Voz inédita de Elis Regina renasce em nova versão de 'Corsário'
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Nando
João Marcello Bôscoli
Ricardo Câmara
- Jorginho Guilherme e Copacabana PalaceElis Regina · Corsário · João Bosco · Aldir Blanc · Processo de restauração de áudio · Inteligência artificial em áudio · Tecnologia de áudio
- Trabalho de Ricardo Câmara com a voz de ElisRicardo Câmara · Elis Regina · Restauração de áudio · Ruídos de gravação
- Paulinho da CostaPaulinho da Costa · Elis Regina · Percussão · Trama TV
- Programacao TelevisivaElis Regina · O Falso Brilhante · Grandes Nomes · Especiais de TV
- Paralelo e McCartney e a novela Corpo a CorpoParalelo e McCartney · Corpo a Corpo · Som Livre
- Conceito e mensagem do álbumElis Regina · Lennon e McCartney · Mestre Sala dos Mares · Álbum em desenvolvimento
- Show em São PauloElis Regina · Blue Note São Paulo · Música ao vivo
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No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas. Meu coração tropical está coberto de neve.
Ferve em seu cofre gelado, a voz vibre, a mão escreve mar. Bendita lâmina grave que fere a parede e traz as febres loucas e breves que mancham silêncio cais.
Muito bem, o que você está ouvindo agora é um lançamento especial neste Dia das Mães, dessa faixa de um single de Elis Regina, cantando Corsário, uma música de 1976, de João Bosco e Aldir Blanc, só que agora com novidades. Novidades e agora a gente tem o prazer de receber aqui no estúdio, João Marcelo Bosco, produtor musical.
idealizador de toda essa história, nosso colunista aqui no Estúdio CBN. Bem-vindo, João Marcelo, tudo bem? Ótimo, Nando, eu estava com saudade de vocês. Não consegui esperar a segunda, cheguei aqui no domingo e já vou ficar até amanhã. Sempre bem-vindo. E também o Ricardo Câmara, que é engenheiro de som, também participa desse projeto. Ricardo, bem-vindo à CBN, tudo bem? Obrigado, Nando, obrigado, João. Obrigado, ouvintes, prazer estar aqui. Muito bem. João Marcelo, vamos...
explicar para o nosso ouvinte como é que foi esse processo. Primeiramente, eu gostaria que você explicasse e contasse para a gente como é que a Elis teve contato com essa faixa. A gravação é de 76, como eu disse, música de Aldir Blanc e João Bosco. Os dois são os autores. Como é que ela descobriu isso? Como é que é essa história? A Elis tem no João Bosco e no Aldir Blanc uma das suas grandes fontes de canções. O Aldir como letrista.
A última vez que ele contou, ele deu uma entrevista, ele contou no sentido de um, dois, três, falou que era o letrista que ela mais tinha gravado.
Então, há discos da Elis que tem quatro músicas do João e do Aldir, quatro do Gil, por exemplo. Então, são artistas que... Compositores, no caso, mas que depois gravaram e tal, já tinham gravado um pouquinho antes, lançados por ela, consagrados por ela, e que eram também amigos e uma grande fonte. Então, quando ela estava em 76, Nando, nesse período, ela estava fazendo O Falso Brilhante.
E aí, nesse mesmo ano, como ela ficava de quarta a domingo no teatro, fazendo duas sessões em vários dias, segundo e terço era o dia de folga e ela gravava umas outras coisas. Entre elas, esse especial para a televisão, que não tinha o repertório, não era 100% baseado no repertório do show, mas era uma daquelas coisas que ela fez. Um exemplo, quem já viu Grandes Nomes aqui?
da TV Globo, em 1980, a direção do Daniel Filho, em 1980 ela ficou também seis meses em cartaz com um show e foi fazer um especial de TV. Nessa situação surgiu essa gravação de Corsário, com mais nove músicas, foram dez músicas gravadas. E aí, o que aconteceu? Por que a gente está com essa faixa aqui, o instante que foi pivotal?
apagaram os instrumentos originais em 1984 para usar essas músicas em outro álbum, um álbum lançado pela Som Livre. Foi trilha sonora da novela Corpo a Corpo. Tocou muito no rádio, vendeu o disco de platina. Na época foi muito sucesso.
