa matéria. Já haviam outras matérias na casa e o Lula demorou a mandar o seu projeto quando o fez, foi em meados de abril, já sem muito tempo para que...
a concepção do projeto do governo prevalecesse em relação às PECs que já existem. Então, eu acho que a Câmara está tentando fazer de um jeito em que toda a ideia e a gênese desse assunto recaia sobre os ombros dos deputados e do próprio Hugo Mota como grande patrono desse assunto.
Acho que o governo, de novo, bobiou e tem a chance de não conseguir reivindicar a paternidade desse programa.
Bom, vamos para o nosso próximo tema, que é a viagem do presidente Lula aos Estados Unidos para encontrar o presidente americano Donald Trump. Essa viagem que estava sendo prometida desde janeiro, desde a última conversa do Lula com o Trump. Agora finalmente vai sair, vai ser um bate-volta. O Lula viaja na quarta, reunião prevista para quinta-feira na Casa Branca. Quem tem as informações é a Bruna Barbosa, porque o vice-presidente Geraldo Alckmin falou um pouco sobre essa reunião, o que está previsto na agenda, na pauta. Bruna, boa noite para você.
Falou, Carol. Boa noite para você, para o Fernando e para a Vera Alckmin, que esteve em São Paulo hoje e disse que o encontro entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump deve ser marcado pelo diálogo e pela busca de oportunidades entre os dois países. Segundo Alckmin, essa reunião que vai acontecer na Casa Branca, em Washington,
é estratégica e deve fortalecer a relação comercial e a relação entre investimentos também dos dois países. Como você disse inicialmente, é um encontro que estava previsto para ter acontecido em março, mas a guerra contra o Irã adiou a viagem. E desde então, Lula tem criticado a ofensiva americana contra...
o país do Oriente Médio. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que Lula é o presidente do diálogo, distorcer para que a boa química entre os dois se fortaleça e classificou o encontro como uma oportunidade de ampliar parcerias entre o Brasil e os Estados Unidos.
O presidente Lula é do diálogo, toda a orientação é no sentido de fortalecer a relação Brasil-Estados Unidos. Acho que estamos vivendo um outro momento, passando o tarifácio.
E agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias. Tem espaço na questão das big techs, terras raras, minerais estratégicos. Vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center. Tem muita oportunidade de investimentos recíprocos.
Bom, o presidente Lula embarca na quarta-feira, encontra o quinta e já deve retornar para o Brasil na sexta-feira. É uma viagem que acontece enquanto o governo vive um dos momentos mais críticos do mandato nessa relação com o Congresso. Ainda nessa coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin foi questionado em relação à rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Alckmin lamentou a decisão do Senado, ressaltou que o advogado-geral da União tem uma trajetória sólida no serviço público e preparo jurídico para o cargo.
Também avaliou que a vaga em aberto aumenta a sobrecarga de processos na corte e diz que o presidente Lula já está definindo uma nova indicação. A expectativa dessa viagem é de que Lula se aproveite desse encontro com Trump para mostrar prestígio internacional. Vera, Fernando e Carol.
Obrigada, Bruna. É, pela agenda do Alckmin, só maravilhas, né? Um encontro ali super positivo, mas a gente sabe que tem uns temas espinhosos nessa agenda bilateral. O Lula tem mais a perder ou a ganhar com esse encontro, hein, Vera? Pois é, é uma viagem que, como tudo em relação ao Trump, tem que ser muito bem preparada. Desde a guerra, do início da guerra construída até agora, o Lula já deu algumas declarações meio com alfinetadas em relação ao Trump.
Da mesma maneira, aquela questão da punição aos bolsonaristas voltou a opor o governo americano e o brasileiro, até no episódio do Alexandre Ramage. Então, a gente não sabe, porque demorou até para que fosse marcada, quanto a química está valendo ou foi anulada por essas questões. Então, o Lula tem que ir preparado para qualquer coisa, porque o Trump tem aquele grau de imprevisibilidade dele que torna tudo mais complexo.
