Mães na literatura para as infâncias
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- Paternidade e MaternidadeHumanização da mãe · Maternidade real vs. idealizada · Importância das ilustrações
- Zurileia, mãe monstrinhaMaternidade múltipla e desafios · Humor na literatura infantil · Ciúme entre irmãos · Lia Zatz · Rosinha
- A Rainha da TorreMãe com medos · Percepção infantil da maternidade · Humanização da figura materna · Cary de La Vega · Fátima Ordinola
- Lidando com a rejeição e o 'eu te amo'Dúvidas infantis sobre amor materno · Imaginação infantil e situações surreais · Validação do amor materno · Arthur · Rosinha
- Maternidade e Amor IncondicionalMãe múltipla e multifacetada · Valorização da infância e da arte · Poética da infância · André Neves
Páginas da Infância, com Janaína Barros. Páginas da Infância, mais uma edição com Janaína Barros, com a gente aqui, Jana, bem-vinda mais uma vez, boa tarde para você. Boa tarde, Fernando, boa tarde também aos ouvintes. Véspera de Dia das Mães, hoje, nosso assunto, Mães na Literatura para as Infâncias. Vamos começar por onde, Jana?
Fernando, livros diversos, artistas também diferentes, diferentes editoras e propostas aqui. Mas eles têm uma coisa em comum.
que é trazer essa mãe para a vida real. Tirar essa mãe desse lugar ali romântico, aquela maternidade em que tudo dá certo, e também dessacralizar essa mãe, né? Uma mãe que é perfeita, que nunca erra. Livros que tratam essa mãe como uma humana. Perfeito. Acho que esse é o tom. Tá. A gente vai começar com A Rainha da Torre. Que livro é esse, Jana?
A Rainha da Torre, estou mostrando aqui para quem está nas nossas transmissões por vídeo, da Cary de La Vega e da Fátima Ordinola, saiu pela Companhia das Letrinhas. Uma mãe que tem medos, Fernando. Todas têm, não?
narrado por uma criança aqui e essa criança vai trazer a percepção dela sobre esse dia a dia da maternidade, esse dia a dia da relação com a mãe. Essa mãe tem muitos medos e também é um baita desafio enfrentar esses medos na maternidade, nessa lida diária. Tira essa mãe um pouco dessa capa de heroína.
de que dá conta de tudo, é perfeita, sabe lidar com todos os problemas, todos os desafios. Eu acho que esse livro, ele acerta nesse sentido de humanizar essa mãe. Agora, Jana, sempre que a gente pega um livro desse tipo, tem imagens belíssimas, ilustrações belíssimas. Por que elas são importantes na leitura, na literatura infantil, infanto-juvenil?
Na literatura, para as crianças e para os jovens, Fernando, a imagem também conta história. Ah, claro, é aquela percepção de que a imagem, talvez culturalmente, esteja ali apenas para enfeitar, apenas para dar o tom que o texto já deu conta de trazer, mas não. A imagem, o formato, e aqui eu chamo a atenção, um livro comprido.
As guardas dele, que são as primeiras páginas, depois da capa, trazem aqui tijolos, uma muralha. Já dá o tom dessa mãe que tem medos, tem essa dureza, tem esse afastamento, esse isolamento. Traz esse tom azul aqui, as cores também são importantes. O tom azul dessa mãe, que está ali num turbilhão de emoções, passando por muitas coisas.
O tamanho desse filho aqui, a mãe tá muito grande na capa e o filho tá pequenininho. O que significa isso? No durante, vai ter uma inversão de papéis. Essa mãe, que deveria ser tão forte e o filho frágil precisando dela...
acolhe essa mãe, isso muda, o filho fica grandão e a mãe bem pequenininha. Então esse filho aqui estende a mão, acolhe essa mãe, entende que ela também tem dificuldades e que está tudo bem, todo mundo pode passar por essas dificuldades e que juntos eles podem passar até melhor.
Traz aqui, Fernando, também ilustrações de livros. Essa mãe tem medo que esse filho saia, mas eles gostam de ficar juntos em casa. E esses livros são um abrigo, são um encontro, são uma oportunidade que os dois têm para sair do lugar, para viajar, mesmo dentro de casa. Então, esses livros aparecem voando aqui. Tem muitos convites para o simbólico. Aqui são só algumas chaves de leitura que a gente traz para essa leitura em casa.
