Reunião entre Lula e Trump deixou de lado o conteúdo ideológico e focou em conversa técnica
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Alexandre Silveira
Bruna Santos
Dario Dunigan
Donald Trump
Jay Vance
Léo Santana
Lula
Marco Rubio
Maria Cristina Fernandes
- Reunião Lula e TrumpCaráter técnico da reunião · Deslocamento do conteúdo ideológico e político · Lula · Donald Trump e a NASA · Marco Rubio · Jay Vance · Alexandre Silveira · Dario Dunigan
- Minerais críticos e terras rarasDisputa global por cadeias de suprimentos · Dependência dos EUA de minerais críticos · China · Estados Unidos · Brasil · Terras raras · Minerais críticos · Congresso brasileiro · Lula · Austrália · França · Japão · Coreia
- Tarifas de ImportacaoProposta de acordo para evitar novas tarifas · Grupo de trabalho para comprar tempo · Investigações na 301 · Decisão da Suprema Corte americana · Lula · Donald Trump e a NASA · MDIC · Brasil
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte, o Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho, bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia. Obrigada.
CBN pelo mundo, com Bruna Santos. Ai, tão bonita essa vinheta, Bruna. Boa tarde. Boa tarde. Tudo bem?
Tudo bem, Brunão. Tudo jóia. Ansiosa para te ouvir a respeito da reunião entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Maria Cristina Fernandes esteve agora com a gente e observou as comitivas envolvidas nessa reunião. E eu queria te ouvir sobre isso. Quer dizer, foram os integrantes técnicos do governo, não exatamente os ideológicos, certo? Certo.
Primeiro de tudo, tinha muito homem dos dois lados. Tinha só uma mulher na sala na hora da reunião, que é a chefe de gabinete do Trump, que está sempre ali, rondando, e é uma figura super importante para ele. Mas sim, do lado político, americano ficou desfalcado. O Marco Rubio estava em viagem para o Vaticano para resolver aquela crise desnecessária com o Papa.
e não houve ali nenhum outro representante substituto, vamos dizer assim, do Departamento de Estado, que eu até achei relativamente positivo, porque conhecidamente o Departamento de Estado tem uma visão mais adversa em relação a essa administração, então acho que ali para o clima da reunião, para o clima da sala, isso acabou sendo bom.
E entrou o Jay Vance também como o vice-presidente, que eu achei também uma configuração interessante, porque, como você sabe, você tem o vice e o presidente, não é raro, às vezes, eles estarem na mesma reunião, né? Um é muitas vezes ali para substituir o outro. Foi interessante ver isso. Do lado brasileiro, o Lula levou claramente ali as pastas dos temas que ele queria falar.
O diretor executivo do diretor da Polícia Federal, me foge agora o nome dele, ele não entrou na sala, até porque houve ali nas vésperas do encontro.
Uma curiosidade, assim, que havia ali uma tensão em relação ao número de cadeiras, ao número de assentos. Aquelas salas da Casa Branca, elas são demasiadamente pequenas. Elas parecem super grandes, né? Mas elas são pequenas. Então, o diretor da Polícia Federal acabou não entrando. Entrou o Alexandre Silveira para falar de minerais críticos.
Dario Dunigan, com a agenda econômica de PIX, entrou o MDIC, o Ministério de Indústria e Comércio, que está liderando essa conversa junto com o escritório do representante de comércio sobre as tarifas. Então, sim, acho que foi bastante técnica a reunião e eu acho que isso é um ponto bacana do resultado.
ainda que limitado, relativamente positivo da reunião, é que você saiu, você deslocou o conteúdo ideológico e político da conversa para uma conversa técnica, e isso é um ganho super bacana nos dias de hoje.
