O saldo do encontro entre Lula e Donald Trump
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Fernando
Maria Cristina Fernandes
Tati
- Encontro Lula e TrumpLula · Donald Trump e a NASA · Sessão 301 da Lei de Comércio · PIX · Marco Rubio · Peter Hexert · Lutnik · Bessent · James Sogria · Suzy Wiles · J.D. Vance · Irã · Xi Jinping · China · Terras raras · Marco regulatório dos minerais estratégicos · Bolsonarismo
Tudo é Política, com Maria Cristina Fernandes. Oi, Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte.
A foto da reunião, depois da reunião, entre Lula e Donald Trump sugerem dois presidentes bastante satisfeitos com uma conversa que durou cerca de três horas. E o humor do presidente na entrevista coletiva que ele deu depois também sugere isso, Maria Cristina. Com certeza, Tati. Ele e a comitiva desembarcaram hoje de manhã.
aqui no Brasil, e eu acho que ninguém esperava que se conseguisse um cenário tão favorável para o Lula. A gente só tem o relato da comitiva.
brasileira, mas aquilo que foi produzido para consumo externo desta visita, que são as fotos, as declarações do Trump, o sucesso do Lula em fazer a entrevista na embaixada e não no ambiente mais controlado da Casa Branca, esse encontro mais longo do que se esperava, tudo isso meio que de mão beijada.
O Lula recebeu tudo isso, assim, pelos relatos, não houve nenhuma... Não se colocou ali nenhuma demanda com...
que viesse a ser prejudicial aos interesses brasileiros, nada constrangedor, não houve este clima. Segundo relato do presidente, chequei com dois diplomatas, de fato, o maior desentendimento é a chamada Sessão 301 da Lei de Comércio, que é aquela que acusa o Brasil de práticas desleais, mas por conta da questão tarifária.
Os americanos dizem que a tarifa média dos produtos americanos para entrar no Brasil é maior do que aquela que o Brasil avalia ser. Então, eles vão ter que entrar em um acordo em relação a isso daqui a um mês e na 301 também vai ter algum estresse. O presidente disse que não tocou na questão do PIX, que era uma preocupação, porque o PIX...
concorre com as bandeiras de cartão de crédito americanas. Mas, segundo o Lula falou, e ele estava muito a cavaleiro naquela entrevista, impressionante, né? Meio que dono da situação, né? Mas o PIX não está dentro da 301, Maria Cristina? Pois é, mas ele disse que o PIX, propriamente dito, não foi falado pelo Trump. Agora, o que...
Muita gente tem falado dessa coisa do Lula ter levado isso para a embaixada. O local, pode ter sido importante o local, e o Lula administrou bem essa entrevista lá, colocou cada ministro para falar, coisa que ele não poderia ter feito lá na Casa Branca. Agora, um diplomata com quem eu falei disse que o mais importante para o bom resultado dessa visita foi a ausência de dois secretários.
O primeiro é o secretário do Departamento de Estado, Marco Rubio, que é o grande conhecedor dessa relação bilateral, é de origem cubana e comanda lá no Departamento de Estado, tem uma sessão que é praticamente devotada a fortalecer a extrema-direita no Brasil. São os interlocutores da família Bolsonaro.
E ele solta e prende, dá corda e prende esse pessoal dele ali, mas ele conhece bastante o que se passa no Brasil. Ele foi senador e como senador ele tem longas relações com a diplomacia brasileira. Ele não estava lá, ele estava em visita ao Vaticano.
E o outro era o Peter Hexert, que é o secretário de defesa, porque a presença dele teria sido trazido mais incômodos ao Brasil, porque o Hexert é o defensor maior da militarização do combate ao narcotráfico. Essa guerra toda contra a Venezuela, de afundar navio, que aliás parou depois que eles conseguiram...
fazer uma aliança com a Délce, que levaram o Maduro, parou essa coisa, mas continua ali essa guerra no Caribe.
