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Com excesso de conteúdos, escola tem dificuldade de cuidar das emoções

06 de maio de 202610min
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Rossandro Klinjey fala sobre um programa de saúde social emocional para as escolas.

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Participantes neste episódio4
F

Fernando

HostJornalista
I

Iná

Host
T

Tati

HostApresentadora
R

Rossandro Klinjey

ConvidadoPsicólogo
Assuntos3
  • O papel dos pais na educação modernaPais intervindo em grupos de WhatsApp · Expectativas dos pais sobre a escola · Educação parental · Famílias adoecidas
  • Excesso de conteúdo vs. emoções na escolaFalta de desenvolvimento de habilidades emocionais · Dificuldade em lidar com frustrações · Adultos infantilizados e adoecidos · Aumento do suicídio infantil e adolescente
  • Violência EscolarAluno com arma em escola · Aumento de casos de violência
Transcrição26 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Saúde Integral, com Rossandro Klinger.

Oi, Rossandro, boa tarde. Boa tarde, Tati, boa tarde, Iná. Boa tarde. Rossandro, com sua agenda sempre atribulada, hoje está participando da maior feira de educação da América Latina em São Paulo. E, bom, a especialidade dele é falar sobre excesso de conteúdo versus emoções. E o papel da escola, né, Rossandro?

precisa ter lição de casa todo dia? pois é, cara Fernando, eu fico pensando assim a mochila todo dia aumenta o peso daqui a uns 10 que as pessoas vão estar para a escoleose de ir para a escola é muito livre tem que estudar quando chega no ensino médio tem que estudar de manhã, às vezes de tarde fazer simulado no sábado e no domingo e o povo quer que esse pessoal tenha saúde mental gente então você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir você vai conseguir

Entende? E aí, pronto, a gente tem um programa de saúde social emocional para escolas. E aí, o que acontece? Muitas escolas falam assim, a gente quer tanto, a gente quer tanto, mas os pais e os alunos falam mais um conteúdo, mas não é um conteúdo, é diferente. É um processo de jornada de construção de competências emocionais para suportar esse erro de conteúdo, que tem mais esse detalhe. Mas, veja, a gente não tem como resolver essa discussão.

Mas uma coisa que eu conversei com eles lá hoje, e amanhã eu tenho a palestra, inclusive, na plenária central.

É que a primeira coisa que um educador tem que fazer para conseguir transmitir o pedagógico é criar vínculo. Mesma coisa vale para a família. Você não pode educar seu filho se você não se vincular emocionalmente com ele. Ele não lhe vê como alguém de valor, de respeito. A gente passou por um desempoderamento do professor. Um esvaziamento do poder do professor. E o custo disso é que temos o segundo grupo com mais burnout no mundo, educadores.

Porque eles estão em escolas que, muitas vezes, dependendo do valor que se paga, a pessoa passa o dedo na cara dizendo que paga o seu salário. Agora tem escola que tem que dar medalha para todo mundo que competiu, mesmo quem não ganhou. Então você fica vendo. Não é mais uma formação de alma, é uma deformação de alma.

Os pais hoje são um grande problema na escola, porque eles ficam lacrando os grupos de WhatsApp como se fossem pós-doutores em pedagogia, sem entender absolutamente nada, dando pitaco sobre o que deveria acontecer na sala de aula. Inclusão engulada, goela abaixo, que é necessário, nós não podemos excluir pessoas, mas simplesmente coloca aquele aluno na sala de aula sem dar condições para o professor, para a escola. Como fazer aquele acompanhamento?

Então, tem tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que cabe uma discussão mais profunda, mas enquanto não acontece essa, porque não depende de mim, de você, nem do professor, nem do dono da escola, porque é feita numa bolha chamada MEC lá em Brasília, que empurra um monte de coisa e a gente vai ter uma mochila cada vez mais pesada, mais conteudística, um aluno brasileiro de ensino médio sabe mais do que um americano de universidade, no entanto, a vida...

A vida cotidiana não é percebida. Economia doméstica, como se virar, desenvolver resiliência, capacidade de se frustrar. Não desenvolve habilidade emocional, habilidade social, criticidade muitas vezes. E o que a gente tem agora, Tati? Adultos cada vez mais infantilizados, adoecidos, que não suportam muito o trabalho, porque são mimados pelos pais, querem escolas que os mimem. É engraçado, porque as pessoas chegam nas escolas e perguntam, é lúdica, é divertida, é bonita? Gente, isso não é o Cirque Soleil, é uma escola.

Escola é feita para que você aprenda a suportar a existência, a dor de estar no mundo, aprender, se reprovar, perder, entendeu? Aprender com isso, se refazer, não passar de ano, repetir a escola, ver os amigos em outra série, você perder tudo isso porque você não fez o que você tem que fazer. Tudo isso é que vai gerando em nós as habilidades mínimas para sobreviver o mundo, que é hoje muito mais complexo do que foi quando nós éramos crianças e adolescentes.

com uma geração com menos competência de enfrentar. Então, veja a tempestade perfeita do caos. Se eu tenho um mundo hoje que é muito mais complexo do que foi quando eu e você e Fernando éramos adolescentes e crianças, e o mundo é um mundo em que a geração atual é muito menos competente de enfrentar tudo isso, é por isso que a gente tem uma coisa hoje que não havia no radar da psicologia há 20 anos atrás. Por exemplo, o suicídio infantil era a exceção clínica, o de adolescente, e hoje está havendo um epidêmico.