Se os Estados Unidos voltarem a endurecer em relação ao Brasil, isso também pode ser revertido em bônus para o Lula se ele souber encaixar o discurso como soube no ano passado. Se ele focar naquela defesa da soberania e o Trump...
voltar a escalar contra o Brasil, ele pode ter benefícios e dividendos com isso. Foi o melhor momento do governo no ano passado, foi justamente quando fez o discurso da soberania. Então, tudo depende das vacinas que você tiver para cada estilo que o Trump pode assumir numa conversa como essa, porque é alguém que, neste momento, parece não ter o Brasil como prioridade.
Nas vezes anteriores em que eles se encontraram, a coisa fluiu bem, mas o bolsonarismo continua lá com a gente, lá nos Estados Unidos, inclusive o Eduardo Bolsonaro, fazendo a cabeça do governo dos Estados Unidos de que existe uma perseguição política à direita no Brasil. Então, se isso voltar a ser um assunto e voltar a ser importante e relevante, a coisa pode sim azedar um pouco.
Agora, Vera, um tema muito importante. Os Estados estão de olho nas terras raras aqui do Brasil. Na Câmara tem uma discussão importante sobre a legislação dos minerais críticos aqui. O que está em debate?
Pois é, tem lá um projeto de lei, que é o PL 2780, de 2024, que institui uma política nacional de minerais críticos e estratégicos, e que, portanto, inclui terras raras também. Foca no fomento à pesquisa, à extração, à criação de uma indústria de transformação também desses minerais, para que o Brasil...
Não repita com ele todo o ciclo da mineração desde a colônia, que é puramente de extração e de venda de commodity bruta. Então, que ele passe a lucrar com a cadeia longa desses minerais e todas as potencialidades que eles têm para a indústria de tecnologia.
para a indústria médica, para a questão de fontes de energia, etc. Então, se a política for bem desenhada, se ela for uma lei bem consistente, o Brasil tem como se precaver de uma tentativa de estabelecimento de um novo ciclo simplesmente predatório, exploratório.
desses minerais. O Ronaldo Caiado, há algumas semanas, deu uma declaração desastrosa em relação a isso, praticamente oferecendo terras raras do estado de Goiás a quem quisesse vir. O Flávio Bolsonaro também fez um discurso bem pró-Estados Unidos, quando esteve nos Estados Unidos a esse respeito. E a política tem que ser o contrário, ela tem que preservar interesses do Brasil.
e a possibilidade de ganho de tecnologia para o Brasil explorar esses recursos. Então, vamos ver. A Câmara deve avançar com a discussão desse projeto nessa semana. O Gmota prometeu celeridade e prioridade para ele também. Eles criam uma série de mecanismos ali.
para licenciamento de tecnologia, criam debêntures incentivadas para infraestrutura de fomento a essa mineração, inclusive com a questão do meio ambiente, a preservação ambiental acoplada à exploração desses minérios. Mas é isso, vamos ver se a Câmara vai ter tempo com um calendário tão curto como é o do ano eleitoral.
de tocar esse projeto até o seu final e que ele passe também no Senado. Mas a gente vê nesses encontros dos Estados Unidos, com outros países, que esse assunto vai ganhar relevância, vai ganhar centralidade no mundo. E o Brasil tem boas jazidas, tanto de terraçadas quanto de outros minerais críticos, e tem que saber se posicionar nesse xadrez.
Bom, a gente faz um rápido intervalo, uma pausa para você acompanhar as notícias da sua região, informações de trânsito, de cidade. Na sequência, depois do Repórter CBN, voltamos aqui com o Viva Voz para falar sobre o futuro de Jorge Messias e todo esse rescaldo depois daquela derrota histórica do governo com o veto ao nome do Messias na sabatina em que ele tentava ser aprovado para ocupar uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Já, já.