Fez muito sucesso. O Paraleno e o McCartney acabou entrando no chamado Data Barzinho por causa desse álbum. Antes não era um sucesso de público, era uma música maravilhosa, mas o arranjo original de Paraleno e o McCartney era meio jazzístico e nunca foi. Então vamos lá. Em 76 ela grava, em 82 ela nos deixa fisicamente, em 84 pegam essas faixas, apagam os instrumentos originais e regravam e lançam. É um grande sucesso.
Quando, décadas depois, esse master volta para a família, a gente recebe dez vozes da Elis e os instrumentos que foram gravados em 1984, não os originais. Aí que entra o trabalho do Ricardo Câmara, inicial, que é quando a gente ouve a voz da Elis, como ela gravou numa sala ao vivo, junto com os outros músicos.
Ouvinte, Fernando, a instrumentação, todos os ruídos do estúdio, eles entraram no microfone dela. Então você tem a voz com uma sobra, com ruídos dos instrumentos. Para você tocar alguma coisa em cima e partir para uma nova ideia, você teria que suprimir esses ruídos. E aí é um trabalho longo.
falam muito de inteligência artificial. Claro que a gente vai olhar daqui a alguns anos esse tipo de entrevista e vai falar caramba, é como dizer em 78 que o nosso videocassete, a nossa TV, a máquina de lavar, eles usavam energia elétrica. Ou talvez antes. Então a gente está num momento de encantamento. Mas hoje é importante lembrar que é difícil achar um software no estúdio, não vou dizer 100%, mas não me lembro de nenhum que não tem o AI. Nesse caso é para restauração.
O Ricardo Câmara já faz isso há muitos anos. Não é um prompt, aliás, são vários softwares simultaneamente. Você simula o que está acontecendo. A vantagem é que, diferentemente de uma parede, onde tem um afresco, ou de um quadro, ou uma roupa, um vaso,
Você nunca estraga o original, você consegue avançar e ver que não está muito bom e recuar. Muito cálculo, né? Compramos um computador exclusivamente para essa etapa da carreira da Elis e ficamos felizes com o resultado. Inclusive, eu pedi para o Ricardo, ele trouxe aqui. Tem um trecho do começo da música, Como Recebemos, com todos os ruídos, os vazamentos no microfone da Elis, o que impediria até de tocar igual, porque nunca vai ficar igual, né? Nunca...
sempre vai dar algum problema. E aí, na sequência, tem o mesmo trecho depois de ter sido feito um trabalho de restauração. Vamos ouvir isso, então. Então, aumenta o volume. Põe o fone de ouvido para prestar atenção no que mudou. Vamos lá.
Os vazamentos dos instrumentos. Por você, eu, teu corsário preso, vou partir. Então você vê, os instrumentos estão ali. Rozeirás, nova granada de Espanha.
Por você, eu, teu corsário preso, vou partir. Sabe qual é o som desse software, quando termina? Quero ouvir o Ricardo mais sobre esse trabalho de restaurar essa faixa, ferramentas. O que você pensou? As principais dificuldades, o que você pensou e recebeu isso, Ricardo?
Bom, primeiro por ser a Elis, já tem uma responsabilidade gigante. Eu tinha feito já o para Lennon e para McCartney, e lá a tecnologia ainda não estava tão... A tecnologia disponível não era tão refinada quanto essa desse álbum. E foi isso, como o João já disse. Muito trabalho, tentando manter o máximo possível a integridade. E é óbvio, os softwares hoje...
com inteligência artificial ou não, estão incrivelmente com uma performance incrível. O que é mais difícil nesse trabalho? Tecnicamente, é tirar o ruído, dar um brilho, não sei como é que fala.
Difícil pensar. O mais difícil é você pensar que uma cantora fez um especial de televisão. Não é uma gravação de estúdio. Não era um microfone, digamos. É um sem igual a esse que a gente está usando aqui. Está lá na imagem. E ela conseguiu performar tanto. É impressionante. É mais que qualquer coisa. Porque aí você já é embebido nessa...
essa magia que Elis mostra. E a partir daí, então, a responsabilidade aumenta de fato, porque você vê as sutilezas das respirações todas preservadas, a performance absurda dela. Isso é o mais difícil, eu acho. Você cria um vínculo ali que é...
inexplicável. Só pra gente ter uma ideia do quanto é, pra fazer uma faixa, quanto tempo? Depende, né? Depende. É, porque às vezes tem soluções que, por exemplo, você chega num beco sem saída, Nando, e aí tem, sei lá, a interferência do prato, da bateria que tá vazando no S dela. Pra você tirar o prato, você arranca um pouco do S. Porque eles estão realmente na mesma zona ali de frequências.
