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Primeiro romance de Bethânia Pires Amaro

07 de maio de 20269min
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José Godoy apresenta o romance 'Ressalga' de Bethânia Pires Amaro, convidada da Flip que venceu prêmio Jabuti pelos contos de 'O Ninho'.

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Participantes neste episódio3
J

José Godoy

HostJornalista
T

Tati

Co-hostApresentadora
F

Fernando

ConvidadoJornalista
Assuntos2
  • Romance Ressalga de Bethânia Pires AmaroBethânia Pires Amaro · Ressalga · Bahia · Três gerações de mulheres · Nordeste · Apagamentos de raça, corte social, gênero e recorte geográfico · Anos 1930 a 1970 · Sertão nordestino · Questão religiosa · Recôncavo Baiano · Lavadeira · Imaginário fantástico e realismo fantástico · Salvador · Cabaret · Ladeira da Montanha · Boemia · Garça Preta · Mulher de Roxo · Lenda urbana · Desaparecimento da mãe · Potência cultural · Presença da mulher na sociedade · Maresia · Sargaço · Sensorial · Águas · Escassez de água · Fluxo dos rios · Mar de Salvador · Centro histórico de Salvador
  • Livro do mês: Kairos de Jenny ErpenbeckKairos · Jenny Erpenbeck · Berlim · Alemanha · Queda do muro · Relação abusiva · Homem mais velho e menina jovem · Nova Alemanha
Transcrição26 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Clube do Livro CBN, com José Bodói. Oi, Zé, boa tarde. Boa tarde, boa tarde, Fernando, boa tarde. Boa tarde. Eu fiquei contente que o Zé hoje vai falar do primeiro romance de uma escritura que eu tive o prazer de conhecer o ano passado na Flip, Zé.

Você teve com eventos dela? A gente vi de uma mesa, porque eu estava lançando um livro e ela foi falado dela, tinha mais uma autora com a gente e foi bom demais. Ah, que legal. A Bethânia Pires Amaro, que eu vou falar hoje, ela estava falando ainda do Ninho, que é o livro anterior dela. Então, a Bethânia se triou super bem com essa coleção de contos. O Ninho ganhou o Jabuti, o Prêmio Sesc, depois ganhou a PCA também.

E agora ela acaba de lançar o primeiro romance

Gostei bastante do livro. É uma história que se passa na Bahia, que tem uma pesquisa histórica para contar a história de três gerações de uma família de mulheres. Eu tenho me interessado bastante, acho que tem sido um traço que eu tenho visto em alguns romances brasileiros recentes, que tratam desse cruzamento de várias gerações de mulheres nordestinas.

E muitas vezes com essa geração mais recente retornando para o Nordeste para tentar entender o que aconteceu com suas ancestrais. As marcas diversas de apagamentos simultâneos que essas mulheres sofrem em termos de raça, corte social, gênero e próprio recorte geográfico. De certa forma, acho que o livro da Bethânia Pires, eu acho que ele está um pouco nessa...

Nessa categoria, acho que ela é mais uma dessas autoras que tem olhado, tentando recontar uma história das mulheres nordestinas nessas últimas décadas aqui no Brasil, ou pelo menos nos últimos séculos no Brasil, porque esse romance dela começa nos anos 1930, ele vai até mais ou menos 1970, ele começa bem no interior, no sertão nordestino, com a avó da protagonista, a narradora.

que a Janaína, que vive nesse sertão, que vai...

onde tem um movimento muito forte da questão religiosa, tem uma questão de um padre que aparece lá, que acaba fazendo com que ela saia dessa cidade, migre para o Recôncavo Baiano e comece a trabalhar como lavadeira. Essa é a história dela. Nessa parte do livro, acho que é muito forte a presença de um imaginário fantástico, de um realismo fantástico, que na verdade não é tão fantástico assim, considerando...

esses ambientes, um ambiente de escassez de água, de uma cultura muito violenta em termos de geografia, de sociais, acho que tudo isso contribui muito para uma tentativa diferente de explicar a realidade.