Estamos de volta com o Viva Voz, Vera Magalhães aqui comigo no estúdio da CBN no Rio. E a gente fala agora sobre o rescaldo, o climão que ficou depois do veto ao Jorge Messias na semana passada. O governo está avaliando ainda o que vai fazer. O próprio Messias não sabe se fica na AGU ou não. Samanta Klein está acompanhando. Tem uma reunião prevista do Messias com o presidente Lula. Essa semana o Lula vai para os Estados Unidos também. A agenda está apertada, né?
Pois é, tem mais esse momento aí na agenda mesmo. Carol, Vera e Fernando, boa noite para vocês. Mas tem essa expectativa de uma reunião entre o ministro Jorge Messias e o presidente Lula. Se estima que...
possa ser até quarta-feira, seria o limite, já que é na quarta-feira que Lula faz, então, esse voo em direção aos Estados Unidos. Lembrando que Messias já colocou seu cargo à disposição logo depois de ter tido a sua indicação rejeitada pelo Senado. E Lula pediu que ele respirasse um pouco, tirasse um final de semana de folga, ficasse com a família e que decidisse isso nos próximos dias.
Aliados do presidente também defendem Messias no Ministério da Justiça como uma reação após a derrota no Senado. Isso foi o que adiantou a jornalista Andréa Sadi. No entanto, o Palácio do Planalto não confirma qualquer mudança de cargos. Nessa segunda, Lula também teve uma reunião a portas fechadas com o ministro Wellington César Lime Silva, justamente da Justiça. Essa pauta não foi divulgada nem pelo Planalto e nem pelo Ministério da Justiça. E aí
E um outro ponto que ainda está no ar é se o presidente vai ou não enviar ao Senado uma nova indicação de vaga para o STF. O que tem de receio? Enfrentar mais uma derrota e também enfrentar mais um acirramento com o Senado. Ao mesmo tempo, o presidente Davi Alcolumbre tem dito aliados que não vai pautar, novo indicado antes das eleições.
E a assessoria de imprensa dele nega, diz que ele não firmou essa promessa e que isso é só suposições da imprensa. Com vocês. Obrigada, Samanta. Vera, ministro Alexandre de Moraes foi apontado por várias fontes ao longo dos últimos dias como uma figura essencial para esse resultado. Teria articulado ali fortemente junto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
E agora o ministro Alexandre de Moraes parece que está mandando alguns recados para o governo para tentar se desvencilhar dessa história, dizer que não tem nada a ver com isso. Vai colar esse movimento? Em Brasília, Carol, ninguém consegue ficar totalmente ali sem deixar rastro, sem deixar impressões digitais dos seus movimentos nessas articulações de bastidores. Eu acho que demorou, a articulação foi bem feita.
foi feita toda ela na surdina, mas quando ficou evidente que o nome do Jorge Messias não ia passar, quando ele levou aquela derrota...
Todo mundo foi atrás de exumar esse cadáver, entender quem foi que contribuiu para aquele resultado. E aí as conversas começaram a aparecer e ficou claro o raciocínio do ministro, até um raciocínio bem ali, muito preto no branco, associando.
Jorge Messias ao André Mendonça e o fato de que ele entraria e se uniria ao André Mendonça numa cruzada a respeito da investigação do caso Master, sem levar em conta que ele foi indicado pelo presidente Lula e que, portanto, na maioria dos casos ele deveria fechar e formar com os ministros indicados pelo Lula e não...
com o André Mendoza, mas falou mais alto essa ideia do Mastri. E aí eu fico me perguntando o que tem exatamente nessa investigação a ponto de preocupar tanto o ministro e fazer alguém que tem tantos problemas com o Senado, não com o Davi Alcolumbre, que ele está sobre bem, mas com vários senadores, chegar a fazer uma espécie de aliança com os senadores para derrubar.
um ministro do Lula, alguém que o Lula indicou, sendo que o Lula está próximo desse grupo no Supremo. Então, esse é aquele tipo de alinhamento que fere tanto o lugar comum, que dá um nó na cabeça da maioria das pessoas. Mas o simples fato do próprio Jorge Messias não estar atendendo as ligações do ministro Alexandre de Moraes, deixa muito claro...
que ele foi atrás e que ele sabe quem fez o quê na calada da noite de Brasília. Então, vai ser difícil ele negar que, pelo menos, tenha induzido ali algumas alianças que levaram ao resultado que aconteceu na semana passada. Vera, o Jorge Messias, o ex-advogado-geral da União, ele também deixou claro que ficou contrariado. Ele foi pego desprevenido?