Tá, então você faz sempre um resumão no final ou a cada livro a gente... Um resumão no final. Então, perfeito, perfeito. Só pra saber. Passamos agora para Zurileia, mãe monstrinha. Zurileia. Zurileia, mãe monstrinha.
Está aqui nas câmeras para quem está nos acompanhando, da editora Peirópolis, autoras Lia Zatz e Rosinha. Desafio vivido por muitas mães aqui, Fernando, que é ser múltipla, dá conta de tudo, dá conta do trabalho, da casa, de mais de um filho. Inclusive nessa capacidade de atender as demandas.
Mais de um filho, você sabe. Demandas diferentes por essa mãe. Atenção dobrada, atenção pedida de um jeito que essa mãe tem que se multiplicar. Braços, pernas, cabeças e até colos múltiplos para dar conta de tudo isso. O tom muda de que forma?
Tom muda. Aqui da Rainha da Torre para a Surileia, completamente diferente. Apesar de ser um relato real, maternidade real, ciúme entre irmãs, essa disputa pela mãe, pela atenção da mãe, vem aqui costurado com humor. Traz muito humor, traz cores, traz imaginação que essas mães têm no dia a dia para transformar aquele perrengue, aquela luta entre irmãs.
Em uma fabulação, em uma brincadeira, pra que tire daquela atenção e todo mundo caia na risada. A vida real que acontece todo dia na nossa casa. E o Surileia traz bem esse tom aqui. Bom, acho que muita gente vai se identificar. Eu tenho uma imagem que é daquela mãe. Pensa naquele personagem do circo que fica equilibrando vários pratinhos ao mesmo tempo.
Tem isso aí? Tem isso aqui, olha. Eu acho essa a melhor imagem para descrever mães. É bem esse tom aqui, que a mãe vai descrevendo dia a dia, e aí, de repente, ela se transforma mesmo. Ela tem duas cabeças, tem quatro braços, quatro pernas, e é esse equilíbrio mesmo, é essa a ideia, né? Vamos falar sobre esse reconhecimento das ouvintes que estão com a gente e se identificam com isso, Jana.
Olha, ouvintes ali que têm 40 e poucos, 50 anos, podem se identificar e perguntar, mas Surileia é uma personagem nova? Não, é a mesma Surileia dos anos 80. Esse livro aqui é dos anos 80, tinha ilustrações da Eva Fornari e agora vem numa reedição.
trazendo ilustrações da Rosinha e a Surileia, além de alcançar novas gerações agora com essa edição, também virou avó, Fernando. Ah, então é vó monstrinha. Então é um combo, Surileia mãe monstrinha, que é uma reedição, e Surileia vó monstrinha, que agora, Surileia atual, né, já virou avó.
Que legal, que legal. Passamos para mais um. Você me ama, Arthur e Rosinha, selo Otal, editora Caixote. Rosinha, que faz as ilustrações de Surileia, aqui traz uma dupla com o filho dela. E é um livro que traz, Fernando, uma dúvida que eu tenho certeza que é de muitas crianças.
e que já ouvimos em casa, principalmente quem tem mais de um filho, muitas vezes. Rosinha tem 30 anos de carreira, uma artista do Recife, mora em Olinda, consagrada para a literatura para as infâncias. Esse livro aqui vem agora nesse formato, mas ele já foi um fanzine. Lá em 2008, quando ele nasceu, e ele parte das dúvidas do filho Arthur, do filho dela, que é... Você me ama?
Mas esse amor aqui, é só meu? Gente, eu sou a frase direta. Qual é o filho que você ama mais? E ele vai aqui imaginando situações surreais, como se você tivesse que entregar um dos seus filhos para ETs, em troca de salvar o mundo da extinção, que filho você daria para o ET? Isso é pergunta que se faça, Janaina?
E é maravilhoso porque ele viaja aqui, a imaginação dele é sem fim. Ele imagina muitas situações incríveis pra desafiar essa mãe e validar esse amor, né? Mas será que ela me ama mesmo, de todo jeito, em toda situação? Como é que a mãe reage?
A mãe reage aqui de uma maneira muito bacana da gente pensar. A mãe apenas ri, Fernando. Ela apenas sorri. Ela ouve esse filho e deixa esse filho fabular, inventar. Ela não vai lá querer dar uma solução, querer justificar. Aqui estou mostrando uma imagem aqui. O filho de um lado falando e a mãe deitada. Apenas ouvindo e deixando esse menino dar asas à imaginação.
validando mesmo esse direito da dúvida, né? Ouvindo. Quem pegar esse livro, Jana, vai saber de cara que é da Rosinha? Não. Por quê? Isso é uma coisa muito legal. É muito diferente de tudo que a Rosinha já fez. Rosinha completou agora 30 anos de carreira.
