Episódios de Comentaristas

Análise de concordância em ‘Filho Único’, de Roberto e Erasmo Carlos

06 de maio de 20269min
0:00 / 9:43
O professor Pasquale responde à dúvida do ouvinte Cláudio, que quer entender sobre a concordância na frase da música “E nos meus planos não estão você”. Ouça.

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Participantes neste episódio4
F

Fernando

HostJornalista
T

Tatiana

Host
C

Cláudio Correia

ConvidadoOuvinte
P

Professor Pasquale

ConvidadoProfessor
Assuntos3
  • Concordância em 'Filho Único'Concordância verbal em 'e nos seus planos não estão você' · Fenômeno da contaminação na concordância · Erasmo Carlos · Roberto Carlos · Filho Único
  • Uso de conjunções adversativasUso de 'mas contudo', 'mas porém', 'mas todavia' · Perda de força da conjunção 'mas'
  • Documentário sobre Milton HatoumMilton Ratun
Transcrição26 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. A nossa língua de todo dia, com o professor Pasquale. Oi, professor. Boa tarde.

Tatiana, boa tarde. Fernando, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. Eu mereço algumas chibatadas porque não ouvi a entrevista com o Milton Ratum. Não pude, mas vou ouvir. Ai, ouvi. Linda demais. Foi quanto? Meia hora das três e meia às quatro? Um pouquinho menos, né? Uns vinte minutos de conversa.

Bom demais. Eu vou ouvir. Foi o suficiente para mudar a tarde de muita gente. Posso definir assim? É, maravilha. Que legal. Puxa vida. Grande brasileiro. Grande, grande. O Cláudio Correia, nosso ouvinte, outro grande brasileiro, esse é do Rio de Janeiro, ele pergunta assim, uma gentileza. O que foi?

Eu preciso fazer uma adaptação aqui. Nosso ouvinte, professor, ele tem uma dúvida sobre um trecho da letra Filho Único de Roberto e Erasmo.

É, e para por aí, porque senão a gente já dá spoiler. Quase vi a mensagem inteira a sua. É, muito bem. Então, vamos direto para a música. Eu dividi a música em dois trechos, porque num trecho, o primeiro trecho, existe a questão que ele menciona. E depois, uma outra questão que eu vou abordar, né? Então, vamos ouvir a primeira parte e vamos ver se a gente identifica.

essa passagem que é alvo da pergunta do nosso ouvinte. Vamos lá. Ei, mãe, não sou mais menino. Não é justo que também queira parir meu destino. Você já fez a sua parte, me pondo no mundo.

que agora é meu dono mãe, e nos seus planos não estão você. Proteção desprotegue, e carinho demais faz arrepender.

Pois é, qual será a passagem? Logo de cara, logo de cara não, mas no começo da letra, ele diz, eu não sou mais menino, não é justo que também queira parir meu destino, que você mãe, né? Você já fez a sua parte me pondo no mundo.

que agora é meu dono, ou seja, meu dono agora é o mundo, e nos seus planos, nos planos desse mundo, não estão você. A questão é justamente essa. Quem está ou não está nos planos do mundo é você, mãe. Portanto, há um problema de concordância, sim, nessa passagem.

e nos seus planos não está você. Bom, o que aconteceu aí foi um fenômeno que nós chamamos de contaminação. Isso é muito, muito, muito comum. A gente ouve muitas vezes, até em noticiários, o preço dos alimentos dispararam.

involuntariamente a concordância com preços que está do lado e contamina a concordância. Eu tive a sorte, a honra de estar com Erasmo Carlos algumas vezes na vida.

E foi sempre muito bom, uma vez ele mesmo puxou esse assunto. Eu jamais tocaria nesse assunto com ele, mas ele mesmo puxou esse assunto comigo e disse, sabe aquela música, bicho? Eu não sei o que é que me deu na cabeça, eu e o Roberto, nenhum dos dois percebeu e tal.

E eu expliquei para ele, falei, Erasmo, isso acontece, é o fenômeno da contaminação, está perto, a gente sem querer faz o verbo concordar.

com o que está perto, né? Ou seja, os planos, né? Mas não são os planos que estão, é você que não está, né? Então, e nos meus planos, não está você. E aproveito para mostrar nessa letra uma outra coisa que também é muito comum, né? Está na segunda parte da letra. Aliás, essa canção é magnífica, né? Filho único.

toca nos pontos muito importantes. Ela está num disco do Erasmo chamado A Banda dos Contentes, de 1976. A música é mais velha que os seis dois. Vamos lá, está fazendo 50 anos essa música. Vamos ouvir a segunda parte? Eu ia dizer a 50 parte. Vamos ouvir.

a segunda parte e vê o que acontece nessa letra. Vamos lá. Música

Professor.

Então, pois sou seu único filho, mas contudo não posso fazer nada. A conjunção mas, talvez por ser monossilábica e serátona, ela fica ali perdida, baixinha na frase e a gente tem vontade de reforçar.

Então, tem sido muito comum, é muito comum na história da língua, o uso de mas contudo, mas porém, mas todavia, quando, na verdade, em termos rigorosos, basta uma das duas, ou mas ou contudo. Pois sou seu único filho, mas não posso fazer nada. A barra está pesada, mãe. Sou seu único filho, contudo, não posso fazer nada.

A barra está pesada, mãe. São coisas que acontecem muito na oralidade, na fala, por razões diversas. No primeiro caso, a questão da contaminação, da proximidade.

E nesse segundo caso, pela perda de força do mas, a gente ouve muito isso, sobretudo o mas, no entanto. Há até uma canção que eu já toquei aqui, agora não consigo lembrar, é um samba cantado por alguém, meu Deus do céu, não lembro mais, em que há...

Mas, no entanto, mas em suma, em termos de língua padrão, de língua formal, isso deve ser evitado. E é isso. Muito bem. Obrigado, professor. Um beijo, até amanhã.

Um beijo pra vocês, um beijo pros ouvintes e um beijo lá pro Erasmo, querido, lá no céu. Erasmo que um dia me pegou no colo, me levantou e me disse uma coisa que um dia eu conto aqui. Maravilha. Beijo pra vocês. Antes de finalizar, boa sorte amanhã para o seu Clube Atlético Juventus, que disputa a primeira final da Série A2 amanhã.

Fernando, você viu a barbaridade que inventaram o jogo numa quinta-feira de manhã? 10 horas da manhã. Isso. Isso é uma loucura. Não, vamos facilitar. Não, vamos facilitar. Não, não tem... Eu vou protestar. Eu vou lá, viu? Eu vou lá. Paciência. Eu mexi na minha vida toda. Então tá bom. O senhor vai ser entrevistado por um repórter da CBN que estará lá, na Rua Javari. Oba! É, vou pedir pra te procurar. Tá bom. Fechado. Boa sorte. Beijo. Beijo. E viu, Juventus?

Já sei dia de mal

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