Foi, eu acho que a assessoria toda que cercou o Messias nesse episódio foi muito mal informada, foi muito amadora, porque o grau de sofisticação dessas conversas, você imaginar...
Tem uma aliança entre o presidente do Senado, um dos ministros mais poderosos do Supremo, o candidato oposicionista ao Palácio do Planalto, e não tinha um líder ou um ministro sabendo do que estava acontecendo, capaz de informar o Messias para que ele não ficasse tão rendido ali como ele ficou. As fotos do dia são muito ruins, mostram ele muito fragilizado.
muito sozinho, fez toda essa caminhada meio ali, contando com poucos aliados ao seu lado. Então, o Lula fez aquilo de indicá-lo, mas depois também deixou ele meio sozinho. Acho que isso explica o desejo que é plenamente compreensível dele de não permanecer.
Porque como a AGU você é a interface do governo com o Supremo, muitas vezes com o próprio Congresso. A AGU não defende só o Executivo, ela defende a União, defende os três poderes. Então, se veria diante de vários momentos tendo de...
lidar com essas pessoas que impuseram a ele uma derrota tão humilhante. Então, faz todo sentido. Eu não sei se ele vai fincar o pé e ficar até o final na ideia de sair, mas eu acho que era o melhor que ele tinha a fazer. Vai trabalhar na iniciativa privada, construir um outro caminho, porque ele ficou muito marcado de uma maneira que ninguém divide esse ônus direito com ele. É um ônus muito dele.
Já é segunda, né? Porque ele já era o Bessias que levou o papel. Aí agora essa história do Supremo ficou realmente... Eu iria para a iniciativa privada e não ia nem querer saber de muita conversa, não. Agora, Vera, o fim de semana foi marcado por muito tititi, né? Teorias dissonantes sobre a participação do senador Jacques Wagner nesse episódio, que ele é o líder do governo no Senado. Teve aquela cena que ficou...
marcada do Davi Alcolumbre cochichando no ouvido do Jacques Wagner. Vai perder por oito. E o Jacques Wagner meio que está rindo ali naquela cena. Ficou uma coisa meio esquisita. Deu para entender o que aconteceu? Vai mudar a articulação do governo? Eu até registrei aqui na abertura do programa que o Globo deu agora há pouco que o Jacques Wagner a princípio fica. Que ainda conta com a confiança do Lula. Mas ficou meio esquisito, né?
Além desse episódio do cochicho com o Davi Alcolumbre, tem uma outra cena dele com o Flávio Bolsonaro.
Que gerou até uma leitura labial ali de especialistas nessa...
nessa arte aí, em que tem uma conversa estranha sobre quem é advogado de quem, não dá para saber se ele já estava informado também do que ia acontecer, e eles estão falando ali de caso máster, não dá para entender direito qual é o contexto daquela conversa, mas de todo modo, desde a postura ali, expressão corporal, até o modo de lidar.
com esse episódio, me parece muito pouco caso para alguém que é líder do governo e ajuda, de alguma maneira, a que aconteça um desastre como esse. A pessoa tem que assumir um pouco a responsabilidade do desastre, tem de chamar um pouco para si, olha, a gente falhou aqui nisso, etc. E a gente não vê de modo nenhum.
O senador Jacques Wagner nunca fazendo isso. Ele parece sempre aquele bom vivant, que está ali numa boa. Se der certo, deu. Se não der errado, deu também. Para ele, pouco importa. E eu não entendo como ele continua o líder do governo.