Mas essa militarização de colocar forças armadas e não a polícia dos países para cuidar de narcotráfico, isso é uma coisa do headset. E é um ponto meio que do qual o Brasil não abre mão e o presidente falou isso ontem na coletiva. A ausência dos dois acabou por favorecer o Brasil nessa...
nesse diálogo, porque quem estava lá eram os não ideológicos, os dois secretários ligados ao comércio, que é o Lutnik e o Bessent, que é de tesouro, e os dois de comércio, que é o James Sogria, do escritório de representação comercial, e o secretário de comércio, que é o Lutnik, além da chefe de gabinete, que é a Suzy Wiles, e o vice-presidente.
No relato que eu tive, entrou mudo e saiu calado J.D. Vance. Agora, por que o Trump... E o Trump também estava voltando de todo esse envolvimento do Irã, que eles dizem que a guerra acabou, e não é que acabou, acabou, porque eles não querem mais se meter. O Trump jogou muito alto, ameaçou muito o Irã, não conseguiu nada do que queria.
nessas ameaças e aparentemente quer mudar a pauta. E este encontro com o Brasil foi marcado para isso, uma tentativa de mudar a pauta das relações internacionais. Porque é o que se especula. A comitiva voltou para o Brasil sem saber exatamente porque o Trump fez esse encontro para...
este resultado de bombejada para o Lula. Porque eu conversei com o Celso Amorian antes do encontro, que é o assessor especial da presidência, o principal conselheiro, né? Ele saiu de Itamaraty, já se aposentou, mas é o conselheiro internacional do presidente. Antes e depois, e ele concorda com a avaliação de que a iminência do encontro do Trump com o Xi Jinping, o Trump-Bai, a China...
pode ter contribuído para o Trump, porque ele tem marcado esse encontro tão de bate-pronto, porque ele falou com o Lula por telefone na sexta-feira, passado o encontro já aconteceu na quinta seguinte, então com menos de uma semana. Para ir para a China, meio que podendo, digamos assim, sabendo onde ele está pisando neste país que tem a segunda maior reserva de terras raras, acho que este grande...
esse minério que os Estados Unidos precisam tanto para a sua indústria de tecnologia. Este tema na reunião foi tocado por iniciativa dos americanos, este foi o relato que eu tive, mas de uma maneira muito leve e muito pouco impositiva, nem muito leve, dizendo que os Estados Unidos têm interesse. Aí foi quando o Lula entrou com a história do projeto de lei, esse marco regulatório dos minerais estratégicos que foi aprovado no Congresso na quarta-feira.
Então, isso sim pode ter sido um dos fatores, mas exigiria que os Estados Unidos tivessem tido uma postura mais incisiva e não o tiveram. O fato é que o presidente saiu desse encontro com este ativo.
que é ter sido tão bem recebido na Casa Branca, ter ficado o dobro do tempo do que se esperava. E com isso, Tati e Fernando, os setores, seja do Departamento de Estado, seja da Casa Branca, que operam contra o Brasil, eles se enfraquecem.
Porque isso é um jogo, né? A Casa Branca, o governo americano, não é um bloco, não é uníssono, né? É um cipoal, é uma cesta de interesses diversos, de tendências diversas, que se enfrentam, tem muita luta interna. E este encontro favoreceu aqueles que querem normalizar a relação com o Brasil. E deixo favor, favoreceu aqueles que querem plantar a cisânia para...
cultivar essa ideia no imaginário do brasileiro que o Lula é um opositor da maior democracia do mundo e que isso vai prejudicar o Brasil, que é o que tem feito o bolsonarismo desde sempre. Perfeito. Maria Cristina Fernandes conosco todos os dias em Tudo É Política. Obrigada, Maria Cristina. Um beijo para você. Bom fim de semana.
Beijo para você, para o Fernando. Um bom fim de semana para os ouvintes. Até segunda. Até segunda. Até.