A Graça, que vai ser a filha da Janaína, já vai estar em Salvador, já é o segundo momento dessa família. Depois que ela sai de um casamento muito ruim e vai para a capital baiana para trabalhar em uma casa de família. E a partir daí ela vai fazer uma grande reviravolta na vida dela e vai se tornar proprietária de um dos principais cabarets da famosa ladeira da montanha no centro histórico de Salvador.

onde naquela época, nos anos 1950, tinha uma enorme boemia ali acontecendo. Ela vai mudar de nome nesse momento, deixa de ser graça e vira garça preta, e vira essa grande dona de cabaré. Acho que é um momento do livro onde a Bethânia mostra muito o trabalho que ela fez de pesquisa, recuperando o que era aquela efervescência nesse centro histórico de Salvador, e contando essa...

essas pequenas histórias dessas mulheres que trabalhavam ali, entretendo aquele público que circulava naquela região. A narradora dessa história toda, desse romance inteiro, é a Flor, que vai ser a terceira geração dessa família. Ela, sim, vai retornar a Salvador em busca de tentar entender esse passado. Aqui vai se misturar muito uma lenda urbana que ela começa a conectar com a própria história da família dela, que é a história da mulher de roxo.

Pra quem assistiu o filme recente da mulher, como era o nome da perna? Perna peluda. Perna cabeluda. Perna cabeluda. Pois é, cada cidade tem essas histórias. Nesse caso é a mulher de roxo, que era uma mulher.

que andava pelo centro de Salvador, só com o rosto e com as mãos e os pés à mostra, coberta por uma longa roupa roxa, que virou uma espécie de lenda urbana daquela região. E a Flora, que é a narradora, vai tentar, ela começa a se questionar se essa mulher de roxa não se conecta.

com o próprio desaparecimento da mãe dela, que era a Graça, ou a Garça Preta, que desaparece repentinamente durante o romance. Então é um livro muito interessante, porque ao mesmo tempo que ele possibilita a gente observar várias mudanças e várias histórias sobre a Bahia, e muito especificamente sobre Salvador ali, uma cidade como a...

uma enorme potência cultural no Brasil, e ao mesmo tempo a gente tem essa possibilidade de refletir sobre essas mudanças da própria presença da mulher na nossa sociedade, e mais especificamente nesse ambiente nordestino.

legal, adorei eu também adorei por que ressalga? ressalga também uma maresia é uma diferença aquele suor da maresia pois é, tem o sargaço também que ela fala, o cheiro do sargaço é um negócio que aparece o tempo inteiro, que são aquelas algas que tem

que emitem aquele cheiro mais forte. Então, ela é um filme muito sensorial. As águas são um personagem muito forte também. Primeiro pela escassez, depois pelo fluxo dos rios, por onde essa avó, que vai ser a lavadeira, vai seguir ele para ter essa atividade. E depois o grande mar de Salvador, o centro histórico se debruçando sobre aquele mar azul maravilhoso.

Muito bem. Podemos... E, ó, precisa estar lento para fazer o leitor sentir sensações como essas que você está traduzindo, hein, Zé? Muito. Não é fácil, não? Não, me impressionou muito, assim. Ela... Muito hábil, a Bethânia, assim. O jeito que ela vai construindo. Exatamente. É um livro bastante sensorial, Tati. Acho que, realmente, ainda mais, acho que um livro que se passa na Bahia... É impossível... É impossível...

O escritor realmente tem que ter essa capacidade de tradução, porque é um ambiente realmente que te entra por todos os poros. No caso de Salvador, para quem já teve a experiência de estar naquela cidade, é uma cidade que te pega por vários caminhos, muitos que não são racionais, inclusive. Sim, super. Bom, tem esse. Vamos fazer um resumo desse antes de anunciar o livro do mês. Vamos lá. Esse que a gente falou é Ressalga.

Ressalgo, acabei de falar dele aqui. Acabou de sair. O primeiro romance da Bethânia Pires Amaro, escritora baiana. Está saindo agora pela editora Record. E vou anunciar agora o livro do mês, de Maicon. Vou falar na última semana deste nosso mês. Que rufem os tambores. Que rufem os tambores. Vamos fazer uma longa viagem em Bahia, Berlim. Opa! Nada mal.

A Berlim ainda, começando numa Berlim ainda pré-queda do muro, eu vou falar de Kairos, livro da Jenny Eppenberg, que é provavelmente a principal escritora alemã contemporânea. Ela conta uma história longa de uma relação entre um homem bem mais velho e uma menina jovem, uma relação que vai se mostrar abusiva e que vai transitar desde a época anterior ao muro e depois já numa...

Numa nova Alemanha, ela vai se desenrolar. É um belo livro. Ela é uma escritora de mão cheia. Ganhou o International Book Prize no ano retrasado. Tati Fernanda. Legal. Cairos, da Alemanha, Jenny Erpenbeck. É isso? Exatamente. Muito bem. Zé Godói conosco toda quinta, depois do Repórter CBN das três, lá pelas três e cinco. Obrigada, Zé. Um beijo pra você. Até a semana que vem.

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