Porque é uma desmoralização absoluta isso. A desmoralização é do presidente e é também a dos líderes que não conseguem entregar aquilo para que existe o cargo de líder do governo no Congresso. Então, eu acho que ele mesmo deveria ter entregue a função, mas não fez.
E aí fica aí esse monte de teoria sobre o que ele estava ali de papinho, sabe? Não é momento de você estar de papinho. É momento de você estar tentando conseguir os votos. E se você não consegue os votos, você põe a mão na cabeça, você fica desesperado. Você sabe que você não ali, ah, bate a tapinha nas costas, dá risadinha. Eu achei aquilo fim da picada. Esquisitíssimo.
Bom, a gente faz uma pausa aqui no Viva Voz. Você acompanha o noticiário da sua região. Na volta, o Eduardo Graça, repórter especial do Globo, comentarista de assuntos internacionais aqui da CBN. A gente fala um pouco mais sobre esse encontro do Lula com o Donald Trump e outros assuntos aí da pauta internacional.
O Viva Voz está de volta, eu estou aqui no Rio hoje com a Carol Moran, Fernando Andrade está conosco em São Paulo e já está conosco na linha o Eduardo Graça, que é o nosso comentarista das segundas-feiras, colunista e repórter especial do jornal O Globo. Boa noite, Edu. Boa noite, Vera. Boa noite, Carol. Boa noite, Fernando, querido. Boa noite.
Hoje é meio mundo e meia hora aqui participando, né? O Edu já participou diversas vezes. Sim, com o maior prazer. E vocês vejam que eles demoraram um tempão para marcar o encontro entre o Lula e o Donald Trump. Deixaram para fazê-lo na segunda-feira, em homenagem, em consideração ao Edu Graça, que assim ele pode nos explicar exatamente o que esperar desse encontro que está tão aguardado e demorou tanto tempo para ser marcado.
É, o que certamente eles não combinaram nem comigo, Vera, e nem com ninguém é o fato desse encontro, que seria em março, acontecer quando os dois estão em momentos extremamente frágeis internamente. O Trump está com um recorde negativo de apoio nas pesquisas, 62% dos americanos.
na pesquisa do Ipsos desse domingo, é um recorde, disseram que ele faz um governo ruim. E o Lula aqui, dessa luta dele pela reeleição, com uma aprovação ali entre 36% e 45%, que é bem complicada, né? Para o Palácio do Planalto, esse encontro que finalmente vai acontecer, se ele der certo...
vai representar, de uma certa maneira, um alívio após essa série de reveses que o Lula teve aqui, especialmente ali no Congresso na semana passada. E os temas centrais que eles devem tratar, a princípio, porque com o Trump tem sempre a possibilidade de surpresas e quase sempre negativas, são a pauta comercial, o Brasil segue investigado.
pelos Estados Unidos por supostas práticas não idôneas, o que pode significar a imposição de novos tarifatos, o que o governo não quer de jeito nenhum. A segurança no continente, o governo Trump defende classificar o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas, algo que o governo Lula não concorda, inclusive, mas não só por isso, pelo receio de ser uma brecha para desrespeitar a soberania nacional.
O Planalto tem uma agenda própria nessa área para a parceria com o Washington, que passa por cooperação na inteligência, troca de informações sobre lavagem de dinheiro, inclusive do tráfico. Deve-se discutir sobre minerais críticos nas terras raras e talvez dois temas delicados para os dois lados, que é a guerra no Irã e especialmente o futuro da Venezuela.
Tudo isso em meio ao que não é dito claramente, que é a possibilidade de intervenção do governo Trump de alguma maneira nas eleições aqui no Brasil. A gente viu essa interferência em vários países da América Central, na Argentina, recentemente na Hungria, sempre com manifestações de apoio, algumas delas bem diretas, a candidatos de direita ou extrema-direita que se afinam com o trumpismo.
