Lula e Trump encerram encontro com avanços diplomáticos e promessa de cooperação econômica e policial
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Miriam Leitão
Cássia
Guilherme Muniz
- Reunião Lula e TrumpAvanços diplomáticos · Cooperação econômica · Cooperação policial · Combate ao crime organizado · Minerais estratégicos · Tarifas sobre produtos americanos · Donald Trump e a NASA · Lula
- Programa Brasil contra o Crime OrganizadoCompartilhamento de informações entre FBI e CIA · Classificação de facções como terroristas · Combate ao tráfico de drogas e armas · Lincoln Gagia
- Minerais críticos e terras rarasReservas de minerais estratégicos no Brasil · Disputa com a China · Regulamentação da exploração de minerais críticos · Parcerias com os Estados Unidos
Dia a dia da economia, com Miriam Leitão. Bom dia, Miriam.
Bom dia, Cássia. Bom dia, Guilherme Muniz. Bom dia, ouvintes da Rádio CBN. Bom dia, Miriam. Miriam, qual que é o balanço possível da reunião que houve ontem entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump?
Olha, foi muito boa, superou expectativas. Havia uma expectativa, uma esperança no Brasil, na verdade, de que fosse bem sucedida. Mas com todos os temores de um encontro bilateral entre dois países, sendo o Trump quem é. O Trump já preparou ciladas diplomáticas para chefes de Estado, como aconteceu com o Volodymy Zelensky, com o Rapaposa da África do Sul.
Não é que isso fosse um ponto grande de preocupação. Pelo que eu conversei, isso estava ali na cena. Quer dizer, ele faz isso de vez em quando. E veja que eles quebraram até o ritual que normalmente acontece, que é abrir para perguntas dos jornalistas, é aquela cena das fotos, e aí abre para o jornalista. E, normalmente, nesse caso aí, é que houve os constrangimentos aos chefes de Estado.
E eles não foram direto para a reunião. Outro ponto que mostra que a reunião foi bem sucedida é que ela foi muito mais longa do que se imaginava. Imaginava uma hora, uma hora e pouco, e aí durou três horas. Foi seguida de almoço.
certos pontos mais de conflito entre, de diferença de opinião mais forte entre os outros países foi deixado de lado e concretamente quando houve divergência, por exemplo, houve divergência sobre qual é a tarifa que o Brasil impõe sobre os produtos americanos. Você pode ter maneira diferente de fazer a contabilidade, o Brasil pode ter uma forma de fazer que desconta determinados pontos. Enfim...
O Brasil apresentou um número que os Estados Unidos contestaram. Não contestaram o número do déficit, pelo contrário, o déficit, como eles calculam, é até maior. Déficit para o Brasil. Mas o Brasil chega lá, olha, eu tenho déficit. Os Estados Unidos têm déficit com a maioria dos países, têm superávit com o Brasil. Então, o Brasil chega com esse argumento. Então, é o seguinte, nosso comércio pode ser aprofundado e as tarifas não fazem sentido, essas tarifas punitivas.
E o que se estabeleceu foi um grupo de trabalho que vai olhar direitinho o ministro da indústria e comércio no Brasil com o Jameson Greer. Eles vão olhar, o escritório comercial da Casa Branca, vão olhar, olha, isso aqui não está certo, esse número como é que calcula?
Então, são detalhes normais, naturais. E ao mandar para esse grupo, você tem mais chances de... O que você faz? Você cria um diálogo permanente. Agora, em outro nível, no nível de ministros, mas você cria esse diálogo permanente. A questão que se temia da facção, da declaração de...
de organização criminosa para as facções, que todos os especialistas que eu tenho ouvido têm dito que isso aí é muito ruim para o Brasil, essa classificação como facções criminosas, ainda as facções terroristas, que as facções sejam consideradas terroristas. E o argumento que mais forte eu ouvi do Lincoln Gagia, o promotor aí de São Paulo, ele disse o seguinte, atualmente a cooperação entre os dois países se dá...
se dá porque muitas investigações são feitas com o FBI. E o FBI pode compartilhar informação, mas se for considerado organizações terroristas, o Comando Vermelho, o PCC, aí o assunto passa para a CIA. E a CIA não compartilha informação porque é a Segurança Nacional Americana.
Então, veja que tem um entrave concreto, né? E esse assunto foi evitado. Não se falou disso, mas se falou de uma cooperação, aumento da cooperação na área do combate ao crime organizado. O Brasil continuou com o projeto de um acordo. E o presidente Lula falou de um acordo até que inclua mais países para o combate mais efetivo ao crime organizado e ao tráfico de drogas e armas.
Se falou também, né, Miriam, sobre a questão das terras aras, que é um ponto estratégico tanto para o Brasil, que tem uma das maiores reservas do mundo, quanto também para os Estados Unidos, que está em disputa com a China. E o Lula quis mostrar ali que o Brasil está aberto a novas parcerias, independentemente da origem de qual é esse parceiro. Se é norte-americano, também pode ter parceria por aqui.
E aí o Congresso deu ao presidente Lula um bom argumento para colocar na mesa. Ele falou que já acabamos votando, a Câmara já aprovou uma regulamentação para saber com que leis nós vamos entrar nessa exploração dos minerais críticos e estratégicos. Então isso aí já dá uma boa informação para colocar na mesa de conversa.
Em seguida, ele falou isso que você disse, Guilherme. Estamos abertos à cooperação com qualquer país. A gente quer, dentro desses parâmetros que o Congresso está definindo, nós vamos continuar cooperando. Ou seja, foi uma reunião de dois chefes de Estado, de dois países importantes, com respeito a cada um, com respeito às diferenças e que teve resultados positivos.
Em todos os sentidos, a diplomacia é feita de pequenos, ela passa informação nos pequenos gestos. Então, o fato dele ter sido recebido, da maneira como foi recebido, a foto, os sorrisos, o almoço que se seguiu, a reunião, a duração da reunião.
Tudo isso, somado, mostra que foi muito bem sucedida a ida do presidente Lula a Washington e superou as expectativas que eu estava ouvindo já na equipe que estava preparando a reunião. Guilherme e Cássia. Muito obrigada, Miriam. Até mais tarde. Até mais tarde.