Como já disse, é uma artista de Recife, tem traços culturais muito fortes na obra dela, tem muitas cores, tem muita delicadeza. E aqui é um livro preto e branco, tem um humor ácido, tem os desenhos tentando traduzir essa imaginação da criança, essas situações surreais, esse nonsense. Mas o que tem de bonito nisso, Fernando, eu fui num evento dos 30 anos de carreira dela, em que ela diz, eu gosto de me reinventar.
Então, assim, eu gosto de me desafiar, eu gosto de ser outras, né? Eu não preciso estar sempre repetindo os mesmos trabalhos, os mesmos tons, aquilo que já me fez conhecida, né? É legal também experimentar. Nossa, demais, muito bom. Passamos agora para mais uma mãe. Essa é a Mamãe Apaixonada. Que livro é esse, Jana?
Mamãe apaixonada do André Neves, pela editora Joaquina. Aqui uma proposta totalmente diferente. A mamãe é uma mamãe apaixonada por flores, por pássaros, pela primavera, por fantasias, por viagens. Estou mostrando aqui um pouquinho. E a criança que vai contando que essa mãe é múltipla, ela gosta de fazer muitas coisas. Nada exatamente a define, não tem só uma cara essa mãe. Essa mãe é a delicadeza dessas pinceladas do André Neves aqui.
das cores, é um pouco a valorização da arte, é uma mãe que gosta de livros, de música, de arte mesmo, de pinturas, e é uma forma também de valorizar a infância, porque essa mãe vai relembrar um pouco a infância dela.
Como tudo era alegria, como tudo era apaixonante, como ela brincava, tem o movimento, tem as cores. Então, eu acho que é uma celebração que o André Neves faz aqui, dessa poética da infância, né? Dessa criança que é movimento, que é história, que imagina, que fabula. E esse encontro que é muito bonito entre gerações, que pode ser do adulto e da criança, que pode ser da mãe e do filho. Os traços são diferentes, Jana? Delicados, né?
É lindíssima a obra dele, Fernando. Eu tive num encontro recente com ele, em que ele está mostrando um novo livro. E aí ele fala sobre esse processo criativo. O André nasceu em Recife, vive em Florianópolis. Ele mostrou um livro do processo de criação dele.
em que ele estuda ali o tema, o personagem, os traços, as cores, o movimento que esse desenho dá para aquele personagem que tem a ver com a história que ele quer contar. É um processo belíssimo, muito cuidadoso. O André faz um mergulho mesmo para cada livro que ele vai fazer. Muito bem. Jana, agora para a gente finalizar, atenção, você que nos ouviu, está curioso para anotar.
presentear. Páginas da Infância, então, hoje sugeriu o que, Jana? Livros com mães, né? Livros com diferentes mães, editoras, propostas e um pouco sobre humanizar essa maternidade, gente. Vamos tirar essa mãe aí dessa capa de heroína. Primeiro livro, A Rainha da Torre, da Companhia das Letrinhas, da Cary de Lavega e da Fátima Ordinola.
Aí vem a Surileia, Mãe Monstrinha, da editora Peirópolis. Aqui trazemos a Lia Zatz e as ilustrações da Rosinha, uma mãe que se desdobra aí para dar conta do recado em casa. Você me ama?
Uma dupla, filho e mãe, Arthur e Rosinha Queiroz, saiu pelo selo O Tal, da editora Caixote. Aquela dúvida que nunca acaba, mamãe, você me ama, qual é o filho preferido, em todas as situações vai sempre me amar. E por último, Mamãe Apaixonada, do André Neves, da editora Joaquina, que é a poesia, né? Uma mamãe múltipla, que gosta de artes, que se relaciona com a infância dela, com a infância do filho e com a vida de uma maneira muito delicada e poética.
Me identifiquei muito com a Surileia. Surileia, quem nunca, né? Jana, muitíssimo obrigado mais uma vez pela participação. Um feliz Dia das Mães para você e até a próxima, Jana. Obrigada para todos os nossos ouvintes também. Feliz Dia das Mães. Tudo isso, Fernando, só lembrando em arroba bjanaína. Obrigado, Jana, e até a próxima.