E o que está acontecendo? Um monte de adulto que abandonou o lugar de ser educador parental, de ser alguém que contribua para a construção de valor, sabendo sempre que a escola, ela sim é uma segunda família, na medida em que a família é a primeira escola. Mas o que a gente sente hoje é que a escola é como se fosse o depositário, o repositário, aliás, desculpem, professor Pascoal, me desculpe, o repositário, né?

de tudo que não dá certo na sociedade vai empurrando para a escola. Agora a escola tem que resolver isso, a escola tem que resolver isso emocional, a escola tem que influir. Claro, a escola é o ambiente para que isso tudo aconteça, mas a sociedade toda tem que ser esse ambiente. O shopping tem que ser esse ambiente, a sua casa. Você não pode colocar seu filho como se fosse assim, ai, graças a Deus, está ali, me dá um tempo. É uma sociedade que educa.

É, de fato, um grupo de pessoas que está se esgotando, muitos estão deixando a educação, porque não suportam mais, estão adoecendo.

E aí, o que acontece se a escola fechar as portas? Ou se ela continua aberta, mas de coração fechado, porque as pessoas só querem chegar lá lacrando. Eu vou contar uma história que aconteceu recentemente, Tati, Nando. Eu estava conversando com um diretor de uma escola, ele falou, tem uma pessoa aqui que chegou ontem me esculhambando, me gritando, que está aqui há mais ou menos 10 anos, com um filho que chegou com 7 anos, o menino tem agora 17. E começou a dizer, porque eu sou juíza e tal, e gritou e passou patente.

E aí eu fiz o seguinte, eu disse, eu estou conversando com quem agora? Com fulana, mãe do aluno ciclano que está aqui há 10 anos comigo ou com a juíza? Pois é. Aí ele falou, por que? Ela falou, por que? Porque se eu estiver falando com a juíza, eu interrompo a conversa e chamo o meu setor jurídico da escola para conversar com a senhora. Mas se for com a mãe do meu aluno, ela ia comigo.

Sabe, tem que educar pai pra poder educar filho. Que dureza. Tá dureza. Mas assim, eu acho que sempre foi um pouco assim, né, Rossandro? Sei lá. Eu me lembro quando a gente tava na escola também tinham pais que iam lá com uma dessa, entendeu?

Mas é minoritário. Era assim, tipo, era uma exceção. Era até motivo de piada. Hoje em dia é como se fosse o padrão. Então, eu vou chegar no extremo da notícia de ontem. De um aluno que entrou numa escola em Rio Branco, no Acre, com uma arma e matou duas funcionárias. Exatamente. Por sorte, não atingiu alunos também. É, isso é um sintoma, né, Fernando? Esse evento, ele é um sintoma.

de algo que a muito, muito baixo não está funcionando. Hoje, de fato, essas famílias que ficam lacrando na escola já não são mais exceção. Se você perguntar para qualquer diretor de escola, ele vai dizer assim, nosso maior problema não é o aluno, é o pai e a mãe.

Os pais querem que aquela escola seja montada para o filho e para a filha, e não para todos que fazem a educação. Você vai para a escola para aprender a conviver com a diferença, a diversidade, as pessoas que vêm de famílias diferentes. E quando você chega lá, não, porque tem que ser assim, porque meu filho é assim, a minha filha é assim, você, em vez de estar treinando seu filho para o mundo, você está querendo que o mundo se dobra ao seu filho. Isso não vai acontecer.

E eu costumo dizer o seguinte, a escola não deve se ajoelhar para uma família adoecida, senão, por efeito metástase, ela adoece o educador e a escola adoece. Tem família que é melhor mandar para concorrência.

Porque para você atender uma família adoecida, você deixa de atender 10 famílias que querem realmente que a escola esteja lá para funcionar. Para o filho, para aprender, sabe? Então, de fato, hoje em dia, nós precisamos olhar para a educação cada vez mais com delicadeza, porque tem uma geração atual, Tati, que é a primeira geração de crianças mimadas que são filhos de crianças mimadas.

Então, os mimados de mais ou menos 20, 25, 30 anos atrás, hoje são pais. Imagina a competência emocional de educar esses filhos. Deve ser por isso que as mensalidades são tão caras, porque isso aí deve estar embutido já no preço. Tem que tratar a criança, o pai da criança, a mãe da criança. Criança, a avó que chega junto. Deve ser por isso que custa tão caro. Mas sabe qual é o setor que mais cresce na escola? É o jurídico.

E só para fechar, sabe o que acontece? Antigamente, quando você recebia um pai e uma mãe para fazer uma conversa sobre os filhos, você usava uma única coisa, manual de pedagogia. Sim. Sabe o que você usa hoje, quando você vai atender um pai e uma mãe muitas vezes? Desculpa o que eu vou dizer. O código. Você usa o manual de psiquiatria, o código civil e o desorcismo juntos. Ah!

É verdade. Já leva um ritual de exorcismo, caso o resto não funcione, não é mesmo? Não funciona. E se Mercúrio tiver retrógrado no dia, meu amigo, aí...

Já abre umas cartinhas ali, já faz uma leitura. Legal demais. Ai, Rossandro, o professor Pasquale está na sua escuta, viu? Está dizendo aqui, viva o Rossandro. Põe sempre o dedo na ferida com muita competência e seriedade. É isso aí. É um elogio desse, eu já nem durmo mais hoje. O que é que eu faço? Boa noite. Professor Pasquale, meu Deus. Um beijão, Rossandro. Obrigada por hoje. Até a semana que vem. Saúde integral. O Rossandro Klinger está aqui toda quarta-feira.

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