Agora, Bruna, vamos falar sobre negócios, que é isso que os Estados Unidos estão de olho, sim, nas terras raras. E, coincidentemente, o Brasil, aqui o Congresso, aprovou um dia antes uma regulamentação sobre terras raras no país. Como é que isso foi debatido lá? Qual que é a verdadeira intenção disso tudo com relação a esse assunto?
Eu acho interessante, porque eu acho que é um subtexto, acho que esse movimento grande de terras raras, a dependência dos Estados Unidos, não só das terras raras, mas dos minerais críticos de maneira mais ampla, é um subtexto que eu acho que faz parte, inclusive, do porquê agora, dessa reunião, da resposta do porquê agora.
porque ela não é só apenas o Lula e o Trump. Eu acho que ela precisa ser entendida dentro de uma disputa global por cadeias de suprimentos, que a gente já falou aqui, em que os Estados Unidos estão em disputa com a China e onde a China já mostrou que pode usar instrumentos de pressão como a restrição à exportação de terras raras aos Estados Unidos. E isso automaticamente aumenta o valor estratégico do Brasil para Washington. O Brasil deixa de ser um parceiro...
apenas, sei lá, exportador de suco de laranja, carne, passa a ser um exportador de um possível, exportador de um produto que os Estados Unidos precisam muito. Isso é um ponto que eu acho importante da gente trazer, porque muitas vezes nessas reuniões a gente fica muito obcecado com o encontrar o consenso, né? Quando, na verdade, eu acho que mais do que o consenso a gente tem que encontrar onde estão as vulnerabilidades mútuas.
E ali, claramente, os Estados Unidos têm uma vulnerabilidade que é a necessidade de acessar esses recursos para poder não depender da China tanto assim. O Lula ali sinalizou, obviamente, aquilo que a gente já sabe, que é abertura para atração de investimento, abertura...
para compra, para negócios, mas sem garantir exclusividade, que é uma questão que eu acredito que vai vir a ser cada vez mais debatida, não só pelos governos, mas sobretudo pelas empresas privadas, pelos conselhos das empresas privadas, na compreensão de em que medida eles vão querer as suas cadeias super expostas a China ou aos Estados Unidos e arcar com o risco da coerção disso. O que eu quero dizer com isso? Será que o... O que eu quero dizer com isso?
que o comprador chinês ou o investidor chinês vai acabar exigindo que a cadeia dele seja completamente descolada da americana e vice-versa, acho que essa é uma exposição de risco importante da gente olhar. Mas isso foi com certeza um subtexto estratégico. Não foi falado no detalhe. Foi uma reunião de três horas, uma reunião longa, uma reunião com uma boa parte social, porque teve ali o componente do almoço. Não foi discutido em detalhes, mas agora deixa aí aberta a janela para a discussão.
dos meandros aí dessa conversa. A gente estava acompanhando aqui na coletiva e quando Lula falou sobre o interesse dos Estados Unidos nos metais críticos brasileiros, ele falou em primeiro lugar China, aí na sequência ele falou, mas também pode ser Estados Unidos, pode ser França, pode ser Japão, pode ser Coreia. Ele numerou ali vários países, deixando claro que não quer algo só para um país.
Isso é super interessante, porque esses outros países estão também entendendo como vão investir no Brasil. A Austrália, por exemplo, é um país muito importante nesse jogo, é um país que tem investimento já no Brasil nessas cadeias. Então, eu acho que buscar essa diversificação, o Lula faz muito bem em apontar isso, porque ao buscar essa diversificação com outros parceiros, ele acaba...
blindando, gerando maior complexidade nessa cadeia, não deixando ela só binária. E aí você acaba blindando a necessidade de olhar para o mundo de forma...