Bom, o que a gente faz? Reza, aí vem um update que melhora. Você percebe que o S com uma audição ali muito atenta. Vem o update do software, você diz. Exatamente. Você tem que esperar o software atualizar para você. Às vezes sim. Não é uma coisa que acontece toda hora. Uma vez que vem, aí você tem a revisão muito rápida de todos os pontos. Com esse problema, você resolve.
Agora, é um trabalho de urivesaria mesmo, né? Porque, urivesaria, porque... Boa tarde, Pascuali. Porque ele tá ouvindo a gente lá. Ele ligou pra mim. Estamos ouvindo a Elis. Já ouvimos 720 vezes. Obrigado, Pascuali. Ó, vai dando like toda vez, Pascuali, que vai aumentando a audiência, né? Tipo, antigamente, quando você pedia pros parentes ligarem na rádio e pedirem a música, né? Mas, enfim, o lance é você...
Não tirar também, né? Claro que é uma coisa que envolve conhecimentos técnicos, mas vou tentar ser bem amplo. Não dá para tirar nada da voz da Elis.
porque você não sabe de onde vem o que te emociona. A gente não sabe. São harmônicos, né? São sons que a gente sente e não ouve às vezes. Tem sons que a gente ouve e sente. Então, imagine de novo numa pintura. Se você avançar na retirada de determinado artefato que surgiu com o tempo...
você pode avançar na tinta. Então essa é que é a dificuldade. Vamos supor que uma coxinilha toda vermelhinha cai em cima do quadro num dia qualquer e por causa dos vapores se funde a uma cor vermelha. E aí, como é que você tira a cor vermelha que não é, a que é? Então você vai indo numa lente. Por isso que às vezes eu acho importante esclarecer. Um, não é um prompt.
Dois, é a voz da Elis, não é uma geração. Vocês nunca vão ver um lançamento nosso, da família, com alguma coisa nesse sentido, de você dar um prompt para imaginar o que a Elis faria. Outras pessoas podem fazer, mas, da minha parte, eu não pretendo.
E é importante também lembrar que é uma coisa que vai emocionando as pessoas enquanto trabalham. O Ricardo falou que às vezes ele acordava à noite pensando tal coisa, porque além de ser uma figura que a gente ama, cresceu ouvindo e vê as entrevistas e se encanta como ser humano, nem sempre é assim, é um ídolo. Então você imagina, qualquer ídolo que eu tenha, ó, João, você vai fazer aqui um, vai corrigir um cachixi de uma música do Paulinho da Viola.
Gente, vai ser a coisa mais importante da minha vida naquele momento e vai reverberar para sempre.
É isso, Ricardo? Te tocou dessa maneira? Nossa, eu nunca imaginei na minha vida poder trabalhar com a Elis. Não é a primeira vez que eu trabalho. E ainda assim, continuo não acreditando nisso. Nem no meu melhor sonho. Porque, assim, é impressionante. É uma coisa assim. É um grande presente da vida e um presente do João, né? Principalmente. Bom, e aí, na hora de gravar, vocês fizeram da maneira clássica. Trouxeram todos os músicos pro estúdio.
Eles ouviam a voz da Elis num fone e tocavam e gravavam. Muito semelhante como aconteceria. Um olhando pra cara do outro. É, o contato visual. A gente tentou reproduzir, Nando e ouvinte, tudo o que podíamos de acordo com o jeito de trabalhar da Elis. Os músicos gravavam como? Ao vivo. Beleza. O andamento qual é? É esse. Ela decidiu. A canção é essa. Então a gente respeitou.
toda a sequência harmônica criada. Os instrumentos. Os instrumentos também, todos os instrumentos e equipamentos da captação são instrumentos anteriores ao ano de 76. Piano elétrico de 74, como a Elis usava. Piano, a bateria em 1970. Ludwig, modelo Ringo Starr. Tivemos a chance de ter o Robinho Tavares usando o próprio contrabaixo do Luizão Maia, que tocou com a Elis, gravou muito com a Elis. Então a gente vai, claro, é uma fantasia amorosa, né, Nando? É um álbum homenagem. Então.
A gente sabe que aquela voz que está ali, embora pareça muito que está nos ouvindo, ela não está ali. Então, é uma fantasia, um desejo de compartilhar com as pessoas dez vozes que, se a gente não fizesse isso, elas ficariam no HD. Você iria lá no estúdio uma vez ou outra, eu ia te mostrar, o Ricardo ia mostrar para algum amigo dele. Tudo dentro do estúdio, porque não daria para ser publicado.
