A viagem de Donald Trump à China
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Filipe Figueiredo
Fernando
- Visita de Trump à ChinaDonald Trump e a NASA · Xi Jinping · Pequim · Guerra no Irã · Sanções contra o Irã · Parceria Irã-China · Eleições de meio de mandato nos EUA · Inflação nos EUA · Câmara Conjunta de Comércio EUA-China · Déficit comercial EUA-China · Compras de produtos agrícolas dos EUA pela China · Boeing · Terras raras · Minerais críticos · Corrida tecnológica China-EUA · Ucrânia · Taiwan · Gas Tax Holiday
CBN pelo mundo com Felipe Figueiredo
Felipe Figueiredo gravou o comentário dele hoje. Olá, Fernando. Olá a todos os nossos amigos e ouvintes da CBN. Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai se encontrar com o líder chinês Xi Jinping em Pequim, capital da China. E nós não podemos desvincular esse encontro de duas questões importantíssimas. A primeira delas é, obviamente, a guerra no Irã.
A China é um dos principais parceiros do Irã hoje. Depois que o primeiro governo Trump reimpôs as sanções contra o Irã, o Irã teve que deixar de lado a sua procurada aproximação e normalização econômica com o chamado Ocidente, especialmente com os países europeus, e aprofundou ainda mais as suas relações econômicas com a China.
Em 2021, o Irã e China assinaram uma parceria de 25 anos. No atual conflito, a China muito provavelmente forneceu inteligência, munições e talvez mesmo até equipamentos militares para o Irã. E principalmente uma questão, Fernando, que nós mencionamos aqui na CBN.
É que o diálogo mediado pelo Paquistão era também um diálogo envolvendo a China, porque China e Paquistão são hoje aliados muito profundos. Então, o assunto Irã certamente estará na mesa.
Agora, com talvez um papel menor do Paquistão, que também tem boas relações com a Arábia Saudita, com o país de organização de cooperação islâmica, por isso é um mediador muito forte nessa posição, mas agora provavelmente teremos conversas diretas entre Estados Unidos e China. Já a segunda questão é o fato de que nós teremos eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.
O governo Trump está com a sua popularidade em baixa. A inflação tem subido no país, puxada pela alta do preço dos combustíveis causados pela guerra no Irã, começada e iniciada por Estados Unidos e por Israel no dia 28 de fevereiro. Então, o governo Trump está numa situação em que ele não consegue sair direito.
Essas foram inclusive as declarações do chanceler alemão Friedrich Merz, que nós comentamos semana passada. Então, nessa véspera de eleições de meio de mandato, nós certamente podemos esperar que o governo Trump quer tirar dessa visita alguma vitória midiática, por assim dizer, para apresentar para o público interno.
Então, certamente teremos muitas fotos, certamente teremos Donald Trump se vangloriando na imprensa do tratamento que recebeu, certamente teremos uma recepção à altura de Donald Trump, tanto pelo seu cargo quanto pelo seu ego, e aí o governo dos Estados Unidos provavelmente quer buscar algo para anunciar para o público interno.
Dentre as questões que podem ser negociadas e, eventualmente, serem trazidas como a vitória para o público interno, está a proposta, o desejo dos Estados Unidos de estabelecer uma espécie de Câmara Conjunta de Comércio, para regular, de certa forma.
a balança comercial e também elos de investimentos para diminuir o déficit comercial histórico das últimas décadas dos Estados Unidos em relação à China. Isso seria uma continuidade daquele primeiro acordo implementado depois das tarifas do Donald Trump. Então, uma espécie de Câmara de Comércio, Câmara de Investimentos.
O Donald Trump está chamando isso de Board of Trade. Também, para o governo Trump vai ser interessantíssimo, importantíssimo, anunciar eventuais compras chinesas de produtos agrícolas. E aí, por exemplo, talvez se a China aumentar a sua compra de soja dos Estados Unidos, isso influencia a economia brasileira. É bom ficarmos de olho nisso. Mas também compras de produtos de alto valor agregado, como, por exemplo, aviões da Boeing.
O mercado de aviação doméstica chinesa é, obviamente, um mercado gigantesco. Esse é um dos poucos setores tecnológicos em que a China ainda não desenvolveu plenamente a sua indústria, então, em aviões comerciais de médio, grande porte.
compras, especialmente da Boeing, e a Boeing tem uma relação muito próxima com o governo Trump, próxima talvez até demais. Nós vimos o presidente da Boeing acompanhando o Donald Trump no seu último tour pelo Oriente Médio, com anúncios de vários negócios. Então, assim, é uma relação ali aparentemente que podem ter conexões nos bastidores, conexões de lobby, mas de qualquer maneira é possível que a China anuncie alguma compra desse tipo.
Indo além dessas pautas imediatas para serem anunciadas para o público interno, como a Board of Trade ou a compra de produtos dos Estados Unidos, nós também podemos especular.
podemos esperar, eventualmente, algum acordo, alguma negociação sobre as terras raras ou minerais críticos. Lembrando que a China detém o controle da maior parte dessas reservas e da produção dessas reservas. A relação entre China e Estados Unidos passa muito por esse elemento. Por quê? Porque além da China controlar, é algo essencial para a corrida de poder, para a corrida tecnológica que esses dois países protagonizam.
então hoje a verdade é que a indústria de tecnologia dos Estados Unidos não sobrevive sem a China e por outro lado também é importante mencionar que a indústria de tecnologia chinesa também precisa do acesso ao mercado dos Estados Unidos não é uma relação autárquica de nenhum dos dois lados pelo menos nesse momento, nessa quadra histórica claro que isso pode mudar no futuro
E, finalmente, nós provavelmente teremos duas grandes ausências nessa conversa, tá, meu caro Fernando? Que são as questões de Ucrânia e Taiwan. As questões de Ucrânia e Taiwan que fizeram parte essencial das relações entre Estados Unidos e China durante o governo Biden.
Agora, muito provavelmente, ficarão de lado, tanto pela emergência da guerra no Irã, quanto também pelo fato de que o governo Trump já sinalizou que prioriza as questões comerciais, as questões econômicas e questões que, inclusive, podem ser vendidas para o seu público interno.
E uma última informação acabou de sair aqui, é o seguinte, o governo americano vai suspender temporariamente o imposto federal sobre combustíveis nos Estados Unidos, é o chamado Gas Tax Holiday. Atualmente, essa taxa é de 18 centavos de dólar por galão de gasolina e 24 centavos no diesel. E isso não inclui os estaduais, os impostos estaduais, que são muitas vezes maiores.
O imposto gera mais de 23 bilhões de dólares por ano para programas federais de rodovias e transporte público. O presidente não pode suspender isso sozinho, vai precisar do Congresso, vai precisar aprovar isso no Congresso, essa medida no Congresso. Vale lembrar que tanto o Câmara quanto o Senado, por enquanto, são controlados pelos republicanos.