PL para proibir propaganda e patrocínio de combustíveis fósseis no país
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Rosana Jatobá
Sérgio Sardenberg
Cássia
- CombustiveisProjeto de Lei na Câmara dos Deputados · Proibição de anúncios e patrocínios · Ações com influenciadores em redes sociais · Produtos e serviços ligados a petróleo, gás e carvão · Argumento de crise climática · Países com leis similares (Holanda, França, Suécia, Itália, Escócia, Austrália) · Proibição de propaganda de carne em Amsterdã · Comparação com propaganda de cigarro · Interesses econômicos e lobby no Congresso · Proposta de frase de advertência
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais. Em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
CBN Sustentabilidade com Rosana Jatobá. E aí, Rosana?
Oi, Sérgio Demberg. Boa tarde para você, para a Cássia e para os nossos ouvintes. Boa tarde, Rosana. Confesso, Rosana, que eu fui tomado de surpresa por esse tema que você levantou aqui, que você levanta. Quer dizer, que está tramitando, começa a tramitar na Câmara dos Deputados um projeto de lei que proíbe a propaganda e patrocínio de combustíveis fósseis. Nós estamos falando de gasolina, diesel, gasolina de aviação, o que mais?
Olha, Sardenberg, a ideia desse projeto é impedir anúncios, patrocínios e até ações com influenciadores nas redes sociais de produtos e serviços ligados a petróleo, gás e carvão. Posto de gasolina, por exemplo, não pode anunciar.
Nesse caso, também não. Seria proibir publicidade direta de empresas petrolíferas, por exemplo, propaganda de carros movidos a gasolina e diesel, de companhias aéreas, como você mencionou, de cruzeiros marítimos, e proibir também que as empresas de combustíveis fósseis patrocinassem eventos, como festivais de música, campeonatos esportivos. Isso derruba um monte de coisa que faz a Petrobras.
Exatamente, não só Petrobras, outras empresas aqui do Brasil. Proibir também corridas automobilísticas, eventos culturais, exposições, shows. Qual é o argumento de quem defende o projeto de lei? É que os combustíveis fósseis são os maiores responsáveis pela crise do clima. Quando uma empresa desse setor associa sua marca a algo que é admirado pelo público, como um grande show ou um campeonato esportivo,
Essa empresa melhora a sua imagem e ganha a simpatia das pessoas. Isso acaba passando a ideia de que esse modelo energético é normal e aceitável, quando não é porque ele é altamente poluente. Então, esse tipo de lei, gente, embora você tenha se assustado, Sardenberg, ele já existe em países como a Holanda, a França, a Suécia, a Itália, a Escócia e a Austrália.
Todos proibindo ou restringindo, de alguma forma, anúncios de produtos que têm alta emissão de carbono em espaços públicos. Mas nesse nível de amplitude que você falou, por exemplo, companhias aéreas não podem fazer propaganda? Alguns, sim. Holanda, por exemplo, em espaços públicos, essas companhias aéreas, porque são movidas a combustível fóssil, não podem fazer anúncios exatamente para desestimular os hábitos da população. Quer dizer, desestimular a viagem de avião?
Exatamente, exatamente. Agora, alguns países são mais restritivos, outros não. Amsterdã agora, a cidade de Amsterdã, Sadenberg acaba também de proibir propaganda de carne.
tanto carne vermelha como frango, hambúrgueres, em espaços públicos, porque são produtos de alta emissão de carbono. Então, qual é o objetivo maior? Tratar combustível fóssil como se fosse propaganda, como se trata a propaganda de cigarro. Exatamente, para não associar e não estimular o consumo, alinhar os hábitos de consumo da população toda às metas climáticas.
Agora, Rosana, eu imagino que a chance de aprovação desse projeto acaba sendo muito baixa, porque ele vai contra justamente interesses econômicos que são bem fortes aqui no Brasil e, aliás, no mundo todo, né? É, Cássia, infelizmente o projeto está sendo considerado muito radical pelos especialistas e a tendência é de arquivamento, né? Ele está parado agora na mesa do presidente da Câmara, nem foi ainda para as comissões técnicas. Se ele avançar...
com certeza vai enfrentar muita resistência. Empresas como a Petrobras, distribuidoras e montadoras de veículos, a gente sabe, tem um lobby gigantesco no Congresso e vão com certeza agir para barrar ou esvaziar essa proposta. E até outros setores também devem se mobilizar, porque a cultura, o esporte, o entretenimento ainda dependem muito do patrocínio dessas empresas de petróleo e gás. A Petrobras, por exemplo, é a maior financiadora que a gente tem.
Estivais, cinemas, museus, toda a questão do esporte. Então, a lei, se avançar realmente, ela iria prejudicar muito esses setores. Então, no melhor das hipóteses, o que é que os especialistas estão dizendo que vai acontecer? Nada. O texto final vai ser ajustado para colocar uma frase de advertência nas propagandas dos fósseis. Como a gente vê hoje no cigarro que tem assim...
pare de fumar porque isso causa câncer, ou nas bebidas, beba com moderação. Nesse caso seria assim, a exploração de combustíveis fósseis é responsável direta pela mudança do clima. Tá certo. É isso que vai resultar só nisso mesmo. Tá certo. Rosana Jotobá, obrigado, Rosana. E até a semana.
Vou tomar um chazinho de gengibre e volto no domingo. Tá certo. Até mais, Zé. Um beijo. Tchau. Conheça a Trilha, um negócio da B3. Impulsionamos sua empresa a fazer perguntas certas para transformar complexidade em decisões claras, seguras e aplicáveis. Saiba mais sobre a Trilha em trilhab3.com.br.
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