Agora, o Ricardo falou que é um presente que dei para ele. Eu aceito, mas eu também digo que ele é um presente do destino, porque esse nível de dedicação, essa possibilidade de trabalhar, só vem quando a gente consegue ter a voz da Elis super restaurada. E também, só para aproveitar, a gente nunca usou...
A gente não usa e a gente nunca usará nenhum software de afinação na voz da Elis. E não é por uma questão de preconceito. É porque ela não conheceu esse efeito. Ela teria que isso sim aprovar. Então, num disco da Elis, não pode ter nada que ela não usaria. Então, a afinação que vocês escutam é real. Embora não pareça. Seja algo que pareça sobrenatural. Ainda mais se você imaginar que essa voz...
É uma voz que foi gravada depois de gravar nove músicas na sequência, numa noite, no meio de uma temporada, que ela ficou um ano e meio cantando de quarta a domingo, um show de duas horas, em várias sessões, duas sessões. Vamos ouvir mais um pouco dessa faixa? A gente vai pegar alguns detalhes, eu quero falar sobre o nosso Paulinho. O nosso, o seu, o meu, o nosso.
As geleiras Estou bolando uma coreografia para essa parte Depois eu vou lançar no dance
Mesmo que eu mande em garrafas, mensagens por todo o mar. Muito bem. Aí tem um momento, então, de todo esse trabalho, que Paulinho da Costa começa o seu trabalho aqui com o documentário dele. João conversa com ele. E aí como é que surge a possibilidade de Paulinho da Costa fazer a percussão para esta música, João?
Surge de algum momento que eu estava com o meu neocórtex desligado, minha autocensura foi parar em outro lugar, e eu falei, Paulinho, você não quer fazer uma faixa com a Elis? Aí ele falou, depois, eu vou resumir tudo nas palavras dele, inclusive estão no release oficial, ele falou oficialmente, eu nunca sonhei em trabalhar com a Elis, então esse não é um sonho realizado, isso é um milagre. Então eu fiquei...
E aí nas imagens, quem quiser ouvir a faixa, a faixa está na Trama TV no YouTube, em todas as plataformas. Chega ao Spotify amanhã. Queria lembrar que a gente tem Deezer, Cobus, a gente tem a Apple Music, a gente tem o YouTube, a gente tem um monte de lugar. E na sequência vai chegar no Spotify.
Uma questão das tecnológicas, das transmissões. Mas, independentemente disso, como a Elis, a Elis, quando saiu da Globo, foi para Bandeirantes, e o primeiro projeto dela alternativo foi Elis e Tom. Quando voltou ao Fantástico, foi para fazer Como Nossos Pais. Então, ela também andou sempre por vias diferentes. Mas, nas próximas 24 horas, chegará ao Spotify.
É isso, né? Eu fico feliz, Nando, porque a gente está falando de uma pessoa que não está aqui há 44 anos fisicamente. A gente fez uma audição para o meio na sexta-feira, às 5 horas da tarde. As pessoas atravessaram a cidade para ouvir uma faixa de 3 minutos e meio. Muitas rádios, muitas plataformas, veículos, jornais, fãs, artistas. Eu não esperava nem até isso. A gente foi vendo que teria que fazer uma audição.
numa época de microciclos de 15 segundos de ladrões de atenção você tem alguém que mobiliza todo mundo a ouvir uma faixa inteira em silêncio durante 3 minutos e meio com muito barulho interior é isso Ricardo, você estava lá quando o Paulinho da Costa fez a gravação?
Não, eu tive o prazer de mixar junto com o Toco Serqueira o documentário do Paulinho. Ah, é? E a faixa. E a faixa, é. Mas eu não estava em São Paulo nesse dia. O Ricardo foi promovido ao longo desses anos que a gente trabalha. Agora ele é um engenheiro, né? Ele só mixa, ele só recebe as coisas prontas. Acho que o bolato não está lá nunca, né? É? É, agora eu vou lá no estúdio.
do João, cadê? Cadê? Foi promovido, né, caramba? Agora é um engenheiro mesmo. Brincadeiras, a parte o pessoal que gravou é discípulo foi formado pelo Ricardo e hoje, como todo grande engenheiro, salvo uma situação muito específica que alguém precise, ele mixa ele restaura, ele masteriza
João, essa faixa faz parte de um projeto que foi iniciado em 2024 com a música para Lennon e McCartner e integra um álbum que está em desenvolvimento. Conte mais. Olha, o João Bosco já gravou Mestre Sala dos Mares com um violão maravilhoso.
