União Europeia retira couro de lei anti-desmatamento e decisão gera reação de ambientalistas
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- Redução de DesmatamentoRetirada do couro da lista de produtos · Reação de ambientalistas · Argumentos da indústria · Pecuária como vetor de desmatamento · Marcas de luxo
- Controle e rastreabilidade das compradorasPressão de consumidores e investidores · Preocupação com a reputação das marcas · Certificações e auditorias
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. CDN Sustentabilidade, com Rosana Jatobar.
Rosana Jatobá, boa tarde. Oi, Cássia, boa tarde para você e para os nossos ouvintes. E o Sardenberg também que está conosco no Rio de Janeiro. É que ele acabou falando baixinho no começo e a gente perdeu aqui o áudio dele. Siga, Cássia. Boa tarde, Sardenberg. Tudo bem, Rosana?
Tudo jóia. Rosana, a União Europeia criou uma lei anti-desmatamento que obriga empresas a provar que produtos como carne, soja e café não vêm de áreas desmatadas. Sem essa comprovação, esses produtos não podem ser comercializados no mercado europeu. Mas agora, a Europa decidiu tirar o couro dessa lista. Rosana, comenta para a gente a reação dos ambientalistas a essa medida.
Cássio, os ambientalistas reagiram muito mal à decisão da União Europeia. Para eles, retirar o couro da lei anti-desmatamento, ou seja, parar de fiscalizar o couro que chega ao mercado europeu, é um retrocesso e compromete a proteção das florestas. Eles argumentam que o couro é um subproduto da pecuária, e a pecuária é o principal vetor de desmatamento na Amazônia. Tirar o couro da lista vai permitir que muitos produtores continuem exportando um couro de origem duvidosa.
que pode ter vindo de um gado que foi criado em áreas desmatadas e até dentro de terras indígenas. Isso ainda é muito comum no país. Inclusive, os ativistas citam investigações do Ministério Público Federal e do IBAMA, foram feitas nos últimos cinco anos, mostrando a produção de vários curtumes ilegais na Amazônia que exportam couro para a Europa, principalmente para a Itália, com o objetivo de abastecer marcas de luxo como Fendi, Hugo Boss e Balance H. Então, tirar o couro da lista...
abre uma brecha perigosa porque favorece redes que operam na ilegalidade. Mas aí, Cássia, vem o contraponto da indústria. Querido, o seguinte, o couro não é a causa do desmatamento, ele é a consequência da cadeia produtiva da carne. Se a pele do animal não virar couro, ela vira resíduo. Então, vamos aproveitar o couro.
inclusive para reduzir o desperdício de material orgânico. Essa é até uma medida considerada ESG. E, além disso, a indústria argumenta que exigir rastreabilidade do couro, ou seja, saber de onde veio, como foi produzido, cria um custo duplicado, porque essa exigência de rastreabilidade já existe para a carne, que está na mesma cadeia produtiva. Mais custo significaria perda de competitividade. Ou seja, para a indústria, a fiscalização deveria focar na origem do gado,
não nos produtos derivados dele. O que a gente tem aí é uma questão muito controversa, um dilema, né? De um lado, os ambientalistas querendo controlar cada elo da cadeia produtiva da carne para proteger a floresta, e de outro, a indústria querendo simplificar as regras para não travar o mercado.
A Comissão Europeia acabou cedendo a pressão do setor produtivo, prevaleceu o argumento econômico e de simplificação regulatória, em detrimento do princípio da precaução ambiental. E o fato é que a legislação vai entrar em vigor em dezembro deste ano.
Agora, Rosana, qual é a tendência das empresas a partir dessa medida que tira o couro dessa lista da lei anti-desmatamento? As empresas devem continuar exigindo essa rastreabilidade por conta própria ou não? Cássia, os especialistas dizem que sim, estão esperançosos.
Mais do que cumprir a lei, as empresas hoje estão sendo pressionadas por consumidores e investidores. Eles exigem a comprovação de origem do couro. Eles pedem certificações e auditorias, monitoram a cadeia com tecnologia e com dados. O que é grande preocupação aqui das empresas é com a reputação, a reputação das marcas. Nenhuma marca quer ver seu nome.
ligada a desmatamento na Amazônia, ainda mais depois de investigações que já associaram o couro ilegal a produtos de luxo. Então, mesmo que o couro saia do radar da lei da União Europeia, o mercado europeu deve continuar atento à origem do couro que chega para os consumidores europeus. Vamos acompanhar para ver se eles realmente vão seguir a cartilha ESG. É isso. Muito obrigado, Rosana Jantobá. Até mais. Até mais, Rosana.
Beijo para vocês e até quinta.
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