Episódios de Comentaristas

Hantavírus e a preocupação do contágio entre humanos

06 de maio de 20268min
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Luis Fernando Correia destaca que o risco existe e o mundo está em alerta. Ouça o comentário.

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Participantes neste episódio3
C

Cássia

HostJornalista
M

Muniz

Host
L

Luiz Fernando Correia

ConvidadoComentarista
Assuntos3
  • Transmissão de HantavírusHantavírus · transmissão pessoa a pessoa · surto na Argentina · síndrome cardiopulmonar · super espalhadores
  • Organização Mundial da Saúde· Saudemecanismos de monitoramento e vigilância · identificação genética · OMS · Trump
  • Prevenção do Hantavíruscasos registrados no Brasil · férias e viagem · casas de campo · máscara N95
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Doutor Luiz Fernando Correia, bom dia.

Bom dia, Cássia. Bom dia, Muniz. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Doutor, a gente já tinha falado sobre esse assunto do antavírus nesse navio há alguns dias e o senhor falava justamente da preocupação que a gente tivesse essa transmissão de humano para humano. É o que está acontecendo a partir da identificação dessa cepa, né? É isso mesmo, Cássia. A gente comentou isso na segunda-feira, né? Porque a notícia...

circulou a partir do final de semana, mas houve um caso descrito, está descrito na revista New England Journal of Medicine, isso foi descrito em 2020, de um surto de ranta vírus ocorrido justamente na província de Chubut, na Argentina, na cidade de Puyen, que é ali na região sudoeste dos Andes, em novembro de 2018 até fevereiro de 2019.

E diferente da transmissão habitual do rantavírus, que como a gente falou, é feito pela contaminação de poeira, por secreções urina excretas e saliva de roedores que contém o vírus, foi identificada nesse caso a transmissão pessoa a pessoa. E a gente vai lembrar, logo no início da pandemia, Cássia, a gente falava de eventos de super espalhadores.

onde você teve situações onde uma pessoa só foi a causa da disseminação do Sarkov-2, do vírus da Covid, para muita gente. Aconteceu em alguns restaurantes, alguns bares, principalmente na Ásia, e isso ficou bastante claro. E a mesma coisa parece ter acontecido, foi identificado nesse surto de ranta vírus no final de 2018, nessa cidade. Uma pessoa foi...

atendida, na verdade, a partir de... Um ser humano foi contaminado da maneira tradicional, a partir de um roedor, só que essa pessoa teve a capacidade, dentro do organismo dele, o vírus teve a capacidade de se espalhar para outras pessoas. Levou, no caso, a um surto com 34 infecções confirmadas e 11 mortes. Como a gente também comentou, nas Américas...

da América do Norte até a América do Sul, o rantavírus, as cepas de rantavírus das Américas causam uma síndrome cardiopulmonar grave em alguns pacientes, que tem uma chance de letalidade muito alta, uma taxa de letalidade em torno de 40%.

ou seja, daí a preocupação desde o início desse caso, porque justamente esse navio passou, ele tocou a costa da Argentina em Ushuaia, essas pessoas que embarcaram tinham feito passeio no interior da Argentina e desenvolveram a doença na metade da travessia do Atlântico. Isso não batia muito com a possibilidade, porque sempre existem navios, de que ratos tivessem sido os principais transmissores. Então, já era um sinal de alerta.

E é importante porque isso não tem nenhuma consequência, provavelmente nenhuma consequência maior em termos de risco para a humanidade, enfim, mas é um sinal de alerta. E eu gosto de lembrar uma coisa importante. Se a gente está falando sobre isso, isso é uma prova de que todos os mecanismos de monitoramento e vigilância que foram criados e também aumentados depois da pandemia da Covid, estão funcionando.

porque puderam se detectar, esse caso foi detectado, esse caso foi estudado e já foi feita a análise genética dessa cepa. Então, isso é importante para que as pessoas entendam. Existe esse risco sempre. A gente tem o ser humano, quando entra em contato, seja eventual, porque...

foi uma região de natureza, ou eventualmente porque a natureza foi até ele, vamos dizer assim, a gente vai ter a possibilidade de ter contato com um vírus que a gente não conhece. O mais importante é que os sistemas de monitoramento global estejam azeitados, estejam bem coordenados, para que, no caso desse, você solte o sinal de alerta e todos os mecanismos funcionem para isolamento, para coleta de material, identificação genética rápida.

Eu acho que nesse ponto o mundo teve sorte, porque a África do Sul é um dos países que participou muito ativamente durante a Covid, com esse esforço de monitoramento genético, tem bons especialistas, bons centros de genômica na África do Sul, então isso ajudou também, porque podia ser em outro país que não tivesse essa estrutura toda.

Mas é importante a gente entender, não existe um risco maior para o mundo nesse momento, a partir disso, existe sim um sinal de alerta identificado de que existe esse rantavírus. E eu acho que eu comentei aqui na segunda-feira, nos últimos 20 anos, vamos lembrar que no Brasil a gente teve mais de 2 mil casos de rantavírus registrados pelo Ministério da Saúde.

nenhum deles com essa característica genética determinada, mas é um vírus que existe na natureza, a gente entra em contato, lembrar sempre do cuidado. Agora, daqui a pouco a gente vai entrar de novo na época de férias e viagem principalmente para locais mais frios e muitas vezes para casas de campo que estavam fechadas. E nesses locais que você tem acúmulo de poeira.

você pode ter também a possibilidade da passagem de roedores, de ratos domésticos, que podem trazer esse vírus que existe no nosso país, na natureza. Então, se você for limpar uma casa de campo que ficou fechada o ano inteiro e vai estar indo para lá por causa das férias, se puder, areje essa casa 30 minutos antes de entrar, quando entrar para fazer a limpeza, use uma máscara N95 para não aspirar essa poeira. Não é só por causa do rantavírus, não, pode ter um monte de outros bichinhos que podem estar...

outros micro-organismos que podem estar misturados naquela poeira. Idealmente, você não deve fazer limpeza de áreas fechadas, ficaram fechadas há muito tempo, galpões de depósito, sem estar completamente protegido. Idealmente, de bota, luva e uma máscara N95 para não aspirar poeira contaminada com qualquer coisa. Mas é bem importante e eu acho que o mais importante, Cássia e Muniz, é lembrar disso.

O mundo está alerta, as estruturas estão funcionando e a gente está monitorando tudo isso. Os cientistas estão monitorando tudo isso. O único reparo preocupante nessa época do ano, os Estados Unidos se afastou da OMS por determinação política da administração Trump. E num momento esquisito, que nós estamos num momento de Copa do Mundo.

onde vai ter um trânsito muito grande de gente de outros países indo para os Estados Unidos. E os Estados Unidos vai estar fora desse monitoramento. Então, foi uma decisão. É para lembrar que as decisões políticas, às vezes, têm outras consequências que os políticos não são capazes de entender porque não respeitam a ciência. Tá certo. A gente vai voltar a falar sobre esse assunto. Doutor, muito obrigada. Até amanhã.

Até amanhã, Cássia, Muniz e todos os ouvintes. Um abraço, bom dia. Bom dia. Em um mundo cheio de respostas, nós escolhemos fazer as perguntas certas. Somos a Trilha, especialistas em perguntas que movem empresas. Um time de cientistas com visão empreendedora e conhecimento em negócios, trilhando soluções estratégicas com dados e inteligência aplicada. Um negócio com selos de confiança e inovação da B3.

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