Fiquei muito emocionado de tê-lo lá, porque também me coloquei no lugar dele de ser um cara que teve uma grande amiga com quem ele trabalhou, e ele perdeu essa amiga, né? E era uma pessoa que ele conversava muito, que ele gostava. Então, a gente ali... Todo mundo estava com saudade dela e todo mundo muito emocionado. Nunca ficamos tristes. A gente não consegue quando envolve a Liz, mas a gente fica muito emocionado. Então, a gente já tem Paralene McCartney, a gente já tem Corsário, essa que ouvimos.
já temos, que está lá na Trama TV no YouTube, e a gente tem Mestre Sala dos Mares, que o Ricardo vai mixar em breve. Depois tem mais sete músicas, o álbum sai em novembro. Eu queria dizer também que no mês que vem, a gente vai começar essa semana a divulgar aqui na CBN, mas vou falar em primeira mão, vai ter no dia 5, sexta-feira, no Blue Note São Paulo, 5 de junho, sexta-feira.
Elis Regina, o Elis e eu, com essa faixa ao vivo. A banda que acompanha o Elis na gravação é uma banda que participa desses shows que fazemos Elis e eles, ou Elis e eu, duas, três vezes por ano, em datas específicas. Então essa faixa vai ser lançada ao vivo. Então a gente vai pegar essa voz, assim como fazemos com as outras, e a banda que...
tocou no estúdio, vai tocar ao vivo. O que é legal, Nando e ouvinte, é que a voz da Elis sai do master e ela vai pra caixa de som junto com os instrumentos ao vivo. Então, se você tá ali num lugar, a gente já fez isso algumas vezes, e fecha os olhos, a diferença é que a fonte tá vindo de uma gravação e não dela ali. A diferença é fundamental, mas de olhos fechados a gente sente a presença dela. Ricardo, você se sente, como é que você se sente quando...
Não sei se eu posso falar assim, você é um restaurador de áudios? Você já se acostumou com esse termo restauração? Não, eu sou um profissional de áudio. E áudio tem várias vertentes, tem um campo de atuação muito grande.
E é uma das partes a qual eu trabalhei muitos anos com publicidade. E é uma coisa muito constante. Você recebe arquivos muito deteriorados, com muito ruídos. Então, sempre foi um lugar que eu tive uma atenção. E é óbvio, hoje, voltando a falar, com a tecnologia embarcada hoje, você consegue resultados absurdos. Coisa que há cinco anos atrás você não conseguia.
Tem uma ligação do Ricardo aqui com a nossa CBN. Ele fez parte, ele trabalhava no estúdio quando essa trilha foi feita. Muitas trilhas. Ele que entregou aqui. Muitas trilhas da CBN. Que legal, que legal. Dezenas de... Acho que centenas de trilhas que conhecemos, mas o departamento comercial vai ficar bravo se a gente citar. Olha só, João, essa música tem um frescor. Ela tem um pouco de modernidade. Ela tá moderninha. Você achou? Eu achei, eu achei. Interessante.
Era essa a proposta? Olha... O que você pensava? Eu acho que tudo que a gente vê de novidade hoje, ou quase tudo, é uma citação ou uma interpretação de alguma época, né? Nesse momento musical. Isso aqui é anos 60, anos 40. Agora usaram coisas dos anos 30. Ah, isso aqui é bem anos 80 e tal. A Elis teve grande parte da carreira dela, né? Anos 60 e 70. Teve um finalzinho dos anos 50 e início dos anos 80. Beleza. Então...
O que está na moda meio hoje, quando a gente vê o Anderson Paak e o Bruno Mars lançando há pouco tempo o Silk Sonic, era um som de 72, 73.
Só que com o áudio de hoje. Então a gente usa os instrumentos daquela época, ou seja, instrumentos que a Elis conheceu e que ela utilizava, mas com a potência do áudio de hoje, o grave, a presença, enfim, a beleza dos agudos e tal. Então, fico feliz de ela soar assim porque é algo natural. Não foi a nossa intenção.