Edu, a tentativa do presidente Donald Trump de liberar a passagem das embarcações presas no Estreito de Hormuz a partir de hoje de manhã elevou ainda mais as tensões ali na região do Golfo Pérsico. Qual o cenário da guerra para os próximos dias?
É o pior possível, Carol. Os dois lados disseram hoje que atacaram alvos do outro lado. Esse cessar-fogo que está fazendo quase um mês, que já era frágil, hoje ele foi totalmente por água abaixo. Donald Trump, de novo, ameaçou destruir o Irã por completo, se terá atacar navios americanos que estão escoltando petroleiros e outras embarcações.
pelo Estreito de Hormuz, nesse cenário que a gente já comentou aqui de bloqueio do bloqueio. Os avanços dos dois lados hoje mostraram que o risco de uma escalada é imensa. E, de novo, eu acho que eu queria destacar aqui o não dito, que nesse caso é a ausência aparente de tratativas diplomáticas sérias, especialmente pelo lado de Washington.
Nesse fim de semana, enquanto a temperatura aumentava no Oriente Médio, inclusive com mais ataques de Israel no Líbano, o secretário de Estado, Marco Rubio, encontrou tempo para ser DJ em uma festa de casamento de amigos dele lá na Flórida.
Ou seja, mesmo com essa pressão enorme interna dos próprios republicanos, eu converso com vários deles que estão se preparando para levar um enorme tombo nas eleições de novembro, quando o Congresso vai ser renovado, com a gasolina que antes da guerra estava a 2,70 dólares, o galão está chegando a 5 dólares, o governo Trump parece completamente sem saber como é que sair desse atoleiro em que ele se enfiou.
e sem encontrar uma narrativa de vitória em casa, para vender em casa, Carol. Enquanto isso, mesmo com a crise econômica lá, ainda pior do que antes dos ataques dos Estados Unidos e Israel, Teheran vai sobrevivendo por absoluta falta de opção e fazendo essa aposta de quem vai piscar primeiro dos dois lados.
Edu, nessa semana, na quinta-feira, o Reino Unido irá às urnas para as eleições para os parlamentos de Escócia e país de Gales e locais na Inglaterra. Qual é a importância dessa disputa lá? Parece uma importância, Fernando, só local, mas ela é muito importante para o futuro do governo trabalhista, do primeiro-ministro Sir Kierke Sturman. Se, de fato, os trabalhistas levarem a coça que é esperada...
que as pesquisas estão mostrando, vai ser muito complicado para ele só ter eleições gerais no Reino Unido em agosto de 2029. A pressão vai ser muito grande para que ele passe o governo do Reino Unido para o povo decidir se continua ou se não continua. E, além disso, deve-se ter um avanço muito grande de partidos que não são os dois partidos tradicionais que a gente acostumou a ver ocupando o governo do Reino Unido, os conservadores e os trabalhistas.
Há dois outros partidos, três outros partidos, na verdade, o Reform UK à extrema-direita, os liberais democratas, os Lib Dems no centro e os verdes à esquerda, que devem ganhar muito. Talvez o que a gente veja nessa quinta-feira é a transformação do Reino Unido em algo mais parecido até com a cena política brasileira, fragilizada, multifacetada, com várias opções e ninguém, de fato, com um comando total.
É isso, Eduardo Graça conosco todas as segundas-feiras, decifrando a intrincada política global, geopolítica. Obrigada, Edu. Até semana que vem.
Obrigado, um abraço, um prazer. Tchau, Edu. Tchau, tchau, Edu. Tchau. E a gente se despede da Vera Magalhães hoje um pouquinho mais cedo, né, Vera? É isso, deixa eu correr para o aeroporto, embora a vontade seja de ficar nessa terra maravilhosa, mas preciso ir que tem o voo para São Paulo. Um beijo, até amanhã, volte sempre. Beijo, obrigada, Carol. Tchau, gente.