China versus Estados Unidos. Isso é muito positivo. Ele falava ontem, a gente abre licitação aqui para produção em vários setores, você tem empresa chinesa pleiteando o investimento aqui, não tem empresa americana. Então, quer dizer, o próprio Lula estimulou ali a concorrência mesmo, para que as empresas americanas participem. Sabe que isso é uma queixa que muitos outros líderes da América Latina e que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente que a gente
apresentam para os Estados Unidos. Eles olham e dizem, pô, vocês vivem querendo que eu não faça negócio com a China, mas então apareça para fazer negócio comigo. Isso, perfeito. E recentemente até teve um caso que irritou muito os americanos sobre uma mina no Brasil. Eu me esqueci agora o lugar, mas era uma mina da Rio Tinto que foi vendida por um grupo chinês e aí os Estados Unidos ficam bastante irritados com isso.
E, no fim das contas, não era nem eles que estavam ali disputando. Não era nem os americanos que estavam ali disputando a compra. Eu não quero fazer negócio com você, mas também não quero que você faça negócio com a China. Aí não dá, né?
Exatamente, aí não dá, né? Aí não funciona. Então, é uma demanda que a gente vê muito acontecendo de vários presidentes, não só do Lula. Sim. Ô, Bruna, houve também uma proposta de acordo. Eles acertaram uma proposta de acordo para evitar a imposição de novas tarifas de importação sobre produtos brasileiros e isso deve sair aí nos próximos 30 dias.
Lula saiu super bem-humorado do encontro. A julgar pelo sorriso de Donald Trump nas fotos, ele também aparentemente saiu satisfeito. O que a gente pode prever a partir desse encontro no que diz respeito justamente a tarifas de negócios entre os dois países? Então, o Lula saiu dali com o tempo e ele usou uma tática que é muito conhecida por muitos.
que é de montar um grupo de trabalho, que é basicamente você comprar tempo. Então ele ganhou ali 30 dias. E ganhar tempo numa relação tão volátil é um super ativo político. Então é muito bom, ponto para ele. Além disso, a gente sabe que o entregável ali não era sair com um acordo assinado. Ele não saiu com um acordo assinado, ele saiu com mais tempo e com uma imagem super positiva, sorridente e um elogio do presidente Trump. Então isso está ótimo.
Saímos de turbulência administrada para turbulência administrada. Nada mudou, vida que segue. Nesses 30 dias, a gente sabe que o Brasil tem que seguir a conversa, especialmente entre o escritório do representante de comércio e o MDIC, para discutir as investigações na 301, que é o que a gente já sabe que está rolando e que, muito provavelmente, o resultado sai em julho.
Me alegra saber que vai haver uma reunião de alto nível entre o escritório e o MDIC, porque até agora tinham acontecido outras reuniões, eu até contei aqui de alguma, mas que tinha sido num nível mais baixo, então me alegra muito que agora, com a conversa entre os dois presidentes, houve essa distensão. E, de novo, eu, ao mesmo tempo que está acontecendo isso, a gente tem que observar os movimentos aqui. Ontem, uma corte americana derrubou...
em alguns lugares e para alguns produtos. Não é ainda uma decisão generalizada o instrumento que tinha substituído aquele instrumento anterior que a Suprema Corte tinha derrubado, que era o instrumento de excepcionalidade. Isso empurra os americanos ainda mais para o uso dessa chamada 301. Então isso aí vai continuar, gente. A gente não pode esquecer de que sorriso ou não sorriso, ainda vem tarifa por aí, na minha opinião.
E acho que talvez essa alíquota vai ficar menor. Talvez a base não vai ser 10%, talvez seja 15%, ou quem diga 30%, a minha aposta ainda segue sendo em 15%. Mas aí o Brasil ganha tempo e ganha um tempo menos tensionado para esse diálogo e de mais alto nível. Isso é o ponto. Mas não houve acordo. Houve um consenso em torno da criação de um grupo de trabalho, que não é necessariamente um consenso, mas eu acho já um avanço super importante.
Bruna Santos conosco toda sexta-feira no nosso CBN pelo mundo. Obrigada Bruna, um beijão até a semana que vem Beijão, até a semana que vem pessoal tchau, tchau
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Magalu