Os caras usaram instrumentos da época, instrumentos que ela usou. Então, com o áudio contemporâneo, ficou desse jeito. E a voz da Elis também. A Elis faz parte de uma geração de cantoras, assim como a Gal, que são contemporâneas. Não parece um som de época. Teve uma mudança de chave. Quando ouvimos, talvez, a Carmen Miranda, que é hipermoderna e que eu amo profundamente,
Para as novas gerações, tem características o canto dela que talvez não pertençam ao chamado canto contemporâneo. Talvez daqui a mais algum tempo vai tudo se equilibrar. Mas a Elis tem um tipo de canto contemporâneo. Então, por isso que a faixa chega e no Brasil inteiro as rádios baixam da internet e saem tocando e as pessoas gostam. Porque é uma voz contemporânea. Uma voz que ajudou a desenhar o que é o canto contemporâneo no Brasil e no mundo.
E garrafas, mensagens por todo o mar Meu coração tropical partirá esse jantar
João, quando o Paulinho da Costa gravou, ele era o único que não estava quando a banda estava, certo? Certo. Ele teve que gravar separado. E aí, como é que foi esse processo? Ele estava aqui, ele mora nos Estados Unidos, os instrumentos não estavam... Ele não estava com o container dele de instrumentos, né? Mas ele... O armazém dele. Eu imagino quanta coisa tem. Imagino. E aí, como é que ele foi? Ele pensava, eu quero tal coisa, eu quero fazer tal coisa aqui e tal.
Como é que foi esse processo? A gente tinha gravado um pouco antes dele chegar, duas bases, né? E aí...
Pensei em qual seria, já tinha imaginado que seria essa. A gente estava trabalhando aqui no lançamento dele, do documentário dele, o Paulinho da Costa, os sons do Paulinho da Costa. E aí, no final do processo, eu falei, Paulinho, gostaria muito que você participasse, você gostaria e tal?
Aí ele topou. Ele falou, claro que sim, mas eu quero gravar aqui. E eu nem tinha pensado ele gravar aqui. Eu pensei, mandamos. Hoje, né? Enfim, aperta o botão, chega lá, ele grava e manda. Só que ele quis gravar aqui. Aí eu mandei a gravação pra ele, ele ficou ouvindo no hotel. No dia seguinte ele falou, olha, eu vou usar isso, isso, isso e isso.
Por exemplo, eu vou usar Caxixis. Aí eu liguei para o Márcio Fortes, grande percussionista, que também é fã do Paulinho, como quase todos nós, mas percussionista é mais ainda. E ele chegou com um caminhão de Caxixis. O Paulinho falou, eu quero uma conga. Ele chegou com um caminhão de congas. E aí o Paulinho foi lá e fez como sempre fez. Ele ouve, faz apenas um take e faz a gente parecer bem melhor do que a gente é. Quando você pegou, Ricardo, o material dele para trabalhar, o que você achou?
Tem que falar, Paulinho da Costa. Paulinho da Costa, a lenda. É engraçado, é como se você ouvisse falar a vida inteira do Pelé e pudesse visitar um treinamento do Pelé e ver uma câmera só no Pelé durante a Copa. Impressionante. E quando você precisa de um som e você chama o Paulinho, não é mais o terreno das ideias e da caixa de som para cá. Você está da caixa de som para lá, você está fazendo a música. Ele chega e aí eu entendi todo mundo que ligou para ele antes. Eu falei, cara, essa sensação que eu estou tendo,
Se eu tivesse uma gravação amanhã, eu ligaria para ele e falaria, vem para cá. João, muito obrigado pela sua participação hoje aqui à conversa. Parabéns por mais um trabalho. Então, hoje tem o lançamento dessa música inédita, uma faixa inédita. Em todas as plataformas. O Spotify chega amanhã ou a qualquer momento. Tem no nosso canal Trama TV. Trama é uma empresa que a Elis fundou. E é isso aí.
O engenheiro de som que fez toda essa brincadeira acontecer, o Ricardo Câmara. Ricardo, muito obrigado pela participação, é um prazer tê-lo aqui hoje. Eu que agradeço, obrigado, Nando. João, obrigado, até amanhã. Obrigado, simbolizando todas as mães, além da minha, feliz dia das mães, pra você mamãe que tá ouvindo no Brasil inteiro. Vá lá, escute a Dona Elis no YouTube, que eu sei que você gosta. E simbolizando todas as mães, Dona Eurides, mãe do Cajaíba que tá ouvindo, um beijo. Feliz dia das mães. Valeu, João. Obrigado, Diogo, pelo bar a bordo.
Transcrição e Legendas Pedro Ribeiro Carvalho
Dili
EX5 EMI